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A Garota Invisível

Autor
Talissa O'Shrigar
Leituras
16,0K
Capítulos
39
Autor
Talissa O'Shrigar
Leituras
16,0K
Capítulos
39
🏈Disputas esportivas👱🏽‍♀️Adolescentes🏃🏿‍♂️Atletas👩🏽‍🎓Estudantes🏙️Contemporâneo🏒Jogadores de hóquei👩‍❤️‍💋‍👨 Young Adult

Summer está determinada a passar pelo seu último ano despercebida, mantendo sua vida organizada, calma e livre de dramas. Escola nova, regras novas, sem distrações. Fácil… até que ela colide com Jake, o astro do hóquei que é feito de partes iguais de charme e caos. O primeiro encontro deles é conturbado, as provocações dele são mais afiadas do que ela esperava e sua presença é impossível de ignorar.

Aos poucos, seus planos cautelosos começam a rachar à medida que ela é puxada para um mundo de madrugadas, amizades leais e sentimentos que ela nunca aceitou ter. Quanto mais ela resiste, mais perto ele chega. Será que ela consegue mesmo continuar invisível quando alguém a enxerga com tanta clareza?

Capítulo 1

SUMMER

Olhei no espelho e decidi que estava satisfeita com o que via. Calça jeans larga, um moletom cinza grande demais, uma camiseta básica por baixo e sem maquiagem. Meu cabelo castanho longo e ondulado, quase cacheado, estava preso em um rabo de cavalo. Tudo isso com o objetivo de passar despercebida.
Hoje era o começo do meu último ano em mais uma escola nova, e eu não tinha vontade nenhuma de fazer amigos. Tudo que eu precisava fazer era sobreviver por mais alguns meses, e então finalmente poderia ir para a faculdade.
Eu suspirei. Se ao menos o Chris estivesse aqui para me ajudar a passar por isso.
Meu pai já tinha saído para trabalhar de madrugada. Ser médico significava que ele muitas vezes trabalhava em turnos. Nosso apartamento não era grande, mas era o suficiente para nós dois.
Em vez de uma casa, escolhemos um lugar com varanda em um bairro legal, que até tinha porteiro. Comi um café da manhã rápido, entrei no meu carro velho e surrado e dirigi até a escola.
Eu já tinha meus horários e meu armário, então não havia necessidade de ficar enrolando no corredor. A escola parecia exatamente igual à minha antiga: armários enfileirados pelo corredor, alunos conversando, casais grudados. Faltando apenas alguns minutos para a aula, encontrei a minha sala.
Perto da entrada, um garoto de cabelo escuro estava encostado na parede, dando uns amassos em uma garota. Passei por eles e entrei na sala de aula, onde um punhado de alunos já tinha se sentado.
Matemática. Se eu sentasse na frente ou no meio, chamaria muita atenção, então tentei encontrar um lugar discreto. Meus olhos pararam em uma cadeira no canto mais afastado.
Não havia nenhuma mochila nela, apenas na cadeira ao lado. Então, eu me enfiei na última fileira. Peguei um livro e sorri com a história, mas de repente alguém parou do meu lado.
“Normalmente, ninguém senta no canto”, disse uma voz grave.
Eu olhei para cima. Um garoto alto, de cabelo preto, vestindo calça jeans e um moletom azul-marinho estava me encarando, claramente irritado com a minha presença. Seus olhos amendoados indicavam uma descendência asiática.
“Hã…”, gaguejei. “Não tinha mochila na cadeira.” Eu realmente não queria brigar no meu primeiro dia.
“Aluna nova?”, ele perguntou, me analisando de cima a baixo antes de jogar a mochila no chão e sentar do meu lado.
“Sim”, respondi rapidamente. “Eu posso mudar de lugar.” Tentei me levantar, mas ele não se mexeu, bloqueando o meu caminho.
“Não sobrou nenhum outro lugar”, ele comentou, colocando os fones de ouvido.
Então eu fiquei, tentando me encolher, decidida a não incomodar ninguém. O moletom estava muito quente, no entanto, então eu o tirei com cuidado. Ele olhou para mim, mas depois se virou para o professor, que tinha acabado de entrar.
Um homem alto e calvo colocou uma pasta na mesa e andou por entre as fileiras. “Não vamos perder tempo”, ele começou, colocando folhas em cada carteira. “Nada melhor do que uma prova para ver o quanto vocês todos esqueceram durante o verão.” Ele deu uma risadinha da própria piada.
Gemidos de frustração encheram a sala. Peguei minha caneta e esperei pela minha prova. Quando o professor me viu no canto, ele me olhou de cima a baixo, e depois olhou para o garoto ao meu lado.
“Calmo finalmente, Sr. Thompson?”, ele brincou, jogando as folhas da prova na frente de nós dois.
Thompson. Pelo menos agora eu sabia o nome dele.
A prova foi bem fácil. Álgebra básica, nada que eu já não tivesse visto antes. Terminei em vinte minutos e passei o resto da aula lendo meu livro, tentando ignorar o jeito que o Thompson ficava me olhando de canto de olho.
Quando o sinal bateu, arrumei minhas coisas rapidamente, esperando escapar antes que alguém pudesse me encurralar. Mas o Thompson foi mais rápido.
“Você não é daqui”, ele disse, acompanhando meus passos enquanto saíamos da sala.
“Não”, respondi, mantendo os olhos para frente. “Acabei de me mudar para cá.”
“De onde?”
Hesitei. Quanto menos as pessoas soubessem sobre mim, melhor. “Costa leste.”
Ele concordou com a cabeça como se isso explicasse tudo. “Bom, bem-vinda ao inferno.”
Apesar de tudo, eu quase sorri. Quase.
Durante meu tempo livre, me escondi na biblioteca, esperando a hora do almoço chegar. Eu tinha trazido minha própria comida, mas encontrar um lugar para sentar não foi fácil. Chegar cedo não ajudou; os grupos já tinham marcado seus lugares, e sentar com o grupo errado significava chamar mais atenção do que comer sozinha.
Felizmente, encontrei uma mesa longa e vazia com bancos dos dois lados no fundo e me sentei na ponta. Achei estranho que não tivesse ninguém sentado lá, mas imaginei que talvez a minha sorte tivesse finalmente mudado.
Eu estava errada.
Eu tinha acabado de tirar a minha comida quando um grupo barulhento de garotos invadiu o refeitório, com duas garotas junto deles. Ao me notarem, eles pararam de repente, trocaram olhares, e então dois deles marcharam direto na minha direção e pararam um de cada lado meu.
“E quem exatamente é você?”, um deles exigiu saber. O refeitório inteiro ficou em silêncio.
“Hã…”, eu me atrapalhei, juntando o meu almoço.
“Mark, Connor, deixem ela em paz”, uma voz chamou da porta. Thompson. Claro. Ele se aproximou caminhando de um jeito relaxado. “Senhorita Hã… ela é a aluna nova.” Ele riu.
“Mas ela está sentada na nossa mesa”, um dos garotos protestou.
“Ninguém nunca senta desse lado.” Thompson dispensou a reclamação com um aceno de mão e se sentou. “Vamos lá, temos coisas para fazer.”
Os dois garotos foram com relutância para o outro lado da mesa. Eu suspirei e continuei comendo. Pela conversa deles, ficou óbvio que essa era a mesa do time de hóquei.
Eu também tinha jogado hóquei na minha antiga escola, mas os times femininos nunca recebiam o mesmo reconhecimento. Então, eu apenas escutei em silêncio.
À tarde, perguntei na sala dos professores sobre o clube de matemática, mas ele tinha sido desfeito anos atrás porque não havia membros suficientes. Maravilha. Eu tinha ido parar em uma escola cheia de idiotas.
A aula seguinte não trouxe nenhuma surpresa. Mais uma vez sentei no fundo, apenas para encontrar o mesmo garoto do meu lado de novo. Desta vez, ele tirou o moletom, revelando uma camiseta do time de hóquei Frosting Wolves.
Time péssimo. Ele me olhou de cima a baixo com relutância mais uma vez, mas não disse nada.
Um garoto na nossa frente se virou. “Aí, Jake”, ele deu um sorriso malicioso. “Não acredito que você deixou uma garota pegar o lugar da sua mochila. Tenho que admitir que ela é bem gata, no entanto.”
Jake — então esse era o nome dele — sorriu. “Ela tem um cheiro melhor que a minha mochila. Ela é nova. Deixe que ela tenha pelo menos um dia bom”, ele disse, e o amigo dele deu uma risada alta.
Eu me encolhi na cadeira, desejando poder colocar o meu moletom de volta, mas ainda estava muito quente. Por sorte, a professora entrou, e a aula de inglês começou.
Bom, aqueles alunos com certeza não seriam a próxima geração de gênios. A maioria deles não conseguia nem responder às perguntas básicas da professora, então, depois de um tempo, comecei a levantar a mão eu mesma — só para que a gente pudesse seguir em frente logo.
“Fantástico”, uma garota murmurou na minha frente. “Mais uma nerd na nossa escola.” Alguns alunos próximos deram risadinhas baixinhas, tomando cuidado para não atrair a atenção da professora.
E lá se foi a minha chance de ser invisível.
Eu não corri para casa depois da aula. Meu pai estava trabalhando, e eu ficaria sozinha de qualquer maneira, então decidi estudar na biblioteca. Eu estava andando pelo corredor, colando cartazes que tinha impresso mais cedo para recrutar membros para o clube de matemática, quando notei os troféus da escola e algumas fotos antigas em exibição.
Meu pai também tinha estudado nessa escola — e ele tinha jogado hóquei —, então comecei a examinar as fotos, procurando pelos anos certos.
“O que você está olhando?”
Uma voz grave falou atrás de mim, e eu dei um pulo de susto. Era o Jake.
“Hã… nada”, respondi, me virando. Ele estava com uma bolsa de academia pendurada no ombro.
“Eu te assustei?”, ele perguntou com um sorriso convencido, e continuou antes que eu pudesse responder. “O que você está fazendo aqui? O que são esses papéis na sua mão?”
“Estou indo para a biblioteca estudar e colando cartazes no caminho. Tenho esperança de reiniciar o clube de matemática”, eu disse com um sorriso discreto, começando a caminhar na direção da biblioteca.
“O que você está estudando no seu primeiro dia?”, ele provocou, andando ao meu lado.
“Só o que aprendemos hoje”, respondi. “Você não tem nenhum lugar para ir?”, perguntei, olhando de relance para a bolsa dele.
“Já terminei por hoje”, ele disse. “Tive treino de madrugada. Por que você não vai para casa?”
“Não importa onde eu esteja sozinha”, murmurei. Jake pareceu querer dizer alguma coisa, mas uma voz estridente ecoou pelo corredor.
“Jake!”
Era a garota que tinha me chamado de nerd mais cedo — aparentemente a namorada dele.
“Divirta-se”, eu disse rapidamente e escapei para a biblioteca enquanto o Jake ia na direção dela.

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