
Reaprender a Amar
Uma Encruzilhada na Estrada
BROOKE
Brooke hesitou por mais um momento.
Ela olhou para Josiah, encostado em sua motocicleta, esperando pacientemente que ela se decidisse.
Ela examinou seu rosto em busca de qualquer traço de ameaça, mas não encontrou nada.
Apesar de seus medos, ela não podia deixar de pensar que só queria abraçá-lo e cair na estrada.
"Vamos embora", disse ela.
Eu vou fazer isso. Vou sair de Bracketville.
~
Finalmente!
~
Ele sorriu quando ela montou no assento atrás dele e agarrou sua cintura.
Brooke não conseguia acreditar.
Ela estava em uma motocicleta!
Uma motocicleta real !~
Quando ela acordou naquele dia, ela nunca poderia ter imaginado que se encontraria sentada na parte de trás de uma Harley-Davidson ao pôr do sol.
"Vou devagar no começo", disse ele.
E lá foram eles.
Os solavancos da estrada a faziam pular para cima e para baixo.
O barulho do motor enchia seus ouvidos.
A experiência era em partes hipnotizante e aterrorizante.
E, se ela estivesse sendo completamente honesta consigo mesma, ela achava as vibrações entre suas pernas um pouco excitante.
Ela firmava seu aperto em Josiah conforme ele aumentava a velocidade.
Brooke gostava de abraçá-lo. Ela gostava da sensação de seu músculo rígido e tenso sob seus dedos.
E mesmo que ela mal conhecesse Josiah, Brooke se imaginou na estrada com ele assim no futuro.
Ela também se imaginou montando nele ~no futuro.
Talvez nesta motocicleta...
Ou em uma cama...
Ou em um balcão de cozinha...
Ou—
" Oh, pare com isso! " Ela se repreendeu. Você mal conhece o cara.
~
Além disso, Brooke nunca havia montado em~ninguém antes. Ela era virgem, guardando-se para o casamento.
Só então, uma memória daquela noite no bar—de Ron e seus amigos usando sua boca como um brinquedo—atingiu Brooke como o vento que soprava em seu rosto.
Ela sentiu seu sangue gelar.
Todos os tipos de sexo eram sagrados para Brooke. E aqueles homens a forçaram a agradá-los contra sua vontade.
Ela sofreu tanta crueldade, tanto abuso, descaso e humilhação nesta cidade.
Ela se agarrou a ele com mais força.
***
JOSIAH
Josiah estava perfeitamente ciente das mãos em volta de sua cintura.
Misty certa vez descreveu agarrar-se a ele como se agarrar a um carvalho.
Esta foi a primeira vez que uma mulher se sentou atrás dele em três anos.
Parecia familiar, mas tão diferente.
As mãos de Brooke estavam estáticas, na mesma posição o tempo todo. As mãos de Misty sempre vagavam ao redor de seu corpo, fazendo cócegas em seus braços, beliscando sua barriga, ou, melhor ainda, massageando seu membro através de sua calça jeans.
Josiah sempre "reclamava" com ela sobre isso, alegando que era perigoso distraí-lo enquanto ele dirigia. Mas ele sabia, e ela sabia, que ele gostava.
E agora Josiah não podia deixar de desejar que Brooke fizesse a mesma coisa.
Não. Você não pode compará-las. Eles são duas pessoas diferentes.
~
Os nós dos dedos ficaram brancos no guidão enquanto ele pensava: " Estou apenas procurando uma substituta? "
Ninguém poderia substituir Misty. Ele sabia disso. Por um momento, ele desejou nunca ter convidado Brooke para sua motocicleta.
Mas, no mesmo instante, ele se pegou esperando que esse passeio não acabasse.
"Chegamos!" Brooke gritou, assustando Josiah.
Ele olhou para onde Brooke estava apontando, parou a moto suavemente e assobiou.
Jem não estava mentindo quando ela disse que o lugar era bom.
O prédio tinha dois andares e era inteiramente feito de vidro e mármore branco.
Praticamente todo tipo de motocicleta estava em exibição. Tudo em perfeitas condições.
Além disso, pelo menos três vendedores, todos vestidos de terno e gravata, se destacavam no estacionamento ao lado das mercadorias.
Tudo isso dava a impressão de classe, brilho e sucesso.
Pelo menos deveria.
Na realidade, não havia quase ninguém no estacionamento. Os vendedores pareciam entediados. E as duas oficinas mecânicas estavam fechadas.
"Isso está errado", disse ele, descendo da motocicleta.
"O quê?" Brooke perguntou, aceitando a mão para descer da motocicleta.
Josiah acenou com a cabeça para as oficinas mecânicas.
"Aquilo. Elas deveriam estar abertas."
"Oh", disse Brooke, notando-as pela primeira vez.
"Eu me pergunto se eles ainda têm um mecânico na equipe."
Brooke deu de ombros, mas Josiah continuou.
"Não há razão para este lugar não estar dando lucro. Quando eu descobrir o que está acontecendo, vou trocar a gestão por uma nova", disse ele a Brooke, antes de perceber que ela o estava observando com cautela. "O que foi?"
"Bem—" ela disse. "Pode não ser culpa deles. Talvez eles só precisem de ajuda, não de punição."
E assim, ela desarmou a bomba de raiva que estava se formando prematuramente dentro dele.
Ele colocou o braço em volta de Brooke. "Você tem razão. Estou tirando conclusões precipitadas. Vamos entrar," ele disse, levando-a para a porta da frente.
O interior da loja de motocicletas combinava com o exterior—claro e limpo, preenchido com o cheiro de couro novo.
Havia capacetes, botas de montaria, kits de graxa, jaquetas e todos os outros tipos de acessórios de motocicleta que Josiah poderia ter imaginado.
E esse é o problema ,~ Josiah percebeu assim que uma jovem e atraente afro-americana se aproximou deles.
"Olá! Bem-vindos à Loja de Motocicletas Tucker. Meu nome é Jaqueline. Como posso ajudá-lo?"
"Oi. Eu sou Josiah. Esta é Brooke. Queríamos falar com o gerente."
"Sobre o quê?"
Josiah entregou a ela o arquivo que o Sr. Lawson deu a ele.
"Eu sou o novo proprietário."
Jaqueline olhou para ele, dando atenção especial à tatuagem em sua mão direita, e então assentiu.
"Bem, prazer em conhecê-lo. Meu marido é o gerente. Ele já vem atendê-lo."
Ela rapidamente desapareceu em outra sala, retornando momentos depois com um grande homem afro-americano.
"Olá." Ele sorriu, estendendo a mão para cumprimentá-lo. "Eu sou Jaydon."
"Josiah", respondeu ele, aceitando o gesto.
"Então você vai realmente assumir este lugar?" Jaydon avaliou Josiah como sua esposa havia feito momentos antes.
"Foi um choque para mim também", disse ele brevemente, pronto para agir. "O que está acontecendo? Quem está destruindo este lugar?"
"Desde que o Sr. Tucker ficou doente, estamos nos afogando aqui."
"É por isso que as oficinas mecânicas estão fechadas?"
"Sou apenas um vendedor. Tuck era o especialista em motocicletas".
É verdade. O pai de Misty e Josiah sempre se deram bem por causa de seu amor por motocicletas.
"Estamos perdendo dinheiro tão rápido que não posso contratar outro mecânico."
"É hora de renovar a imagem da loja", disse Josiah decididamente.
Jaydon inclinou a cabeça para o lado. "Como assim?"
"Torne-a menos sofisticada. Pare de gastar dinheiro em mercadorias e concentre-se novamente em atender aos motoqueiros que passam por esta cidade."
"Isso é... interessante", disse Jaydon, mas não parecia convencido.
"Você não gostou da ideia?"
"Eu não disse isso. Eu só... acho que este lugar vai morrer sem Tuck."
Josiah pensou sobre isso por um momento.
Talvez Jaydon estivesse certo.
Talvez fosse um caso perdido e ele devesse apenas fechar a loja, para sempre. Mas...
"Temos que pelo menos tentar salvá-lo, você não acha?"
"Se você estiver pronto para o desafio, farei o que puder para ajudar", disse Jaydon, assentindo.
"Que bom." Josiah deu um tapinha no ombro dele. "Para começar, livre-se do terno. Parece que você está vendendo seguro de vida, não motocicletas."
Jaydon deu uma risadinha. "Como quiser."
***
BROOKE
"Você sabe o que está fazendo?" Jaqueline perguntou a Brooke enquanto ela observava um capacete vermelho com gravura preta.
"Na verdade, não", admitiu Brooke. "Acabei de andar de moto pela primeira vez hoje, então não sei nada sobre essas coisas."
Jaqueline balançou a cabeça.
"Não, quero dizer, você sabe o que está fazendo com ele?" Ela acenou com a cabeça para Josiah.
Brooke franziu a testa. "Do que você está falando?"
"Aquela tatuagem na mão dele. Já vi algumas semelhantes nesta loja antes. Isso significa que ele é um presidente."
"De quê?"
"Um motoclube."
Brooke apenas a olhou fixamente.
"Um motoclube", Jaqueline insistiu. "Um clube de motos. Uma gangue de motoqueiros."
A notícia atingiu Brooke como um soco no estômago, e ela lançou um rápido olhar para Josiah.
Isso o torna um criminoso?
~
Brooke tinha ouvido histórias sobre gangues de motoqueiros—histórias com violência e crime organizado.
Josiah fazia essas coisas? Ele não era melhor do que Ron e sua turma de traficantes?
Mas mesmo com esses pensamentos paranoicos girando em sua mente, novamente ela se viu questionando-os.
Será que um criminoso violento teria me salvado de uma agressão? Ensinado um bêbado a tratar adequadamente uma mulher?
Brooke achava que não, mas todas as perguntas sem resposta sobre a identidade de Josiah e suas intenções a estavam destruindo por dentro.
Ela decidiu deixar Bracketville. Era tudo o que ela pensava desde aquela noite terrível, e agora ela tinha se decidido.
Ao mesmo tempo, ela queria conhecer este homem... este motociclista misterioso, enorme, mas estranhamente gentil.
Agora ela nunca teria a chance de descobrir quem ele realmente era.
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