
O Lobo Fae
Author
Delta Winters
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Profecia
ADALRIC
Esta é uma história do antigo e do novo, e de tudo que existe entre eles...
Há muito tempo, havia um rei cruel que destruía vilarejos com a mesma facilidade com que fazia suas refeições.
Ele tinha tanto poder e era tão mau que nenhuma outra força conseguia lutar contra ele.
Os muros de seu castelo eram tão altos que ninguém conseguia escalá-los. Seu coração era frio e fechado, exatamente como aqueles muros.
Algumas pessoas o chamavam de demônio. Outras o adoravam como um deus. Muito poucas pessoas conheciam seu nome, e ainda menos o diziam em voz alta. A maioria o conhecia como o Alfa-rei.
Diziam que enfrentar sua ira era pior do que morrer mil vezes. E era fácil deixá-lo furioso.
Nas profundezas de seu castelo, seus inimigos sangravam. Sofriam com o calor e eram aterrorizados pelas almas que permaneciam ali.
Dia e noite, puxavam suas correntes. Esperavam se libertar de seu castigo sem fim. Mas ele nunca lhes mostrava misericórdia.
“Misericórdia...” os prisioneiros sussurravam com vozes ásperas. Era uma prece desesperada ao seu Alfa-rei, o deus contra o qual se arrependiam de ter lutado.
Seu rei não era como qualquer outro homem. E mal era um homem.
Histórias se espalhavam rapidamente pelas terras. Poucos segredos permaneciam ocultos. Mas a verdade sobre o rei — havia muitas histórias diferentes, e nenhuma delas estava certa.
O castelo tinha mais de mil lobos guerreiros. Eram brutais e fortes. E isso era apenas o exército real.
Atacavam vilarejos por diversão, entre suas missões e viagens. Tomavam mulheres quando queriam. Ignoravam os gritos das mães enquanto machucavam suas filhas.
Eram monstros.
Mas não eram nada comparados ao quão monstruoso o rei era dito ser. Ele não fazia tais coisas. Era mais frio e distante de seu povo.
Era um tipo diferente de monstro.
As histórias do imortal Alfa-rei eram conhecidas em todos os lugares.
Algumas pessoas supunham que ele era parte lobisomem e parte algo desconhecido. E que havia recebido um pequeno pedaço de prata todos os dias. Isso desenvolveu sua habilidade de sobreviver à única coisa que poderia matá-lo, como matava a maioria dos lobisomens.
Sua capacidade de viver para sempre só ficou mais forte conforme foi treinado duramente pelos monges silenciosos que viviam nas cavernas vazias de Castriel.
Quando se tornou rei, ninguém ousava lutar contra seu governo. E permaneceu assim por centenas de anos.
Seu trono foi feito pelos melhores metalúrgicos. Usaram os metais mais raros do mundo para sustentar o corpo do rei poderoso.
Além do trono e uma coroa combinando, a sala do trono era vazia, simples e assustadora.
Nenhuma flor crescia atrás dos muros do castelo. Nenhuma natureza vivia ali. Haviam morrido há muito tempo, antes que o castelo fosse preenchido com força, poder e escuridão.
Nos terrenos sagrados de Hallerian, onde os altos sacerdotes proferiam suas maldições e cantavam canções das noites mais sombrias, uma nova profecia foi revelada.
Uma profecia que veio do próprio centro da terra. Foi tecida no próprio tempo e estava destinada a acontecer desde que o mundo começou.
Adalric Ethalowae, líder da ordem, partiu com suas pessoas mais confiáveis para contar ao rei.
Sua lealdade ia para quem tivesse mais poder. Trabalhar com o Alfa-rei lhes dava mais liberdade.
Depois de viajar por alguns dias, pediram para se encontrar com o rei, mesmo estando nervosos.
Os altos sacerdotes eram alguns dos seres mais poderosos da terra. Mas este Alfa-rei os fazia tremer de medo.
Adalric havia encontrado o rei várias vezes. Mas o olhar afiado do rei ainda podia deixá-lo nervoso.
O grupo esperou pelo rei na grande sala do trono. Foram deixados com os sussurros que se moviam pelo salão.
O teto curvo parecia guardar os segredos do recinto. A sensação no ar era perturbadora.
Adalric sabia que isso era um truque do Alfa-rei para mostrar seu poder, embora não precisasse. O salão sozinho podia abalar qualquer alma humana.
“Ajoelhem-se para seu rei!” uma voz masculina gritou, preenchendo cada canto do recinto.
Um grande grupo de lobisomens marchou para dentro. Cercaram os altos sacerdotes e formaram uma parede entre eles e o rei.
Então o próprio rei entrou. Tudo ficou imóvel. Seu poder preencheu o ar, forçando todos a se curvarem.
Ele se sentou em seu trono, acima de todos à sua frente.
Ninguém ousava olhar para ele. Simplesmente curvavam suas cabeças para mostrar respeito.
“O que traz os altos sacerdotes de Hallerian à minha corte?” a voz do rei ecoou. Sua voz soava irritada.
“Vossa graça” Adalric começou, dando um passo à frente.
“Trazemos uma nova profecia. Foi escrita nas estrelas desde o início dos tempos. Só agora foi revelada a nós.”
“Então, diga-me. O que essa profecia diz que vale meu tempo?” O rei não parecia acreditar nele, o que deixou o alto sacerdote nervoso.
“É uma profecia sobre vós e vossa companheira, vossa graça” o alto sacerdote disse. O rosto do rei mostrou que não estava satisfeito.
Uma companheira poderia torná-lo mais forte ou mais fraco. Um rei tão poderoso quanto ele não precisava de nenhum dos dois. Não precisava de uma companheira.
“O que há sobre essa companheira de que fala?” ele exigiu.
“Vossa majestade, as visões não eram claras. Mas há uma garota — vossa companheira. Vós e ela estão destinados a um destino poderoso. Há dois caminhos.”
“Um de grandeza para o reino. O outro de grande mal e escuridão.”
“O que isso significa, alto sacerdote?” o rei perguntou, levantando-se de seu trono e encarando o homem à sua frente.
Sua irritação era clara. Assim como seu orgulho pela ideia de um destino poderoso.
Mas um destino com uma companheira.
Enquanto isso, em um pequeno vilarejo na borda do reino, vivia uma garota.
Aurelia.
Seu cabelo era dourado, como seu nome sugeria. Seus olhos eram de um azul brilhante, cheios de curiosidade e juventude. Sua pele era levemente bronzeada, mas tão pura quanto neve fresca.
Era verdadeiramente linda. E com sua beleza vinha seu poder estranho.
Era uma excluída no vilarejo. Não desde o incidente. Um incidente que assustou muitas pessoas e as fez rejeitá-la ou se afastar dela completamente.
Aurelia sempre desejou poder ser apenas uma lobisomem normal. Queria ser feliz com uma vida simples em seu pequeno vilarejo. Mas não era normal. Não se encaixava ali.
Sua mãe havia morrido ao dar à luz a ela. Isso sempre fez sua irmã odiá-la. Eram só as duas.
Uma era tratada como uma Ômega inferior, enquanto a outra era tratada como uma dama, sempre esperando ser servida.
Olympia era feliz. Não era uma excluída. Era aceita. Tinha seu lugar em seu pequeno mundo e isso era bom o suficiente para ela. Aurelia não conseguia entender como podiam ser tão diferentes.
Aurelia queria mais do que o vilarejo. Queria encontrar seu lugar em outro lugar, mas ainda não havia encontrado. Nada a impedia. Seu poder era tudo que precisava.
Mas não eram apenas as outras pessoas que tinham medo de seu poder. Ele a assustava também.
Não havia realmente entendido quando apareceu pela primeira vez, quando tinha cinco anos.
Sempre o teve, mas não se manifestou até começar a sair de controle. Tentou controlá-lo, mas era um poder que tinha vontade própria.
Havia uma escuridão nele. Quanto mais o usava, mais forte e selvagem se tornava. Logo, estava usando ela em vez do contrário.
Então, o mantinha trancado, sem ter certeza de seu propósito em sua vida.
A tentação estava sempre lá. Poderia protegê-la do assédio constante que enfrentava. Poderia trazer de volta a dignidade que sua irmã havia tirado.
Poderia ser seu escudo contra tudo que a ameaçava.
E estava sempre a chamando. Era exatamente por isso que não o usava.
O mal era viciante. Ceder era o primeiro passo para um mundo terrível.
“Onde está sua irmãzinha?” uma voz masculina perguntou — uma que Aurelia conhecia.
Sabia que era melhor não interromper. O vínculo entre companheiros empurrava todos os outros para o lado. Havia aprendido isso da pior maneira algumas luas atrás, quando levou uma surra por isso.
Então ficou ali, esperando, ouvindo.
“Está pegando água, Lochlan. Queria poder me livrar dela” Olympia respondeu com um suspiro pesado.
“Então por que não faz?”
“É minha irmã. Não posso simplesmente abandoná-la.”
“Você é boa demais, minha linda companheira” ele respondeu. O som fraco de beijos chegou aos ouvidos de Aurelia. Então, ficou afastada um pouco mais, caminhando pela floresta.
Sozinha, deixou o riacho lavar seus pés. Acalmou a dor de seu trabalho duro. No fundo, sentiu uma preocupação incômoda que a corroía como veneno de prata.
Talvez fosse o poder que mantinha trancado, tentando se libertar. Mas sabia que era outra coisa, algo mais sombrio, algo mais distorcido do que conseguia entender.
Havia sentido isso a semana toda. Só ficava mais forte a cada dia que passava.
Um farfalhar do outro lado da margem do rio chamou sua atenção. Um lindo cervo filhote.
Aurelia travou olhares com o cervo, mas ele não fugiu como esperava. Em vez disso, se aproximou, como se fosse puxado em sua direção.
Quis tocá-lo, mas puxou as mãos de volta e desviou o olhar.
Foi para casa sem olhar para trás. Magia não era aceita em seu vilarejo. E definitivamente podia sentir magia perto daquele riacho.
Provavelmente terras florestais fae, seu antigo lar.
Quando a lua tomou conta do céu e o vilarejo ficou quieto, Aurelia descansou a cabeça nos fardos de feno. Havia decidido há muito tempo que eram mais confortáveis do que o chão de concreto duro.
Amanhã, faria vinte anos. Talvez encontrasse seu companheiro. Rezou à deusa para que não, porque isso significaria que ficaria presa nesta pequena cidade para sempre.
Então, planejou partir antes que isso pudesse acontecer. Teria uma aventura, procurando pelo lugar que esperava existir para ela.
O sono a levou rapidamente, a escuridão lavando sobre ela e puxando-a para baixo.
Naquela noite, sonhou com ele.
Um homem tão atraente que devia ser um deus. Um homem tão controlador que devia ser um demônio.
Seus olhos eram de uma cor dourada, cheios de malícia e maldade, brilhando à luz das velas de seu quarto. Um sorriso perverso brincava em seus lábios, como se soubesse que ela estava ali.
Sua camisa estava aberta, mostrando seu peito musculoso e abdômen. Seu cabelo era tão negro quanto suas características diabólicas.
Então deu um passo. Apenas um passo. E estava bem na frente dela.
Seu rosto rudemente bonito estava tão perto que ela podia sentir sua respiração. Seu nariz tinha uma leve protuberância, dando ao rosto uma aparência masculina. Barba por fazer cobria sua mandíbula. Suas sobrancelhas estavam franzidas.
”Estou indo atrás de você, lobinha” ele disse em uma voz baixa e astuta, sua língua passando por suas presas.
Mais um passo.
”Até logo.”
















































