
A Rainha Guerreira Livro 6
Author
Danni D
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Chapters
10
Nova Realidade
ARIEL
“Já te disse o quanto eu agradeço por você deixar o meu pai ficar com a gente depois que a Dianne foi embora?” eu pergunto ao Alex, desenhando formas sem pressa nas suas costas nuas.
“Já,” ele responde. “Mas eu não vou dizer não se você quiser me mostrar de novo o quanto é grata a mim,” ele provoca.
“Você é insaciável, meu Alfa,” eu digo, puxando-o para mais perto do meu corpo e respirando o seu cheiro. Nós já tínhamos feito amor uma vez naquela manhã. “Mas quem sou eu para dizer não a um rosto tão lindo…”
***
Quando o Alex e eu finalmente conseguimos sair da cama, eu desço as escadas e encontro a Natalia na cozinha, onde ela está tentando fazer cupcakes, sem sucesso.
É difícil de acreditar que o primeiro aniversário do Xavi é amanhã. E que a Natalia e eu estamos fazendo cupcakes juntas em paz para o filhote que ela teve com o meu ex-companheiro destinado.
Ninguém nunca pode dizer que a vida é chata por aqui.
Mas, ainda assim, uma estranha sensação de calma tomou conta da matilha depois de todo o drama que tivemos com o Destino e a Selene no ano passado.
“Eu não consigo acreditar que ela simplesmente foi embora daquele jeito,” a Natalia diz enquanto tiramos as assadeiras de cupcake do forno e começamos a decorá-los.
“É a mamãe,” eu respondo. “As coisas que ela faz deixaram de me chocar faz tempo. Mas eu queria que ela tivesse pensado no impacto que isso teria na nossa família.”
Eu solto um riso nasal, sabendo que isso é ridículo.
“A Dianne nunca pensou em ninguém além dela mesma,” eu adiciono. “Deixar o papai por um lobo rico sobre quem ela não sabe nada...”
A Natalia suspira para a bagunça que nós fizemos. “Ela sempre gostou de coisas bonitas... Ao contrário desses desastres.”
Nós cutucamos os cupcakes feios e deformados que agora têm cobertura escorrendo pelos lados.
“Talvez a gente devesse ter contratado um profissional. Ou pelo menos pedido ajuda,” eu digo.
“Bom, então que bom que eu pensei nisso antes e pedi uma bela mesa de doces para os nossos padeiros,” a Maria ri na porta.
A minha sogra entra, com o Xavi e a Camelia agarrados ao vestido dela.
O Xavi corre para dar um abraço na Natalia e ela acidentalmente derruba um cupcake nele.
“Você salvou a nossa vida, Maria!” a Natalia diz, tentando limpar o Xavi para o imenso desgosto dele.
“Imagina, querida,” a Maria diz. “Eu simplesmente sou boa quando se trata de organizar uma festa.”
“Eu queria falar com você sobre essas suas habilidades de organização,” eu digo a ela, pensando no milhão de coisas que preciso fazer hoje.
Além de todos os meus deveres de Rainha e Guerreira, eu decidi organizar outro fim de semana de acasalamento depois de todo o drama causado pela quebra dos laços que já existiam.
“Falando nisso, você viu o meu pai desde o café da manhã?” eu pergunto, antes de sair da sala.
“Não, querida,” a Maria responde. “Mas ele disse algo sobre ir visitar o Steve no centro de treinamento.”
A Natalia franze a testa, “Ele tem passado a maior parte do tempo no centro de treinamento. Eu não sei se isso é uma boa ideia na idade dele.”
“O papai ainda é jovem o bastante para ser um ótimo guerreiro, Natalia,” eu digo. “Mas eu vou me certificar de que ele não está exagerando.”
Eu deixo as duas lidando com a bagunça enquanto vou para o centro de treinamento.
Eu queria saber como ajudar o meu pai a lidar com a partida repentina da Dianne.
Ele me ajudou a encontrar uma nova matilha para morar depois da rejeição do Xavier.
Eu me sinto muito inútil por não conseguir ajudá-lo da mesma forma.
Ele se recusa totalmente a falar sobre a Dianne ou mesmo sobre voltar para a sua casa, a Matilha da Lua Crescente.
***
O centro de treinamento está movimentado como sempre, com nossos guerreiros fazendo exercícios de treinamento ou apenas trabalhando nas suas próprias habilidades.
Alguns novos recrutas se atrapalham em uma pista de obstáculos enquanto o Steve balança a cabeça e grita instruções.
Eu deveria estar lá com o Steve.
Como General, é meu dever me envolver com os novos recrutas, mas eu nem sabia sobre esse grupo...
Eu realmente deveria arrumar a bagunça na minha mesa e agir como uma General de verdade se quiser honrar a memória do Dave.
O meu pai está dando uma surra num saco de pancadas no canto mais distante, com alguns outros guerreiros olhando para ele com cautela.
Há outro saco de pancadas em pedaços aos pés dele.
Ah, pai...
Eu seguro o saco de pancadas enquanto ele continua dando soco após soco, sem nem notar a minha presença.
Isso continua por mais alguns minutos antes de eu dar a volta no saco e segurar as mãos dele.
“Eu acho que já chega, pai. Vamos beber uma água?”
Ele pisca os olhos algumas vezes, como se só agora percebesse quem eu sou.
“Eu estou bem, pequena guerreira,” ele resmunga. “Você não precisa se preocupar comigo.”
Eu jogo uma garrafa de água para ele mesmo assim.
“Eu sempre vou me preocupar com você, pai. Você esteve ao meu lado a minha vida toda. Eu só quero te ajudar também. Você não falou sobre o que aconteceu com a Dianne...”
“E eu continuo não querendo falar. A sua mãe fez a escolha dela e agora tudo o que podemos fazer é seguir em frente,” o meu pai interrompe, como ele sempre faz quando a conversa muda para a partida da Dianne. “Me deixe lidar com as coisas do jeito que eu sei, Ariel.”
“Pelo menos me deixe enfaixar as suas mãos. Você vai destruí-las completamente se não tomar cuidado.”
“Se isso vai fazer você se sentir melhor,” ele sorri de forma tolerante.
Eu limpo o sangue das mãos dele e as enfaixo com cuidado usando fita.
Ele bagunça o meu cabelo como sempre fazia quando eu era pequena. Então, ele caminha até os tatames de luta, esperando encontrar um parceiro.
“Que bom que você se juntou a nós, General,” o Steve diz, caminhando até mim enquanto eu assisto o meu pai lutar com um dos guerreiros mais jovens.
“Me desculpe, Steve. Eu esqueci completamente dos novos recrutas hoje. A minha mesa está um desastre.”
“Não se preocupe, eu já resolvi isso. A papelada é o principal motivo de eu nunca ter querido ser promovido. Eu sou muito melhor treinando os outros do que preenchendo formulários e a Deusa sabe o que mais,” ele ri.
“Nem me fale!” eu digo. “Eu nunca soube quanta papelada é necessária para manter uma matilha funcionando. Parece que eu estou me afogando nos deveres de General e de Rainha...”
O Steve franze a testa, “Você está bem, Ari?”
“Sim... Na maior parte do tempo, pelo menos. Eu só preciso começar a trabalhar.”
“Não se esqueça de pedir ajuda quando ficar travada.”
“Eu vou pedir, não se preocupe,” eu digo.
Eu me viro para sair, mas então me lembro de uma última coisa.
“Ei, Steve?” eu digo. “Você poderia ficar de olho no meu pai enquanto você estiver por aqui, por favor?”
O Steve acena com a cabeça para mim, de forma tranquilizadora.
PETER
Vazio.
Isso é tudo o que eu sinto hoje em dia.
Eu volto do treinamento e encontro um quarto vazio. Uma cama vazia. Um buraco enorme onde o nosso laço costumava ficar.
Já faz semanas que a Dianne foi embora, mas eu ainda estico o braço pela cama na esperança de puxá-la para mais perto de mim... de senti-la se encolher em mim como ela costumava fazer quando éramos jovens e ainda estávamos apaixonados. Tudo era mais simples naquela época.
Nós costumávamos passar os dias fugindo para o cinema drive-in quando deveríamos estar fazendo o dever de casa e indo tomar sorvete depois das minhas sessões de treinamento...
Quem diria que um palitinho poderia mudar tanto a vida de uma pessoa quanto aquele teste de gravidez mudou a nossa?
Eu amei a Dianne mesmo depois dos nossos dezoito anos, quando percebemos que não éramos companheiros destinados.
Eu a amei ainda mais quando ela me contou que estava grávida.
Eu achei que nós fizemos a coisa certa ao reivindicarmos um ao outro como companheiros...
Eu me enchi de muito amor e alegria quando segurei a Ariel e depois a Natalia pela primeira vez, imensamente orgulhoso da minha companheira escolhida e da família que ela me deu de presente.
Agora tudo o que resta é o vazio.
“Por que, Dianne? Por que eu não fui bom o bastante para você ficar?”
Eu balanço a cabeça e pego os cobertores da cama.
O sofá perto da janela parece ser um lugar melhor para tentar dormir.
Eu não quero passar mais uma noite esticando o braço para alguém que não está lá.
Alguém que nunca mais vai estar lá de novo...












































