
A Família Vilenzo Livro 2: Lealtà
Author
Laila Callaway
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Chapters
13
Capítulo 1
Livro 2: Lealtà
MARTINA
“Eu juro que ela é a bebê mais linda que eu já vi”, eu digo maravilhada, embalando a recém-nascida nos meus braços.
Na minha frente, Illaria revira os olhos, parecendo radiante apesar de ter dado à luz há menos de dois meses. Ela está cansada, compreensivelmente, e não posso deixar de admirar a força dela.
Por mais que eu adore a minha sobrinha, a ideia de ter meus próprios filhos é assustadora — eu dou muito valor ao meu sono.
Isso se eu conseguir encontrar alguém para tê-los comigo.
“Marty, nenhum bebê é feio”, Illaria insiste.
“Só uma mãe diria isso. O seu cérebro foi sequestrado pelos hormônios, o seu julgamento está comprometido”, eu brinco.
Ignorando o meu comentário, Illaria pergunta: “Você quer dar de mamar para ela? Está quase na hora.”
“Você não estava amamentando no peito?”, eu pergunto, surpresa.
“Estou, mas também estou usando fórmula porque meus mamilos estão doloridos”, ela responde com indiferença, como se estivéssemos falando sobre o tempo e não sobre seus mamilos.
“Ah, tudo bem. Sim, eu adoraria dar a mamadeira para ela.”
Enquanto Illaria se levanta para pegar a mamadeira, eu continuo no sofá, maravilhada com a bebê nos meus braços. O nariz pequeno e os grandes olhos azuis dela são simplesmente irresistíveis.
Talvez ter um bebê não fosse tão ruim assim...
“Aqui.” Illaria me entrega a mamadeira.
Eu agradeço e começo a alimentar a minha sobrinha. Posso sentir o olhar de Illaria em mim, então dou uma olhada para ela.
“No que você está pensando?”, eu pergunto.
“Você fica muito bem com ela nos braços. Tem saído com alguém recentemente?”
“Você está se adiantando um pouco, não acha?”, eu dou risada. “E não, não estou saindo com ninguém. O mercado de italianos na nossa cidade é bem fraco. Os únicos homens italianos que conheço são os que trabalham para o meu irmão, ou meus primos, e eu passo longe disso.”
“Ele precisa ser italiano? Esse é um critério bem rigoroso. Não é culpa do amor da sua vida se ele tiver nascido em outro lugar que não seja a Itália.”
“Eu sei, ele não precisa ser. Eu só sempre sonhei em me casar com um homem italiano. Além disso, eles têm mais chances de serem fluentes no idioma. Sem ofensa, mas aprender uma língua nova foi difícil para você, não foi?”
“Sim, foi”, ela admite. “Mas isso mostrou o quanto eu estou comprometida com o Lucca. E se um homem não italiano quisesse aprender a língua por você? Ou se ele não for italiano, mas for fluente de qualquer forma?”
“Eu não sei. Eu resolvo isso quando chegar a hora”, eu respondo, soltando um suspiro.
“O homem perfeito vai aparecer mais cedo do que você imagina, eu aposto.”
“Ter um bebê te transformou numa vidente?”
Ela dá um sorriso de lado para mim. “De certa forma, sim. O instinto materno é o sentimento mais forte que eu já experimentei.”
O comentário dela desperta a minha curiosidade. “Ainda mais forte do que os seus sentimentos pelo meu irmão?”
O rosto dela fica vermelho quando ela percebe o que acabou de dizer. Ela ri de um jeito sem graça. “Não, talvez não mais forte do que esses sentimentos. Vamos fingir que eu não disse isso.”
“Será o nosso segredo.”
***
Eu passo o resto da tarde com Illaria. Não faz sentido ir embora, já que fui convidada para jantar na casa deles.
Eu posso passar um tempo de qualidade com a minha sobrinha, que sairá da fase de recém-nascida num piscar de olhos, e também posso ajudar a minha cunhada, que está com muita coisa na cabeça no momento.
Lucca chega em casa à tarde e começa a cozinhar para esta noite. Ele convidou o nosso irmão Fidello para vir também, e os seguranças dele, Rocco e Valerius, também vêm.
É um jantar um pouco estranho, com uma mistura de nós e talvez uma recém-nascida se ela não dormir, mas deve ser uma boa noite, especialmente porque o Lucca está cozinhando. Apesar de eu administrar o restaurante da família, Lucca sempre foi o cozinheiro de nós três, irmãos Vilenzo.
Por minha insistência, Illaria tira um cochilo enquanto eu cuido da filha deles. É muito fácil cuidar de Lucia depois que ela é alimentada e arrota.
Ela fica acordada enquanto eu ando pela sala de estar, arrumando as coisas antes que todos os outros cheguem. Quando ela começa a ficar com sono, eu a deixo cochilando em seu moisés e aspiro a sala de jantar.
Depois que Illaria descansa, ela assume o controle com Lucia, dá um banho nela e a coloca na cama antes que a noite comece de verdade.
Eu me troco e coloco um vestido que comprei especialmente para hoje. Tenho dedicado tanto tempo ao restaurante que — fico triste em dizer — ir à casa do meu irmão para uma refeição tem sido o ponto alto social da minha agenda no último mês.
Eu realmente não tenho vida. Deveria arrumar uma.
Estou um pouco arrumada demais para um jantar simples. O vestido que escolhi é longo e roça nos meus tornozelos.
Eu escolhi sapatos de salto baixo para tentar deixá-lo mais casual, mas não tem como esconder a fenda que exibe a minha coxa. É de gola boba também, então dá um belo vislumbre do decote.
Illaria dá um assobio baixo de apreciação quando eu saio do banheiro dela e dou um giro.
“Bem, eu me sinto seriamente malvestida”, ela comenta de forma desanimada.
“Você está linda. Você não está malvestida; eu é que estou arrumada demais”, eu insisto.
Ela está usando uma blusa brilhante e soltinha e calças legging pretas de maternidade, que ela jura serem a peça de roupa mais confortável que já teve.
Ela levanta uma babá eletrônica. “Tenho medo de ser ainda mais desmancha-prazeres carregando isso a noite toda.”
“Você trouxe uma vida para este mundo, não se esqueça disso”, eu lembro a ela. “Vamos lá, vamos ver o que o seu marido maravilhoso e o meu irmão incrível preparou para o jantar.”
Ela bufa. “Você só está sendo tão gentil com ele porque ele vai te alimentar.”
“Obviamente esse é o único motivo.”
No andar de baixo, Lucca está a todo vapor na cozinha. Há uma enorme variedade de entradas dispostas na ilha, prontas para serem levadas para a sala de jantar.
Graças ao Lucca e ao meu trabalho duro de antes, a mesa está lindamente posta e pronta para oito convidados. Eu não sabia que viriam outras duas pessoas. Eu não sei quem elas são.
“Estão tocando a campainha. Marty, você pode atender, por favor? Ria, dolcezza, eu preciso da sua ajuda.”
Lucca começa a latir ordens como sempre, e eu vou atender a porta.
Rocco e Valerius estão lá. Estou surpresa que eles tenham se dado ao trabalho de tocar a campainha; eles moram na mansão de segurança anexa a esta casa quatro dias por semana. Parece muito estranho tocar a própria campainha.
“Ei, Martina. Como vão as coisas?” Rocco é o primeiro a me cumprimentar, seguido por Valerius.
Apesar da boa aparência deles, aprendi a vê-los como estritamente proibidos nos últimos cinco anos.
Qualquer indício de ficar íntimo demais com a família do Lucca pode significar perda de emprego instantânea... ou pior. Eu aprendi essa lição da maneira mais difícil quando o primeiro segurança do Lucca foi demitido por roubar um beijo meu.
Daí em diante, passei a ver toda a sua equipe de segurança como família, nada mais. Rocco e Valerius foram para a cozinha.
Justo quando estou prestes a fechar a porta, Fidello sobe correndo os degraus.
“Espera aí!”, ele grita, estendendo a mão para me impedir de fechar a porta. “Marty, querida, você está deslumbrante.”
“Obrigada, Fid”, eu respondo, dando um beijo em cada bochecha dele.
“Parece um pouco demais para o jantar. Eu perdi alguma coisa? Eu nem me dei ao trabalho de usar uma gravata”, ele comenta, fazendo um gesto para sua camisa e calça casuais.
“Não, eu só estava com vontade de me arrumar. Não ligue para mim.”
O som de uma porta de carro fechando chama a minha atenção por cima do ombro dele. Fidello segue o meu olhar e dá um passo para o lado para deixar o seu convidado subir os degraus até a porta da frente.
A cada passo que o homem dá, a minha curiosidade aumenta. Ele é inegavelmente italiano, diabolicamente bonito, com cabelos tão escuros quanto a meia-noite e pele da cor de bronze polido.
Seus lábios são finos, mas cheios, com um arco de cupido pronunciado. Na luz fraca da varanda, é difícil distinguir a cor dos seus olhos, mas eles são escuros, quase tão escuros quanto o seu cabelo.
Ora, olá.
“Este é o Niccolò, um amigo meu”, Fidello nos apresenta, gesticulando em minha direção. “Nic, esta é a minha irmã, Martina.”
Nossos olhos se encontram e eu fico cativada na mesma hora. Ele dá um passo para a luz e eu vejo que os seus olhos não são tão escuros quanto pensei a princípio; eles são de um castanho suave.
Fico hipnotizada em segundos. De alguma forma, consigo estender a mão para ele apertar, o que ele faz.
A palma da sua mão é levemente áspera, mas quente contra a minha, o seu aperto de mão é firme. “É um prazer conhecê-la, Martina. Fidello falou muito bem de você”, ele diz, com as suas palavras carregadas de um forte sotaque italiano.
Aguenta, coração.
“É adorável conhecer você”, eu consigo dizer, com a minha voz soando sonhadora.
O meu coração dá um salto quando Niccolò levanta a minha mão até a sua boca e roça levemente os lábios no dorso da minha mão antes de soltar. Pega de surpresa, a minha mão cai ao meu lado.
Fidello parece alheio ao momento que acabou de acontecer entre nós. Ele passa por mim e entra na casa, deixando Niccolò e eu sozinhos na varanda.
Eu rapidamente recupero a compostura e limpo a garganta. Dou um passo para o lado para deixá-lo entrar.
“Por favor, entre.”
Ele me dá um pequeno sorriso conhecedor. “Obrigado.”
Enquanto ele passa por mim, o tecido fresco de sua camisa preta roça no meu braço nu, presenteando-me com um cheiro tentador de sua colônia doce e picante. Fico instantaneamente fisgada e o sigo como uma colegial apaixonada.
A noite de hoje acabou de ficar muito mais empolgante.















































