
Caindo, Caindo e Caída
Author
Ahanaa Rose
Reads
1,8M
Chapters
38
Os Blackwoods
LINA
"Puta merda, vou me atrasar!"
Corri pelo meu apartamentinho de dois quartos, procurando feito uma louca pelos meus sapatos.
Engoli o café da manhã às pressas, olhando pro relógio e sabendo que tava no aperto.
Finalmente achei meus sapatos embaixo de umas roupas. Corri pra porta, pensando em tudo que tinha pra fazer.
Conferi se as janelas tavam fechadas, peguei as chaves e a bolsa, e chequei as trancas duas vezes antes de sair pro dia corrido.
Meu celular tocou. Peguei e vi o nome da Grace. Ela é minha melhor amiga e sempre tá comigo na alegria e na tristeza.
Grace e eu crescemos juntas. Somos unha e carne desde pequenas. Ela ficou do meu lado mesmo quando as coisas ficaram feias com minha família.
Quando a situação piorou, ela me ajudou a seguir em frente. Sempre tinha uma piada ou um plano pra gente fugir dos problemas por um tempo.
Quando decidi me mudar pra Londres do nada, ela nem pestanejou. Fez as malas e veio comigo, sem fazer perguntas. Ela sempre foi leal assim.
Não sei como eu aguentaria tudo isso sem ela.
Sorri e atendi o telefone. "Oi, Grace."
"Oi, querida," ela disse. Sua voz me acalmou na hora. "Só liguei pra desejar boa sorte."
Eu ainda tava correndo de um lado pro outro, tentando arrumar tudo. Respondi ofegante: "Valeu."
Ela ficou quieta por um segundo e perguntou: "Tá pronta?"
Olhei a bagunça ao meu redor - malas meio feitas, papéis espalhados, meu coração a mil.
"Pra falar a verdade... nem um pouco. Tô tentando, mas tá tudo uma zona."
Grace deu uma risadinha. "Vai dar tudo certo. Respira fundo. Você consegue."
Soltei um suspiro tremido, torcendo pra ela ter razão. "Tomara."
Grace riu e disse no seu jeito brincalhão de sempre: "E se tudo der errado, é só mostrar os peitos pra eles."
Não pude deixar de rir, balançando a cabeça. "Grace! Você é doida."
"Ei, quando a coisa aperta, né?" ela brincou. "Mas sério, você vai arrasar. Só lembra de respirar... e talvez não mostrar os peitos a não ser que seja realmente necessário."
"Tá bom," ri, me sentindo um pouco melhor. "Valeu pela força. Falo com você depois," disse com um sorriso, menos estressada.
"Boa sorte, gata. Você consegue!" Grace disse uma última vez antes de desligar.
Ao guardar o celular, respirei fundo. Suas palavras engraçadas ainda ecoavam na minha cabeça. Era hora de encarar o que viesse.
Soltei um palavrão quando percebi que tava sem o passaporte.
Voltei correndo pro quarto, peguei o documento importante e saí de novo.
Conferi se as janelas tavam fechadas, agarrei as bolsas e tranquei a porta. Então desci as escadas correndo pra pegar meu trem.
Eu tinha acabado de voltar pra Londres e tive sorte de achar um apê no East End. Consegui uma entrevista pra assistente na Blackwood Industries. A empresa tava crescendo e seu novo escritório principal na Inglaterra parecia uma boa oportunidade.
Eu sentia muita falta da energia da cidade, dos prédios altos e dos passeios à beira do Tâmisa.
Queria nunca ter ido embora, mas tive que partir por causa de umas coisas que rolaram.
Olhei pro relógio e vi que só tinha vinte minutos até a entrevista. Caminhei rápido pro novo prédio da Blackwood Industries.
Tinha me candidatado à vaga só uma semana atrás. Parecia um sonho ter recebido uma ligação e marcado a entrevista tão rápido.
Usei meu cartão Oyster e desci as escadas bem a tempo de ver o trem esperando.
Quase caí correndo, mas pulei pra dentro do vagão no último segundo. Os outros passageiros me olharam e sorriram. Sentei e tentei recuperar o fôlego.
Conferi o relógio e vi que ainda tinha trinta minutos até a entrevista.
A viagem de trem levaria só dez minutos, e era uma caminhada de cinco minutos até o prédio, então tinha tempo suficiente. Coloquei os fones de ouvido e deixei "Breathe" do Jax Jones tocando repetidamente. Fechei os olhos e tentei me acalmar.
Quando o trem chegou na minha parada, desci e subi as escadas. Usei o cartão Oyster pra sair da estação. Tava chovendo, o que é normal em Londres.
Abri o guarda-chuva e caminhei pro prédio onde eu esperava ter uma segunda chance. Enquanto esperava no semáforo, um carro passou por uma poça enorme e me encharcou. Meu guarda-chuva não ajudou em nada.
Fechei os olhos de tanta vergonha. Torci pra ser só um pesadelo. Mas quando os abri, era real.
Olhei pras minhas roupas, agora arruinadas. Olhei em volta rapidinho, tentando pensar no que fazer. Não tinha tempo de voltar pra casa e trocar, mas se fosse pra entrevista assim, com certeza não conseguiria o emprego.
Então vi uma loja e comecei a ter esperança.
Entrei correndo na loja, tentando não olhar pras pessoas me encarando chocadas.
Peguei roupas dos cabides às pressas, mal olhando e provavelmente pegando tamanhos errados.
Corri pro caixa, paguei pelas roupas e fui pro provador.
Vesti as roupas novas, coloquei as molhadas na bolsa e saí correndo, torcendo pra essa troca de última hora me ajudar na entrevista.
Cheguei ao prédio da entrevista. Parada na frente, o edifício não parecia nada demais comparado aos ao redor, mas se encaixava no estilo de Londres, contribuindo pro visual único da cidade.
A fachada de pedra e as janelas altas mostravam o charme atemporal da área, tornando fácil não notar sua simplicidade.
Ao entrar, vi um espelho grande. Me olhei e vi que tava uma bagunça: meu cabelo ainda molhado, e as roupas novas que comprei às pressas tavam amassadas e grandes demais. A blusa pendurava em mim, e a calça tava franzida na cintura, presa com um cinto pra não cair.
Apesar do meu esforço, parecia uma criança vestindo roupas de adulto. Respirei fundo e tentei desamassar as roupas e arrumar o cabelo molhado, esperando parecer um pouco mais profissional.
Atravessei o saguão movimentado e vi uma entrada enorme, do tamanho de um campo de futebol. O piso era de mármore branco, as paredes de concreto cinza, e tinha espelhos refletindo a luz do sol. Mesmo com pouca decoração, o jogo de luz natural tornava tudo impressionante.
Depois de admirar o interior lindo do prédio, tentei achar a recepção pra me registrar pra entrevista. Pedi informação a uma mulher passando, mas ela respondeu de forma ríspida.
Continuei andando pelo corredor mesmo assim e achei a recepção - era comprida e se misturava às paredes ao redor, meio que como uma mesa de sacrifícios num filme.
Me aproximei da recepcionista, que parecia impecável, e pigarreei pra chamar sua atenção. Ela tinha um rabo de cavalo perfeito, camisa branca e saia cinza que a deixavam com uma aparência muito profissional.
Ela tava ocupada olhando pro computador, mas disse oi sem levantar os olhos: "Bem-vinda à Blackwood Industries. Como posso ajudar?"
Dava pra perceber que a mulher era americana pelo jeito de falar. "Oi, pode me ajudar? Tenho uma entrevista às dez horas pra vaga de secretária e não sei pra onde ir."
Depois de digitar no computador por um tempo, a recepcionista finalmente olhou pra mim. Ela se levantou e me analisou de cima a baixo, começando a sorrir de leve.
Hum, ok?
Ela sentou de novo e continuou digitando. Quando terminou, me entregou um crachá de visitante e, sem me olhar, disse: "Siga reto pelo corredor, pegue um dos elevadores pro nono andar, e alguém lá vai te registrar."
Olhei pra onde ela apontou, então me virei de volta com um sorriso agradecido. "Obrigada," eu disse.
Fui até o elevador, apertei o botão e esperei as portas abrirem. Assim que abriram, um monte de gente saiu correndo, quase me derrubando.
Na confusão, escorreguei no salto e caí de joelhos. Gemi de dor, então senti alguém tocar meu cotovelo gentilmente e perguntar: "Você tá bem?"
Me sentei e vi um dos homens mais bonitos que já vi na vida. Ele tinha olhos verdes lindos, cabelo escuro bagunçado e um maxilar forte - Jesus Cristo!
Sempre gostei de um maxilar marcado.
Fiquei abrindo e fechando a boca sem conseguir falar. Vi ele começar a sorrir, com os olhos divertidos. Balancei a cabeça e tentei desviar o olhar, me concentrando na minha saia agora suja. Disse baixinho: "Hum. Tô bem, obrigada."
Lentamente olhei de novo pro rosto dele e ainda vi aquele sorriso. "Tem certeza? Parece que foi atropelada por um jogador de futebol americano," ele disse, rindo.
Hmmm, outro americano.
"Não, tô bem. Obrigada por ajudar. Não sabia que ia sair tanta gente, senão teria ficado mais pra trás."
O sorriso dele aumentou ao perceber que eu continuava encarando. "Tá tudo bem?"
Balancei a cabeça e desviei o olhar, colocando o cabelo atrás da orelha. "Hm? Ah! Siiim, tô bem!"
Então ouvi ele me fazer uma pergunta, mas eu tentava não olhar pra ele. "Qual seu nome, querida?"
Ele se inclinou, falando com um sotaque sulista que soava agradável. Me senti surpresa, como uma colegial recebendo atenção do garoto popular. Tentei manter a calma, mas quando ele perguntou meu nome, esperei um segundo antes de sussurrar: "Lina." O ar ficou eletrizante. Não conseguia olhar pra ele, e meu coração batia acelerado.
Ele estendeu a mão pra cumprimentar e disse: "Bem, Lina, eu sou o Adam."
Olhei pra ele e lentamente estendi minha mão pra apertar a dele. "Prazer em conhecê-lo, Adam, e obrigada por me ajudar ali atrás."
"Nunca é difícil ajudar uma mulher linda como você," ele disse, sorrindo pra mim.
Meus olhos se arregalaram quando ele disse isso, e senti meu rosto esquentar. Fiquei sem graça e não consegui olhar pra ele, então rapidamente olhei pros meus pés. Meu coração batia forte. Comecei a bater o pé no chão de nervoso. Minhas mãos se mexiam inquietas, e eu torcia pra que ele não percebesse o quanto me afetava.
"Então, pra onde você tava indo?"
"Na verdade tenho uma entrevista pra vaga de secretária no nono andar," eu disse, dando um sorriso tímido.
Olhei pro relógio e percebi que tava atrasada.
"Ai meu Deus, atrasada, atrasada, muuuito atrasada."
Corri pro elevador e fiquei apertando o botão do nono andar. Adam entrou no elevador. "Atrasada?"
"Muito."
Ele não apertou nenhum andar, então achei que também precisava ir pro nono.
"Não se preocupe, eles vão entender," ele disse pra me acalmar.
"Duvido," respondi.
As portas do elevador fecharam, e esperei nervosamente pelo nono andar, que parecia demorar uma eternidade pra chegar.
"Relaxa. Eu não me preocuparia tanto com isso," ele disse, sorrindo pra mim.
"Fácil pra você falar, você já trabalha aqui," retruquei.
"Verdade, mas é melhor viver a vida sem estresse."
"Ai meu Deus, falei isso em voz alta?" Olhei pra Adam, chocada.
Ele só ficou lá, sorrindo pra mim. Sorri de volta e empurrei o ombro dele com força. Ele cambaleou pra trás, e nós dois começamos a rir da nossa bobeira.
Finalmente o elevador fez um barulho, e chegamos ao nono andar. Fiquei pulando nas pontas dos pés, esperando impaciente as portas abrirem. Assim que abriram, saí correndo.
"Obrigada por me ajudar lá embaixo!" gritei por cima do ombro.
"Espera! Deixa eu te acompanhar e garantir que você chegue onde precisa," ele disse, sorrindo pra mim.
Corei e agradeci. Cheguei à mesa da recepcionista e vi uma mulher ruiva que parecia tão perfeita quanto a loira lá embaixo.
Sem levantar os olhos, ela perguntou: "Como posso ajudar?"
"Oi, tenho uma entrevista às dez horas. Sei que tô atrasada, mas aconteceu algo lá embaixo."
"Isso não muda o fato de que você deveria estar aqui há cinco minutos," ela disse com voz monótona.
Abri a boca pra explicar, mas ela me interrompeu.
"Não permitimos atrasos nesta empresa," ela disse firmemente.
"Mas posso explicar!" comecei a dizer, mas Adam interveio, pegou meu braço e me puxou pra trás. Ele pigarreou, e Ruby Red imediatamente olhou pra cima, levantou e abriu um sorriso enorme pra ele.
"Ah, Sr. Blackwood! Que prazer vê-lo! Como posso ajudar?" ela disse, dando o maior sorriso que já vi.
Blackwood? Ai meu Deus. Adam Blackwood. Tipo...
"Pode deixar essa moça simpática entrar pra entrevista? Ela teve um problema lá embaixo," ele diz, sorrindo pra ela de um jeito que derreteria gelo.
"Claro, senhor, mas sabe como seu irmão se sente sobre pessoas atrasadas," ela responde, ainda sorrindo.
"Acho que meu irmão vai entender," ele diz com um sorriso tranquilizador.
Ele olha de volta pra mim, e eu só fico lá parada de boca aberta, chocada.
"Você é Adam Blackwood! Tipo, irmão de Aaron Blackwood? Um dos donos da Blackwood Industries?" eu digo, surpresa.
"Isso mesmo," ele responde com um sorriso.
Ai meu Deus, eu acabei de empurrar um dos donos da Blackwood Industries. Me. Mata. Agora.
Olhei pra Adam Blackwood, um homem alegre e aparentemente gentil. Se eu conseguisse o emprego - e isso era um grande se - talvez trabalhar pra Aaron Blackwood não fosse tão ruim.










































