
O Alfa Destinado
Author
Kelsie Tate
Reads
1,2M
Chapters
35
A vida de Ryder muda em um instante quando ele se vê como o último membro sobrevivente de sua matilha. Depois de anos passado em isolamento e consumido pela fúria, o destino bate à sua porta quando seu caminho cruza com o da Matilha Lua Branca — e com Adara, a fascinante filha do Alfa. Mas, ao se salvarem um ao outro, eles destruirão ambos os seus mundos? *
Classificação etária: 18+.
O Último
RYDER
“Ryder! Ryder, acorda...”
Minha mãe me sacudiu para me acordar. A voz dela estava assustada.
“Mãe?” Olhei para ela. Eu estava meio dormindo e não entendia o que estava acontecendo.
“Estamos sendo atacados. Seu pai...” Ela tinha lágrimas nos olhos. Estava se esforçando para falar. “Seu pai está morto...”
Pulei da cama. Me vesti rápido e corri para a porta. Minha mãe agarrou meu braço. Ela me fez virar.
“Não! Você não pode sair. Vamos precisar de alguém para cuidar da matilha quando isso acabar. Você só tem quinze anos. Você não pode entrar nessa luta — você precisa fugir.” Ela olhou para mim. Seus olhos estavam cheios de medo.
“Mãe, eu não vou fugir! A matilha precisa de ajuda e eu vou ajudar! É meu dever” eu disse. Caminhei em direção à porta de novo. Ela correu e ficou na minha frente.
“Ryder, isso não é algo que podemos discutir. Seu dever é continuar vivo. Se você quer ajudar, então saia daqui. Vá para a cabana, aquela bem no fundo da fronteira. Você se lembra?”
Assenti. Meus olhos se encheram de lágrimas. “Você não vem?”
Ela respirou fundo. Olhou para mim com olhos tristes. “Eu preciso garantir que as famílias saiam em segurança. Agora se apresse e arrume suas coisas. Você precisa sair daqui, querido.”
Arrumei uma mochila com roupas. Joguei nas costas. Então olhei ao redor do quarto.
Eu sabia que as coisas estavam muito ruins. Meu pai estava morto e eu estava fugindo. Isso significava que provavelmente eu não voltaria tão cedo. Minha mãe me levou até os fundos da casa da matilha. Ela me deu um abraço apertado.
“Fique dentro da linha de árvores e não pare até chegar à cabana. Corra rápido, Ryder, e fique seguro.” Ela se afastou. Segurou meu rosto em suas mãos. “Eu te amo, querido. Sempre se lembre disso.”
“Eu também te amo, mãe, mas você vai me encontrar, certo?”
Ela tentou segurar as lágrimas. Mas eu sabia o que ela estava pensando. Ela não achava que nenhum de nós sobreviveria a isso. Era por isso que eu estava fugindo.
“Vou fazer o meu melhor para te encontrar...” ela disse baixinho. Ela me abraçou de novo. Eu a abracei mais forte agora que sabia que ela não planejava sobreviver à noite.
Me virei. Corri para a linha de árvores. Então me transformei em minha forma de lobo. Virei para ver minha mãe acenar adeus. Suas lágrimas agora caíam pelo rosto. Eu podia sentir meu coração se partindo.
Meu coração batia forte no peito enquanto eu corria pela floresta. Eu podia ouvir os uivos e gritos da luta a leste. Meu povo estava sendo morto.
Vire! Nós podemos com eles!! meu lobo uivou.
Corri forte por quilômetros. Finalmente cheguei à cabana.
Era silenciosa e escondida na fronteira sul, distante das terras da matilha. Minha mãe e meu pai tinham usado ela algumas vezes para acampar em família.
Ninguém sabia sobre ela além de nós. Ela tinha sido passada em segredo pela família como uma forma de escapar.
Fiquei parado na frente da pequena cabana de madeira por um momento. Então entrei. Quando abri a porta, pude ver poeira no ar. O nascer do sol começou a entrar pelas janelas.
Olhei ao redor da pequena casa. Era uma cabana pequena com uma cozinha, área de estar e uma cama no canto. Fiquei no centro da cabana. A última hora passou repetidamente na minha cabeça.
Depois de um tempo decidi que era hora de parar de ter pena de mim mesmo. Comecei a fazer as coisas.
Fechei todas as cortinas. Tranquei a porta caso a matilha atacante viesse até o sul.
Limpei a cabana o máximo que pude. Esperava deixá-la mais confortável para minha mãe quando ela viesse me encontrar.
Sentei na cabana. Ouvi os sons distantes de guerra e morte. Eu podia ouvir o som de dentes mordendo e o rasgar de carne e os rosnados de lobos lutando.
Fiquei sentado lá até que de repente o barulho parou. Levantei. Tentei ouvir algo — qualquer coisa. Mas não havia nada.
Apenas silêncio.
Algumas horas depois, após não ouvir nada por um longo tempo, decidi não ouvir os desejos da minha mãe. Saí da cabana. Me transformei em minha forma de lobo de novo. Corri rápido pela floresta.
Parei no meio da corrida. Eu podia sentir o cheiro do sangue.
Devemos voltar. Você não quer ver o que está além daquelas árvores... meu lobo disse baixinho. Os pelos da nuca dele se arrepiaram.
Eu segui em frente mesmo assim. Caminhei pelos corpos mortos do que antes era minha matilha.
Havia corpos por toda parte. Quando meus olhos viram minha mãe deitada no chão, quase caí.
Meu lobo a cutucou com o focinho. Então ele deitou ao lado dela e fez sons suaves de choro.
Procurei entre os lobos. Tentei encontrar pelo menos um que estivesse vivo.
Ouvi uivos à distância. Eu sabia que quem quer que tivesse atacado e destruído toda a minha matilha estava voltando. Eles provavelmente estavam vindo queimar os corpos.
Corri de novo. Deixei as patas do meu lobo me levarem para longe, de volta à cabana. Eu sabia que ninguém me encontraria aqui. Decidi que ficaria aqui. Me esconderia até conseguir entender o que tinha acontecido com meu povo.
Deitei na cama. Deixei as lágrimas caírem livremente enquanto chorava por minha família e minha matilha. Eu era o último membro vivo da Matilha Black Trail. Eu estava sozinho.












































