
Questões de Família Livro 2
Author
C.B. Rose
Reads
80,5K
Chapters
38
Capítulo 1
Livro Dois: Questões do Coração
Kyle acabou de sair da prisão e das aulas de controle da raiva. Ele volta para a vida de Cassie e Xavier, dizendo que agora é um homem mudado. Mas será que está falando a verdade? Kyle não é a única pessoa que pode trazer problemas para eles. Será que Cassie, Xavier e seus filhos adoráveis vão conseguir enfrentar esses novos desafios?
Cassie
“Mamãe?”
“Hum?” digo baixinho, abrindo os olhos. Ali, na minha frente, está a garotinha mais fofa do mundo. O rosto dela mostra um sorriso enorme. Olho para a janela e vejo que está escuro lá fora.
Viro para o relógio ao lado da cama. São cinco da manhã. “Ana, por que você acordou tão cedo?” sussurro. Estou falando baixo para não acordar Xavier.
“É meu aniversário!” ela diz num sussurro alto. Eu rio enquanto Xavier se mexe atrás de mim e me puxa para mais perto.
“Sim, querida. Eu sei.” Dou um tapinha na cama na minha frente e ela pula para dentro. Ela puxa o braço de Xavier ao redor dela e se aproxima de mim, sorrindo.
“O papai sabia que você convidou o Nathan, meu amigo, para minha festa?” Ela sussurra alto de novo. Xavier encosta o rosto no meu pescoço e sussurra de volta igualmente alto.
“Agora eu sei” ele diz. Ele levanta a cabeça para dar a Ana um olhar bravo de brincadeira. Os olhos de Ana ficam arregalados e ela põe a mão sobre a boca, rindo.
“Papai! Você não era pra ter ouvido isso!” ela diz para ele. Ela passa por cima de mim para ficar entre Xavier e eu.
Ela põe os braços ao redor do pescoço de Xavier e olha nos olhos dele. “Você está bravo comigo?” Ela faz uma cara triste. Essa menina realmente sabe como conseguir o que quer dele!
“Não, não estou bravo.” Ele solta o ar. Eu rio baixinho comigo mesma, vendo ele ceder à carinha triste dela. “Ele é seu namorado?” Ana rapidamente põe as mãos sobre a boca dele.
“Papai! Essa é uma palavra feia! Não fala isso!” ela diz, parecendo chocada. Xavier olha para ela. O rosto dele mostra que está confuso e também acha engraçado.
“Qual é a palavra feia?” pergunto a ela. Ana se vira para mim. As mãos dela ainda estão cobrindo a boca de Xavier.
“O papai falou a palavra com “n”!” ela diz. Ela ainda está chocada que Xavier diria uma palavra dessas.
“Namorado?” pergunto a ela. Os olhos dela ficam ainda mais arregalados. Ela rapidamente move uma mão para cobrir minha boca. A outra mão ainda está na boca de Xavier.
“Mamãe! Não! Não! Não!” ela diz, balançando a cabeça. “Você não pode falar essa palavra! O cabelo do tio Evan vai cair!”
“O quê?!” digo contra a mão dela. “Por que o cabelo dele cairia?”
“O tio Evan disse que essa palavra é feia e eu não posso chamar nenhum dos meus amigos assim ou todo o cabelo dele vai cair e eu não quero que ele fique careca, mamãe, então por favor não fala mais essa palavra.”
“Eu prometi pra ele que não ia chamar nenhum dos meus amigos assim.” Ela continua falando. Xavier e eu começamos a rir.
“Seu irmão é demais!” Xavier me diz. Eu apenas balanço a cabeça para ele.
“Não se preocupa, querida” digo a ela. “O cabelo do tio Evan não vai...” Xavier rapidamente põe a mão sobre minha boca. Ele se vira para Ana e sorri.
“O cabelo do tio Evan não vai cair agora porque a gente não sabia da palavra feia. Mas agora que a gente sabe, prometemos não usar para nenhum dos seus amigos também.”
Ela sorri largo para ele, e ele beija a testa dela. “Por que você não vai escovar os dentes e começar a escolher suas roupas para a festa?”
“Eu já sei o que vou vestir” ela diz orgulhosa. “A tia Donna me ajudou a escolher.” Xavier revira os olhos e faz um som.
“Ela te botou pra usar uma coroa enorme e uma capa longa, não foi?” ele pergunta.
“Você é engraçado, papai! Ela não me deu isso pra vestir” Ana ri. Xavier solta o ar aliviado.
“Ela me deu uma tiara pequena porque a maior era muito pesada, e eu ganhei uma capa curta porque eu não conseguia correr com uma longa.” O rosto de Xavier ficou muito chateado quando ela respondeu, e eu tive que rir.
“Tudo bem, querida” digo, sentando na cama. Abro os braços para ela, e ela pula nos meus braços. “É um pouco cedo, mas por que você não vai escovar os dentes e se arrumar pro café da manhã?”
“Tá bom, mamãe.” Eu me abaixo para beijar a testa dela e dou um abraço apertado.
“Feliz aniversário, minha querida” sussurro. Xavier se inclina para beijá-la e põe os braços ao redor de nós duas.
“Feliz aniversário, princesa” ele diz baixinho. “A gente te ama.”
“Eu também amo vocês, mamãe e papai!” Ela nos dá um último abraço antes de pular da cama e sair correndo do quarto. Xavier me puxa para os braços dele e me beija com intensidade.
Um som suave sai dos meus lábios quando ele me levanta no colo dele. Minhas pernas ficam de cada lado dele. Paramos de nos beijar, e eu me aconchego no peito dele.
“Eu te amo, Cass” ele diz baixinho. A respiração dele está quente contra meu cabelo. O braço dele está apertado ao redor da minha cintura. A outra mão está esfregando minhas costas com carinho.
“Eu também te amo, Xavier.” Beijo o peito dele e o abraço forte. Consigo sentir meu coração batendo forte no peito. Tenho uma notícia pra dar pra ele, e estou animada e nervosa pra contar.
“Eu amo nossa pequena família” ele sussurra, beijando o topo da minha cabeça. “Não consigo pensar em ser mais feliz do que estou agora.” Consigo sentir o sorriso dele contra meu cabelo.
“E se nossa pequena família crescesse mais um?” pergunto baixinho. Ele para de esfregar minhas costas e me levanta para olhar nos meus olhos. Os olhos dele estão brilhando. Um sorriso largo se espalha pelo rosto dele.
“Você tem certeza?” ele pergunta. A voz dele está tremendo de empolgação.
“Sim, amor. Tenho certeza” digo a ele. Ele pressiona os lábios nos meus com força e me puxa para perto. De repente, ele nos vira para que eu fique deitada na cama e ele fique por cima de mim.
“Aaah!” Eu solto um som alto, rindo. Ele me beija de novo, primeiro nos lábios e depois beijando até minha barriga.
“Olá, pequenino.” Ele beija logo acima do meu umbigo. “Aqui é seu papai.” Ele continua beijando minha barriga enquanto fala com nosso bebê que ainda não nasceu.
“Mal posso esperar pra te segurar nos meus braços. Você tem duas irmãs mais velhas maravilhosas e um irmão mais velho que vão ficar tão empolgados pra te conhecer. Eu te amo, meu feijãozinho.”
“Feijãozinho?” Eu rio.
“Sim. Já vi ultrassons suficientes da Selena e do Isaiah pra saber que nessa fase, nosso pequenino tem mais ou menos o tamanho de um feijão.”
Ele sorri orgulhoso. Ele volta pra cima e me beija de novo. Eu nunca me cansaria dos beijos dele. “Quando você quer contar pra todo mundo?”
“Talvez amanhã?” digo.
“Por que não hoje?” ele pergunta. Os olhos dele mostram um pouco de preocupação.
“Hoje é o dia da Ana. Não quero tirar a atenção dela” explico. Ele acena com a cabeça e me beija de novo. “Amor?”
“Hum?” ele faz um som contra meus lábios.
“A gente devia trancar a porta.” Eu sorrio. Ele rapidamente pula da cama e tranca a porta do nosso quarto. Quando ele volta, passamos a próxima hora comemorando nosso novo bebê na cama... e no chuveiro.
Xavier
Hoje é o aniversário da Ana, e vamos fazer uma festa mais tarde com nossa família e amigos. Não consigo acreditar que ela já tem seis anos. Parece que foi ontem que ela estava aprendendo a falar meu nome.
E agora, ela acabou de terminar o jardim de infância e vai começar a primeira série depois do verão. Ela está crescendo tão rápido. Rápido demais para o meu gosto.
Ela ficou muito empolgada com a festa de aniversário a semana inteira, então eu já esperava que ela acordasse cedo hoje. Na verdade, estou surpreso que ela tenha conseguido dormir.
Eu a ouvi entrar de mansinho no nosso quarto esta manhã, mas fingi estar dormindo.
Isso até ela falar sobre aquele garoto Nathan. Ugh! Por que ela tem que ter amigos meninos nessa idade? Os meninos não deveriam ser nojentos nessa idade?
Quando ela me contou sobre o conselho engraçado do Evan sobre namorados, quase ri tanto que quase fiz xixi nas calças.
Tenho certeza de que a Cassie vai ficar brava com ele por isso, mas fico feliz se isso significar que a Ana não vai ter namorado até os oitenta anos.
Não tive muito tempo para pensar sobre a vida amorosa futura da Ana, porque assim que ela saiu do quarto, a Cassie me contou a grande notícia — estávamos esperando nosso quarto filho.
Caramba! VAMOS TER UM BEBÊ! Meu Deus! Outro bebê?! Por favor, que seja um menino dessa vez.
Não tenho certeza se consigo lidar com outra menina, e vou precisar de ajuda quando a Ana e a Selena começarem a namorar.
Depois que a Cassie e eu tivemos nossa celebração particular — na verdade, várias celebrações — acordamos nossas outras duas pequenas e descemos para fazer o café da manhã.
Nossos pais viriam tomar café da manhã conosco e nos ajudar a preparar a casa para a festa.
Minha mãe e a Sadie disseram que precisavam de umas quatro horas para colocar todas as decorações e preparar a comida, então queriam começar logo depois do café da manhã. Elas levam o planejamento de festas muito a sério.
Enquanto estamos todos sentados tomando café da manhã, percebo que o Charlie continua olhando para a Cassie e a Ana. Não sou o único que notou.
Vi meu pai lançando olhares preocupados para o Charlie. Depois do café da manhã, a Cassie e nossas mães levaram as crianças para o quintal para começar a preparar a festa.
Meu pai e o Charlie foram para a sala de estar conversar. Eu os segui.
“O que foi?” perguntei enquanto nos sentávamos no sofá. Meu pai olhou para o Charlie, que respirou fundo.
“Tem um problema, Xavier. Não tenho certeza do que pensar sobre isso ainda.” Ele soltou um longo suspiro. “Meu advogado está cuidando disso agora.”
Vi seus olhos se enchendo de lágrimas, e ele tentou impedir que as lágrimas caíssem. Senti meu estômago apertar.
“Que problema?” perguntei. Olhei para meu pai, e ele tinha a mesma expressão do Charlie. “O que é tão sério que você já colocou seus advogados para trabalhar nisso?”
Charlie enfiou a mão no bolso e tirou um envelope. Ele o segurou por alguns segundos antes de me entregar. Abri o envelope, tirei a carta e comecei a ler.
Li as primeiras linhas, e meu coração parou. De repente, não conseguia respirar. Levantei e caminhei até a janela dos fundos, observando a Cassie e a Ana rindo enquanto penduravam decorações no quintal.
Virei de volta para encarar meu pai e o Charlie, agora tentando segurar minhas próprias lágrimas.
“Xavier” meu pai disse. “Não sabemos se isso é real ou não. Vamos evitar decisões precipitadas.”
“Devo ter notícias dos meus advogados ainda hoje” o Charlie acrescentou, com a voz trêmula. “Aconteça o que acontecer, Xavier, vamos lutar contra isso.”
Voltei para o sofá e me sentei. Meu mundo estava girando. Meu pai sentou ao meu lado, colocando a mão no meu braço.
“Xavier? Diga alguma coisa, filho” ele disse. Olhei para meu pai, chocado. Não conseguia acreditar que isso estava acontecendo. Olhei de volta para o papel, meus olhos lendo as mesmas palavras repetidamente:
“Notificação para estabelecer paternidade”
“Contestação da adoção de Ana Montero”















































