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A Noiva de Aluguel do Alfa

Autor
Drowned Abyss
Leituras
15.6K
Capítulos
48
Autor
Drowned Abyss
Leituras
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Capítulos
48
🥵Literatura erótica🐺Lobisomens & mutantes🙅Parceiro relutante👩‍❤️‍👨Alma gêmea💘Par prometido💪🏻Protetor🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪🏻Macho alfa💪Mulheres fortes🐺Sobrenatural

Afundada em dívidas e desesperada para salvar sua irmã, Mali Adeyemi, de 28 anos, aceita participar de uma misteriosa Residência de Casamento no Alasca: três meses em um alojamento de luxo remoto com homens ricos, e um prêmio de US$ 250.000 se ela sair de lá sem um par. Ela planeja manter seu coração trancado a sete chaves — até que o Alfa Rowan Kincaid chega. Poderoso, controlado e perigosamente paciente, Rowan deseja Mali com uma intensidade que a apavora. Mas Alderheart esconde mais do que apenas desejo. Os homens são metamorfos lobos, suas alcateias estão morrendo, e Mali é a rara parceira humana de Rowan. Enquanto a paixão se acende e a política das alcateias se torna mortal, Mali precisa escolher: escapar com o dinheiro ou arriscar tudo pelo alfa que se recusa a deixá-la ir.

Capítulo 1: Nada Resta a Cortar Senão o Osso

As contas médicas não pareciam papel.
Pareciam um tipo de clima, folhas brancas finas e inevitáveis que flutuavam sobre a mesa da cozinha de Mali e se recusavam a derreter. Cada uma carregava sua própria pequena crueldade em tinta preta: datas, totais, números de referência, o vocabulário clínico de corpos e colapsos.
Até os envelopes pareciam afiados, como se os cantos tivessem sido projetados para prender sob uma unha e tirar sangue, apenas para lembrar que o mundo não praticava a misericórdia por acidente.
Mali Adeyemi sentava-se muito imóvel, os cotovelos próximos à borda da mesa, as mãos espalmadas em cada lado do extrato mais recente, como se pudesse pressionar o valor para baixo até que ele se comportasse. O pequeno apartamento estava silencioso daquele jeito do início da manhã — o aquecedor estalando, um leve estremecimento nos canos, o zumbido suave da geladeira no canto.
Lá fora, a cidade dava um suspiro abafado através das janelas riscadas pela chuva, como se ela também estivesse cansada.
O número no centro da página bem poderia ser a face de um penhasco. Ele se erguia verticalmente da linha impressa, impiedoso em sua precisão impecável.
Ela o leu novamente.
E novamente.
Na primeira vez, seu estômago revirou. Na segunda, ela ficou dormente. Na terceira, começou a fazer o que sempre fazia quando algo tentava destruí-la: começou a calcular. Aluguel. Contas básicas. Compras. Transporte. Os pequenos extras que Isabelle precisava quando os remédios deixavam sua boca com gosto de metal e desespero.
A dívida já pesava como uma pedra no fundo do peito de Mali — cartões de crédito, empréstimos pessoais, a vergonha silenciosa de estar atrasada por dias e depois por semanas, o pavor que acompanhava cada carta que passava pela porta.
Ela tentava fazer as contas como se sua vida fosse uma receita e ela pudesse ajustá-la adicionando ou retirando ingredientes. Reduzir as porções. Cortar os luxos. Dispensar o ônibus, caminhar na chuva. Vender o único casaco decente. Parar de comprar frutas frescas. Parar de pagar por qualquer coisa que não fosse estritamente necessária. Mas a verdade esperava sob cada equação, sorrindo sem calor. Ela já havia cortado tudo. Não restava nada para aparar além do osso.
Um som veio da sala de estar — suave, abafado. Uma tosse, depois o rangido do sofá quando alguém se mexeu. Mali ergueu a cabeça, ouvindo, da maneira que aprendera a ouvir nestes últimos meses: não o ruído, mas o padrão dele. A respiração de Isabelle, os movimentos de Isabelle, o silêncio de Isabelle.
— Mali? — A voz de Isabelle estava rouca de sono, um pouco fina demais.
— Aqui — Mali chamou, mantendo o tom o mais leve que podia, como se estivesse chamando em uma manhã perfeitamente comum, como se não houvesse a face de um penhasco sobre a mesa e um futuro ameaçando se despedaçar.
Isabelle apareceu no batente da porta com seu cobertor enrolado nos ombros como uma capa. Ela sempre fora a mais bonita — feições mais suaves, olhos que captavam a luz, o tipo de sorriso que conseguia convencer estranhos a serem mais gentis.
A doença não havia roubado essa beleza, mas a afiado em algo mais frágil. Suas bochechas estavam pálidas, os lábios um toque secos, o cabelo bagunçado de um jeito que parecia descuidado em vez de natural. Ainda assim, ela se portava como se recusasse a ser reduzida a sintomas.
Ela entrou na cozinha, os pés descalços silenciosos no linóleo gasto. Seu olhar caiu, inevitavelmente, sobre a mesa. — Ah — disse ela baixinho.
Mali buscou sua caneca — o chá já esfriara há muito tempo — e tomou um gole mesmo assim, como se a temperatura fosse um detalhe negociável. — Bom dia.
Os olhos de Isabelle rastrearam a dispersão de documentos como pássaros circulando um campo. — Isso é... a correspondência de hoje?
— É a de ontem — Mali mentiu. Não era sequer uma mentira destinada a enganar; era uma mentira destinada a proteger, e essas haviam se tornado seu tipo mais praticado.
Isabelle se aproximou, inclinando-se sobre o ombro de Mali, e Mali sentiu sua pausa — como se a irmã pudesse sentir o cheiro da verdade no papel. A mão de Isabelle pousou levemente sobre a de Mali, quente e pequena. — Você não dormiu.
— Eu dormi. — Mali pousou a caneca. O som foi alto demais no ambiente pequeno. — Eu tirei um cochilo. Isso conta.
A boca de Isabelle se contorceu, o fantasma de um sorriso. — Você não pode sair da falência cochilando, sabe.
Mali forçou um sorriso. — Tente me impedir.
Ficaram assim por um momento, a irmã mais velha apoiada na mesa, a mais nova pairando logo atrás dela, ambas fingindo a mesma coisa — fingindo que estavam apenas cansadas, que tudo era normal, que suas vidas não estavam sendo mantidas como reféns por números.
O olhar de Isabelle derivou para a folha de cima novamente. Sua expressão se contraiu, quase imperceptivelmente, então ela desviou o olhar rápido demais, e Mali soube que ela tinha visto. Não o valor exato, talvez, mas o suficiente. O suficiente para entender.
— Eu poderia... — Isabelle começou.
— Não. — A palavra saiu da boca de Mali rápido demais, afiada demais. Ela a suavizou imediatamente. — Não. Nem comece. Nem pense nisso.
— Eu poderia voltar a trabalhar — Isabelle disse obstinadamente. — Só meio período. Algo fácil.
— O seu médico disse...
— Meu médico diz muita coisa. — Isabelle ergueu o queixo. — Você não pode carregar isso sozinha.
Mali virou-se em sua cadeira para encará-la devidamente. Os olhos de Isabelle estavam arregalados e brilhantes, e neles Mali viu um fogo familiar — teimosia, orgulho, a recusa feroz em ser impotente. Era um dos motivos pelos quais Mali a adorava. Era também um dos motivos pelos quais Mali tinha medo.
— Você não é um fardo — disse Mali, agora com suavidade. — Está me ouvindo? Nunca será. Você é minha irmã. Você é minha... você é minha pessoa favorita. Eu não estou carregando você. Estou ao seu lado.
Isabelle engoliu em seco. Por um segundo, a máscara de coragem escorregou, e Mali viu a menina assustada por baixo — aquela que ficava acordada à noite ouvindo os passos de Mali, aquela que estremecia ao ouvir a correspondência passando pela fenda da porta. — Não parece que você está ao meu lado — sussurrou Isabelle. — Parece que estou te arrastando para o fundo.
Mali levantou-se, cruzou o pequeno espaço entre elas e puxou Isabelle para seus braços. Isabelle se agarrou a ela como se tivesse medo de que Mali pudesse desaparecer. Mali pressionou a bochecha contra o cabelo de Isabelle e inalou o perfume dela — xampu, pele e o leve odor estéril de medicação que impregnava nela por mais que lavassem os lençóis.
— Você não está me arrastando para lugar nenhum — disse Mali, com firmeza. — Nós vamos passar por isso.
Isabelle deu uma risada úmida contra o ombro de Mali. — Você parece um pôster motivacional.
— Que bom. — Mali beijou o topo da cabeça dela. — Porque estou prestes a começar a te cobrar pelos meus serviços de inspiração.
Isabelle se afastou, limpando os olhos com a ponta do cobertor. — Como você vai resolver isso?
O coração de Mali deu uma batida forte. Lá estava ela — a pergunta que a estava atormentando a noite toda, afiada como osso: Como?
Mas Mali não deixou sua expressão mudar. Não deixou o medo transparecer. Em vez disso, recorreu ao humor como uma ferramenta bem usada. — Vou roubar um banco — disse ela prontamente. — Ou casar com um milionário. O que for mais rápido.
O sorriso de Isabelle vacilou, mas permaneceu ali. — Se você casar com um milionário, certifique-se de que ele seja legal.
— Vou colocar na lista. — Mali conduziu Isabelle em direção à chaleira, em direção aos pequenos rituais que ainda as faziam se sentir como pessoas e não como problemas. — Chá. Depois torrada. Depois você toma seus remédios, e eu vou trabalhar, e a gente finge que o mundo não está tentando nos destruir.
— Você não pode fingir para sempre.
As mãos de Mali pararam na maçaneta do armário. Ela soltou um suspiro lento. — Não — admitiu ela. — Mas posso fingir o suficiente para aguentar o dia de hoje.
Ela preparou o café da manhã de Isabelle com cuidado, como fazia tudo — a torrada nem muito escura, a manteiga derretida na medida certa, o tipo de atenção que era metade amor e metade oração. Enquanto Isabelle comia, Mali reuniu as contas em uma pilha arrumada e as guardou em uma gaveta, como se a organização pudesse torná-las menos reais.
Quando terminou de prender o cabelo e vestir o casaco de trabalho, Isabelle estava sentada no sofá novamente, com o cobertor em volta dos joelhos, observando Mali com silêncio demais nos olhos.
— Você vai acabar se matando de tanto trabalhar — disse Isabelle.
Mali pegou sua bolsa, sentindo o peso familiar contra o ombro. — Hoje não.
— Foi o que você disse ontem.
Mali parou na porta. Por um breve momento, ela se permitiu olhar para Isabelle de verdade — para a linha pálida de seu maxilar, as sombras sob seus olhos, o contorno teimoso de sua boca. Para ver o que as contas representavam, o que a dívida ameaçava roubar.
— Eu vou resolver isso — disse Mali novamente, mais baixo.
A voz de Isabelle caiu para um sussurro. — Como?
Mali sustentou o olhar dela. Ela não podia oferecer um plano. Nenhum que fizesse sentido. Nenhum que não soasse como desespero travestido de esperança. Então ofereceu a única coisa que podia, a coisa que sempre oferecera: ela mesma.
— Porque eu sou eu — disse Mali. — E você é você. E nós não perdemos.
Os olhos de Isabelle brilharam, e ela desviou o olhar rapidamente, como se recusasse a chorar de novo. — Traga batatas fritas — resmungou ela, e foi um pedido pequeno e absurdo que partiu o coração de Mali da forma mais gentil.
Mali sorriu. — Se você se comportar.
Isabelle fez um som debochado com a boca. — Eu sou sempre um anjo.
— Uma peste — corrigiu Mali, e saiu para o corredor.

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