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Accidental Brides Livro 2: A esposa de Draco

Autor
Mira Matic
Leituras
17,9K
Capítulos
20
Autor
Mira Matic
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20
🤑Bilionários💰Bilionários🏙️Contemporâneo👩🏻‍🍼Mães

Jade chegou com um bolo de aniversário. Ela saiu com o coração partido. Um par de saltos. Duas taças de vinho. Um marido que jura que ela entendeu tudo errado. Mas Jade cansou de ser a esposa perfeita. Segredos. Desejo. Traição. Três filhos. Um casamento prestes a explodir.

VOCÊ o perdoaria?

Capítulo 1: O Erro

JADE

“Lily?” Fechei os olhos e apertei o celular contra a orelha.
“Pela sua voz, você não ligou só pra saber como eu estou,” ela respondeu sem emoção.
Ela tinha razão. Esse era um dos poucos dias de folga que ela tinha no mês, e eu estava prestes a estragá-lo.
“Preciso de um favor.”
Ela fez uma pausa. “Favor que envolve crianças?”
Franzi o nariz, sabendo que ela não ficaria feliz com isso. “Preciso que você fique com eles. Só por algumas horas.”
“Não.” A recusa rápida doeu, mesmo eu já esperando por ela. Lily se importava com os meus filhos; ela os amava do jeito dela, especialmente Hellena, mas via a maternidade como uma armadilha chata e superestimulante. Me ver cuidando da minha família com certeza não ajudava a mudar a opinião dela.
“Por favor.” Me encostei na parede do corredor. “Esqueci que dia era e disse pra babá que ela podia tirar três dias de folga.” Meus dedos puxavam um fio solto da minha calça de moletom. “Ela e o namorado planejaram uma trilha. Não posso estragar isso.”
Lily bufou. “E se eu tivesse planos?”
“Você tem?”
“Não. Mas o plano era justamente não ter plano nenhum.”
Mordi o lábio para não sorrir. Típica Lily. Durona por fora, mole como um marshmallow por dentro. Pelo menos comigo.
“Por favor?” Tentei de novo. “Você sabe que a Hellena derrete quando te vê.”
Ouvi o barulho do que quer que ela estivesse comendo. “Que data importante você esqueceu?”
Respirei fundo, tentada a mentir para evitar mais um sermão. Lily nunca tinha sido a maior fã de Ivan. Ultimamente, estava pior — silenciosa em vez de irônica. Os comentários que ela costumava fazer quando eu mencionava o nome dele tinham desaparecido.
Em vez disso, ela simplesmente se fechava, e aquele silêncio era mais perturbador do que as piadas. Eu não perguntava por quê. Ivan andava com uma agenda insana ultimamente, mais lotada do que nunca, e o namorado de Lily trabalhava como segurança pessoal, braço direito e melhor amigo de Ivan. Eu imaginava que ela sentia falta do cara dela da mesma forma que eu sentia falta do meu marido. Por isso eu precisava que ela me salvasse hoje.
“Aniversário de casamento,” eu disse por fim.
Ela ficou em silêncio, depois soltou o ar com força. “De quê? Do circo que ele chamou de casamento?”
Me sentei nos degraus da escada enquanto uma onda de tontura me atingiu. Eu não comia desde o meio-dia de ontem. Uma coisa era sentir que sua vida tinha mudado sem saber quando ou como. Outra coisa era ouvir isso de outra pessoa.
“Tudo bem, eu vou achar alguém.” Afastei o celular. Bem antes de apertar o botão vermelho, ela soltou o ar com força, o som da derrota.
“Traz eles. Mas não espera que eu vá amamentar o seu bebê.”
“Deus me livre.” Franzi o nariz e me virei para os meninos na escada, mostrando o polegar pra cima. Os rostos deles se iluminaram; eles sabiam que tia Lily significava doces e videogame sem limite.
“Eu ainda acho que você devia parar de amamentar o bebê que já tem dentes,” Lily resmungou.
Sorri. Mais um conselho bem-intencionado que ninguém pediu.
“Vou pensar nisso,” murmurei, com o canto da boca tremendo. “E Lily… obrigada.”
“Tá, tá…” Ela desligou.
Juntei as crianças e coloquei todo mundo no carro. Quando parei na entrada da casa de Lily, ela já estava do lado de fora, de braços cruzados, me olhando como se quisesse me sacudir em vez de me abraçar. Nós sempre fomos o tipo de amigas que gostava de uma boa troca de farpas de vez em quando, mas isso era diferente. Parecia raiva de verdade.
Eu não era boba; sentia que as coisas estavam difíceis ultimamente. Só não sabia como mudar, então ia levando, adiando minhas próprias necessidades, porque o que mais eu podia querer se já tinha tudo? Filhos saudáveis. Um trabalho. Amigos que se importavam. Querer mais seria ingratidão.
“O que você está vestindo?” Os olhos dela passaram pelo meu moletom de grife enorme e pela calça larga.
“O quê? Por quê?”
“Você parece uma moradora de rua.”
Mordi o lábio. Para alguém como Lily, qualquer coisa abaixo de alta costura parecia isso. Mesmo quando não tinha dinheiro, ela sabia como fazer as roupas parecerem caras e sofisticadas. Esse talento a tornou rica e uma vez nos salvou quando mais precisávamos.
“Estou parecendo qualquer outra mãe.” Olhei para as minhas roupas como se não soubesse o que tinha vestido naquela manhã.
“Exatamente.” Ela encontrou meu olhar, e percebi que não estava apenas irritada. Estava furiosa.
“Aposto que você preferia levar os filhos junto e ter eles no colo durante um aniversário romântico, ou o que quer que você tenha planejado pro Ivan,” ela disparou. “Deus me livre que você os deixe por um dia.”
Ela não estava errada. Eu levaria. Ivan não se importaria; ele adorava as crianças. Especialmente depois de ter passado por tanto estresse no trabalho ultimamente e não ter passado tempo suficiente com eles.
“Onde ele está agora?” Lily perguntou secamente.
“No escritório.”
“Sei.”
Não gostei do tom daquilo. Tirei Hellena da cadeirinha e a entreguei, junto com a bolsa enorme cheia de tudo que precisava. “Meninos, se comportem. Não façam a tia Lily se arrepender de ser legal.” Beijei a testa de cada um antes de voltar para o banco do motorista.
O plano era simples. Talvez ingênuo. Ivan tinha voltado de madrugada e ido direto para o escritório para não nos acordar. Ele fazia isso com frequência ultimamente. O bolo que eu tinha comprado no caminho estava na caixa no banco do passageiro, e o cheiro doce de açúcar tomava conta do carro.
Debaixo da caixa elegante, aparecia a ponta de uns papéis: folhetos de universidades que eu tinha imprimido e lido várias vezes nos últimos meses. Quando me permitia sonhar, eu me imaginava na faculdade, fazendo algo que sempre quis.
Mas hoje não era sobre essa garota. Não era sobre faculdade, nem sobre o que eu desejava. Hoje tinha que ser sobre nós. Eu sentia aquela urgência dentro de mim de estar perto dele. De que ele precisava de mim.
Deslizei o bolo para cobrir completamente os papéis. Só de vê-los, meu estômago se apertava. Nada de crianças. Nada do mundo lá fora. Só nós dois por algumas horas roubadas. Fazia tempo demais que não tínhamos um momento sozinhos.
Dirigi até o prédio mais alto no centro da nossa pequena cidade no Mediterrâneo. A identificação do meu carro me deu acesso à garagem subterrânea, e peguei o elevador até o último andar, com a caixa do bolo pesada e desajeitada nos meus braços.
Por um segundo, me perguntei se ele teria trocado o código do apartamento no escritório. Fazia tempo demais que eu não vinha aqui. A luz ficou verde. A tranca estalou. Entrei e, sem nenhuma razão lógica, me senti uma invasora.
Não era como eu esperava. E eu não esperava nada além do meu marido cansado dormindo no espaço privado que ele tinha ligado ao escritório.
Mas encontrei mais. Muito mais.
Pisquei uma vez, depois duas. A cena continuava ali. Uma garrafa de vinho pela metade na mesa. Duas taças ao lado. Uma delas ainda tinha uma pequena marca vermelha perto da borda. Meu olhar se desviou enquanto minha mente tentava envolver o momento em algodão, amortecer, suavizar, encontrar desculpas.
Então eu vi: dois sapatos de salto alto pretos, cuidadosamente posicionados ao lado do sofá, apontando para o quarto como se esperassem que a dona voltasse para calçá-los. Instintivamente, minha mão foi até o meu estômago, como se pudesse segurar aquela dor aguda e dilacerante no lugar.
O ar cheirava errado — perfume feminino e vinho velho. Suor começou a se acumular na minha nuca.
Meu celular começou a tocar lá no fundo da bolsa, estridente e insistente. Não fui atender. Fiquei olhando o corredor em direção ao quarto, como se uma corda invisível estivesse se enrolando na minha cintura, me puxando para frente.
A porta se abriu. Foi como assistir a um acidente de carro em câmera lenta. Você sabe que vai ser horrível, mas não consegue desviar o olhar.
Ivan saiu. Por um segundo insano, meu coração disparou com a visão familiar: meu marido em um momento íntimo e doméstico.
Só que não era.
Ele estava com uma toalha na mão, secando o cabelo. A camisa estava meio abotoada, torta, e o cinto pendia solto nos quadris. Os olhos estavam marcados e vermelhos da noite anterior. A cena me tirou o ar dos pulmões. Minha boca se abriu, mas nenhum som saiu.
Ele congelou, no meio do passo, quando me viu. “Jade.”
Ficamos ali, os dois presos em um momento que parecia esticado demais, como se fosse se romper. Ele quase sorriu a princípio, ao ver meu rosto, por hábito talvez, mas então o que quer que ele tenha visto no meu rosto fez seus lábios endurecerem e sua testa se franzir.
Os olhos dele percorreram o cômodo — a garrafa, as taças, os sapatos — como se estivesse vendo tudo pela primeira vez, como se não soubesse por que aquelas coisas estavam ali ou quem tinha feito uma festa.
O celular continuava tocando, estridente e distante. Eu recuei.
Ele avançou, esticando a mão para pegar a minha. Eu nunca tinha me afastado dele tão rápido. Nunca.
“Jesus, Jade, espera,” ele disse, meu nome se quebrando na sua língua, o desespero arranhando sua voz. “Não é o que você… Vamos, isso é um erro.”
Ele largou a toalha, e aquele som suave no chão quebrou alguma coisa dentro de mim. Me virei, achei a maçaneta e corri. Meus pulmões queimavam e o corredor se tornou um borrão. Meus olhos ardiam, mas as lágrimas ainda não vinham. Só calor, pressão, como se meu crânio fosse pequeno demais.
Foi um erro vir aqui, pensei em desespero.
Minha vida inteira se inclinou de lado, como se fosse um grande e horrível erro.

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