
Ao Cair da Noite: Edição Sr. Gibson
Author
Nureyluna
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Chapters
34
1: Capítulo 1
“Esta é uma reimaginação LGBTQ do Livro 1 de ‘When The Night Falls’ e não é cânone no universo de ‘When The Night Falls’. O Theodore neste livro não é o mesmo homem do universo principal.”
***
JASON
Theodore Jefferson.
Todo homem queria ser ele.
Toda mulher queria ir pra cama com ele. Porra, muitos homens queriam ir pra cama com ele também.
Ele era o homem mais poderoso dos EUA. Ninguém chegava nem aos pés dele.
Durante sua carreira, ele tinha ganhado bilhões de dólares, mas seus negócios permaneciam um grande segredo.
A fortuna dele, porém, não era nada comparada ao seu corpo.
Ele tinha um físico que faria os deuses gregos sentirem vergonha.
A foto dele estava nas capas de revistas de Berlim a São Francisco.
Mas sua atração sexual ia além de ser bonito.
Ele era um mistério — um enigma.
Ninguém tinha certeza de onde ele morava.
Se ele era casado, se tinha filhos, ou até mesmo se gostava de mulheres.
Qualquer fotógrafo que chegasse muito perto sumia de repente.
Que segredos se escondiam atrás daqueles olhos frios e perigosos?
“Jason, abra a porta! Agora!”
A batida forte na minha porta me fez dar um pulo. Joguei para o lado a revista Time com o rosto do Theodore Jefferson estampado na capa inteira.
Soltei um gemido. Eu conhecia a voz da pessoa batendo na minha porta; o próprio diabo estava ali.
Criei coragem e abri a porta do meu apartamento. Dando ao meu senhorio um sorriso sem graça, caí sentado no pufe, sabendo que ele não ia embora tão cedo.
“Pode se sentar. Não precisa agir como visita.”
Ele sentou no sofá de frente para mim. “Quando você vai me pagar?”
Adeus, simpatia.
“Alex, você já sabe da minha situação. Perdi meu emprego e a grana tá curta. Não tenho um único centavo na conta bancária”, eu disse, de cara amarrada.
Nunca na minha vida eu pensei que passaria por dias assim.
Eu tinha trabalhado como chef por um ótimo salário, mas meu chefe cuzão me ameaçou de demissão se eu não transasse com ele. Mesmo que ele estivesse no armário, nada justificava ele tratar as pessoas daquele jeito. Me encolhi um pouco, lembrando da maldade dele e de quanta pena eu sentia da sua esposa inocente — ela não fazia ideia de nada.
Antes que ele pudesse me demitir, eu me demiti, o que feriu o ego de macho dele. Por pura maldade, ele deu um jeito de garantir que eu não arrumasse outro emprego.
“Você já está três meses atrasado. Não tô nem aí se você tem emprego ou não, só quero o meu dinheiro. Se não pagar até o final do mês que vem, tá na rua.”
Suspirando fundo, balancei a cabeça tristemente. Ele se levantou e saiu pisando duro do meu apartamento.
Soltei um gemido enquanto pensava nas contas que precisava pagar, pois não tinha dinheiro suficiente para todas elas.
Minha geladeira vazia precisava urgentemente ser abastecida. Eu tinha ficado viciado em macarrão instantâneo, já que era a única coisa que eu podia pagar. Por que eu não juntei dinheiro naqueles meses todos em que estive trabalhando?
Porque você simplesmente tinha que comprar aquelas roupas todas.
Não sobrava nada para fazer a não ser chorar.
Meu celular começou a tocar em algum lugar na bagunça do meu apartamento. Procurei ao redor, consegui achá-lo e atendi antes que parasse de tocar.
“Alô?” Quem estava me ligando a esta hora?
“Olá, Sr. Gibson. Meu nome é Iris White. O motivo do meu contato é que temos um trabalho que acredito ser algo de que o senhor esteja precisando muito agora”, a mulher do outro lado disse.
Afastei o celular da orelha e verifiquei o identificador de chamadas. Não parecia ser uma ligação de golpe.
“Ok… Que tipo de trabalho é?”, perguntei. Eu não lembrava de ter me candidatado a nenhuma vaga ultimamente.
“Sr. Gibson, se você estiver livre, podemos nos encontrar? Eu prefiro explicar os detalhes pessoalmente.”
“Claro, acho que sim. Me mande o endereço.”
Assim que desliguei, recebi uma mensagem da mulher misteriosa. Se eu estivesse numa situação melhor, teria esquecido a ligação na mesma hora e nunca teria ido me encontrar com uma mulher qualquer que me ligou do nada.
Mas eu estava numa situação financeira desesperadora.
Lavei o rosto e vesti uma camisa branca de botões que coloquei para dentro da calça jeans. Passei a mão no meu cabelo ruivo e curto e, depois de calçar meus tênis confortáveis, saí do meu apartamento.
Por sorte, o endereço que a mulher misteriosa tinha me passado não ficava longe de onde eu morava, então eu tinha gasolina suficiente no carro para ir e voltar.
Quando cheguei lá, abri a porta da frente imponente e entrei numa pequena sala de espera. Mandei uma mensagem para a mulher, Iris, e me sentei.
Olhei em volta da sala de espera, já que não tinha muito o que fazer, e notei um TJ adornado esculpido na parede atrás da mesa de recepção. Parecia um tipo de logotipo.
Que tipo de empresa misteriosa era aquela? Eu nunca tinha visto um logotipo assim.
Logo, uma mulher esbelta vestindo roupas elegantes andou até mim. Fiquei impressionado com o jeito que ela se vestia; ela parecia muito sofisticada se comparada ao meu visual básico de calça jeans e tênis.
Eu me levantei quando ela estendeu a mão, e nós nos cumprimentamos.
“Eu sou a Iris. Que bom que você veio”, ela disse, dando uma olhada nas minhas roupas. Ela balançou a cabeça, parecendo aprovar.
“Bom, eu tive que vir, já que estou precisando muito de um emprego.”
Ela deu uma risada suave disso.
“Eu sei tudo sobre você, Sr. Gibson. O motivo pelo qual escolhi você para este trabalho é o seu trabalho anterior.”
Ela se sentou e cruzou as pernas, mantendo a postura bem reta enquanto falava comigo.
Algo naquela mulher me deixou curioso.
“Primeiro de tudo, que tipo de trabalho é esse?” Eu queria muito saber no que estava me metendo.
“Cuidar de uma criança.”
Eu olhei para ela como se ela tivesse perdido o juízo.
“Desculpe dizer isso, mas acho que você me confundiu com outra pessoa”, eu disse, começando a pensar que era hora de ir embora.
Ela sorriu para mim de um jeito manso. Isso foi meio assustador, na verdade.
“Você era chef e saiu do emprego por causa do seu gerente. Vinte e um anos de idade, nunca foi casado. Tem contas para pagar e o saldo do banco está negativo. Acertei tudo?”
Meu queixo caiu e a raiva subiu em mim. Como ela ousava investigar a minha vida pessoal?
“Olha, Srta.… Iris, eu posso estar sem emprego agora e posso ter contas para pagar, mas eu vou arrumar o emprego que eu preciso”, respondi.
“Eu não tenho interesse, nem preparo, para ser babá de ninguém,” eu continuei. “Ah, e a propósito, é crime perseguir alguém,” eu terminei indignado, me levantando para sair.
“Um milhão de dólares se você disser sim.”
Meu queixo caiu de novo, e eu lancei um olhar duro para a mulher.
“O quê? Você está de brincadeira? Um milhão de dólares para ser babá? Você perdeu o juízo, ou está tentando me fazer de palhaço?”
Iris ergueu uma sobrancelha e me deu um sorriso misterioso, como se estivesse gostando muito daquilo.
“Sr. Gibson, eu não estou tentando fazer você de palhaço. O trabalho de ‘babá’, como você chamou, inclui cuidar da comida do bebê e mais algumas outras coisas.”
“Tipo o quê?”
“Se você estiver pronto para aceitar o emprego, eu te conto as outras coisas.”
Pensei a respeito. Eu nunca tinha visto um milhão de dólares na minha vida inteira; não teria mais que trabalhar para chefes cuzões nem aturar senhorios ameaçadores se eu tivesse todo esse dinheiro. E ainda poderia abrir o meu próprio negócio.
“Ok”, concordei, e ela tirou uma pasta da bolsa e a colocou na minha frente.
“Este é o contrato. Ele diz que você vai cuidar do bebê a partir de amanhã, por pelo menos um ano.
“Você precisa se mudar imediatamente para onde o bebê está. Deve cortar todos os laços e sumir sem que ninguém saiba onde você está. Seu celular não é permitido, e você receberá um novo.”
“Mas… eu não posso ficar na minha própria casa? Posso dirigir até a casa da criança todos os dias.”
“Não, Sr. Gibson. É um assunto confidencial, então não posso dar mais detalhes no momento, mas nós não queremos que você fique viajando.”
Eu olhei o contrato e li as condições.
“Certo. Onde eu preciso assinar?” Assinei os papéis antes de me levantar.
“Nosso motorista estará na sua casa amanhã de manhã para te levar para a sua nova casa. Arrume tudo o que você precisa hoje à noite.”
Eu pedi licença e dirigi para casa para começar a fazer as malas.
Eu não precisava exatamente cortar laços com ninguém; não tinha ninguém de quem eu fosse tão próximo. Eu até tive alguns amigos no trabalho, mas eles sumiram depois que eu saí. Tinha saído com uns quatro caras, mas esses namoros duraram só algumas semanas, no máximo.
Metade dos caras da minha idade que eu conhecia estava se casando, e a outra metade estava fodendo e chupando o catálogo inteiro do Grindr. Eu, por outro lado, nunca tinha tido um namorado de verdade, nem sequer tinha transado.
Eu assistia a vídeos pornôs quando estava a fim e tinha alguns brinquedos sexuais, mas sempre fui muito tímido para usar, o que era uma merda.
Os beijos sem graça de alguns garotos sem graça do Tinder não eram nada comparados aos beijos que eu lia nos romances. Eu era louco por aqueles livros eróticos e de BDSM.
Parei de arrumar as coisas, e meus olhos se voltaram para a revista jogada no chão.
O rosto perfeito do Theodore Jefferson olhava para mim, e não consegui evitar um arrepio.
Eu estava mexendo nas minhas roupas e em outras coisas quando ouvi uma batida forte na porta, o que me fez pular.
“Eu vou ter dinheiro logo! Eu acabei de arrumar um emprego!” eu gritei.
Como não tive resposta, fui até a porta para mandar o Alex ir embora.
Quando abri a porta de vez, para minha surpresa, não era o meu senhorio lá fora.
Era a Iris, e dois homens musculosos de óculos escuros e ternos pretos estavam atrás dela, com cara de maus.
“Ei, Iris…”
“Espero não estar incomodando, Sr. Gibson. Eu me esqueci de te falar algumas outras coisas. Achei melhor avisar agora, se você estiver livre,” a Iris disse.
“Não, não… Eu só estava fazendo as malas, estou livre para conversar.”
“Ótimo. Não se esqueça de levar tudo o que é importante para você. Você não vai voltar para este apartamento.”
Eu apertei os lábios enquanto escutava a Iris.
“Hmm. Então, Iris, eu não vou poder visitar o meu apartamento se eu quiser? Digo, eu posso querer vir aqui nas minhas folgas,” eu disse.
“Eu entendo, Sr. Gibson. Peço desculpas, mas você assinou o contrato. Eu não tenho liberdade para dar detalhes no momento, mas você não vai poder voltar aqui. Espero que você entenda como é importante levar tudo o que você for querer com você.”
“Hmm… Tudo bem, Iris.”
Eu achei que ela fosse embora junto com os brutamontes assustadores dela, mas ela não foi.
“Ah, e Sr. Gibson. Por favor, não leve nada além das suas roupas, documentos importantes e coisas pessoais. Tudo o que você precisar será fornecido na casa. Você não precisa se preocupar com nada.”
Me sentindo um pouco inquieto, eu concordei com a cabeça.
Tentei fechar a porta, mas um dos guarda-costas cheios de músculos a segurou aberta com seu braço muito forte.
“E agora?” eu perguntei nervoso, olhando dele para a Iris.
Iris deu um sorriso de lado para mim antes de passar pela porta e entrar no meu apartamento.
“Temo que tenha havido uma mudança de planos. Você vai vir com a gente. Agora.”















































