
A Série da Loba: Capturando Kate
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Capítulo 1
Spinoff: Catching Kate
KATE
Eu estava acelerando pela estrada em direção à casa da alcateia no SUV da Sam.
Lá em Chicago, eu raramente dirigia. Meu apartamento ficava a dois passos do escritório, e táxis eram minha solução para todo o resto. Mas aqui, os espaços abertos e o isolamento da paisagem tornavam o carro indispensável. Principalmente porque eu não fui abençoada com a habilidade de me transformar num lobisomem gigante quando quisesse, como a maioria dos moradores locais.
Eu não tinha percebido o quanto sentia falta da tranquilidade da floresta até me mudar. Sam e eu passamos boa parte da infância ao ar livre.
Nossa família adorava acampar e fazer trilhas, e nosso pai nos ensinou a pescar e rastrear animais selvagens. Olhando para trás, tudo fazia sentido, considerando nossa linhagem meio lobisomem. Bom, a Sam era a meio lobisomem.
No fim das contas, não existe isso de “meio”. Ou você é um lobisomem, ou não é, como eu.
No começo, eu tive um pouco de inveja dela. Quer dizer, quem não ia querer superpoderes se pudesse escolher? Mas depois de ver tudo o que ela passou, decidi que minha vida provavelmente era mais simples do jeito que estava.
Ela rapidamente encontrou seu companheiro destinado, o rei dos lobisomens, e foi forçada a escolher entre se tornar rainha ou abrir mão de sua alma gêmea para proteger seu filho adolescente, Luke, da chamada do alfa.
Eu não podia ficar parada assistindo minha irmã mais velha sacrificar uma vida inteira de felicidade por medo do futuro do filho. Então, me mudar para as terras da alcateia para cuidar do Luke foi uma decisão óbvia. Ela já tinha aberto mão de tudo pelo Luke inúmeras vezes na vida.
Não que ela visse dessa forma, ou que eu achasse que ela tomou a decisão errada. Eu amava o Luke. Todo mundo amava.
Mas eu sentia que a Sam merecia a chance de seguir seu destino. E ainda bem que ela seguiu, considerando que uma bruxa poderosa e das trevas estava tentando destruir o mundo. Ou algo assim.
Eu ainda não tinha muita clareza sobre os detalhes. Mas não importava. O rei proibiu qualquer pessoa do seu círculo íntimo de discutir o assunto com quem era de fora.
Decidi que não ia gastar energia me preocupando com algo que “não me dizia respeito”, nas palavras do meu arrogante cunhado. Em vez disso, ocupava meu tempo mantendo o Luke longe de problemas e me esquivando do meu próprio companheiro destinado.
Pouco depois de decidir me mudar para a Alcateia Redclaw, conheci Emerick Stone. No momento em que nossos olhos se encontraram, ele sentiu uma conexão profunda da qual eu não fazia a menor ideia.
Só podia ser a minha sorte. Aparentemente, pela primeira vez na história, um lobisomem foi destinado a uma mera humana que adorava exercer advocacia e manter as pessoas à distância.
Nem todo lobisomem encontrava seu companheiro destinado, mas quando encontrava, o impulso de selar o vínculo era avassalador. E, claro, ele era o cara mais doce e atencioso do mundo.
Ele também tinha dormido com minha perfeita irmã mais velha. Depois, passou o ano seguinte suspirando por ela, tentou fazer com que ela rejeitasse seu próprio companheiro destinado, e largou tudo para proteger o filho dela por pura devoção.
Como eu deveria competir com isso? Mesmo que a Sam me garantisse que nada superava o vínculo que ele sentia por mim, a situação toda continuava sendo incrivelmente constrangedora.
Além disso, eu não estava procurando me prender a ninguém. O negócio de companheiro era um compromisso para a vida toda. Nem o melhor advogado de divórcio do mundo conseguiria nos separar.
Considerando que eu nunca tinha conseguido manter uma planta viva por mais de alguns meses, a ideia me apavorava. Não que eu fosse admitir isso.
Quando estacionei no estacionamento da casa da alcateia, meus olhos caíram no homem alto, moreno e bonito do qual eu não conseguia me livrar. Emerick estava encostado no seu muscle car azul, segurando dois copos de café.
Ele estava absolutamente irresistível com sua calça chino azul e a camisa branca de botão. As mangas estavam dobradas até os cotovelos, revelando seus antebraços musculosos. Ele virou a cabeça, acompanhando meu carro através dos seus óculos aviador escuros até eu estacionar na minha vaga.
Ele se aproximou da porta quando desliguei o motor.
“Bom dia, Kate.”
“Emerick,” respondi secamente ao cumprimento dele.
Apesar da minha frieza, ele deu um leve sorriso. Eu fazia o máximo para manter distância, mas aquele sorriso de canto mexia comigo toda vez. E ele sabia disso.
“Na décima terceira é que vai,” disse ele, me entregando uma das bebidas que segurava.
Era um jogo que ele insistia em jogar. Eu me recusava a contar qual era meu pedido de café, então um dia ele deu um jeito de cheirar o meu. Desde então, vinha tentando adivinhar minha bebida favorita só pelo cheiro.
Revirei os olhos, mas dei um gole.
Droga, ele acertou em cheio.
“Não. Ainda não está certo,” menti.
“Mentira.” Ele abriu um sorriso ainda maior.
“Está perto. Mas ainda tem gosto ruim.” Virei para ir embora.
“Eu consigo ouvir seus batimentos cardíacos, Kate,” ele disse, me seguindo de perto. “Sei que está mentindo.”
Malditos poderes de lobisomem.
“Você deve estar perdendo a audição por causa do vínculo de companheiro,” rebati. “Não estou mentindo.”
Ele ficou em silêncio, mas eu conseguia ouvir os passos dele atrás de mim.
Foi um golpe baixo. Eu sabia que o vínculo incompleto ia lentamente roubar dele os sentidos aguçados. Foi o que aconteceu com minha irmã e o Rei Ivar, o marido dela.
Os dois eram imortais e sem dúvida os lobisomens mais poderosos que já pisaram na terra. Cada um deles foi perdendo aos poucos a capacidade de se curar, junto com a força e outras habilidades, quando lutaram contra a conexão.
O mesmo aconteceria com Emerick. Ele não era imortal nem alfa, então poderia ser ainda pior para ele. Embora eu insistisse que não me sentia culpada, era difícil não sentir.
Segui pelos corredores da casa da alcateia até parar em frente ao escritório do alfa — o escritório do Luke agora. Ainda era estranho pensar no meu sobrinho de dezesseis anos como o alfa de uma das maiores alcateias de lobisomens do mundo.
Quase tão estranho quanto o fato de que lobisomens realmente existiam. Bati na porta e encontrei Luke concentrado em uma pilha de papéis, com Michael ao lado.
O beta tinha assumido responsabilidades muito maiores desde que Sam partiu para cumprir seus deveres como rainha. Ele estava ensinando tudo o que podia ao Luke, mas ainda levaria tempo para o jovem alfa se firmar.
“Oi, Tia Kate,” Luke cumprimentou sem levantar o olhar. “Você tem o contrato da Alcateia Dark Hills pronto?”
O garoto era só trabalho ultimamente. E tinha que ser mesmo. Um alfa era como um CEO de empresa, ditador de um pequeno país e general de um exército, tudo ao mesmo tempo.
Sam tinha razão sobre o peso que aquilo representava para alguém tão jovem.
“Sim, Luke,” garanti. “Deve estar no seu e-mail.”
Sentei na cadeira vazia em frente à mesa dele. “Eu ia te avisar durante o café da manhã. Imagine minha surpresa quando você não apareceu.”
Ele ergueu os olhos e eu lancei um olhar firme. No dia seguinte à partida da mãe, Luke começou a sair antes do sol nascer para começar seu dia de trabalho.
“Desculpe,” disse ele, com o rosto neutro. “Eu tinha alguns assuntos urgentes para resolver aqui.”
“Mas você ainda precisa comer,” rebati. “Faz uma semana que não te vejo fazer uma refeição decente.”
O clima na sala ficou pesado. Em vez de responder, meu sobrinho me lançou um olhar afiado e cerrou a mandíbula.
“Senhores,” disse ele a Michael e Emerick, “preciso de um momento com a Srta. McClain.”
Os dois se levantaram e foram direto para a saída. Quando a porta se fechou atrás deles, ergui uma sobrancelha para Luke.
“Kate,” Luke começou, com a voz tensa. “Eu sou o alfa. Não me trate como uma criança no meu próprio escritório.”
“Primeiro, é Tia Kate pra você,” retruquei. “Segundo, você ainda é um adolescente, alfa ou não. Comer não é opcional. E escola também não, e fiquei sabendo que você faltou cinco dias seguidos.”
Ele desviou o olhar e respirou fundo. Dava para ver que estava tentando se controlar. Considerando que ele tinha dormido umas seis horas nos últimos três dias e estava sobrevivendo de Hot Pockets e Cheetos, eu me surpreendia que o lobo dele ainda não tivesse surtado e destruído a casa inteira.
Eu sabia que precisava pisar com cuidado, o que definitivamente não era meu forte.
“Lukey,” eu disse, suavizando a voz. “Tudo bem fazer uma pausa. Tem muita gente aqui que pode te ajudar. Ninguém espera que você dê conta de tudo agora.”
Ele balançou a cabeça, com uma expressão de desgosto no rosto.
“Você não entende,” protestou. “É isso que ser alfa significa, Tia Kate. Um alfa deve dar conta de tudo isso.”
“E você vai dar,” garanti. “Mas não tudo de uma vez. Sua mãe também precisou de um tempo para encontrar o equilíbrio.”
Ele bufou. “Não, não precisou.”
“Sério? Porque eu lembro de receber várias ligações desesperadas dela. Ela teve que aprender na prática, assim como você, e ainda estava lidando com toda aquela questão de 'companheiro destinado'. Não foi fácil pra ela também.”
Ele recostou na cadeira. Fiquei observando enquanto ele olhava para o nada, com o rosto marcado pelo cansaço.
“Ela fazia parecer tão fácil,” confessou. “Eu não sei como vou conseguir estar à altura.”
“Querido,” eu disse com carinho, “você não tem que estar. Só precisa dar o seu melhor e encontrar o seu próprio caminho.”
Ele olhou para a pilha de papéis na mesa. “Tem tanta coisa para aprender. Como a mamãe deu conta de tudo?”
“Bom, ela já tinha experiência administrando um negócio.” Dei de ombros. “Já conhecia boa parte da papelada. O resto…” Fiz uma pausa. “Vai ter que perguntar a ela. Ela é uma líder nata. Vocês dois são. Acho que ela simplesmente fez o que achava certo.”
Ele ficou em silêncio, olhando para as próprias mãos.
“Você pode perguntar a ela hoje à noite,” sugeri. “Ela vem jantar. A vovó vai fazer fajitas.”
“Legal,” murmurou.
“Luke, ela está preocupada.”
“Eu sei,” admitiu. “Só não quero continuar decepcionando ela.”
“Então não decepcione,” aconselhei, ficando de pé. “Hoje à noite, seja só o filho dela — não o alfa.”
Sam e Luke vinham se estranhando toda vez que ficavam no mesmo ambiente desde o casamento dela e tudo o que aconteceu depois. No início, ela disse que não iria embora depois que a bruxa malvada Tatianna se revelou e atacou a alcateia. Luke argumentou que a presença dela enfraquecia sua posição como alfa. A maioria do conselho da alcateia concordou.
Ela se mudou com Ivar, mas então Trinity, sua nova cunhada, a teleportava de volta todos os dias para as terras da Alcateia Redclaw. Isso criava situações constrangedoras quando mãe e filho tinham opiniões diferentes. Ninguém sabia quem seguir, já que um era o alfa e a outra, a rainha.
No fim, Luke pediu que ela limitasse suas visitas até que ele se estabelecesse como único líder. Sam ficou com o coração partido, mas Michael e Emerick apontaram que um alfa visto como fraco poderia ser desafiado. Ivar a alertou de que seria politicamente complicado impedir alguém de desafiar Luke, já que a lei dos lobisomens determinava que qualquer alfa precisava defender sua liderança quando confrontado.
Na última semana, Sam atendeu ao pedido de Luke e ficou no Canadá. Mas isso não a impedia de me ligar, e às amigas, várias vezes por dia para saber como tudo estava.
“Ah, e Luke?” chamei por cima do ombro. “Escola não é opcional. Dá um jeito.”
“Você devia convidar o Emerick pro jantar,” sugeriu ele, bem na hora em que a porta se abriu.
Meus olhos encontraram o homem que estava sempre ao meu lado, encostado na parede com os braços cruzados. Nossos olhares se cruzaram por um instante antes de eu me virar para o Luke e articular silenciosamente vai se ferrar.
Luke deu um sorrisinho em resposta. Eu sabia que ele tinha sentido a presença do Emerick do lado de fora. A sugestão dele foi calculada.
“Parece um ótimo plano,” eu disse bem alto.
Emerick passou a andar ao meu lado enquanto eu marchava furiosa até meu próprio escritório no fim do corredor.
“Você não precisa me convidar,” ele disse depois de um momento.
“Não, não preciso,” concordei. “Mas a Sam vai adorar te ver.”
Isso não era mentira. Sam ainda achava Emerick o máximo, ou pelo menos era isso que passava pra mim. Eu sabia que eram amigos e que ela se importava com ele, mas a dinâmica entre nós três era estranha.
“Kate.” Ele interrompeu meus pensamentos, colocando a mão no meu braço. “Eu sei que isso é difícil pra você.”
“Isso é pouco,” murmurei.
“Eu sei,” repetiu. “Mas, por favor, entenda que estou tentando.”
Olhei nos olhos dele e vi o desespero ali.
“Emerick, eu não sinto o mesmo que você,” disse pela milésima vez.
“Eu sei,” respondeu, com o tom gelado. “Isso não significa que a gente não possa tentar.”
“Eu não quero um relacionamento,” afirmei sem rodeios. “Nem com você, nem com ninguém.”
“Kate…“
“Emerick,” interrompi. “Por que você simplesmente não me rejeita?”
















































