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Pierce Charming Academy 2: Beijando o Rei Semideus e Outras Decisões Erradas

Autor
F. R. Black
Leituras
15.8K
Capítulos
61
Autor
F. R. Black
Leituras
15.8K
Capítulos
61
🥵Literatura erótica👱🏽‍♀️Adolescentes💪🏻Protetor🌛Deuses e deusas🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia🐉Fantasia😈Romance de bullying

Spiro caça Smera desde o dia em que ela entrou na Academia, provocando-a, encurralando-a no ringue de treinamento e dizendo que ela é protegida demais para sobreviver a uma missão Alfa. Então, quando ela finalmente consegue uma, aceita puramente para afrontá-lo, e vai parar em um mundo de fantasia grega como uma princesa de Atenas, com um príncipe semideus para seduzir e uma guerra com Esparta para impedir.

Mas Spiro a segue, abrindo mão de uma galáxia inteira para ficar preso neste planeta para sempre, e o Destino faz dele o seu alvo. Agora, o homem que ela jurou odiar é o homem que ela precisa fazer com que a ame, enquanto uma deusa exige a morte dele e o poder de matar deuses que desperta dentro de Smera decide que também o quer morto.

E um deles terá que morrer para que o outro possa viver.

Capítulo 1: Golpes Baixos

SMERA

O suor escorre nos meus olhos e arde no corte fresco do meu lábio inferior. Sinto o gosto de cobre e sal enquanto passo as costas da mão pela boca, manchando os nós dos dedos de vermelho.
“Isso foi golpe baixo”, digo entre os dentes cerrados, as palavras abafadas pela dor latejante no meu maxilar.
Spiro está do lado oposto, peito subindo e descendo, a pele brilhando de suor que contorna cada sulco esculpido de músculo. Com quase dois metros de altura, ele é uma muralha de titânio — ombros largos que se movem como placas tectônicas, braços grossos o bastante para partir uma lança ao meio.
Está sem camisa, calças de combate pretas caídas nos quadris, cada centímetro dele irradiando uma força contida. Seus olhos cor de tempestade e avelã brilham com algo selvagem, algo quase animal.
Empolgação.
Ele está gostando disso — vencer uma mulher com metade do tamanho dele, sem pegar leve em nenhum golpe. Essa constatação faz meu sangue ferver, mesmo com meu maxilar gritando de dor.
Ele circula ao meu redor com calma, punhos ainda erguidos. Um sorriso lento e provocador se abre no rosto dele. “Baixo?” ele ri. “Você deixou o queixo completamente exposto, amor. Isso não é golpe baixo — é um convite.”
Cuspo sangue no chão, aperto os olhos e reajusto minha postura. Minhas costelas doem do golpe no corpo que ele acertou antes, mas a dor só deixa tudo mais afiado.
Desta vez, avanço primeiro.
Finjo com um jab pela esquerda, depois abaixo e lanço um gancho nas costelas flutuantes dele. Ele lê o movimento — maldito — e gira o corpo o suficiente para que meus nós dos dedos apenas raspem seu flanco em vez de afundar. O antebraço dele bate na minha guarda como um aríete, forçando meus braços a se abrirem.
Desvio por baixo do contra-ataque dele e lanço um uppercut brutal em direção ao queixo. Meu punho conecta — um estalo sólido e satisfatório de osso contra osso. A cabeça dele inclina para trás meio centímetro, mas ele ri — alto, encantado, o som vibrando pelo pátio.
“Assim que se faz”, ele rosna.
Ele não me dá tempo de saborear o golpe.
Uma mão enorme avança, agarra meu pulso no meio do recuo e puxa. Ele me gira como se eu não pesasse nada, o braço envolvendo meu pescoço por trás num estrangulamento frouxo — não apertado o bastante para cortar o ar, apenas o suficiente para me lembrar que poderia. O peito dele pressiona quente e firme contra as minhas costas. Ele se inclina, os lábios roçando a curva da minha orelha.
“Desiste?” ele murmura, a voz carregada de diversão e algo mais faminto.
Enfio meu cotovelo com força no plexo solar dele. Ele grunhe, a pegada afrouxando o bastante para eu me soltar girando. Varro a perna da frente dele com um chute rasteiro. Ele pula por cima — por pouco — mas eu já estou avançando por dentro da guarda dele, cravando meu ombro no abdômen.
Nos chocamos.
Ele cambaleia dois passos para trás — o suficiente para me fazer sorrir — depois me agarra pela cintura e me levanta do chão. Me joga de costas no chão — não forte o bastante para me machucar de verdade, mas forte o suficiente para tirar o ar dos meus pulmões.
Antes que eu consiga rolar, ele joga todo o peso em cima de mim, prendendo meus pulsos acima da cabeça.
Nossos rostos ficam a centímetros de distância. A respiração dele sopra quente sobre meu lábio cortado, olhos avelã ardendo de triunfo e desejo cru.
“Ainda acha que foi golpe baixo?” ele pergunta, os lábios curvando.
Arqueio o corpo sob ele, testando sua pegada, sentindo a gaiola de ferro dos dedos ao redor dos meus pulsos. A dor lateja no maxilar, nas costelas, mas só faz o fogo nas minhas veias queimar mais forte.
“Não”, sussurro, encarando-o sem recuar. “Mas na próxima vez, sou eu que vou te botar no chão.”
A risada dele é baixa, perversa. “Mal posso esperar.”
Ele não se mexe para me soltar. Ainda não.
Eu também não.
E por esse instante, nada mais existe além de nós dois — travados, suados, vivos e longe de ter terminado.
Mas então eu o empurro, rolando para fora de baixo dele.
Eu ouvi dizer que ele é mestiço. Só a mãe dele era humana, da Terra. Sabe-se lá que raça era o pai Titã desgraçado.
O comportamento horrível dele no ringue é famoso em toda a academia. Até minha mãe perguntou sobre os rumores, querendo saber se precisava pedir pro meu pai quebrar o braço dele.
Toda vez que pode, Spiro solta provocações afiadas — dizendo que eu não sou tão durona quanto finjo, que eu vivo na sombra da minha mãe, ou a velha história de “problemas com o papai”. Até parece. Meu pai limpava o chão do treino com ele sem nem suar.
O que chega a ser patético é que essas provocações constantes não são rivalidade. É uma tentativa óbvia de flerte. Ele é obcecado por mim desde que cheguei.
Minhas colegas de quarto especulam sem parar sobre a fixação de Spiro. Elas sussurram que a obsessão dele beira algo perturbador, que se ele não se controlar, a administração da Pierce Charming Academy pode não ter escolha a não ser expulsá-lo. Os instrutores também perceberam, atentos a como a intensidade dele às vezes cruza a linha entre competitiva e possessiva.
Em teoria, a academia tem regras rígidas contra qualquer forma de assédio ou intimidação, mas Spiro tem a beleza de um alvo Alpha, e é por isso que ele se safa de muito mais do que alunos comuns conseguiriam.
Ele é um agente importante de se ter. Eu entendo.
Na verdade, isso só me faz odiá-lo mais.
Que ele corra atrás, que tente me provocar. Meu foco está em outro lugar — no treino, na estratégia, em conquistar meu lugar entre as lendas.
“Vai, relaxaaa”, ele ri baixo, erguendo as mãos em rendição enquanto eu me afasto. “Não fica brava. Gata, você sobrevive.”
Idiota.
Ele quase arrancou um dente meu.
Me viro, tocando o nariz para ter certeza de que não está sangrando. “Chega,” consigo dizer, sentindo meus músculos tremerem.
“Smera, meu bem”, ele diz num tom meloso, e meu olho treme. “Achei que você aguentava. Eu estava pegando pesado com você”, ele murmura, e dá pra ouvir o sorriso na cara idiota dele.
Solto uma risada forçada, sabendo que ele é caso perdido. Não posso deixá-lo me afetar — assim que conseguir uma missão, ele vai sumir pra sempre.
“Tenta lutar com um homem, pra variar.” Olho pra ele por cima do ombro, sabendo que os olhos dele estavam grudados na minha bunda enquanto o olhar dele sobe lentamente até encontrar o meu. “Vencer uma mulher não vai te garantir uma missão Alpha, Spiro.”
Ele me olha como se minhas provocações fossem preliminares, depois tira a camisa suada e revela o físico de deus grego. Reviro os olhos, desviando o olhar. “Gata, você sabe que eu vou conseguir uma missão Alpha só pela minha aparência.”
Spiro é bonito pra caramba, tudo bem, mas eu engolia vidro antes de admitir isso. Lanço um olhar irritado pra ele e o vejo sorrindo pra mim, sabendo que está tentando me provocar.
Ele pode até virar cabeças, mas não faz efeito em mim. Eu miro bem mais alto do que ficar de flerte com um aspirante metido da academia.
Minhas ambições vão além de romance. Eu quero o tipo de vitória que grava meu nome no Hall da Fama, um legado como o da minha mãe, que conquistou uma missão Alpha.
O que posso dizer? Sou filha da minha mãe.
Não expresso bem as emoções, como ela, e às vezes posso parecer confiante demais.
Conheço meus defeitos.
E não me importo.
Viver na sombra dos meus pais não é fácil. Os sussurros me seguem, as expectativas pesam em cada passo. Mas aqui, no campo de treinamento, eu tenho a chance de trilhar meu próprio caminho, de provar que sou mais do que a filha da Zoya.
Mesmo quando meus pais tentam me proteger, me manter segura e por perto, eu sigo em frente. Cada hematoma, cada músculo dolorido, é minha recusa a ser segurada. Estou determinada a brilhar, mesmo que isso signifique desafiá-los por uma chance real numa missão Alpha.
Mas sou a mais velha, então é difícil pra eles me soltarem.
Zoya trabalhou na FGI por anos e recebeu uma carta dourada antes da queda. Ela me contou que achou que fosse brincadeira, que funcionários não podiam receber cartas.
Ela estava errada.
Ela foi lançada numa missão perigosa para derrubar um cientista louco: meu pai. Obviamente, ela ganhou o colar Darling, e a FGI ficou tão impressionada com meu pai que o contrataram.
Um verdadeiro felizes para sempre.
Agora, estou seguindo os passos da minha mãe. Tenho dezoito anos; eles não podem mais me dizer não. Além disso, minha madrinha — a Fairy Godmother de verdade — me deu sua aprovação, então é tudo que preciso.
Me viro e mostro o dedo do meio pro Spiro.
“Você é muito vaca”, ele resmunga, meio brincando. “Você acha que vai conseguir uma missão Alpha com essa atitude?!”
Mostro o dedo do meio de novo.
“Você é só uma criança!” ouço ele gritar atrás de mim. “A maioria dos alvos desses mundos são velhos pra cacete! Esses alvos vão te destruir!”
Me viro para fulminar ele com o olhar. “Eu sou uma criança? E você é tão mais velho que eu assim?”
“Tenho vinte e oito mais ou menos”, ele diz, passando as mãos pelos cabelos castanhos ondulados enquanto caminha na minha direção. “Você é uma coelhinha protegida, Smera.”
“Vai sonhando”, sibilo. “Eu não sei o que é essa obsessão comigo—"
“Você acha que eu sou obcecado?” Agora ele está sorrindo, e eu odeio isso.
Engulo em seco, tentando desacelerar meu coração disparado.
“Aham”, digo, caminhando até ele, ignorando como ele se impõe sobre mim. “Você tá triste porque eu não caio nas suas tentativas de tentar — sabe o quê?” digo, franzindo a testa pra ele. “Eu nem sei o que você tá tentando fazer. Talvez você só tá triste porque eu sou a única garota que não suporta olhar pra sua cara.”
Num segundo, ele estica a mão e agarra minha cintura, me puxando pra perto e me fazendo arfar. “Você é virgem, gata?”
Agarro a mão dele, surpresa. “Não é da sua conta”, sibilo. “Me solta.”
“É sim”, ele sussurra, os olhos avelã se acendendo. “Você devia me deixar te treinar. Essas missões exigem muita sedução — não é só luta de espada. Você precisa de experiência.”
“Eu prefiro morrer a dormir com você, Spiro”, sibilo, embora seja difícil respirar com ele tão perto.
Tem alguma coisa errada na forma como ele me olha. Se eu fosse psicóloga, diria que a obsessão dele por mim o torna inapto para missões. “E é contra as regras. Eu posso te denunciar e te fazer ser expulso.”
O maxilar dele trava, raiva cruzando seu rosto, os olhos avelã mudando de cor de um jeito que nenhum olho humano conseguiria.
“Aposto que você não vai ser escolhida pra uma missão Alpha por causa da sua falta de experiência”, ele diz com um sorriso frio, o olhar descendo. “Eu posso… te treinar”, sussurra, os olhos subindo até os meus. “Ninguém precisa saber.”
A mão dele desliza da minha cintura em direção ao meu peito, e eu odeio a reação do meu corpo. Ele nunca me tocou assim antes. Ele já me agarrou, me empurrou, me imobilizou no ringue mais vezes do que consigo contar — mas isso é diferente. Isso é ele me tocando porque quer, e eu não faço ideia do que fazer com isso. Me dou um chacoalhão mental, sabendo que Spiro está me testando.
“Você tá errado. Eu soube que homens adoram ser o primeiro. Ser virgem pode me fazer ser escolhida mais rápido”, rebato. “Vou sair daqui e nunca mais ver você.”
Algo muda na expressão dele — uma tempestade por trás dos olhos, o maxilar travado, uma sombra de perigo cruzando o rosto. Ele olha ao redor como se soubesse que está passando dos limites, depois roça a mão no meu mamilo duro, o polegar pressionando contra ele, me fazendo arfar.
“Com medo de adorar o que eu posso fazer com você? Vou fazer seus olhos revirarem lá no fundo da cabeça…“
“Spiro!” a voz de um treinador ecoa pelo pátio. “Se afaste dela, você conhece as regras!”
A mão dele me larga com uma risada áspera.
“Ela tinha algo na camisa! Calma aí!” Ele pisca pra mim. “Te vejo depois, gata.”
Ele se afasta de costas, mãos erguidas, o olhar ainda em chamas.
Eu, por outro lado, estou mortificada.
Meu rosto está vermelho, minha respiração descompassada, e estou apertando as pernas uma contra a outra — e ele consegue ver tudo isso.
Spiro sabe que me desmontou por completo com um toque só. O arrepio que percorreu meu corpo, a respiração presa na garganta, o calor no meu peito. O sorriso sombrio e malicioso que ele abre antes de se virar para ir embora é a confirmação final de que ele tem plena consciência do efeito que causa em mim. Minha inexperiência está escancarada.
Ninguém nunca tinha ousado cruzar essa linha comigo, e a sensação permanece muito depois de a mão dele ter ido embora. Não consigo evitar reviver aquele momento, odiando o quanto reagi a ele. O quanto eu gostei daquilo.
Merda.
Tento fingir que não foi nada, tento me convencer de que foi só um primeiro contato com um bad boy. Tento me convencer de que, se for o caso, deveria agradecer ao Spiro por essa experiência, já que me preparou mais para a missão Alpha que está por vir. Tento me convencer de que não significa nada, que meus sentimentos não significam nada.
Mas de alguma forma, não estou convencida.

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