
A Série da Loba Livro 3: O Reinado da Loba
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Capítulo 1
Livro 3: O Reinado da Loba
SAMANTHA
“De novo!” A voz de Trinity ecoou alto na sala de treinamento.
Eu limpei o sangue do meu lábio com a mão e fiz força para ficar de joelhos. A bruxa das trevas estava de pé na minha frente, com uma bola de energia girando na sua mão e veias escuras descendo dos seus olhos até os braços.
Ela vestia um top esportivo preto e calça de ioga, parecendo mais que estava indo para uma aula de pilates do que para um treino de bruxa.
Mas, em vez de um exercício relaxante, ela estava jogando feitiços dolorosos em mim, supostamente para me preparar para me defender da magia negra.
“Trin, acho que está na hora de dar um tempo”, Ivar sugeriu do canto da sala.
Trinity virou-se rápido para encará-lo, com os olhos brilhando de fúria. “Você prometeu ficar fora disso, Ivar. Ou você cala a boca ou vai embora”, ela rebateu irritada.
Ivar começou a protestar, mas—
Trinity o cortou lançando três bolas de energia nele. Ele desviou da primeira, chutou a segunda de volta e recebeu a terceira no peito com um grunhido.
Com um movimento rápido do pulso, Trinity fez o contra-ataque de Ivar sumir no ar. Ele ficou lá, encarando a irmã com raiva, com o queixo abaixado em desafio.
“É disso que ela é capaz”, Trinity disse com uma voz afiada. “Ela é a rainha escolhida pelo destino. Ela deveria ser igual a você em habilidade e força.”
“Eu sou mil anos mais velho que ela!” Ivar gritou de volta. “Dá a porra de uma folga pra ela!”
“Ela é um peso morto!” Trinity retrucou. “Se ela não consegue se defender, então você não consegue focar, e todos nós corremos perigo.”
“Isso não é verdade”, ele disse, com a voz soando como um aviso.
“Sério mesmo?” Sem aviso, Trinity atirou uma bola de fogo bem em mim.
Eu me preparei para o impacto, mas antes que eu pudesse piscar, Ivar estava na minha frente, bloqueando o ataque. Quando a fumaça baixou, Trinity estava na frente dele, com uma espada pressionada contra a garganta dele. Uma pequena gota de sangue escorreu pelo seu pescoço.
Eu engoli em seco. “Peso morto”, ela disse, soltando a espada. Ela fez um barulho alto ao bater no chão de concreto, enfatizando o seu ponto.
Ela virou nos calcanhares e saiu da sala de treinamento pisando duro. “Essa porra de discussão não acabou!” Ivar rosnou, seguindo-a para fora.
Eu fiquei olhando os dois saírem, sentindo-me no meio das brigas daqueles irmãos imortais. Elas pareciam estar acontecendo com mais frequência, especialmente porque não havia notícias sobre Tatianna, mãe da Trinity e madrasta do Ivar.
Eles a procuravam há semanas, depois que Tatianna apareceu na nossa cerimônia de acasalamento, mas não havia pistas. Nós encontramos Emilia, a madrasta do meu pai, amarrada e amordaçada na casa onde ela era mantida prisioneira desde que tentou me matar.
Tatianna usou a aparência da Emilia e magia da luz para planejar o ataque. Foi a situação perfeita para ela se aproximar.
Eu olhei em volta para a academia agora bagunçada onde Trinity estava acabando comigo todos os dias. Peguei a espada que ela tinha derrubado e a levei até os suportes de armas nas paredes.
“Ela não quis ser tão dura quanto pareceu”, Aidan disse.
A voz dele me assustou e eu dei um pulo, ainda segurando a espada. “Não quis te assustar”, ele disse, sorrindo.
Eu franzi a testa e guardei a espada antes de me virar para o companheiro de quatrocentos anos da Trinity. “Como diabos você é tão silencioso?” eu perguntei, com o coração ainda acelerado. Meus sentidos de lobisomem geralmente me alertavam sobre qualquer um que se aproximasse.
“É uma especialidade minha.” Ele deu de ombros.
“Você vai ter que me mostrar qualquer dia desses”, eu disse, pegando um conjunto de pesos que tinham sido derrubados. “Talvez depois que a Trinity terminar de limpar o chão com o meu cadáver.”
Ele me deu um sorriso compreensivo. “Já que ela não te mandou para a ala médica, acho que o Duncan planejou uma lutinha de Lobinha contra lobo hoje à tarde”, ele disse.
Eu fiz uma careta. O grupo decidiu que Duncan, que sempre parecia tão alegre, seria o meu treinador.
Ivar foi o único a discordar, e eu não entendi o porquê até o meu primeiro dia sob a orientação de Duncan. Acontece que Duncan era o lutador mais brutal e habilidoso, atrás apenas de Ivar e Aidan.
Todo mundo sabia que Aidan e o meu companheiro ficariam preocupados demais em me machucar, mas Duncan não tinha essa preocupação. Ele me tratava com respeito por eu ser sua rainha, mas também não hesitava em me agarrar pela gola e me jogar contra a parede se eu deixasse a guarda baixa.
Ele parecia gostar da luta, concordando com a Trinity que uma abordagem sem regras me prepararia melhor para a batalha iminente. Eu detestava aquilo.
Lá em casa, eu era a loba mais forte e habilidosa, mesmo antes do treinamento intensivo. Mas aqui, na base do rei no Canadá, eu me sentia o elo mais fraco.
Os homens eram gentis o bastante para não mencionar isso, provavelmente por medo da raiva do Ivar. Aidan colocou uma mão reconfortante no meu ombro, e eu me virei para ver seus olhos compreensivos.
“Você está indo muito bem”, ele garantiu. “Eles pegam pesado porque se importam. A Trinity não suporta a ideia de ver você machucada.”
Eu soltei um suspiro. “Eu sei. Só sinto falta de quando ela era apenas a minha amiga.”
Desde que Tatianna revelou seu verdadeiro eu e quase matou Aidan na recepção da minha cerimônia de acasalamento, Trinity havia mudado. Ela costumava ser feroz, sim, mas também era alguém de quem eu genuinamente gostava de estar perto.
Ela me fazia sentir bem-vinda e me proporcionava um refúgio da esmagadora masculinidade que vinha com a liderança dos lobos. Agora, ela parecia mais fria e distante.
A cabeça dela estava focada apenas em se preparar para a ameaça que estava chegando. Eu entendia, mas sentia falta de ter uma amiga mulher nesse grupo isolado de guerreiros.
“Sam, ela ainda é sua amiga”, Aidan disse baixinho. “Ela também está lutando as próprias batalhas dela agora.”
“Eu sei”, eu concordei. “Tenho certeza de que é difícil para você também.”
Ele me deu um sorriso torto. “Tá brincando? Eu quase morri protegendo ela. Ela nunca me deu tanto valor.”
Eu ri enquanto ele levantava as sobrancelhas com segundas intenções. “A gente tem que manter o romance vivo”, ele disse, espreguiçando-se de forma exagerada. “Vocês é que têm que lidar com as consequências da minha experiência de quase morte.”
Eu sorri e balancei a cabeça. “Obrigada por isso, herói corajoso.”
“Sempre às ordens, Vossa Alteza”, ele disse, fazendo uma reverência com um sorriso enorme.














































