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Uma Segunda Chance

Autor
Emmian
Leituras
17.4K
Capítulos
44
Autor
Emmian
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44
🏳️‍🌈LGBTQ+👱🏽‍♀️Adolescentes💪🏻Protetor👩🏽‍🎓Estudantes🏍️Cafajestes🏙️Contemporâneo🏡Dia-a-dia💪🏻Macho alfa🧑🏽‍🦳Diferença de idade

Jason Harries sempre quis fugir — problemas demais, passado demais, tempo de menos. Bryce Michels só quer paz, cuidando de seu pub tranquilamente após um passado difícil. Quando Jason aparece precisando de trabalho, seus mundos colidem. Noites tarde, refeições compartilhadas e uma compreensão silenciosa transformam-se lentamente em algo que nenhum dos dois esperava. Em uma cidade que nunca esquece, duas vidas quebradas começam a se encaixar de forma desajeitada, terna e perigosa. Enquanto velhos fantasmas retornam, Jason e Bryce descobrem que o amor pode ser uma chama lenta — e que o lar nem sempre é um lugar, às vezes é a pessoa ao seu lado.

Capítulo 1: Precisa-se de Ajuda, Turno da Noite

Sua mão parou na porta. Não tremia. Apenas... imóvel.
A madeira estava gasta e lisa nos lugares onde outras pessoas haviam empurrado para entrar antes dele — algumas ansiosas, outras desesperadas, algumas já caindo de bêbadas. A maçaneta parecia mais fria do que deveria.
Jason respirou fundo. Tinha gosto de chuva, de asfalto, do último segundo limpo que ele teria. Então, ele empurrou a porta. Lá dentro, o lugar não estava vazio. Apenas silencioso daquele jeito peculiar dos bares — como se a noite anterior ainda não tivesse ido embora de verdade. O cheiro de cerveja choca grudava na madeira.
O cheiro de gordura de fritura pairava por baixo. Algo forte e químico tentava encobrir o cheiro, mas não conseguia muito bem.
Sem música. Apenas o zumbido baixo de algo elétrico e o som lento e constante de um pano passando no balcão. Jason entrou mesmo assim.
Um calor se seguiu, denso e abafado. Seus dedos apertaram o bilhete amassado no bolso, com as bordas gastas de tanto ser dobrado e desdobrado. Precisa-se de ajudante — noites.
O bar se estendia à sua frente, polido em algumas partes, grudento em outras. Ele seguiu em frente como se pertencesse àquele lugar. Como se ali não fosse apenas mais uma versão de um lugar onde ele havia jurado que nunca iria parar.
O homem atrás do balcão o notou. Jason não sabia como ele tinha percebido isso — talvez pelo jeito como o pano desacelerou, talvez pela mudança no clima do ambiente —, mas a atenção estava lá. Silenciosa. Imediata.
Ele parou no balcão e tirou o bilhete do bolso. “Jason Harries”, disse ele, estendendo a mão por cima do balcão.
O homem não apertou sua mão. Apenas olhou para ele. Não por muito tempo. Não de forma óbvia. Mas o suficiente.
Jason abaixou a mão e, em vez disso, deslizou o bilhete pelo balcão. “A vaga ainda está aberta?”
O homem olhou para o papel, depois de volta para ele, erguendo apenas um pouco a sobrancelha. Nenhuma reação. Nenhum sorriso. Apenas... avaliando-o. “Harries, hein?”, ele disse depois de um momento, com a voz baixa e calma. “Não tenho visto sua mãe por aqui ultimamente.”
Os ombros de Jason ficaram tensos antes que ele pudesse evitar. “Ela não sai muito do apartamento”, disse ele, tentando soar neutro, mas soando mais parecido com alguém cansado.
O homem o observou por um segundo a mais do que o necessário. Sem julgar. Mas também sem ser gentil. Apenas... prestando atenção. “Quantos anos você tem?”
“Vinte.” Rápido demais. A palavra ficou pairando no ar, fina como papel.
O homem não o desmentiu. Na verdade, não reagiu de forma alguma. Apenas voltou a limpar o balcão como se a resposta não importasse o suficiente para discutir.
Jason mudou o peso do corpo. Ele não estava acostumado com aquilo. As pessoas normalmente forçavam a barra. Ou o ignoravam. Não essa... espera. Seu estômago roncou. Alto.
Ele murmurou um palavrão baixinho, desviando o olhar, de repente muito consciente do cheiro de comida escondido sob o fedor do bar — algo quente, salgado, real.
“E a escola?”, o homem perguntou.
Jason piscou. “Termina às três. Você só abre às sete.” A resposta soou defensiva. Como se ele já estivesse sendo acusado de alguma coisa.
“Vinte anos e ainda na escola?”
Jason travou por meio segundo, depois deu de ombros, com as mãos desaparecendo no bolso do moletom. “Tive que repetir alguns anos.”
O homem não respondeu. Apenas olhou para ele novamente. Mais tempo dessa vez.
Jason sentiu aquilo — como ser mantido no lugar sem ser tocado. A maioria das pessoas não se dava ao trabalho de olhar com tanta atenção. Eles decidiam quem ele era nos primeiros cinco segundos e seguiam em frente.
Mas esse não. Então, sem dizer uma palavra, o homem se virou e desapareceu pela porta de vaivém atrás do balcão.
Jason ficou olhando para onde ele tinha ido. Aquilo era um não? Seu cérebro começou a acelerar — rápido, confuso. Ir embora. Ficar. Isso era estúpido. Ele não deveria ter vindo. Ele deveria—
A porta se abriu novamente. O homem voltou segurando um prato. “Senta”, disse ele, empurrando o prato pelo balcão.
Jason piscou. Um sanduíche de bacon, alface e tomate. Ainda quente.
“Senta”, o homem repetiu, e desta vez havia algo por trás da palavra. Não mais alto. Apenas... definitivo.
Jason se sentou. Um copo de refrigerante de cola veio em seguida.
“Come.”
Jason hesitou — então deu uma mordida. Sal. Calor. Comida de verdade. Ele não percebeu o quão rápido estava comendo até que quase tudo já tinha acabado.
O homem se virou, dando-lhe espaço como se aquilo não fosse algo que ele precisasse ficar olhando. Jason diminuiu o ritmo, mastigando com mais cuidado agora, tentando não parecer que estava sem comer há dias.
“Não é caridade”, o homem disse, ainda virado para o outro lado. “Considere como seu primeiro pagamento.”
Jason parou. “Você está me contratando?”
“Meu nome é Bryce”, ele disse. “O chão precisa ser esfregado. As mesas limpas. Cinzeiros esvaziados. Baldes de gelo cheios.” Uma pausa. “Você não toca na bebida.”
Jason concordou com a cabeça imediatamente.
“Sete dias por semana. Das seis até fechar.”
O cérebro de Jason começou a fazer cálculos antes mesmo de a frase terminar. Dormir fica para depois. Não importa. É trabalho. “Quando eu começo?”, ele perguntou.
Bryce olhou por cima do ombro. “Agora.”
Jason abriu um sorriso — rápido, afiado, e que sumiu na mesma velocidade — e se levantou do banco.
A cozinha era mais quente do que ele esperava. Ar pesado, metálico, denso de gordura e vapor. Ele achou o esfregão e começou a trabalhar. O ritmo veio fácil. Água. Esfregar. Torcer. Repetir.
Lá na frente, vozes iam e vinham — baixas, familiares. Jason manteve a cabeça baixa, focado no chão, em fazer algo direito, em vez de se irritar com os clientes frequentes. Quando ele voltou, o lugar havia enchido o suficiente para parecer vivo. Alguns homens no bar. Barulhentos. Já meio bêbados.
Jason carregou uma grade de copos limpos da máquina de lavar, com o vapor batendo no rosto. “Mais uma hora”, ele murmurou. Não porque quisesse ir embora. Porque ir embora significava voltar para casa.
A porta da cozinha se abriu. Ele levantou os olhos. Bryce passou empurrando um barril de cerveja, movendo-se como se o peso não importasse.
Jason empilhou os copos, depois perguntou: “Precisa de ajuda?”
Um aceno negativo com a cabeça. Bryce conectou o barril, serviu um copo de teste, cheirou, provou — depois jogou tudo direto no ralo. “O estoque estava cheio quando comprei o lugar”, ele disse. “Alguns desses barris estão parados aí faz um tempo.”
Jason acenou com a cabeça na direção dos homens. “Acho que eles não se importam.”
Um pequeno aceno em resposta. “A torneira do meio é para os clientes de sempre. A da direita é para o pessoal da Techtron. A da esquerda é para qualquer um que realmente saiba o que está bebendo.”
Jason bufou. “Devo decorar isso? Achei que não pudesse tocar na bebida.”
Bryce olhou para ele então. “Você pode servir”, disse ele. “Você só não pode beber.” Algo no tom de voz foi mais profundo que as palavras. “Entendido?”
Jason assentiu.
“Entendido?”
“Sim, senhor.” A resposta escapou sem querer.
Bryce não reagiu. Apenas assentiu uma vez e se virou.
Quando o último cliente saiu cambaleando, os braços de Jason doíam. Ele passou pano no chão enquanto o barman contava o caixa. O som suave das notas sendo contadas preencheu o silêncio. A máquina de música se apagou. O bar respirou aliviado. Jason torceu o esfregão, guardou-o no lugar e se virou. Havia dinheiro no balcão.
“O pagamento de hoje”, Bryce disse.
Jason franziu a testa. “Pagamento diário? Você acha que não vou voltar.”
Um olhar. Avaliador. “Você é fácil de ler”, disse Bryce. “Você tem uma ligação com este lugar.”
Jason travou o maxilar. “Nada com que eu não consiga lidar.”
“Tem certeza disso?”
Jason endireitou a postura. “E daí? Você acha que eu vou faltar no trabalho porque a minha mãe costumava vir aqui?”
Um dar de ombros. “Veremos.”
“Por que diabos você me ofereceu o emprego, pra começo de conversa?”, Jason disparou. “Quer me ver fracassar? É isso?”
“Você não pode gritar com os clientes”, Bryce disse calmamente. “Mas gritar com seu chefe tudo bem?”
“Porque você—”
“Porque você não gosta do que eu estou dizendo?” As palavras soaram pesadas. O dinheiro deslizou na direção dele. “Vá para casa”, disse Bryce. “Volte quando tiver crescido um pouco. Não preciso de alguém que foge quando as coisas ficam desconfortáveis.”
Jason o encarou. Aquilo o atingiu com mais força do que qualquer outra coisa. Ele pegou o dinheiro, arrancou o avental e saiu. A porta bateu atrás dele, e ele não olhou para trás.

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