
Semente do Mal
Secundo Hostia
LAUREN RYDER
Marie King. Seis anos. Sequestrada. Tiro na nuca. Encontrada em um balanço situado em um parque a dez minutos de sua casa.
~
Ryder, Phillips e Lennox observaram a cena com o coração pesado e um caso sério de déjà vu. Era quase idêntico ao do dia anterior.
Mas isso não tornava a visão do corpo minúsculo – rígido, frio, azul e machucado – menos chocante.
A pele de Lauren arrepiou.
Sentimentos de fracasso começaram a rastejar em sua mente.
Devíamos tê-lo capturado antes que ele pudesse atacar novamente.
~
Devia haver mais coisas que poderíamos ter feito.
~
Ele não apenas ainda está livre, mas também não temos nenhuma pista viável.
~
Mas antes que esses pensamentos assumissem o controle, ela rapidamente empurrou seus sentimentos negativos de lado e retomou uma postura profissional.
"Então nosso cara está comprometido com seu modus operandi, imagino?", Phillips perguntou.
"Saberemos com certeza quando eu levá-la ao laboratório. Mas é bastante evidente." Levantando a camisola, Lennox revelou seu abdômen.
Secundo Hostia.
~
Segunda Vítima.
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Esculpido com precisão.
"Que ela descanse em paz", disse Lennox. Phillips baixou a cabeça. Lauren se ajoelhou ao lado do corpo.
"Onde estão os pais?", Lauren perguntou.
"Hale enviou um oficial para contar a eles e levá-los para a delegacia", disse Lennox.
"Esse cara é um doente", Phillips disse com desgosto.
Neste momento, o assistente de Lennox apareceu correndo. "Recebemos o relatório de toxicologia de Isabelle", disse Patel.
"E?"
"Nada. Nada. Zero."
Você só pode estar brincando.
~
"Com quem estamos lidando? Um maldito ninja?", Phillips disse.
"Eu acreditaria nisso agora", disse Ryder.
Ela já tinha lidado com um monte de gente sinistra, mas eles sempre foram muito perturbados, muito egocêntricos, para serem mais espertos do que ela.
"Vamos voltar para a delegacia", disse Phillips. "Fale com os pais e veja se podemos encontrar alguma ~outra ligação entre Isabelle e Marie, além da idade."
Lauren observou a cena do crime pela última vez.
Eu não posso acreditar.
~
Duas meninas. Cheias de vida e promessas.
~
E tudo acabou.
~
"Mais um e teremos um serial killer em nossas mãos", disse Phillips.
Lauren tinha certeza de que todos estavam pensando isso, mas esta foi a primeira vez que alguém disse isso em voz alta.
Naquele momento, a enormidade da situação tomou conta da policial.
Ela tinha lidado com assassinos em série antes, mas esta era sua primeira vez como detetive principal.
Agora ela estava prestes a ser jogada no fundo do poço. E não demoraria muito para a inevitável invasão da imprensa, principalmente pela idade das vítimas.
Ela não tinha tempo a perder.
"Vamos, Phillips", disse ela, virando-se e caminhando rapidamente para fora do parque.
***
Quando eles chegaram à delegacia, Lauren pediu licença.
Ela precisava de um minuto sozinha antes que pudesse sequer pensar em enfrentar o Sr. e a Sra. King.
Lauren não se exercitava há dois dias e seu cérebro estava começando a ficar nebuloso. Ela nem teve tempo para o café naquela manhã.
Seu crânio latejava com a abstinência de cafeína.
Ela entrou na cozinha e ficou surpresa – e aliviada – ao encontrar Hale preparando o café.
"Desde quando você sabe mexer nessa máquina?" ela perguntou, sorrindo pela primeira vez durante todo o dia.
"Desde antes você nascer, minha querida. Acho que deixei um pouco forte demais."
"Não existe café forte demais."
Ele serviu uma caneca cheia para os dois. "Ande comigo, Ryder. Diga-me o que aconteceu no parque."
Ela o seguiu pelo corredor. "A cena era basicamente a mesma. Horrível. O criminoso é muito específico sobre seus gostos."
"Pelo visto. E..."
E?
~
Hale sempre sabia quando algo estava em sua mente, então ela continuou.
"Eu só preciso de algo em que possa cravar meus dentes. Mas ainda estou perdida.
"E enquanto estou sentada aqui, perseguindo meu próprio rabo, ele está lá fora, Deus sabe onde, caçando sua próxima vítima."
"Você tem certeza que ele vai atacar de novo?", Hale perguntou.
"Ele definitivamente não está mostrando sinais de desaceleração. Eu não sei o que fazer", ela admitiu para o seu mentor.
Lauren só era aberta assim sobre suas dúvidas com outra pessoa: seu próprio pai.
O tenente Hale compartilhava muitas qualidades com o "velho" de Lauren: ele era protetor, responsivo e encorajador com a jovem detetive.
Mas, ao contrário de seu pai, que era caloroso e reconfortante, Hale permanecia frio e mantinha os conselhos curtos e diretos.
"Você deve fazer a única coisa que eu já pedi para você fazer nos quatro anos que te conheço-"
"Cinco", Lauren o corrigiu. "Deixe-me adivinhar? Meu trabalho?"
Hale acenou com a cabeça. "Isso. Basta fazer o seu trabalho e o resto se resolverá."
Lauren deu um gole no café. Ela se corrigiu. Estava mesmo muito ~forte.
"Tem uma pergunta que minha mãe costumava me fazer", disse Hale, olhando pela janela para o céu cinza opaco.
"Qual?"
"Ela costumava dizer: 'Olly, como você lava 500 pratos?'"
"Como?", Lauren perguntou.
"Um por vez."
Lauren tomou outro gole e voltou a centrar-se.
Ele está certo. Aumente o zoom. Mantenha o foco. Um pé na frente do outro.
~
"Os Kings estão esperando em seu escritório", disse ele antes de se levantar e sair da cozinha. "Quando você estiver pronta."
Antes de sair da cozinha, Lauren pegou seu telefone e abriu suas mensagens com Liam.
Lauren
Ei. Desculpe novamente pela noite passada. Espero que tenha sido divertido.
Liam
Foi. Nós sentimos sua falta.
Lauren
☹️
Liam
www.newyorktimes.com/00769_9efcpd
Liam
É esse o caso em que você está trabalhando?
Lauren
Sim...
Liam
Jesus… é horrível.
Liam
Tudo está desculpado.
Lauren
Obrigada, mano. Falamos mais tarde.
Liam
Pegue o desgraçado.
Lauren
Fazendo o meu melhor.
No caminho para seu escritório, Lauren deu de cara com a policial Davis.
"Como está indo?", Davis perguntou a ela. "Alguma pista?"
Lauren balançou a cabeça. "Vou falar com os Kings agora."
"Ah. Isso vai ser difícil", disse Davis.
"Sim. Esse tipo de conversa é sempre delicado. Se você quiser ver como lidamos com essas coisas, pode entrar e fazer anotações para nós."
"Mesmo?"
"Quero dizer, se você quiser."
"Claro, sim. Obrigada, detetive! "
Davis seguiu atrás dela quando Lauren agarrou Phillips e gentilmente abriu a porta de seu escritório.
Richard e Lillian King estavam amontoados no sofá, os rostos manchados de lágrimas.
Eles eram mais jovens do que Lauren, mas esta manhã deve tê-los envelhecido em uma década.
Lauren se sentou em frente ao casal.
"Olá. Sou a detetive Ryder. Este é o detetive Phillips. Estamos investigando o caso da sua filha. Queremos apenas fazer algumas perguntas-"
Richard interrompeu antes que ela pudesse continuar. "Não sei o que você quer que a gente diga. Quando fomos para a cama anteontem, estava tudo bem.
"Acordamos ontem de manhã e Marie tinha sumido. Agora descobrimos que ela está morta."
"Richard, pare", implorou Lillian. "Eles estão apenas tentando nos ajudar."
"Sim", disse Phillips. "Precisamos de todas as informações que pudermos obter."
"O que você quer saber?", Lillian perguntou.
"Bem, primeiro", Lauren disse, "queremos conhecer sua filha um pouco melhor. Quais eram os interesses de Marie? Ela fazia alguma atividade fora da escola?"
"Ela vai..." Lillian engoliu em seco. "Ia ~a um estúdio de dança às terças e quintas-feiras."
"Qual?", Lauren perguntou.
"Astaire Kids na 30th."
"Você anotou?", Lauren perguntou a Davis, que assentiu, anotando as informações.
"Algo mais?"
"Na verdade, não", respondeu Lillian.
"Ela tem seis anos", disse Richard rispidamente. "Nós a levávamos para a escola. Nós a trazíamos para casa. Onde quer que quiséssemos que ela fosse, é para onde ela ia."
"Certo. Entendi", disse Lauren, mantendo a calma. "Agora, você pode me contar sobre a rotina da hora de dormir de Marie?"
"Só quero saber se há alguma chance de que algo fora do comum tenha acontecido naquela noite. Algo que vocês possam ter esquecido."
"Claro", disse Lillian. "Depois da escola, a gente leu e brincou até cerca de cinco ou seis. Então minha mãe veio e me ajudou com o jantar.
"Quando ela saiu, nós tomamos banho, colocamos Marie em seu pijama de princesa favorito e então Richard cantou para ela dormir. Como ele sempre fazia."
Richard afundou na cadeira, como se este fosse o primeiro momento em que percebesse que essa tradição com sua filha agora era coisa do passado.
Ele agarrou-se ao assento do sofá, como se quisesse dissolver-se na almofada; desaparecer em vez de aceitar essa verdade horrível.
"Escute", Lauren disse. "Eu só quero dizer mais uma vez o quanto eu profundamente, profundamente, sinto muito. Não sei se vocês ficaram sabendo, mas outra garota morreu exatamente nas mesmas circunstâncias."
"Na verdade, lemos sobre isso", disse Lillian, com as lágrimas escorrendo pelo rosto. "Eu orei pela alma daquela garotinha. E agradeci a Deus pela nossa segurança.
"Eu simplesmente não consigo acreditar", ela continuou. "Eu não posso acreditar que isso aconteceu conosco. Com ela."
Ela enterrou o rosto no peito do marido. Ele a envolveu com os braços.
Seu abraço parecia terno, mas seu olhar, ainda dirigido a Lauren, era assassino.
"Se você fizesse o seu trabalho e pegasse o cara após a primeira morte", ele rosnou, "ainda estaríamos em casa com a nossa filha."
Lauren apertou a mandíbula enquanto suprimia qualquer tipo de réplica.
Ele está transtornado.
~
Ele está de luto.
~
Não é sua culpa.
~
"Obrigada pelo seu tempo", disse Lauren, fazendo o seu melhor para ignorar as últimas palavras de Richard.
"A equipe da perícia estará em seu apartamento em breve para procurar quaisquer sinais de entrada forçada ou evidências", ela continuou. "Ligarei para vocês amanhã."
"Obrigada", disse Lillian. Richard não disse nada, mas apertou a mão de Lauren.
Os Kings se recompuseram por um momento e saíram da sala.
Lauren, Phillips e Davis se entreolharam sem expressão.
Nada. Ainda nada.
~
"Bem", Lauren disse abruptamente, lembrando-se das palavras de Hale, "vamos voltar ao trabalho.
"Phillips, ligue para a Sra. Mackintosh e veja se Isabelle já foi matriculada em uma aula na Astaire Kids."
"Agora mesmo", disse ele.
"Preciso pensar por um minuto. Davis, deixe as anotações comigo."
Eles desocuparam o escritório e de repente Ryder estava sozinha para remoer sua própria sensação de derrota.
Ela engoliu o resto do café e olhou para o pedaço de papel.
Ela pensou que poderia ligar para a avó de Marie King e ver se ela havia notado algo incomum. Mas isso com certeza seria um beco sem saída.
Só então, os olhos de Ryder se estreitaram em duas palavras, rabiscadas na página:
Pijamas Princesa.
~
A Sra. King disse que colocaram Marie para dormir com seu pijama favorito. Mas ela foi encontrada em uma camisola.
Lauren remexeu os papéis em sua mesa até encontrar uma foto de Isabelle Mackintosh no gira-gira.
Ela estava usando exatamente a mesma camisola que Marie.
Como eu perdi isso?
~
Não era muita coisa, mas em uma caverna escura, até mesmo a mais tênue faísca poderia servir como luz guia.
Qualquer coisa que conectasse Isabelle e Marie era o suficiente para renovar um sentimento de esperança em Lauren.
Lauren
Me encontre na sala de provas.
Lauren
Tive uma ideia.
Phillips
Chego em 5 minutos.
Ela o pegaria agora.
Ela tinha que pegá-lo.
Lauren não queria colocar os olhos em uma terceira camisola manchada de sangue.
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