
Coturnos no Laço
Transferência
LEXI
Link estava prestes a socar o velho que me incomodava na cara. Ele parecia horrorizado ao se encolher na mesa.
"Pare!" Eu gritei, agarrando o braço do Link e o levando para longe.
Os clientes ao redor estavam olhando, alguns cochichando uns com os outros. Um cara ergueu um telefone.
Que bagunça!
~
"Preciso falar com o gerente!" o cliente gritou.
Meu coração já estava disparado por ele me agarrar, e o Link tinha acabado de aumentar ainda mais a tensão.
Com o canto do olho, vi o irmão do Link se aproximar do cara.
Ótimo. Exatamente o que eu preciso.
~
Mas não pude lidar com isso, pois já estava com as mãos ocupadas.
"O que você pensa que está fazendo?" Eu disse ao Link.
Seu rosto estava vermelho e seu olhar se mantinha fixo por cima do meu ombro, fuzilando o velho.
"Senhor!" Eu disse, olhando para os clientes que assistiam, puxando seu braço para tirá-lo dali. Os músculos sob sua pele eram de ferro.
Ele olhou para mim quando paramos perto da entrada.
"Link, estou bem ~. Não faça isso! Eu não preciso de você para me proteger."
Seus olhos encontraram os meus e ele franziu a testa.
Parecia que ele estava em outro lugar, por um segundo?
~
"Tem certeza que está bem?" ele me perguntou.
"Sim, eu disse. Meu batimento cardíaco começou a voltar ao normal. "Eu estou bem. Esse tipo de coisa acontece todos os dias. Eu dou conta."
Eu olhei de novo para a mesa. Minha gerente, a Phyllis, e o irmão de Link estavam conversando com aquele cliente idiota e rude.
"Omeletes Denver nem têm cogumelos", murmurei.
"Ele não deveria ter agarrado você", disse Link.
Voltei minha atenção para ele. "Você está certo, ele não deveria, mas quando minha gerente visse, ela o teria expulsado. Agora é mais complicado."
Seu rosto mudou, assumindo uma aparência tímida.
À nossa volta, as pessoas estavam perdendo o interesse na briga, voltando para suas refeições.
Graças a Deus.
~
Eu sorri. "Olha, está tudo bem. Agradeço que você quis ajudar."
Ele acenou com a cabeça, mas baixou os olhos de uma forma que demonstrou que ele sabia que tinha estragado tudo. Bem, melhor isso do que um homem que não conseguia aceitar quando estava errado.
"Que tal você voltar para a sua mesa, hein?" Eu disse. "Vamos trazer a sua comida e a do seu irmão e fingir que nada disso nunca aconteceu."
Ele acenou com a cabeça novamente, mas enquanto voltava para o seu assento, estava cabisbaixo. Eu me senti mal.
Eu gostaria de poder fazê-lo se sentir melhor.
~
"Ei, espero vê-lo na quarta-feira", eu disse.
Ele se virou e olhou para mim. Então sorriu.
LINK
"Você acha que ela está interessada em mim?" Rowan perguntou enquanto eu me arrumava.
Era quarta-feira e o grupo seria em quarenta minutos.
"Ela me disse que esperava que eu comparecesse a essa sessão de grupo de novo ~no restaurante. Ela não precisava fazer isso," eu disse, tirando a camisa que tinha escolhido e provando outra.
Eu me olhei no espelho. Essa camisa era melhor para enfatizar como eu estava em forma.
Eu dei um tapinha no meu tanquinho. Porém, eu andava bebendo ~muitos pacotes de seis latas de cerveja ultimamente, e podia sentir uma flacidez que não costumava ter ali. Eu fiz uma careta para o meu reflexo.
- Sabe, Link, você pode considerar a possibilidade de usar outra estratégia - disse Rowan, cruzando os braços enquanto se encostava no arco da cozinha.
Eu ainda estava dormindo na sua sala e estava realmente começando a desejar ter minha própria casa.
"Que estratégia?" Eu perguntei.
Rowan balançou a cabeça. "Estou apenas pensando. O Tinder é uma delas. Muitas garotas dão match quando veem os seus peitorais."
"Eu não quero qualquer garota."
Rowan revirou os olhos e girou para sair. "Você nunca muda", disse ele.
"O que você quer dizer?" Eu questionei.
"Susie Rhodes."
Enquanto abotoava minha calça jeans, o segui enquanto ele cruzava da cozinha para o seu quarto.
"O que tem a Susie Rhodes?"
Rowan ergueu as sobrancelhas para mim. "Você vai fingir que não ficou obcecado por ela? Desde a sétima série até depois de se formar?"
"Obcecado é uma palavra forte."
"Apenas ignorou a Jerilene Kelley. A Teri Ingram. A Natalia Secada!"
Cada nome era uma acusação.
"Não sei do que você está falando", falei, embora fosse mentira.
"Finja que não se lembra de como todas essas belas garotas vieram atrás de você, e você não quis saber delas, porque elas não eram a Susie Rhodes, que nunca te deu bola.
"Se ela tivesse me dado uma chance. Um encontro."
"Eu sei disso. Foi ela que saiu perdendo!", disse Rowan. "Mas você está planejando fazer a mesma coisa com a Lexi. Sabendo que tem chance de que ela também nunca te dê bola."
"Obrigado pelo voto de confiança, mano."
"Vamos, Link", disse Rowan, balançando a cabeça enquanto entrava no quarto. O Centro de Veteranos de Guerra não é o Tinder. Eles estão tentando de verdade ~ajudar as pessoas". Ele fechou a porta na minha cara.
Eu olhei para ele. Eu iria provar que ele estava errado sobre a Lexi, e se eu quisesse fazer isso, seria melhor pegar a estrada já.
***
Terminamos o último exercício respiratório, inspirando em oito, segurando em quatro e expirando em quatro.
No caminho até o centro, não conseguia parar de pensar sobre como a Lexi me trataria, especialmente depois do incidente na lanchonete. Mas ela me cumprimentou com um sorriso caloroso e me senti melhor.
Assim como da última vez, ela disse: "Quando você estiver pronto, se seus olhos estiverem fechados, você pode abri-los e se espreguiçar".
Assim acabou a sessão, que foi semelhante à primeira de que participei.
Eu estendi meus braços, puxando um na frente do meu peito, e cruzando o outro sobre ele, formando um T. Depois eu troquei.
Estava me sentindo bem.
Essas técnicas de relaxamento da Lexi realmente ajudavam.
Ajudei a guardar as cadeiras.
Quando os últimos caras saíram, eu me aproximei dela. "O que você faz aqui é muito bom", eu disse.
Lexi sorriu. "Obrigada, isso significa muito para mim."
"Você está fazendo isso há um tempo, né?"
"No início, experimentei algumas coisas diferentes", disse ela. "Primeiro foi aula de ioga... mas passou como uma brisa suave."
Eu ri. "Não há muitos veteranos dispostos por aqui?"
"Bem, alguns. O Bryan tenta qualquer coisa."
"Por você, eu tentaria qualquer coisa também," eu disse.
O rosto da Lexi ficou sério.
Merda.
~
"Link, sinto muito. Eu sei que é fácil pensar..."
A porta da sala se abriu e alguém enfiou a cabeça para dentro, mas saiu com a mesma rapidez.
A Lexi suspirou. "O que quero dizer é que é normal se sentir... atraído por alguém como eu, que administra um grupo que mexe com você e o convida a ser... vulnerável, eu acho."
Eu pisquei para ela, sem compreender.
"Chama-se 'transferência'", disse ela com seriedade. "É algo que os psicólogos reconhecem - desde os tempos de Freud. Totalmente normal. Mas é muito importante que eu mantenha limites com você."
"Tanto faz, "eu disse em um grunhido, profundamente irritado com a condescendência.
Ela deu um tapinha no meu braço. "Sinto muito, Link. Mas eu realmente espero que você continue vindo para o grupo."
LEXI
Eu me senti mal por Link e, para ser honesta comigo mesma, não era apenas porque odiava magoar seus sentimentos.
Eu tinha gostado dele.
E eu não podia negar que aqueles músculos - aquele rosto enrugado - bem, se as coisas fossem diferentes...
Mas elas não eram, então era melhor tirá-lo da minha mente.
Quando deixei o Link para voltar ao escritório principal, meu supervisor, Hector, me interrompeu.
"Venha para o meu escritório, por favor, Lexi," ele disse.
Eu fui, incapaz de ignorar um pico imediato de tensão.
Hector era um cara bom, mas rígido. Ser chamado para ir ao seu escritório nunca era uma coisa boa.
"E aí?" Eu perguntei enquanto ele contornava sua mesa.
Gesticulando para o assento à sua frente, ele disse: "Eu percebi que você conversava com um cara novo, depois do grupo".
Eu balancei a cabeça, tomando o assento que ele havia indicado. "Sim. Com o Link."
"Ele acabou de entrar?" Hector disse.
"Isso mesmo. Hoje foi sua segunda sessão."
"Percebi naquele domingo e hoje ele ficou um pouco mais depois que o grupo foi embora."
Dei de ombros. "Ele ajudou a guardar as cadeiras. Ele não é o único a fazer isso."
Hector se inclinou para frente, juntando os dedos. "Talvez", disse ele. "Mas eu não gostaria que o Link se confundisse sobre a natureza do seu relacionamento com você, Lexi."
"E não vai, senhor"
"Você é uma garota bonita, Lexi, e está em um pedestal por causa do seu trabalho com esses homens."
Uma garota bonita?
~
Mas eu não iria discutir sobre isso com ele.
Eu levantei a mão. "Eu sei, senhor. Acabei de conversar com o Link sobre isso."
Hector olhou para mim por um momento, antes de dizer: "Ótimo. Porque estou avisando agora. Não vou abrir exceção sobre a regra de não namorar clientes. Um deslize e você será demitida."
Uma onda de raiva aqueceu meu rosto.
Você está presumindo que, porque eu sou uma "garota bonita", isso é uma possibilidade?
~
Eu balancei minha cabeça enfaticamente. "Você não precisa se preocupar comigo, senhor. Eu entendo."
LINK
"Transferência," eu resmunguei, enquanto ia para a vaga onde tinha estacionado a minha caminhonete.
Podia ser o nome de alguma banda new age.
~
Talvez o Rowan estivesse certo. Talvez eu estivesse apostando minhas fichas com a pessoa errada.
Mas só a ideia de olhar para outra mulher...
Me deixava cansado.
Quando saí e senti o calor, parei e fechei os olhos por um momento, deixando o vento e a poeira me envolverem.
Que diabos estou fazendo?
~
Não é nem meio-dia de uma quarta-feira.
~
Pessoas decentes estão em seus empregos, não estão tomando um fora, pela segunda vez, de uma garota que acabaram de conhecer.
~
Eu precisava de um sentido para minha vida.
Eu só estava obcecado pela Lexi porque não tinha mais nada acontecendo.
Eu precisava fazer algo por mim mesmo.
Mas o quê?
~
Eu não tinha ideia.
~
Eu sabia que queria uma casa, uma esposa, um cachorro e filhos... mas não sabia como conseguir isso tudo. Eu não tinha ideia de qual seria o trabalho que teria que fazer para pagar por essas coisas.
Abri meus olhos, olhei ao redor do estacionamento e algo fez meu coração disparar.
Não podia ser.
A Honda Rebel.
A beleza cromada, totalmente restaurada, em vermelho doce que eu tinha visto do lado de fora da lanchonete.
O que ela estava fazendo aqui?
~
Eu nem percebi que tinha me movido, mas me encontrei parado de pé ao lado dela novamente.
Como pode ser isso?
~
Eu tinha uma leve suspeita de que eu sabia a resposta.
A porta do centro se abriu e eu fugi sem pensar, subi em minha caminhonete do outro lado do estacionamento e me abaixei para espiar.
Como eu suspeitei, a Lexi saiu com passos largos.
Ela atravessou o estacionamento.
Ela estava carregando um capacete antigo de motociclista e o colocou, ajustando a correia.
Sem chance.
~
Enquanto eu observava, minha deusa montou na outra beleza pela qual eu tinha me apaixonado.
Puta merda.
~
Se isso não era um sinal, eu não sabia o que era.
Que se danem as outras mulheres do mundo. A Lexi era simplesmente feita ~para mim.
Enquanto eu a observava ligar a moto, meu corpo tremeu de desejo.
Ela é a mulher certa para mim.
~
Talvez eu deva deixar o grupo. Para não ser um cliente.
~
Mas eu queria continuar.
Se eu tiver que esperar até que ela termine o estágio, é isso que vou fazer.
~
Mas eu iria apenas esperar enquanto isso?
Não. Eu tinha que me mexer. Começar a tomar atitudes para dar um rumo à minha vida.
Enquanto a Lexi acelerava, saí da minha caminhonete e voltei para o centro, indo até a recepção.
"Sra. Bell?" Eu disse para a senhora com as tranças.
"Como posso te ajudar?" ela perguntou.
"Por acaso, existe algum tipo de apoio para veteranos em busca de emprego?"
Ela sorriu e puxou uma pasta de uma prateleira próxima.
"Você pode olhar aqui. Temos uma página no site, mas esta é mais atualizada."
"Obrigado, senhora," eu disse e peguei uma das cadeiras de plástico.
Não demorei muito para encontrar o que procurava.
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