
Série Criaturas da Escuridão
Author
Katarina K.
Reads
1,3M
Chapters
37
Capítulo 1
Havia histórias sobre lobos gigantes na floresta atrás da casa dela. Animais do tamanho de cavalos, até mais rápidos. Ela tinha visto suas pegadas algumas vezes. As patas eram enormes. Mas ela nunca tinha visto os lobos de verdade.
Eles eram como fantasmas. Você não conseguia vê-los direito. Mas seus uivos ecoavam pela noite. Caçadores saíam em grupos para encontrá-los. Mas sempre voltavam de mãos vazias. Os lobos se escondiam. Parecia que eles sabiam que as pessoas estavam atrás deles.
Seu sobrinho sabia para onde ela tinha se mudado. Ele ficou muito empolgado. Pediu para ela tirar uma foto de um lobo para ele. Um lobo de verdade, vivo. Ele era louco por lobos. Acreditava mesmo que eles estavam lá fora. Ele era sua pessoinha favorita no mundo inteiro. Então ela fez uma promessa a ele.
A mãe dele já estava ocupada com outros cinco filhos. Disse para simplesmente imprimir uma foto da internet. Mas ela não podia fazer isso. Tinha feito uma promessa ao pequeno. Promessa é promessa.
Quando tinha tempo, ela colocava a câmera no ombro e saía para caminhar. Assim, estava cumprindo sua promessa. Estava procurando por eles.
Ela percebia que ele ficava triste por ela ainda não ter encontrado nenhum. Mas o sorriso no rosto dele quando ela contava sobre sua última busca era radiante demais. Era difícil descrever o quanto era radiante.
Já fazia um tempo desde que ela tinha saído em sua caçada aos lobos. Ela sabia que era hora. Quando ele perguntou da última vez que o viu, ela nem conseguiu lembrar. Apenas olhou para ele sem resposta. Isso a fez sentir culpada.
Então ali estava ela numa sexta à noite. Caminhando pela floresta densa com sua câmera. Ela geralmente caminhava direto por trinta minutos. Depois voltava quando sentia vontade de ir embora. Era algo que ela fazia do mesmo jeito toda vez. Era o que vinha fazendo há meses.
Mas desta vez, ela não verificou a previsão do tempo. Ela sempre verificava a previsão do tempo. Desta vez, arrumou sua mochila. Sua irmã a chamava de brincadeira de “A Mochila da Excessivamente Cautelosa”. Ela simplesmente saiu. Isso a colocou no meio de uma nevasca.
Ela não poderia ter sabido que isso aconteceria. Estava frio quando ela saiu. Depois de quinze minutos, ela viu o quanto tinha ficado mais frio.
Com a promessa ao sobrinho em mente, ela quis ir só mais alguns minutos. Mas a neve caiu grossa e pesada. Ela se perdeu em poucos minutos.
Tentou voltar. Mas depois de caminhar por mais de uma hora, sabia que tinha ido na direção errada. O medo tomou conta dela. Seu peito ficou apertado.
Ela pensou em parar e esperar. Até tentou usar o celular. Mas não havia sinal. Quem sabia por quanto tempo a neve continuaria caindo?
Mas quando o sol começou a se pôr, ela começou a questionar todas as suas escolhas. Seus sapatos estavam encharcados. Seus pés doíam de frio. Suas pernas estavam rígidas e pesadas de caminhar pela neve. Ela desejou não ter saído de casa.
Depois de horas caminhando, ela viu uma pequena cabana à frente. Talvez uma cabana de caça. Ela achou que ia cair na neve. Mas ver a cabana lhe deu um pouco de força.
Era estranha e velha. Mas ela estava cansada demais e realmente não se importava. Só quando estava na varanda e parada em frente à porta da frente é que viu que a porta estava entreaberta.
Ela engoliu em seco. Um arrepio passou por ela. Desta vez, era de medo e não de frio.
Olhou rapidamente para trás. Viu a neve caindo forte. O vento estava fazendo barulhos altos. Estava jogando neve no rosto dela e empurrando seu capuz para trás.
Ela assentiu. Fez sua escolha. Empurrou a porta devagar.
A escuridão completa a recebeu. Mas mesmo na escuridão, ela conseguia ver a forma de alguém deitado no centro da sala.
Engoliu em seco de novo. Estava com medo. Entrou e fechou a porta contra o ar gelado. Ela bateu com força. Ficou cercada pela escuridão. Apenas o som do vento estava com ela.
Deixou a mochila cair no chão. Ficou de joelhos para encontrar sua lanterna. Tateou dentro da mochila cheia. Então sua mão fechou em volta da lanterna grossa.
Ela acendeu depois que virou o interruptor e bateu nela algumas vezes. A sala em que estava era grande e vazia. A única coisa nela era a forma muito grande no centro. No fundo da sala havia o que parecia ser uma cozinha. À direita havia uma escada.
“Olá” ela disse baixinho para a forma. Estava com muito medo de apontar a lanterna para ela. “Você está bem?” chamou.
Depois de mais alguns minutos de silêncio, ela caminhou devagar até lá.
Era um homem. Um homem nu. Ele era grande e estava desacordado.
Ela tentou não deixar seus olhos percorrerem o corpo dele enquanto se ajoelhava ao lado dele. Ele era bronzeado. Isso era estranho para qualquer um que morasse aqui. O sol nunca aparecia. Seu cabelo bem preto estava espalhado pelo chão. O cheiro de sangue encheu seu nariz. Cheirava a metal.
Ela deixou seus olhos descerem mais pelo corpo dele. Encontrou de onde o cheiro vinha. Cortes enormes atravessavam seu peito. Estavam sangrando. Uma poça de sangue tinha se formado ao redor dele.
Ela sentiu pânico. Seus olhos se arregalaram com a visão. Era para isso que ela arrumava sua mochila. Então por que não estava fazendo nada? Apenas ficou ali parada. Observou seus ferimentos sangrarem. Viu seu peito subir e descer devagar demais. Sentiu-se congelada no tempo.
Então passou. Colocou a lanterna em pé para que a luz enchesse a sala inteira. Correu até sua mochila e a arrastou de volta para o corpo dele. Ela não tinha nenhum treinamento médico profissional. Só tinha algumas aulas sobre segurança na natureza, RCP e primeiros socorros básicos.
Despejou tudo da mochila no chão em vez de procurar dentro dela. Começou a separar suas coisas. Primeiro, pegou seu pacote de pano estéril. Pressionou sobre os ferimentos dele. Aplicou pressão por vários minutos para estancar o sangramento.
Quando recuou depois que o sangue parou, pôde ver o estrago. Os cortes eram profundos. Eram quase até o osso. Ela conseguia ver muito do músculo dele.
Um calafrio passou por ela.
Rapidamente passou pomada antibiótica nos ferimentos e os enfaixou. Agora que ele estava razoavelmente bem cuidado, ela precisava cuidar de si mesma. Estava com frio até os ossos. Suas roupas estavam molhadas.
Havia uma pequena pilha de lenha à esquerda da lareira. Ela sabia um pouco sobre como acender uma fogueira. Em alguns minutos, tinha um pequeno fogo aceso.
Ela queria simplesmente se deitar na frente dele como um gato. Mas lembrou do homem deitado no chão atrás dela. Ele tinha parecido frio quando ela o tocou. Provavelmente por causa da perda de sangue.
Tirou suas roupas molhadas. Estendeu-as para secar. Sem roupa nenhuma, puxou o homem para perto do fogo para aquecê-lo. Então, deitou-se ao lado dele. Apenas dois estranhos, completamente nus, no mesmo espaço.









































