
Um Urso para o Natal
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S. M. Merrill
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Capítulo 1
MARIE
TERÇA-FEIRA, 18 DE DEZEMBRO, UMA SEMANA ATÉ O NATAL
Marie estava no fundo de sua floricultura. Ela olhou irritada para o celular tocando. A última coisa que ela precisava numa época tão corrida do ano era falar com a mãe. Noelle Kriton era o fim da picada.
“Marie, querida” disse Noelle quando Marie atendeu. “Só queria te lembrar de não se atrasar para a festa de fim de ano na sexta-feira. Começa às sete em ponto.”
“Eu sei, mãe” Marie disse. “Começa no mesmo horário todo ano.”
“Só garantindo! Vai levar alguém este ano?”
“Não” Marie disse, torcendo para que pudessem deixar o assunto por ali.
“E o seu amigo Reggie? Ele é um rapaz legal.”
Marie revirou os olhos. “E gay, mãe.”
Noelle tsk. “Que pena. Você não está ficando mais jovem. Talvez devesse pegar leve na comida este ano, querida. Perder uns quilinhos pode te ajudar a arrumar um homem.”
“Suas duas irmãs mais novas são casadas e têm filhos. Você não quer isso pra você?”
Claro que Marie queria um marido e filhos. Ela só não ia aceitar um homem que não a amasse de verdade.
“Te vejo na sexta, mãe.” Marie desligou e se virou para ver Reggie lhe dando um olhar de pena.
Marie e Reggie eram amigos há anos, e ela o contratou como ajudante assim que pôde. Ela amava o cara como um irmão, mas ele a conhecia bem demais.
“Estou bem, Reg” ela disse. “Vamos terminar esse arranjo. Só sete dias até o Natal.” Ela foi até a mesa de fitas e começou a pegar fitas vermelhas, verdes e douradas.
Marie sabia que sempre seria vista como fofa em vez de linda. Normalmente, ela ficava de boa com isso. Ela era baixinha e tinha uns quilos a mais, enquanto suas duas irmãs mais novas eram altas, magras e se preocupavam muito com a aparência.
Marie tinha a altura da mãe, mas o tipo de corpo do pai. Cada quilo que ela ganhava a deixava ainda mais redonda. Ela se esforçava pra comer direito e se exercitar, mas nunca parecia mudar muito o formato do corpo.
Era uma droga ter que aguentar sempre os comentários maldosos da mãe sobre como ela era gorda demais pra segurar um namorado.
“Por que você atende o telefone quando ela liga? Ela sempre estraga seu dia.” Reggie cortava os espinhos de rosas vermelhas e brancas.
“Se eu não atender, ela me faz sentir culpada por não amá-la. Joy e Valerie ligam pra ela todo dia” Marie explicou.
“Elas ficam em casa enquanto os filhos vão pra creche. Claro que podem ligar pra sua mãe. Elas não têm nada além de tempo livre. Enquanto isso, você tem um emprego em tempo integral.”
“Não importa pra Noelle Kriton.”
“Sinto muito.” Reggie entregou as rosas para Marie, e ela as colocou em doze buquês com algumas flores brancas pequenas pra dar mais volume.
“Marie, temos um cliente na linha um precisando de ajuda com uma decoração de mesa” sua outra ajudante Trisha gritou lá de trás.
“Não sei se vamos conseguir encaixar” disse Marie, mas ela pegou o telefone fixo da loja. “Alô, Floricultura Kriton.”
“Oi, estou desesperadamente precisando de um centro de mesa” uma voz masculina grave disse pelo telefone. Um arrepio desceu pela espinha de Marie. Aquela era uma voz de dar água na boca.
“Depende do tamanho” ela disse, se esforçando pra manter a própria voz profissional. “Estamos quase lotados.”
“Só precisa ser algo que uma mãe que ama o Natal apreciaria” ele implorou. “Normalmente não espero tanto pra fazer o pedido.”
Ela folheou sua agenda. “Tenho uma vaga hoje às seis e meia. A loja fecha às sete.”
“Muito obrigado; te vejo lá!” Ele parecia realmente grato.
Marie desligou e suspirou de forma sonhadora.
“Você mudou completamente de humor” disse Reggie, olhando pro sorriso bobo dela. “Alguém ligou pra te chamar pra sair?”
“Não, mas a voz dele mandou arrepios por todo o meu corpo” Marie admitiu.
Reggie riu e terminou outro buquê.
“Espero que o corpo dele combine com a voz” ela disse. “Alto, bonito, solteiro.”
“Se for, querida, agarra ele e usa como seu acompanhante de fim de ano.”
“Não vou fazer isso. Nenhum pobre homem precisa passar pela minha família.” Ela não podia fazer isso com ninguém.
Ultimamente, Marie odiava as festas de fim de ano. Todo ano, ela ouvia as mesmas palavras cansadas e repetidas da mãe. Arrume um marido e pare de ser gorda. Você não está ficando mais jovem.
Ela tinha trinta e três anos, não estava morta. Suas duas irmãs tinham se casado com os namorados da faculdade e tido filhos, e Marie amava seus sobrinhos. O problema era que eles lembravam a todos que Marie era solteira e sem filhos.
“Marie, preciso de você!” Trisha gritou, chamando-a pra frente da loja. Ela passou o resto do dia ajudando outras pessoas e fazendo arranjos. Ela nem teve chance de almoçar enquanto um cliente carente após o outro tomava seu tempo.
Se a loja fosse bem nesta temporada, ela consideraria contratar mais um funcionário. Ela gostava mais de fazer arranjos de flores do que trabalhar na frente.
“Marie, seu compromisso das seis e meia chegou” Trisha anunciou, entrando correndo na sala dos fundos.
Sem levantar os olhos do arranjo, Marie respondeu: “Diga que vou demorar um minuto. Você pode levá-lo pra sala de consulta.” Ela queria terminar este centro de mesa antes da reunião. A única coisa que faltava era adicionar as flores de preenchimento.
“Marie, vai. Dei uma olhada, e acho que ele pode ser seu Príncipe Encantado.” Reggie a empurrou pro lado pra assumir o arranjo.
Revirando os olhos, Marie tirou o avental. Alisando o cabelo crespo, ela foi pra sala de consulta. Trisha estava parada do lado de fora da porta e lhe deu um sinal de positivo quando ela passou. Sério, quão gostoso era esse cara?
Entrando na sala, Marie perdeu o fôlego. Seu coração pulou uma batida. Caramba! Ele combinava com a voz.
Ele era enorme, pelo menos trinta centímetros mais alto que ela, e musculoso, usando um terno de três peças que esticava no peito largo. Mas de alguma forma, seu cabelo loiro mel e olhos verdes suaves como grama o impediam de parecer assustador.
Ele estava parado perto da parede do fundo, olhando alguns de seus arranjos premiados. Seus brinquedos em casa iam ter um treino hoje à noite. Esse homem derreteu sua calcinha.
“Olá, sou Marie Kriton. Desculpa, não peguei seu nome pelo telefone.” Ela estendeu a mão. Quando ele a pegou, pressionando a palma grande e quente contra a dela, seus joelhos fraquejaram. Ela teve que se forçar a soltar depois do aperto de mão.
“Sou Holton Bell” ele disse. “Obrigado por me encaixar. Tem sido uma temporada de trabalho agitada pra mim, e esqueci de fazer o pedido com antecedência.”
Marie tentou lembrar do nome familiar. Depois de um momento, veio até ela. “Normalmente sua ajudante vem” ela respondeu, lembrando-se de uma linda morena com olhos verdes parecidos.
“É, minha irmã Ruby. Ela saiu há cerca de um ano, e não encontrei uma nova ajudante de que eu goste. Não sei como funciona esse processo de pedido; Ruby sempre me ajudava.”
Marie tentou não rir. Esse homem enorme, que provavelmente conseguia levantar ela no supino, estava pedindo ajuda com algo?
“Ok, senta e vamos ver o que podemos montar.” Ela apontou pra mesa e abriu seus livros de amostras. Fotos sempre ajudavam as pessoas a se decidir. “Aqui estão nossas opções mais populares.” Ela folheou, deixando-o olhar cada foto.
“Hmm” ele disse depois de algumas páginas “você tem algo mais invernal e menos natalino? Quero que ela aproveite as flores mesmo depois do feriado.”
“Não aqui” ela admitiu “mas posso te mostrar opções e montar uma amostra.”
Holton lhe deu um grande sorriso, um que fez seu coração acelerar. “Seria ótimo. Obrigado, Sra. Kriton.” Ele se levantou, e Marie também.
Ela olhou pra cima e pra cima. O homem realmente se erguia sobre ela. Ele segurou a porta aberta pra ela quando saíram da sala.
“Obrigada, Sr. Bell.” Ela lhe deu um sorriso tímido.
“Holton, por favor” ele corrigiu. “Sr. Bell é meu pai.”
Ela riu. “E Sra. Kriton é minha mãe. Pode me chamar de Marie.” Ela o levou pra sala dos fundos, onde Reggie estava terminando seu último arranjo.
Os olhos de Reggie se arregalaram um pouco quando ele viu Holton de perto. Então ele piscou pra Marie e colocou o arranjo na geladeira antes de deixá-los sozinhos.
“Espera” disse Holton, quando ficaram sozinhos. Sua voz tinha uma qualidade estranha, quase rouca de repente. “Sra. Kriton é sua mãe. Isso é... você por acaso é parente de Noelle Kriton?”
Ah não. Como esse homem lindo conhecia sua mãe, de todas as pessoas? Por favor, Marie rezou pra quem quer que estivesse ouvindo. Por favor, não deixa ela estragar isso pra mim.














































