
A Proposta
Author
Laila Callaway
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Chapters
27
Capítulo 1
ALEJANDRA
Bato a porta do meu escritório com uma força que reflete a minha raiva.
Aquele nojento!
Em um momento, estamos falando sobre o meu restaurante, e no momento seguinte, ele me convida para jantar. Só de pensar nisso, sinto nojo. Eu o convidei para convencê-lo a investir no meu negócio, não em mim.
Ele é mais de vinte anos mais velho do que eu. Sem chance.
Afasto o pensamento dele da minha mente. Preciso de uma bebida.
O meu escritório é bem equipado para trabalhar, mas seria muito bom ter um barzinho por aqui. Ainda bem que o escritório fica ligado ao meu restaurante. Eu tenho outro restaurante, mas ele fica a duas horas de distância, em uma cidade diferente. Este local principal é o meu maior orgulho; meus pais começaram esse negócio quando se mudaram da Colômbia para cá.
Quando eu tinha vinte anos e estava no segundo ano da universidade, eles morreram em um acidente. Eu herdei o restaurante, e o meu tio cuidou de tudo enquanto eu terminava a minha faculdade de administração. Aos vinte e dois anos, assumi o controle e me dediquei de corpo e alma para construir o meu próprio nome.
Três anos depois, eu abri um segundo restaurante e até apareci em uma revista local. Os dois restaurantes atendem a clientes exclusivos. Poucas pessoas conseguem pagar os meus preços. Eu ofereço uma gastronomia requintada e uma experiência de luxo.
Eu preciso de um investidor, mas não vou me contentar com aquele nojento. Tiro um momento para me acalmar e, depois, saio do meu escritório.
Confiro o meu reflexo em um dos espelhos no corredor, alisando o meu vestido justo. Passando pela porta exclusiva para funcionários, entro no restaurante com os meus saltos de quinze centímetros, agindo como se fosse a dona do lugar. Ah, espera. Eu sou a dona.
Eu dei um duro danado para fazer deste lugar o que ele é hoje. Recebi tudo dos meus pais, mas isso não quer dizer que a minha vida foi fácil. Perder os meus pais foi tudo, menos fácil.
Espero que eles estivessem orgulhosos do que eu fiz. Fico feliz em ver que todas as mesas estão ocupadas. É apenas quinta-feira à noite, então isso é um bom sinal. A gerente, Jeni, me vê e corre na minha direção.
“Chefe, eu não sabia que você estaria aqui esta noite.” Ela parece nervosa.
Acho engraçado quando ela me chama de chefe; ela é, literalmente, quinze anos mais velha do que eu.
“Não se preocupe, não vou demorar. Só tive uma reunião ruim com um dos investidores. O nojento deu em cima de mim”, explico e estremeço de novo. “Eu preciso de uma bebida e depois deixo vocês em paz.”
Dou um sorriso rápido para ela e sigo para a escada.
“Sem problema. Fique o tempo que quiser, chefe!”, Jeni grita quando me afasto.
Tadinha, ela tem medo de mim. Não faço ideia do motivo. Não sou uma chefe horrível. Sei que a equipe fica nervosa quando estou no restaurante, então não vou ficar para mais de uma bebida.
Subo para o segundo andar, onde temos as mesas mais exclusivas e o bar. Encosto no balcão e espero, com um sorriso divertido, o Rafael me notar. Ele está despejando o resto de um coquetel em uma taça.
Ele adiciona algumas violetas comestíveis e desliza a bebida para a garçonete. Ele me vê pelo canto do olho e sorri, vindo para o meu lado do balcão.
“Ei, chefe. O que vai querer?”
“Gin rosa, tônica de flor de sabugueiro, grande”, eu peço e lanço um olhar a ele que deixa claro o tipo de dia que eu tive.
Ele dá um sorrisinho e começa a preparar. “É pra já.”
Dou uma olhada no salão, procurando por algum cliente importante que eu possa reconhecer. Uma mesa cheia de homens no canto chama a minha atenção. Eles reservaram a mesa mais isolada do restaurante, o que eu sei que custa mais caro.
São nove homens ao redor de uma mesa redonda. Todos parecem ser italianos ou gregos e estão usando ternos. O cara virado na minha direção atrai o meu olhar. Ele é tão lindo. Dá para notar que ele é alto, mesmo estando sentado.
Ele tem cabelo bem preto, pele morena e olhos escuros. Ele é o exemplo perfeito do homem alto, moreno e bonito. Está recostado na cadeira, relaxado e confiante. Ele passa o polegar sobre o lábio inferior enquanto escuta um dos colegas.
Eu quero desviar o olhar. Esse homem tem um ar de perigo ao seu redor. Todos eles têm, na verdade. Algo me diz que o trabalho que fazem não é exatamente dentro da lei. Eles têm cara de problema.
Máfia.
Se os livros de romance já me ensinaram alguma coisa, foi exatamente qual é a aparência de uma mesa cheia de mafiosos.
Como se sentisse o meu olhar, o homem de repente vira os olhos para mim. Nós mantemos o contato visual por um momento, e ele abaixa a mão do rosto, me dando uma visão perfeita dos seus lábios carnudos. A boca dele se curva de lado em um sorrisinho, e eu consigo desviar o olhar, morta de vergonha por ter sido pega encarando.
“Aqui está.” Rafael coloca o meu gin tônica na minha frente.
“Obrigada, Raf”, murmuro e dou um gole com vontade.
Pego a minha bebida e me sento no balcão, fazendo questão de ficar de costas para a mesa para não passar mais vergonha.
“Dia difícil?”, Rafael pergunta. Durante a meia hora seguinte, nós colocamos o papo em dia.
Eu gosto do Raf. Ele tem a minha idade, e não tenho muitas chances de conversar com pessoas da minha idade. Eu só tenho a Hanna, que é a minha melhor amiga. Passo a maior parte do meu tempo fazendo a contabilidade do restaurante e verificando as nossas despesas.
Nós não temos um contador. Eu faço tudo sozinha. Quando os meus pais morreram, eu tive que crescer e criar responsabilidade muito mais rápido do que as pessoas da minha idade. Eu quase não saio, mas a Hanna consegue me arrastar para fora de vez em quando.
“Sabe, tem um cavalheiro na mesa treze” — essa é a mesa exclusiva, e eu já sei de quem ele está falando — “que não tirou os olhos de você. Estou surpreso que não consiga sentir o olhar dele queimando as suas costas.”
Eu consigo sentir, na verdade. Só decidi ignorar. Dou um gole grande na minha bebida.
“Ele é bem atraente, não é?”, comento, pensativa.
Raf levanta uma sobrancelha. “Sem querer passar dos limites, chefe, mas faz um bom tempo que você não transa. Talvez você devesse ir lá se apresentar”, ele sugere.
Olho feio para ele. “E como você saberia?”
Rafael dá risada da minha cara. “Porque você me contaria. Você sempre gosta de vir tomar um drink aqui quando acontece alguma coisa importante. Esta noite é um ótimo exemplo disso.”
Reviro os olhos e dou uma risadinha debochada, mas ele tem razão. Eu considero o Raf um amigo e realmente conto tudo para ele.
“Nessa você me pegou.”
“Então, chefe, faz quanto tempo? Um ano?”, ele pergunta.
Faço uma careta. “Quase dois”, murmuro e bebo mais um pouco.
“Você não faz sexo há quase dois anos?”, ele engasga, com o queixo caído de choque.
“Tá bom, não precisa falar tão alto”, eu sissio e olho ao redor, envergonhada, para ter certeza de que ninguém ouviu.
“Eu digo isso da maneira mais respeitosa possível, mas como isso é possível? Você é muito gostosa”, ele deixa escapar.
Olho feio para ele de novo. “Eu tenho andado ocupada! Tenho muitas outras coisas para resolver no momento.”
“Até o primeiro-ministro deve arrumar um tempinho para um pouco de ação”, Rafael comenta com um sorrisinho.
Não consigo evitar soltar um suspiro.
“Pode ser. A Hanna está sempre me empurrando para conhecer alguém quando a gente sai, mas eu sou exigente. Não é fácil encontrar o cara certo hoje em dia. A maioria dos caras se assusta comigo ou eles são simplesmente uns idiotas completos.”
A última vez que fiz sexo foi um caso de uma noite que não deixou saudades. O cara era tão egocêntrico que nem se importou em conferir se eu estava gostando.
A experiência inteira foi uma grande decepção.
“Eu entendo, é difícil. Mas, sinceramente, você não está se dando o devido valor. Você merece um pouco de diversão”, ele dá uma risadinha, e me pego concordando com a cabeça.
Termino a minha bebida e agradeço ao Raf.
Decido que é hora de ir para casa e comer alguma coisa. Já passa das sete.
Quando me levanto da cadeira, acabo cruzando o olhar com o lindo italiano de novo.
Uau, ele é gato demais.
Mas tem uma vozinha irritante no fundo da minha mente me avisando que ele pode ser um problema.
Dou um sorriso rápido para ele, aceno dando tchau para o Raf e desço as escadas.
“Ei, chefe!”, Jeni me chama bem quando estou prestes a sair. “Não sabia se você tinha planos para o jantar, então pedi para o Michele embalar um pouco daquele ravióli de lagosta para você.” Ela me entrega uma sacola com uma caixa de viagem dentro.
“Você salvou a minha vida, obrigada.”
Bom, o problema do jantar está resolvido.
Chamo um táxi e, vinte minutos depois, estou entrando no meu apartamento.
Sou muito grata pela minha solidão. Sou meio maníaca por limpeza e não conseguiria lidar com colegas de apartamento bagunceiros, mas confesso que às vezes eu me sinto solitária.
Tiro a comida da sacola, chuto os meus saltos para longe e me acomodo em frente à TV para saborear o prato especial do Michele.
O Michele é o meu chef de cozinha principal e, sinceramente, ele é grande parte do motivo pelo qual o restaurante é um sucesso.
Depois do jantar, preparo um banho quente e acendo algumas velas. Afundo na banheira e recosto a cabeça, aproveitando a tranquilidade.
Sem conseguir resistir, deslizo a minha mão entre as pernas e me dou prazer. Tomando cuidado para não espirrar água para fora da banheira, eu me esfrego em pequenos círculos.
Não demora muito para eu alcançar um clímax rápido, mas bem satisfatório.
Apoio a cabeça na borda da banheira e dou um suspiro de satisfação.
Depois de me secar, tiro a maquiagem e me jogo na cama. Respondo a alguns e-mails e dou uma olhada nas redes sociais antes de apagar a luz.
Meus sonhos são sombrios e eróticos. Quando acordo na manhã seguinte, estou com um tesão absurdo e as minhas coxas estão meladas.
Sinto as minhas bochechas queimarem quando me lembro de quem eu estava sonhando — o italiano do meu restaurante.
Uma garota pode sonhar, não pode?
Luto contra o meu desejo crescente de vê-lo de novo. Eu só rezo para conseguir me controlar caso isso aconteça…












































