
Sedução Executiva
Author
H L Wampler
Reads
1,4M
Chapters
34
O Começo
PIPER
Debrucei-me sobre o computador no escritório escuro. Meus olhos ficaram grudados na tela azul. A planilha precisava estar pronta hoje de manhã. Estava apenas na metade. Isso aconteceu porque nosso CEO maldito me passou outro projeto de última hora. Eu estava exausta. Ele adorava criar confusão e complicar tudo. Eu é que precisava limpar a bagunça.
Estendi a mão para minha xícara de café vazia. Soltei um suspiro longo. Arrastei-me até a única sala com as luzes acesas. Enchi minha xícara novamente. Apoiei-me no balcão. Observei a primeira luz do sol criar um brilho calmo antes do amanhecer. Foi um momento breve de paz antes das coisas ficarem agitadas outra vez.
“Vamos lá, Piper. Anima! Volta ao trabalho” disse baixinho para mim mesma. Tentei esquecer o trabalho que precisava terminar logo.
Tudo estava silencioso enquanto eu voltava para minha mesa. Meus colegas de trabalho chegariam em breve. Bryce O'Connell ia querer aquele relatório. O som suave dos meus sapatos no carpete era alto no escritório vazio. Fez-me sentir muito sozinha. Parecia que eu não deveria estar ali.
Você não deveria estar aqui tão cedo, Piper, pensei comigo mesma de forma irritada.
Peguei a placa dourada e de madeira que ficava na beirada da minha mesa. Ela me lembrava que eu trabalhava na empresa havia seis meses. A lembrança fez-me sentir bem e mal ao mesmo tempo.
Assistente Administrativa Executiva de Bryce O'Connell.
O cargo parecia mais uma prisão bonita do que algo para se orgulhar. Sentei de volta na minha cadeira barulhenta. Tomei um gole longo do meu café. Encarei a planilha esperando que algo bom acontecesse. Um som veio da minha tela. Eu estava esperando um e-mail de James. Ele trabalhava comigo no compliance. O assunto deixou-me gelada e preocupada: URGENTE: Contrato Sandpepper.
Abri. Meu coração bateu mais rápido.
A linguagem do contrato não reflete adequadamente as últimas regulamentações de compliance. Se for aprovado como está, estaremos expostos a possíveis litígios...
Meus olhos arregalaram. Eu tinha encontrado. Isso não era apenas mais um problema de trabalho. Era uma possível crise que poderia prejudicar a empresa de forma muito séria. Empurrei minha cadeira para trás. O barulho que fez mostrou o quanto aquilo era urgente. Mensagens da minha equipe apareceram de James:
Boa observação no contrato Sandpepper! Precisamos resolver isso antes de tornar público. Espero que o chefão esteja de bom humor hoje. Boa sorte com essa conversa.
Senti-me muito orgulhosa. “Eu posso resolver isso” disse baixinho. Senti-me pronta para agir. “Eu acho.”
O escritório estava prestes a se encher de gente. Eu estava pronta para transformar esse possível desastre em uma vitória.
“Há quanto tempo você está aqui?” uma voz suave perguntou do outro lado do corredor.
“Desde cedo esta manhã” disse. Abri minha boca bem grande porque estava cansada. Virei-me em direção a Alyssa. Ela era a mulher alta de cabelo castanho que trabalhava do outro lado do corredor.
“De manhã?” Alyssa perguntou. Seus olhos estavam arregalados.
“Não, ontem à tarde.” Revirei os olhos. “Sim, esta manhã.”
“Por que você veio tão cedo?”
“Aquele relatório que ele decidiu ontem à noite que precisava ter hoje” disse em tom irritado. Virei a tela do meu computador em direção a ela.
“Ai. Sinto muito.”
“É, eu também. Todos os dias da minha vida.”
Se eu soubesse como Bryce O'Connell realmente era, não teria pedido aquela carta ao meu professor. A voz dele fazia meu coração bater rápido e meu estômago embrulhar. Ele era bonito e misterioso, mas eu o odiava. Não conseguia entender por que as outras mulheres do escritório o amavam tanto. Ele me dava vontade de vomitar.
Eu tinha sentido o mesmo quando comecei. Ele tinha construído um negócio de tecnologia de primeira. Parecia que tinha saído de uma revista de moda todos os dias. Mas depois que o conheci, a personalidade dele matou qualquer atração que eu tinha sentido.
“Troy!”
Meu Deus, ele já está aqui.
“Troy! Onde você está?” Sua voz profunda veio de além das portas do escritório.
“Indo, Sr. O'Connell.” Respirei fundo algumas vezes. Levantei-me da mesa. Alisei minha saia. Endireitei meu blazer.
Deus me livre do chefe ver uma assistente desleixada. Tudo bem, Piper. Só entra e acaba logo com isso. O que aquele idiota possivelmente teria para gritar com você hoje?
Forcei um sorriso. Empurrei a porta do escritório dele. Caminhei em direção à sua enorme mesa de madeira escura.
“Srta. Troy.”
“Sim, Sr. O'Connell?” perguntei. Tentei manter minha voz firme.
“Que horas são?”
“Acredito que seja cedo, Sr. O'Connell.”
“Você acredita que seja?” Ele juntou as mãos sob o queixo. Olhou para mim com seus olhos verdes penetrantes. Piscou devagar. Inclinou a cabeça para o lado. Estava irritado. Eu quase podia ouvi-lo contando até dez na cabeça.
“É cedo, Sr. O'Connell.” Apertei os dentes. Cerrei as mãos em punhos ao meu lado. Queria socar seus dentes perfeitos. Em vez disso, forcei-me a sorrir.
“Está faltando alguma coisa na minha mesa, Piper?”
Tremi ao som do meu nome saindo dos lábios dele. Era suave como chocolate derretido escorrendo sobre caramelo. Eu poderia devorá-lo. Mordi meu lábio. Afastei os pensamentos.
Olhei para a mesa dele procurando qualquer coisa que pudesse estar faltando. Tudo que ele precisava estava bem na frente dele. “Não. Desculpe, Sr. O'Connell.”
“Café, Piper. Onde está meu café?” Ele ergueu as sobrancelhas. Estendeu os braços na minha frente. “E meu novo relatório?”
Seis anos de faculdade para ser a escrava de café dele? Estou cinquenta mil dólares endividada para buscar café para aquele desgraçado? Tenho dois mestrados.
“Por favor, me perdoe, Sr. O'Connell. Deve ter me escapado.”
“Deve ter. Cynthia nunca esquecia.”
Sério? “Cynthia também teve um colapso nervoso depois de trabalhar para você por três meses.”
“Sim, bem, nem todo mundo consegue lidar com o estresse de trabalhar para um gênio” disse em tom irritado.
“Nem todo mundo consegue lidar em trabalhar para um idiota” disse baixinho.
“O que foi isso?”
“Que tipo de creme você gostaria no seu café?” perguntei. Forcei-me a sorrir.
“Não me importo” disse em tom seco.
“Absolutamente, senhor.” Fechei a porta. Fiquei ali parada por um momento.
“Nossa, Pipes” Alyssa disse baixinho.
“Esqueci o café de Sua Senhoria.”
“Opa. Ele te deu um sermão?” Alyssa perguntou.
“Não. Ele gentilmente me lembrou que Cynthia nunca esquecia.”
“Cynthia enlouqueceu” por causa dele. Alyssa cruzou os braços.
“Aparentemente não foi culpa dele. Ela só não conseguia lidar com o gênio dele.” Esfreguei meus olhos. Caminhei em direção à cozinha.
“Use a caneca favorita dele.”
“É, é.”
A cozinha do escritório era uma bagunça. Pelo menos estava vazia. Procurei nos armários. Claro, a caneca favorita de Bryce estava sumida.
“Ah, qual é. Por quê? De todos os dias para alguém ser um completo idiota e pegar aquela caneca estúpida e maldita!”
“Você está falando sozinha, Piper” uma voz familiar disse do lado.
“Robby! Você sabe onde está aquela caneca azul idiota de Harvard?”
“Hum, acho que John da contabilidade está com ela.”
“O quê? Ele não estudou em Harvard. Meu Deus, o Sr. O'Connell está em um dos seus humores, e eu preciso daquela caneca.”
“Senta. Eu faço o café.” Ele levou-me até uma mesinha redonda. Entregou-me um donut velho que estava ali havia sabe-se lá quanto tempo.
“Obrigada, Robby.” Belisquei o donut. Observei as migalhas caírem no chão sujo abaixo.
“Não precisa agradecer. Só me deixa te pagar um drink alguma hora.”
Soltei um suspiro longo. Queria ter ido à cafeteria na rua. “Não sei. Eu realmente tento não misturar trabalho e prazer. Espero que você entenda.”
“É.”
Fiquei ali sentada observando enquanto ele colocava o café na cafeteira. Minha manhã já estava virando um desastre. Olhei para cima. Vi John da contabilidade passar com a caneca azul de Harvard na mão.
“John!” gritei. Pulei.
Corri pela sala e para o corredor. Ele não estava à vista. Corri pelo corredor. Olhei dentro dos cubículos.
“John!” disse alto em um sussurro. Esperando que ele ouvisse e olhasse para cima.
Droga, John.
Caminhei muito rápido para cima e para baixo pelos corredores dos cubículos. Enfiei a cabeça. Na última fileira mais perto do escritório de Bryce, avistei John. Corri até ele. Olhei por cima das paredes baratas de tecido para as grandes portas no fim do corredor que levavam ao escritório de Bryce. Aproximei-me dele sorrateiramente. Arranquei a caneca das mãos dele.
Balancei a caneca limpa e vazia no rosto dele. “Não é sua caneca!”
Corri de volta para a cozinha. Empurrei a caneca para Robby.
“Esta” disse entre respirações “usa esta.”
“Tudo bem. Aqui está” Robby disse. Entregou-me a caneca.
“Obrigada, Robby. Espero que ele fique feliz agora.” Peguei a xícara. Adicionei açúcar e creme de amêndoas. Corri de volta para o escritório de Bryce.
Bati. Abri a porta. Congelei.
Bryce estava trocando de roupa. Estava usando apenas sua camisa social e cueca boxer. Pisquei. Meu cérebro tentou com força entender o que eu estava vendo.
“Uh, Sr. O'Connell” disse com dificuldade. Minha voz ficou presa na garganta. “Não percebi... que você estava...”








































