
A Refém: O Retorno da Bruxa
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Liberdade
Rettacus
Nós corremos para o mais longe possível dos terrenos do castelo no meio da noite. Meu coração batia forte no peito, enviando muitas ondas de choque pelos meus ossos trêmulos.
O que eu acabei de fazer?
Minhas ações mal pareciam minhas quando eu entrei escondido nas prisões do castelo, roubei as chaves e ajudei uma prisioneira a fugir.
Eu tinha enganado Lazarus, prometendo que o Rei havia me mandado dispensar o pobre homem de seus deveres pelo dia!
E não foi só isso, mas eu também tinha ido contra as ordens do Rei.
Ele me proibiu de voltar ao castelo depois de descobrir sobre minhas interações com Clarice, e mesmo assim eu me senti atraído.
Eu sentia como se eu tivesse que voltar.
Era quase como se tudo o que eu havia sentido por Clarice, e muito mais, tivesse percorrido meu corpo e acordado meu coração.
Na verdade, andando de fininho pelo castelo, eu não senti nenhuma daquelas emoções por Clarice que um dia foram tão fortes no meu coração.
Tudo o que eu queria era seguir a voz que eu ouvia sempre que fechava os olhos e tentava sair do castelo, como o Rei havia ordenado.
Eu tropecei na lama, caindo de joelhos e cotovelos com um grande barulho de água. Estava chovendo, e eu olhei por cima do ombro para o castelo gigante.
Para o meu passado.
Pelas janelas, eu podia ver as chamas das velas dançando no salão de baile, junto com as sombras de pessoas que iam de um lado para o outro.
A chuva gelada caía na minha cabeça, fazendo meu cabelo cair sobre os meus olhos.
“Rettacus, querido, por favor, levante-se!”
Era a mesma voz que tinha me obrigado a entrar na prisão do castelo. A mesma voz que havia tomado o controle da minha mente.
Eu olhei para cima e vi a prisioneira mais perigosa que já existiu.
Clio, a irmã bruxa do Rei Cerberus Thorne.
“Você me ouviu, não ouviu, querido Rettacus?”
De fato, ao ouvir a voz dela, toda a preocupação no meu coração sumiu. Uma onda de calma tomou conta de mim, e eu achei que nem mesmo a chuva fria era um incômodo.
Clio sorriu para mim, e eu apenas balancei a cabeça, confuso com o que estava acontecendo.
“Sim”, eu finalmente respondi, parando de olhar nos olhos de Clio, “eu ouvi você, embora eu não entenda por que suas palavras me encantam tanto.”
Clio abriu um sorriso de orelha a orelha, e ver isso fez meu coração bater mais rápido e apagou minhas preocupações.
Por algum motivo, olhar para o sorriso dela me mudou.
Ela era muito linda, muito mais bonita do que qualquer mulher que eu já tinha visto. Sua pele escura brilhava enquanto a chuva caía sobre ela, e seu cabelo preto e grosso era cortado curto.
Ela usava calças de couro justas e um grande xale branco com capuz que deixava sua barriga de fora.
Apenas pela maneira como ela estava de pé naquele penhasco, com as costas retas e o peito estufado, fazia sentido para mim que ela fosse a irmã do Rei.
Clio se aproximou de mim e estendeu a mão.
“Está tudo bem, Rettacus”, ela disse, com seus olhos mudando de um azul profundo para as cores de ondas de um mar de verão.
Quanto mais ela se aproximava de mim, mais brilhantes seus olhos ficavam.
Uma transformação assim em seus olhos deslumbrantes só podia significar uma coisa, e eu não estava pronto para aceitar que isso fosse verdade.
Ainda assim, a voz de Clio era sensual e doce, e até mesmo hipnotizante.
“Você já sabe quem eu sou, querido”, disse Clio com um sorriso enorme.
Cada palavra fazia meu coração bater mais forte, e minha mão foi atraída para a dela sem que eu pudesse controlar.
“Você está jogando algum tipo de feitiço em mim?” eu perguntei, com a garganta ficando seca.
Por um momento, o único som entre nós dois foi o barulho da chuva forte. Ao longe, os ecos fracos daqueles que comemoravam no castelo podiam ser ouvidos.
Isso, ou os guardas estão se juntando e a caminho para nos matar!
Clio apenas sorriu para mim.
“Me diga!” eu gritei, batendo o punho na lama. “Isso é um feitiço que você colocou em mim? É por isso que eu acho que você pode ser a minha…”
Clio balançou a cabeça. “Pegue a minha mão, e tudo será revelado.”
Clio
Há anos eu esperava por esse momento.
Para ficar cara a cara com aquele que passei a vida procurando, desejando e que me foi negado.
Tudo porque meu irmão queria que eu sofresse.
E, no entanto, aqui estava o que eu dediquei minha vida para encontrar.
Um homem com um corpo tão musculoso e cabelos escuros. Ele falava de forma suave, e sua atitude parecia ser a de um homem que não podia fazer nada de errado.
Seus olhos, que normalmente eram escuros, ficaram mais claros e brilhantes quando me aproximei.
Este homem é o meu companheiro.
Nossos dedos estavam a apenas um centímetro de distância um do outro. Mesmo assim, eu podia sentir as faíscas, os fortes choques de eletricidade subindo pelo meu pulso e por todo o meu braço.
Os pelos da minha nuca se arrepiaram.
“Eu não sei o porquê”, disse Rettacus, “mas eu quero confiar em você.”
Eu sorri abertamente. “Você sabe o porquê, meu querido.”
Rettacus levou sua mão trêmula até a minha e a segurou.
Minha cabeça caiu para trás de alegria, e meus joelhos ficaram fracos.
“Pode realmente ser”, Rettacus disse suavemente, com um sorriso agora crescendo em seu rosto, “que você é a minha companheira?”
Eu puxei Rettacus para que ele ficasse de pé, e ele me segurou em seus braços fortes.
“Não deixe minhas palavras convencerem você”, eu disse, pressionando um dedo em seu peito, sobre o coração dele, “deixe o seu coração fazer esse julgamento.”
Rettacus colocou a mão no meu rosto, me olhando como se eu não fosse real. Meu coração batia muito forte, e eu queria puxá-lo cada vez mais para perto de mim.
Eu queria cada parte dele naquele momento.
Mas ainda estávamos muito perto do castelo.
“Sim”, Rettacus disse com confiança, com seus olhos brilhantes sendo uma maravilha de se olhar, “você é a minha companheira. Eu posso perceber. Eu percebo porque nunca me senti assim antes, e nossos olhos brilhantes não podem mentir.”
Rettacus segurou minhas duas mãos nas suas.
“Estou tão feliz que você me encontrou”, ele confessou, apoiando o queixo na minha cabeça e me abraçando.
Eu estava derretendo com o toque dele, mas também me sentia cheia de energia.
Com o meu companheiro comigo agora, eu posso liberar meus verdadeiros poderes!
Eu finalmente poderia derrotar meu temido irmão e tomar o controle daquele castelo de uma vez por todas.
“O destino nos uniu”, eu disse a Rettacus, “pois eu pude sentir que você estava indo embora do castelo. Um carinho no meu coração ficou mais fraco, então eu usei a minha magia para chamar por você.”
Rettacus ergueu meu queixo com a mão.
“Estou tão grato por você ter feito isso”, ele disse, com os olhos cheios de lágrimas. “Eu tinha começado a pensar que você não era real e que eu não tinha companheira.”
O coração dele é tão puro, eu posso perceber. Isso vai torná-lo mais fácil de controlar!
“Eu sou real, e estou bem aqui!” eu exclamei, escondendo o meu rosto no peito musculoso dele.
De repente, Rettacus arregalou os olhos. “O Rei vai matar nós dois se ele nos encontrar! Nós precisamos correr. Fui abençoado com a sua presença há tão pouco tempo. Eu não vou perder isso agora.”
Isso está indo perfeitamente. Eu posso nem precisar usar minha magia para enganá-lo e fazê-lo me ajudar.
Eu apertei a mão dele e corri ao seu lado.
“Então vamos nos apressar, querido! Precisamos criar um plano para que possamos atacar aquele castelo.”
Rettacus parou e ergueu uma sobrancelha. “Atacar?”
Eu dei um grande sorriso. “Ah, sim. Nós só estaremos seguros depois que Cerberus for destruído.”










































