
A Vida de Emma: Livro 4
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A Fúria de Austin e uma Briga
Livro 4: Aceitando o Seu Destino
JAX
Fico sem palavras. Quando Austin sugeriu que poderia matar Giovanni, primeiro achei que era o choque do sequestro falando. Mas, ao olhar nos olhos dela, eu percebi que estava errado. Apesar do olho esquerdo dela estar quase fechado de tão inchado, a determinação dela era muito clara.
Ela era uma mulher muito forte e ninguém podia ignorá-la.
“Querida, eu não quero que você suje as mãos de sangue a menos que seja totalmente necessário, de preferência apenas para se defender.”
“Não me trate como criança, porra, Jax! Giovanni me sequestrou, ele podia ter me violentado e me torturado, mas ele queria que eu o amasse como eu amo você. Eu passei por um inferno desde que te conheci, especialmente nestas últimas semanas. Eu não sou uma criança irritante a quem você precisa dar lição de moral. Eu sou uma mulher adulta. Eu mereço ter o que é meu, e o que eu quero é matar o Giovanni eu mesma. Pergunte a quem você precisar perguntar, mas me traga uma porra de resposta. E já que vai fazer isso, saia daqui, porra, e não volte até ter a resposta que eu quero. Caso contrário, eu vou embora, Jax, estou falando sério. Cansei de ser deixada de lado. Ninguém nunca vai me respeitar se eu continuar agindo como se precisasse de proteção o tempo todo.”
“Não é isso, eu só acho que você é pura demais para lidar com a morte de alguém. Eu não quero os seus pesadelos na minha consciência também. Eu já tenho problemas demais para resolver.”
“Você está se ouvindo, Jax? É tudo sobre você. Onde eu me encaixo em tudo isso se eu só escuto ‘eu’? Saia daqui, porra, agora, antes que eu perca a cabeça de vez.”
Eu quero ficar, confortá-la, abraçá-la. Mas a raiva que vem dela me avisa que eu só estaria jogando lenha na fogueira. Eu nunca deixei ninguém falar comigo do jeito que ela acabou de falar. O fato de eu permitir isso mostra muito bem o que eu sinto por ela.
Felizmente, o grito dela não foi ouvido pelos funcionários nem pelos meus pais. Ela está com raiva, e com toda a razão. Eu tenho sido egoísta, sempre me colocando em primeiro lugar. Ela sempre ficou em segundo lugar.
Eu preciso falar com meus pais, para entender como eles fizeram o casamento deles dar certo sem diminuírem um ao outro. Caso contrário, estou num caminho rápido para perder a calma e perder a Austin, o amor da minha vida.
Eu me viro para sair, não querendo irritá-la ainda mais.
“Ah, e Jax, se a resposta for não, nem se dê ao trabalho de vir me contar. Mande o Maddox para dar a notícia. Eu não quero ver você até que tenha um sim. Se você não conseguir um, eu vou embora daqui.”
Dou uma última olhada para a Austin antes de fechar a porta do banheiro. Eu me encosto na porta, como sempre faço quando ela está perto. Mas, dessa vez, meu coração se enche de um sentimento estranho. Se eu tivesse que dar um nome, diria que é medo. A primeira vez que já senti isso: o medo de perdê-la.
Eu preciso falar com a minha mãe, agora mais do que nunca. Pego umas roupas e vou para o quarto de hóspedes tomar um banho rápido. Quando termino, eu me visto depressa, ansioso para descer as escadas. Eu sei que meus pais estarão acordados, analisando os eventos desta noite até o momento em que encontramos a Austin.
Eles não me decepcionam. Encontro todo mundo reunido no escritório da minha mãe. Sem enrolação, ponho a cabeça para dentro.
“Todos vocês, para o meu escritório agora!” Eu ordeno, indo para o meu escritório sem esperar para ver se eles me seguem.
Sirvo uma dose generosa de uísque num copo, bebo tudo de uma vez e sirvo mais um pouco. Quando me sento à mesa, estão todos lá, meus pais nas duas cadeiras na frente da minha mesa, os outros espalhados pelo lugar, todos esperando que eu fale.
Estou fervendo de raiva. Tenho vontade de descer até o porão e matar o Giovanni com as minhas próprias mãos, vendo a vida sumir dos olhos dele enquanto eu o enforco. Mas se eu fizer isso, eu perco a Austin.
Por outro lado, não posso mostrar para as pessoas no meu escritório como eu sou fraco quando se trata da Austin, muito menos para a minha mãe. Austin é o meu ponto fraco. Preciso controlar a minha raiva se eu quiser que essa reunião seja útil.
Minha mãe é a primeira a falar. “Como ela está, Jax?”
“Eu não sei, porra. Ela não quer falar comigo sobre isso. Tudo o que ela me disse foi que ele não a estuprou e que ele queria que ela o amasse como ama a mim. A melhor parte é que ela quer matá-lo. E se ele morrer pelas minhas mãos, ela vai me largar. A minha vida não é simplesmente maravilhosa, mãe?” Eu respondo com ironia. Acho que essa é uma das poucas vezes em que falei com ela com tanto desprezo e falta de respeito.
“Todo mundo para fora, agora!” Ela grita, ficando de pé e me encarando como se eu fosse uma criança rebelde que ela precisa dar bronca sem que ninguém veja. Todo mundo sai correndo do meu escritório, menos o meu pai. Sem nem olhar para ele, ela diz para ele sair também.
Eu me recuso a desviar o olhar dela. Eu a culpo por tudo isso. Ela sabia que eu nunca quis fazer parte dessa vida. Se não fosse por ela, eu não estaria nessa situação tão difícil.
Meu pai sai depois de sussurrar algumas palavras no ouvido da minha mãe. Eu o vejo pelo canto do olho, mas me recuso a parar de encarar a minha mãe. Estou com muita raiva dela.
Assim que a porta se fecha atrás dela, ela manda eu me levantar. Ainda segurando o olhar dela, fico de pé sem dizer uma palavra. Ela anda devagar ao redor da mesa, e eu me preparo para o sermão. Mas o que ela faz em seguida me pega totalmente de surpresa.
Ela me abraça e sussurra: “O que eu vou fazer agora é para o seu próprio bem, filho.”
Ela dá um passo para trás e acerta um chute forte no meu estômago. Nós já treinamos esse golpe muitas vezes. Eu caio para trás, batendo no carrinho de bebidas e quebrando tudo quando chego ao chão. Ela faz um sinal com a mão para eu me levantar, já preparada para o próximo round.
Mas eu não consigo lutar contra a minha própria mãe.
Eu me levanto devagar. “Não há necessi—” Eu começo a falar, mas ela me interrompe com um soco na barriga. Eu me curvo para frente, e ela continua com uma joelhada no meu rosto. Tenho quase certeza de que o meu nariz quebrou agora.
“Para! Eu não vou lutar com você, mãe.”
“Você devia ter pensado nisso antes de ter aquele ataque de raiva”, ela retruca. “Eu achei que você tinha aceitado o seu papel de novo chefe. Até a Austin se adaptou mais rápido que você. Você pode me odiar o quanto quiser, mas você aceitou isso quando concordou em assumir o comando. Agora que a coisa ficou difícil, você está choramingando em vez de pensar com clareza. Estou decepcionada com você, Jax. Nunca achei que diria isso, mas cresça, porra. Essa é a sua vida agora. Eu não vou ser o seu saco de pancadas toda vez que algo der errado. A vida traz surpresas, e você devia saber disso melhor do que ninguém. Agora levante e lute, ou eu juro que vou te dar uma surra até você lutar.”
“Eu te respeito demais para te bater, mãe. Você sabe que eu não bato em mulheres.”
“Eu não ligo para a porra do respeito, Jax. Você está com raiva, então desconte em mim, aquela que causou tudo isso.”
“O pai vai me matar se eu te machucar, e você sabe disso.”
Ela dá uma risada de deboche, e antes que eu perceba, estou no chão de novo. Ela acertou um dos seus famosos chutes no ar, me fazendo perder o equilíbrio. Eu fico cego de raiva, com os ouvidos zumbindo, mas eu me seguro. Afinal, ela é a minha mãe.
Ela vem para cima de mim mais uma vez, com socos que não param. Eu consigo segurar as mãos dela, implorando com o olhar para ela parar. Eu não quero machucá-la. Mas ela ignora o meu pedido silencioso, me chutando de novo com tanta força que eu solto as mãos dela.
Eu sei que vou me arrepender disso, mas assumo uma posição de defesa. Pela primeira vez, eu vejo a loucura nos olhos da minha mãe, a adrenalina a mil antes de ela pular em cima de mim. Eu mal consigo desviar do chute dela, e acerto um no estômago dela em troca. Ela se recupera mais rápido do que eu esperava. Eu também paro de me segurar, tentando acabar com essa loucura.
Toda vez que a gente treinava, ela escondia esse lado dela. Agora, eu sinto isso em cada soco e chute que ela dá. Ela parece uma mulher possuída. Eu nunca a vi desse jeito. Talvez ela esteja imaginando outra pessoa enquanto luta comigo.
Eu sei que, se a gente continuar, um de nós vai se machucar feio. Ela avança em mim de novo, mas dessa vez eu estou pronto. De algum jeito, eu consigo dar um mata-leão nela. Mas ela ainda é muito forte. Eu caio de joelhos, implorando para ela cair em si. Ela arranha os meus braços. Eu não consigo ver o rosto dela, mas sei que ela está furiosa. Eu não quero enforcá-la até desmaiar. Eu não conseguiria viver comigo mesmo, e o meu pai iria me matar.
“Porra! Mãe, para!”
Ela não para. De repente, o corpo dela amolece, e as mãos dela param de arranhar os meus braços.
Será que eu acabei de matar a minha própria mãe?















































