
Amor de Verão
Author
Evelyn Miller
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20
A Fogueira
O que é o amor? Alguém realmente sabe o que é o amor?
O dicionário diz que é um sentimento intenso de profundo afeto.
Mas eu nunca senti nada mais do que carinho por ninguém ou nada. Quer dizer, eu amo a minha mãe e o meu irmão gêmeo, Hayes. Mas isso é um tipo diferente de amor. Eu estou falando sobre o amor verdadeiro.
Meus pais disseram que estavam apaixonados. Eles terminaram o relacionamento quando meu irmão, Hayes, e eu tínhamos seis meses de idade. Nós nunca mais vimos nosso pai.
Minha melhor amiga, Monica, dizia que estava apaixonada toda semana. Cada vez por uma pessoa diferente. Toda semana ela tinha o coração partido.
Meu irmão era o típico pegador da escola. Ele dormia com garotas diferentes e depois simplesmente as ignorava. Todas elas diziam estar apaixonadas também.
Então, sim, o que eu achava do amor era que se tratava apenas de algo que alguém inventou só para poder prender a outra pessoa sob sua posse pelo resto de suas vidas.
Agora que as férias de verão estão prestes a começar, o plano é passar cada minuto acordada sob o sol na praia, trabalhando no meu bronzeado e nadando. Durante a noite, é hora de festa.
O último dia de aula foi uma merda. Ninguém queria fazer nada, professor incluído. No exato segundo em que o sinal toca, corro imediatamente para fora e começo a caminhar para casa.
De jeito nenhum eu ia ficar perto daquele pessoal dramático abraçando os amigos para se despedir como se nunca mais fossem se ver. Hayes incluído.
A caminhada para casa leva vinte minutos. Quando chego em casa, uma fina camada de suor se formou na minha pele.
Apesar de meus pais serem separados, a mamãe cuidou muito bem de nós enquanto crescíamos, e, graças aos pais dela, moramos em um pequeno chalé de frente para a praia.
As outras casas ao nosso redor são enormes e cheias de gente rica e esnobe. Dia sim, dia não, alguém aparece querendo comprar nossa casa para demolir, mas a mamãe sempre recusa.
Ela diz que é porque é o único lar que conhecemos, mas na verdade, é porque ela não gosta de mudanças.
Além disso, se ela tentasse vender a casa, Hayes e eu daríamos um chilique. Nós amamos esta casa. Na verdade, nós dois decidimos ir para uma faculdade local só para podermos continuar morando em casa.
Além disso, porque a mamãe não tem muito tempo de vida.
Ela foi diagnosticada com câncer de mama há dois anos. Ela já esteve em remissão duas vezes, mas desta vez o câncer voltou mais agressivo.
Os médicos estão fazendo tudo o que podem para ajudá-la, e parece que ela está melhorando.
“Mãe! Cheguei!” eu grito, largando a minha bolsa perto da porta, o que sem dúvida fará a mamãe gritar comigo em breve.
“Aqui!” a voz dela chama da cozinha.
Eu vou até lá e a vejo tirando uma jarra de limonada da geladeira.
“Como foi o seu último dia?” ela pergunta enquanto vou até ela para dar um beijo em sua bochecha. Normalmente não sou uma pessoa afetuosa, mas desde que ela ficou doente, tento mostrar o quanto ela significa para mim.
“Foi uma merda,” eu reclamo, me sentando à mesa enquanto ela traz a limonada.
“Olha a boca,” ela avisa, sentando ao meu lado. “Tenho certeza de que não foi tão ruim assim,” ela continua, enquanto eu sirvo dois copos.
“Foi sim. Ninguém fez nada, e depois todas as garotas estavam chorando.” Eu reviro os olhos.
“Até a Monica?” ela pergunta, erguendo as sobrancelhas.
“Claro,” eu dou um bufo de riso. Ela estava chorando desde a hora do almoço.
“Mããããe! A Hazel não me esperou!” Hayes reclama, batendo a porta atrás de si. “Nós precisamos de um maldito ar condicionado neste lugar,” ele resmunga ao entrar na cozinha.
“Você é um garoto grande. Pode andar sozinho,” eu retruco.
“Você me magoa, querida irmã,” ele diz de forma dramática, colocando a mão no coração antes de roubar meu copo de limonada pela metade.
“Devolve!” eu grito, ficando de pé num pulo e tentando arrancar o copo de suas mãos. Mas ele é rápido demais. Ele bate o copo de volta na mesa e dá um sorriso cínico para mim.
“Vai se foder, Hayes!”
“Vai se foder, Hazel!”
“Você é um porco de merda!”
“E você é uma vadia de merda!”
“Crianças!” a mamãe nos repreende, fazendo nós dois pararmos de gritar um com o outro.
“Desculpa,” nós dois resmungamos e nos sentamos à mesa, ambos fazendo bico. A culpa toma conta de mim. Hayes e eu somos super apegados, mas brigamos como cães e gatos.
Quando a mamãe ficou doente, nós fizemos um pacto de parar de brigar na frente dela porque ela fica muito chateada. Ela sempre nos lembra que somos a única família que temos e que precisamos valorizar isso.
Eu sempre revirava os olhos com essas palavras, mas quando ela ficou doente, finalmente entendi o que ela queria dizer.
“Eles ainda fazem aquela fogueira?” a mamãe pergunta, se referindo à fogueira do último dia de aula que acontece na praia todo ano.
Todo mundo é bem-vindo, incluindo os calouros. Isso acontece desde que os meus avós estavam na escola.
Hayes e eu trocamos um olhar. A mamãe sabe que ainda acontece. Nós fomos nos últimos dois anos.
“Sim, mãe,” Hayes confirma, cutucando minha perna com a dele.
“Ah. Vocês vão?” ela pergunta, limpando a garganta e franzindo a testa levemente.
Ao olhar para a mamãe, noto as olheiras escuras ao redor de seus olhos fundos. Ela perdeu muito peso no último mês e parece cada vez mais frágil a cada dia.
“Nós vamos todo ano. Lembra, mãe?” eu sussurro, mordendo o lábio.
“Ah, verdade, claro. Que boba. Só estou esquecida,” ela ri.
“Nós podemos ficar em casa,” Hayes oferece, com a voz tremendo como se fosse chorar.
“Não, não, não. Vão se divertir, crianças. Eu vou ficar bem.” Ela acena com a mão. “Além disso, vou sair com a Kim.” Ela está falando da nossa tia.
“Se você tem certeza,” eu digo, arrastando as palavras.
“Claro.”
***
“Hazel. Você é minha melhor amiga,” Monica diz com a voz enrolada, pendurada no meu ombro.
“Eu sei,” eu dou uma risadinha, ajudando-a a se levantar e cambaleando um pouco também.
“Eu te amo. Mais do que eu amo o Cameron,” ela me diz.
“Eu sou bem mais legal que o Cameron!” eu rio enquanto nos sentamos em um dos troncos de frente para a fogueira.
“Quem é Cameron?” uma voz masculina ao meu lado pergunta, fazendo tanto Monica quanto eu pularmos de susto e cairmos na gargalhada.
“Ele é o amor da minha vida,” Monica diz com a voz enrolada, se inclinando sobre mim para falar com o desconhecido.
“Esta semana,” eu rio, olhando para o garoto.
Eu nunca o vi por aqui antes. E eu não estou dizendo isso só porque estou bêbada. Quer dizer, esse cara é gostoso pra caralho! Eu me lembraria de tê-lo visto.
Ele tem cabelo escuro e olhos claros, mas não consigo ver a cor direito por causa da iluminação ruim. Seu rosto parece tão simétrico e perfeito.
“Ah, o amor jovem,” ele ri, balançando a cabeça levemente antes de beber do copo vermelho em suas mãos.
“Por favor, me diga que você acredita no amor, porque essa vaca não tem coração,” ela diz, se inclinando ainda mais e derramando um pouco de sua cerveja na minha perna.
“Eu não sou não!” eu exclamo, limpando um pouco da cerveja grudenta, sem realmente me importar com aquilo.
“É sim! É só perguntar para o Hayes!” ela exclama alto, fazendo o desconhecido rir. “Eu vou atrás dele!” ela afirma antes de sair cambaleando.
“Você é novo?” eu pergunto para o desconhecido com a voz enrolada.
“Sou.” Ele acena com a cabeça, mas não oferece um nome.
“Azar o seu,” eu bufo.
“Ah, é?” ele sorri de lado.
“Sim! Esta cidade é tããão chata!” eu falo arrastado.
A cidade é muito pequena. Menos de cem pessoas moram aqui. A única coisa boa é a praia.
“A praia é legal,” ele comenta, acenando com a cabeça para o oceano como se estivesse lendo a minha mente, e eu ofego.
“Hazel! Hazel!” a voz de Monica chama enquanto ela e Hayes vêm cambaleando na nossa direção. “Conta para ela,” ela exige, empurrando meu irmão para se sentar entre mim e o desconhecido gostoso.
“Você é s-sem coração,” ele soluça, apoiando a cabeça no meu ombro antes de levantá-la rapidamente e olhar para o desconhecido. “Hayes,” ele se apresenta com um leve rosnado na voz que eu sei que mais ninguém teria notado.
“Asher.” Ele sorri, apertando a mão do meu irmão.
“Cadê os sapatos de vocês?” Monica grita, apontando para os meus pés e os de Hayes descalços.
Eu dou uma risadinha e enfio os dedos dos pés na areia macia. Quem usa sapatos na praia?
“Em casa,” Hayes resmunga, apoiando a cabeça de volta em mim. “É novo aqui?” ele grunhe para Asher.
“Sim.” Ele acena com a cabeça, sem oferecer mais nenhuma informação.
“Surfa?” ele pergunta. Segundo Hayes, se você surfa ou joga futebol americano, você está de boa no livro dele até que se prove o contrário.
“Nunca fiz isso.”
“Futebol americano?” ele zomba, claramente nem um pouco impressionado.
“Running back.” Hayes acena com a cabeça.
“Bayze,” eu choramingo.
“Bazel,” ele choraminga de volta.
“Minha bebida acabou,” eu faço bico, balançando meu copo vazio na cara dele.
Hayes revira os olhos, mas pega meu copo para ir enchê-lo. Bom garoto.
“Eu preciso de um desses pra mim,” Monica suspira, sentando do meu outro lado.
“Pode ficar com ele,” eu bufo de rir, revirando os olhos.
“Eu preciso muito beijar alguém agora,” ela geme, jogando a cabeça para trás, quase caindo do tronco.
“O Cameron está ali.” Eu aceno com a cabeça na direção do atleta que está de pé do outro lado da fogueira.
“Te amo!” ela grita antes de desaparecer pelo resto da noite, me deixando sozinha com Asher.
“Cadê os seus sapatos?” ele ri, acenando com a cabeça para os meus pés.
“Em casa. Quer dizer, quem vem para a praia usando sapatos?” eu pergunto, apontando para os chinelos dele.
“Para quando você for embora, seus pés estarem protegidos,” ele ri, se movendo no tronco para um pouco mais perto de mim.
“Não é necessário quando se mora na praia.” Tento piscar um olho, mas falho e apenas pisco de forma estranha.
“Você mora numa daquelas?” Ele assobia, olhando para todas as casas dos ricos.
“Ah, não, não vou te contar onde eu moro,” dou risada enquanto Hayes volta segurando três copos habilmente nas mãos.
“Toma,” ele resmunga, enfiando um nas minhas mãos e se espremendo entre mim e Asher. “Toma,” ele resmunga de novo, entregando o outro copo a Asher.
“Valeu, cara.” Ele acena com a cabeça, pegando o copo. “Do que estamos falando?” ele pergunta, erguendo uma sobrancelha para o cara novo.
“Sapatos,” digo enrolado, dando um grande gole na cerveja.
“Sapatos, cara. Quem precisa deles?” Hayes ri. “Onde a grandalhona foi parar?” ele resmunga, notando que Monica sumiu.
“Foi atrás do Cameron.”
“Rá,” ele bufa, virando metade de sua cerveja de uma vez, e nós caímos num silêncio estranho. “Entããão,” Hayes diz arrastado. “Running back, hein?” ele pergunta, virando-se de mim para Asher.
Eu paro de prestar atenção enquanto os dois garotos entram num papo sobre futebol americano.
Depois que eu termino minha cerveja, Hayes encosta a cabeça no meu ombro de novo, resmungando que está com sono. Eu suspiro, sabendo que é hora de ir para casa.
Mas, para ser justa, eu sabia que isso ia acontecer. Hayes nunca consegue lidar com o álcool tão bem quanto eu, e ele nunca pega ninguém na fogueira.
“Vamos lá, então,” eu murmuro, empurrando-o de mim e, em seguida, me levantando. Estendo as mãos para ele, e ele as segura para se erguer.
“Eu te amo,” ele murmura, passando o braço pelo meu ombro e beijando o topo da minha cabeça.
“É, é. Também te amo,” eu murmuro, tentando mantê-lo de pé.
“Precisa de ajuda?” Asher pergunta, me observando segurar meu irmão.
“Não. Eu dou conta,” eu dou uma risadinha e cambaleio.
“Já fez isso antes?” ele pergunta, erguendo uma sobrancelha.
“Praticamente todo fim de semana,” eu rio.
“Até mais, cara!” Hayes grita, como se nós já tivéssemos saído andando.
“Até,” Asher ri.
Enquanto eu arrasto meu irmão idiota, bêbado e pesado pela praia, minha mente volta para o novo desconhecido gostoso na praia. Há algo nele que me deixou intrigada.
Quem é ele?
















































