
A Obsessão
Author
Shala Mungroo
Reads
676K
Chapters
8
Capítulo 1
“Mira, a gente vai comer isso de novo?”
Mira Singh olhou para seu meio-irmão de seis anos, Jahan. Ela deu um sorriso carinhoso enquanto ele cutucava o miojo com um garfo de plástico.
“Desculpa, querido” ela disse. Bagunçou o cabelo escuro e encaracolado dele com a mão.
Eles estavam sentados em uma mesa dobrável no minúsculo apartamento tipo estúdio. O apartamento ficava em uma parte ruim da cidade. Não era o que ela queria, mas era tudo que conseguia pagar.
A mãe deles, Preeti, tinha sido atropelada por um carro um ano atrás. O motorista não parou. Isso deixou os dois em uma situação difícil. Eles não tinham dinheiro e estavam muito tristes.
Preeti tinha vindo para os Estados Unidos de Delhi. Ela queria começar uma vida nova. Não tinha muito dinheiro, mas tinha esperança de sobra.
O pai de Mira era desconhecido. Ele tinha ido embora quando ela era bebê. Preeti nunca gostava de falar sobre ele. Ela sempre dizia que era melhor Mira não saber.
Preeti tinha conhecido o pai de Jahan no trabalho. Eles ficaram juntos por um ano. Então ela descobriu que ele era casado. Nessa altura, ela já estava grávida de Jahan. O pai dele não queria nada com eles. Estavam sozinhos, sem família para ajudar.
Agora, Mira tinha que criar Jahan. Ela também tinha que manter seu emprego de meio período como garçonete em um restaurante local.
“Da próxima vez, eu trago algo do trabalho pra você, tá bom?”
O rosto dele se iluminou, e ele começou a comer com mais vontade. Ela odiava não poder dar mais a ele.
Ela soltou o ar. Lembrou a si mesma que tinha apenas vinte e três anos e estava fazendo o melhor que podia. Ela teve que largar a faculdade. Só conseguia encontrar trabalho de meio período.
Quando as coisas melhorassem, ela planejava fazer aulas noturnas. Queria terminar seu diploma em Finanças.
Depois de ajudar Jahan a se preparar para dormir, ela leu uma história curta para ele. Cobriu-o e deixou sua pequena luz noturna de aviãozinho acesa.
Ela tomou um banho rápido. Usou o resto da água quente. Assim que sua cabeça tocou o travesseiro, ela caiu em um sono leve.
***
No dia seguinte, ela chegou ao trabalho pouco antes do meio-dia. Já tinha deixado Jahan na escola. Sua melhor amiga e colega de trabalho, Kaley Matthers, estava esperando por ela.
“Ei, Mir!”
Mira cumprimentou de volta. Tentou esconder um bocejo.
Kaley era uma loira diferente com mechas vermelhas no cabelo. Tinha piercings no nariz e no lábio inferior. Como Mira, ela usava o uniforme padrão — calça jeans preta e camisa preta.
Kaley era alta e magra. Mira era baixa e curvilínea. Isso vinha de sua origem familiar do leste da Índia.
“Antes de começarmos, eu queria falar com você sobre uma coisa” Kaley disse. Elas caminharam até a sala dos fundos para se preparar.
Mira amarrou o avental. Prendeu o cabelo para trás para mantê-lo fora do rosto enquanto trabalhava.
“O que foi?” Mira perguntou. Sua mente estava em outro lugar. Ela mal tinha dormido na noite anterior. Jahan tinha acordado com dor de estômago. Levou mais de uma hora para fazê-lo voltar a dormir.
“Eu consegui um trabalho de catering na casa do Nicholai Bach” Kaley disse. Sua voz estava cheia de empolgação. “É uma grande festa de lançamento do novo império de mídia dele. Meu chefe precisa de ajuda extra, e eu sei que você poderia usar o dinheiro.”
Ela estava certa.
“E...” Kaley acrescentou. Ela deu a Mira um olhar cúmplice. “Você já viu o Nicholai Bach?”
Kaley fingiu desmaiar. “Ele é tipo um jovem bilionário solteiro magnata ou algo assim.”
Mira revirou os olhos. Ela nunca tinha visto o cara, mas já não gostava dele.
“Ele provavelmente é um mulherengo dos grandes” ela disse.
Kaley apenas olhou para ela.
“Quem se importa? Vamos dar uma olhada!”
Mira soltou o ar.
“Eu gostaria, Kal, mas preciso ver se a Sra. Morris pode cuidar do Jahan” ela disse. Estava falando sobre a vizinha idosa deles.
Kaley acenou com a mão como se não importasse.
“Se ela não puder, traz ele pra minha casa. Minha mãe pode cuidar dele. Mas você vai comigo” ela disse. Seu tom era final.
Mira olhou para o rosto firme de Kaley. Ela sabia que não tinha escolha. Além disso, o dinheiro extra seria útil.
A Sra. Morris concordou em cuidar de Jahan pelas quatro horas que Mira estaria no trabalho de catering.
Ela usou sua calça jeans preta de sempre e uma polo preta justa. O logotipo da empresa de catering estava no lado esquerdo. Ela prendeu o cabelo em um coque e passou um pouco de maquiagem. Isso a fazia parecer mais jovem do que era.
Ela caminhou três quarteirões para encontrar a van. Ela os levaria até o local chique. Ela sentou ao lado de Kaley, que estava tremendo de empolgação.
Mira apenas revirou os olhos quando o ônibus começou a se mover.
***
“Uau!”
Mira tinha que concordar com Kaley. Elas passaram pelos grandes portões de ferro e entraram na Propriedade Bach.
A longa entrada tinha árvores altas e floridas dos dois lados. Parecia uma casa de campo, mesmo estando nos arredores da cidade.
Mira só viu um vislumbre rápido da frente da mansão. Então a van contornou até os fundos para que pudessem descarregar a comida.
Ela estava circulando pelo grande jardim há cerca de uma hora. O evento estava sendo realizado lá. Ela não conseguia se livrar da sensação de que alguém estava observando-a.
Havia tantas pessoas: empresários, celebridades, atletas.
Toda vez que ela se virava, alguém estava pegando algo de sua bandeja. Ou estavam pedindo uma recarga. Então ela não conseguia descobrir de onde vinha a sensação.
Ela estava prestes a voltar para dentro para pegar outra bandeja. Então ela esbarrou em um corpo masculino sólido. Mãos fortes agarraram seus braços para mantê-la firme.
“Desculpa” ela disse rapidamente. Ela olhou para cima — e mais para cima — em um par de olhos azuis intensos. Ela congelou.
O homem olhando de volta para ela era igualmente intenso — e muito bonito.
Ele era muito mais alto que ela, facilmente mais de um metro e oitenta. Seu cabelo era negro como a asa de um corvo. Uma sombra de barba por fazer escurecia sua mandíbula. Isso lhe dava uma aparência perigosa e sombria.
Ele estava vestido com um terno azul-marinho. A gola de sua camisa branca impecável estava aberta. Ele não usava gravata. Seus lábios eram cheios e tentadores. Estavam franzidos em uma carranca enquanto ele olhava para ela. Ela teve um impulso repentino e selvagem de mordê-los, só para tirar aquela carranca do rosto dele.
“Você poderia talvez olhar por onde está andando?” ele retrucou. Isso a trouxe de volta à realidade.
Ele começou a soltá-la, mas ela se livrou do aperto dele. Ela estava irritada com a grosseria dele. Sem uma palavra, ela se virou e seguiu de volta em direção à cozinha. Só mais uma celebridade arrogante, ela pensou consigo mesma.
Quando ela se aproximou da cozinha, ouviu vozes altas. Uma multidão já estava se reunindo.
Ela decidiu que era um bom momento para uma pausa. Mira seguiu em direção ao lavabo no térreo. No caminho, ela passou pela grande escadaria. Ela levava aos andares superiores.
A escadaria tinha pinturas nas paredes. A curiosidade a fez subir as escadas para dar uma olhada mais de perto.
A maioria das pinturas eram paisagens. Não eram os retratos de família que ela esperava.
Ela normalmente não era de bisbilhotar, mas a mansão era tão linda. Parecia mais um museu do que uma casa particular. E não havia ninguém por perto para impedi-la.
O primeiro andar tinha quartos de cada lado. Terminava em uma grande sala de estar.
A porta do primeiro quarto estava ligeiramente aberta. O cheiro de rosas frescas saía de lá.
Ela bateu levemente, só por precaução caso alguém estivesse lá dentro. Quando não houve resposta, ela empurrou a porta e ofegou.
Uma grande cama de dossel com um toldo floral ocupava a maior parte do quarto. Mira passou os dedos sobre a colcha de renda. Ela estava maravilhada. Um brilho de luz chamou sua atenção. Ela se virou para ver uma grande penteadeira elegante.
Ela caminhou até lá e sentou no banco na frente dela. Ela pegou as escovas e o espelho de mão. Ela imaginou a mulher que os usava, se arrumando para um baile ou algum outro evento grandioso.
Ela abriu uma caixa de joias. Seus olhos se arregalaram com o colar de pérolas dentro. Ela não resistiu em tocá-las. Ela se perguntou quanto valiam.
Ela levantou as pérolas e as segurou contra o peito. Quando ela olhou para cima no espelho, ela encontrou um par de olhos azul-safira flamejantes.
“Que diabos você acha que está fazendo aqui em cima, sua ladrazinha?”








































