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Como (Não) Namorar o Melhor Amigo do Seu Irmão

Como (Não) Ignorar Alguém

SAMANTHA

... Stephen. O nome dele apareceu em branco brilhante na tela do celular. Seu irmão mais velho — ele sempre ligava nas piores horas. Pelo menos, diferente dos pais, ele tentava manter contato.
O herdeiro, o filho favorito, o menino. Ela costumava ter pena dele. Ele não podia cometer erros, tinha que tirar notas perfeitas, entrar em programas difíceis e participar de tudo. Stephen nunca reclamava, nunca dizia nada errado.
Agora, o comportamento dele tinha seus problemas. No ensino médio e na faculdade, ele se meteu em algumas encrencas — com Chase. Stephen não podia ter muitos amigos, mas Chase era diferente. Algo sobre a mãe deles conhecer os pais de Chase... que morreram quando ele era criança. Ele acabou sendo criado pela tia e pelo tio.
Então, a família dele era boa o suficiente, e Stephen e Chase se tornaram melhores amigos. Samantha, por outro lado, tinha permissão para ter poucas amigas... só garotas. Pelo menos até completar dezoito anos.
Chase tinha sido o único garoto que ela conhecia. Por isso ela tinha uma quedinha. Uma quedinha minúscula.
Quando ela saiu de casa, e eles deixaram, Stephen não disse nada. Ele não a defendeu, não disse ao pai que ele estava sendo injusto com suas exigências. Não, ele continuou sendo um filho leal.
Ela deveria atender o telefone.
Samantha olhou para cima, verificando se não havia clientes andando por perto, e então atendeu a ligação.
“Stephen.”
“É assim que você cumprimenta seu irmão mais velho que te ama?”
“Sir Hastings?”
“Ha. Ha. Engraçadinha.”
Ding-ding.
Ótimo, um cliente tinha entrado.
“O que foi isso?”
“Nada. Estou no trabalho.”
“Trabalho sendo?”
“Não é da sua conta.”
“Educada como sempre.”
“Eu poderia ter dito que não é da porra da sua conta.”
“Sam.”
“Stephen.”
Ele suspirou no telefone. “Você está... bem? Segura?”
“Você me faz a mesma pergunta toda vez. Minha resposta é sempre a mesma.”
“Isso é melhor que casa?”
“Não sei, é melhor do que ser a esposa robô perfeita de alguém? Acho que sim.”
“Sam...”
“Vamos fazer isso de novo? Olha, se você ligou pra saber se estou miserável... não estou.”
“Não... não foi por isso que liguei.”
“Então fala logo, estou no trabalho. Não posso ficar no telefone o tempo todo.”
“O papai tem falado sobre você.”
“Deixa eu adivinhar, ele tem falado sobre que decepção eu sou. Ou talvez, ele tem dito pra todo mundo que estou numa clínica de reabilitação? No exterior estudando? Qual é a historinha dele pra salvar a família do constrangimento de me ter como filha?”
Silêncio.
“Stephen?”
Havia um aperto no estômago dela, medo preenchendo seu corpo. Por que ele não estava respondendo?
“Eu-eu... não sei se o papai vai deixar você fazer suas coisas pra sempre.”
Sam estalou a língua no céu da boca. Ele sempre quer controlar tudo. “Que se dane o papai, então. Sou adulta. Não preciso da permissão dele pra fazer nada.”
“Samantha... o papai... ele fica... o papai é o papai.”
“Eu sei como ele fica. Por isso que fui embora. Então, desculpa estragar os planos dele, mas nunca vou voltar. Prefiro viver nas ruas.”
“Eu nunca deixaria minha irmã viver nas ruas.”
“E nós dois sabemos que você nunca vai contra o papai, então. Aqui estamos.”
“Sammy... me preocupo com você.”
“Estou bem, idiota. Agora, tchau. Antes que você me faça perder meu emprego.”
Ela desligou, impedindo qualquer chance de seu irmão dizer mais coisas. Batendo o celular no balcão de vidro, Sam sentiu seu coração acelerado. Sem voltar atrás — ela era adulta, afinal. Eles teriam que arrastá-la de volta chutando e gritando.
Exceto que chutar e gritar era o que seu pai fazia de melhor. Ele poderia transformar a vida dela num pesadelo, fazendo-a voltar contra sua vontade. O homem era muito bom em controlar situações, afinal. Ele poderia declará-la insana, incapaz...
Sam vivia por uma regra estrita: não causar problemas. Contanto que ela não se tornasse a filha problemática da família ou fizesse algo para prejudicar a reputação perfeita do pai, ela estava segura.
Claro, ela fazia o que queria, mas se movia com cuidado pela vida, garantindo que suas ações não chamassem muita atenção. A regra era clara — se divirta, mas garanta que não seja diversão suficiente para ser notada.
Samantha alisou a franja, passando os dedos até alcançar o elástico azul que mantinha seu rabo de cavalo preso. Só mais quinze minutos dessa tortura, e então ela poderia ir pra casa, abrir uma garrafa de vinho e desmaiar no sofá.
Fácil.
Apoiando o queixo na palma da mão, Sam se inclinou no balcão de mármore, o cotovelo pressionando sua superfície fria. A loja estava vazia, deixando-a completamente sozinha.
As ligações de Stephen, a necessidade constante do pai de controlar tudo — isso a deixava ainda mais irritada, especialmente pensando no que tinha acontecido com Chase.
Quem ele pensava que era?
Seu irmão mais velho protetor? A própria ideia de ter uma queda por ele a fazia se odiar. Claro, Chase Bennett era muito atraente — impossível de resistir até. Com seu cabelo escuro, olhos azuis brilhantes e um corpo que parecia perfeito, ele era tudo. Ela não tinha visto o peito nu ou os abdominais dele ontem, mas não precisava para saber que ele era perfeitamente construído.
Chase Bennett era puro músculo.
SLAM!
O som repentino de algo batendo no balcão fez Samantha pular de susto e soltar um grito assustado. Sua mão rapidamente cobriu o coração acelerado enquanto seus olhos se arregalavam, olhando para o que a tinha acordado.
Droga de Chase.
Sério?
Ela tinha trabalhado nesse emprego por muito tempo, bem ao lado da loja dele, e não o tinha visto uma vez. Agora, ele tinha aparecido duas vezes em dois dias? Não parecia justo.
Ela tinha dificuldade em manter um emprego — não é o ponto, Sam.
“Sam?” ele perguntou, as sobrancelhas se juntando enquanto se inclinava mais perto como se verificasse que era realmente ela. É, quem mais se encontraria nessa situação constrangedora? É a Sam! TA-DA! Depois de um belo papo de sou uma garota grande... aqui estava ela.
“Mais alguma coisa?”
“O-o quê?”
“Você quer mais alguma coisa?” ela disse, antes de apontar para a barra de chocolate com o queixo. Sem conversa fiada, sem voltar atrás. Parte dela não tinha certeza se isso era um acidente completo. Depois de todo esse tempo? De jeito nenhum.
“Hm, não?”
Sam rapidamente pegou o chocolate do balcão, escaneando com um bip que quebrou o silêncio pesado entre eles. “Um dólar e quarenta e quatro” ela disse.
Ele olhou para ela, sem fazer movimento para pegar dinheiro como se estivesse pensando sobre a situação. Sério? Ele tinha visto onde ela morava, visto seu carro caindo aos pedaços. Ele esperava que ela tivesse um emprego chique?
“Um dólar e quarenta e quatro” ela repetiu, sua paciência se esgotando.
Chase soltou o ar e enfiou a mão no bolso, pegando alguns trocados. Finalmente. Ele os colocou em silêncio no balcão, mantendo o dedo indicador em cima.
“Você tem que me dar o dinheiro. É assim que funciona” Sam lembrou, olhando as moedas de perto.
“Sim, eu sei.”
Ele não tinha ligado, então... “Então é seguro pensar que meu carro não está pronto?”
Ele riu. “Seria uma boa suposição.”
Sam gemeu, jogando a cabeça pra trás. Maravilhoso. “Tem um prazo pra mim?”
“Me dá dois dias. Se eu tivesse as peças... mas você tem um carro muito — muito... muito velho.”
Sim, por que não piorar? Incrível. “É tudo que posso pagar.”
“Um pedaço de lixo caindo aos pedaços é tudo que Samantha Hastings pode pagar?”
Seu nome completo saindo da boca dele parecia errado de alguma forma.
“Acho que meu irmãozão não teve tempo pro melhor amigo ultimamente.”
Houve uma pausa e ela em silêncio praguejou. Você o chateou, Sam. Ótimo trabalho. Embora, talvez se ele não estivesse enfiando o nariz onde não era chamado, isso não teria acontecido.
“Acho que não” Chase respondeu, as palavras curtas.
“Ônibus então” ela murmurou baixinho.
Uma conversa passada voltou à sua memória. “Você precisava dele pra ir pro trabalho?”
“Posso pegar o ônibus.”
“Sam, você não vai pegar ônibus na frente da sua casa.”
“Já fiz isso antes, pai.”
Ela se perguntou o que estava errado com ela. Talvez ela precisasse de um tempo sozinha. Então poderia pensar direito.
“Estou tentando ajudar” ele disse.
“Não, você está tentando decidir minha vida por mim. Já tive isso. Não gostei, e aqui estamos.”
Houve silêncio na linha, e por um segundo, ela pensou que talvez ele tivesse desligado. Mas então, ele suspirou.
“Você está certa. Desculpa. Não te conheço. Não é meu lugar julgar.”
Não te conheço... Essa doeu mais do que deveria.
Chase passou os dedos pelo cabelo, achatando a bagunça de cabelo no topo da cabeça. “Eu — Sam, podemos conversar?” ele perguntou.
Ela saiu do transe.
Sam. Ele sempre costumava chamá-la de Sam. Mesmo agora, depois de todo esse tempo, o apelido parecia sair da boca dele com tanta facilidade.
“Conversar sobre o quê?”
“Você está falando sério?”
“Sim, você está?”
Ela não gostava do jeito que ele olhava pra ela, com aqueles olhos. Porque ela odiava pena e não queria isso.
Não era justo porque não era vergonhoso. Ela tinha trabalhado duro pra conseguir o que tinha...
Além disso, por que ele podia julgar? Ele não era chique, a vida dele não era tão melhor que a dela.
“Sam, me desculpa” ele respondeu, a voz tensa. “Podemos conversar? Por favor?”
Ela costumava conversar com ele — quando era uma adolescente idiota e ele tinha coisas melhores pra fazer. Mas talvez ele estivesse pedindo por Stephen... Mas se estivesse, ele realmente pareceria tão chocado? Chase era um ator tão bom assim?
Vamos lá Sam...
“Quinze minutos. Então meu turno acaba.” Sam levantou um dedo. “Vou te dar uma conversa. Então, você vai me deixar em paz.”
Ela não deveria fazer isso. Não deveria.
Mas estava.
Porque ele estava olhando pra ela com aquele rosto, aquele sorriso e aqueles olhos.
“Vou esperar lá fora” ele respondeu, mostrando um sorriso de dentes brancos.
É, não é justo.
Finalmente, dez horas chegaram e ela estava livre. Estava.
Samantha arrastou os pés até a porta, meio que esperando que ele tivesse decidido ir embora ou tivesse uma emergência. Suas chaves fizeram barulho enquanto ela abria a porta, saía e fechava. Droga.
Ela o tinha visto. Pelo canto do olho.
Ele estava lá, encostado na moto com os braços cruzados. O que fazia seus braços parecerem maiores, e seu peito mais largo. Não que ela tivesse notado, porque não notou. Sam respirou fundo, antes de se virar, lutando contra o formigamento nos dedos que dizia pra alisar o cabelo.
Não, não se importava com o que o idiota do Chase Bennett pensava.
Essa era uma conversa única — pra se livrar dele e nada mais. Então toma essa.
Ela caminhou em direção a ele, mais determinada do que nunca, e parou quando estava na frente dele, os ombros pra trás e o queixo erguido.
Mas ele não estava assustado nem um pouco. Em vez disso, sorriu pra ela antes de pegar o capacete extra e entregá-lo a ela. Droga de passeio de moto de novo.
“Então?”
“Então o quê?”
“Seu lugar ou o meu?”
Era inocente.
Uma pergunta muito inocente.
Sem segundo sentido sujo e malicioso.
Ainda assim, havia um pequeno puxão no estômago dela, um pequeno tremor na determinação. Por um segundo. Ok, ok, talvez uns dois segundos. Talvez a Sam adolescente teria perdido a cabeça ao ouvir essa pergunta.
Mas ela era a Sam adulta. Que não precisava de ninguém, ou de nada. E certamente não de um irmão falso espião substituto. Então é. Não fez nada. Sem apertar as pernas, sem ondinha e reviravolta no estômago. Não senhor não.
Ela estava bem.
“O meu” ela decidiu responder enquanto arrancava o capacete das mãos dele.
Se ela dissesse o lugar dele, ele continuaria incomodando. Ele não acreditaria que ela estava bem. Ela mostraria a Chase o lugar dela e ele veria que ela não precisava da ajuda dele e não era alguma garota que precisava ser salva. Era a chance perfeita já que sua colega de quarto não estava por perto pra ter a ideia errada.
Uma ideia muito errada. Porque Sam não trazia homens pra casa.
E ela não precisava que Chase pensasse que havia algo ali.
Não havia.
Não que ele fosse pensar isso — porque nunca em um milhão de anos Chase a veria como uma mulher de verdade. Só uma pirralha que não conseguia fazer nada sozinha. Mas tudo bem.
“Precisa de ajuda pra subir?”
“Não.”
Ele sorriu maliciosamente, uma explosão de risada escapando dele enquanto acenava. “Ok então.”
Sam observou enquanto Chase subia, segurando os guidões e olhando direto pra frente, esperando que ela se juntasse a ele. Ok, então era alto. Não muito alto. Um pouco alto. Ela agarrou a parte de trás, tentando evitar segurar nele, e fez um som enquanto se puxava pra cima.
Não foi seu momento mais gracioso, admitia.
Mas depois de alguns segundos — ou foram minutos — de luta, e sentindo as costas de Chase tremendo enquanto ele segurava a risada... ela subiu.
“Eu sei o quanto você me odeia, mas se você não se segurar, pode acabar voando pra trás.”
Seria tão ruim assim? Parecia uma boa maneira de escapar da vergonha.
Tá bom.
Ela alcançou os lados dele, agarrando a jaqueta com os dedos e segurando o tecido.
Pronto, ela estava se segurando nele.
“Ok, vamos nessa Samantha.”
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