
Aprendendo a Te Amar
Author
Shay Williams
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36
Capítulo 1
AVA
O som alto dos motores vibrava sob os dedos de Ava enquanto ela conferia sua lista novamente. A cabine cheirava a metal limpo e ar velho. Ela já tinha sentido esse cheiro muitas vezes antes. Fazia ela pensar em estar no controle.
Ao seu redor, os instrumentos piscavam sem parar. Eles não se importavam com a tempestade de pensamentos que ela mantinha escondida atrás de seus olhos calmos cor de avelã.
“Primeira oficial pronta”, ela disse. Sua voz estava firme. Não mostrava o nervosismo que sentia sob as costelas.
O voo de hoje não era apenas mais um trabalho. Era um teste. Todo voo era um teste, mas este era importante.
Seu capitão sênior tinha prometido recomendá-la para uma promoção em breve. Ela tinha passado anos trabalhando para este momento. Sabia exatamente quantos pousos perfeitos tinha feito e quantas horas tinha voado.
Tudo o que ela fazia era exato, cuidadoso e feito com um propósito. Não havia espaço para erros. Não agora.
O avião avançou, movendo-se com facilidade pela pista. Lá fora, a grande base aérea passava rapidamente — os hangares, a equipe de solo, o céu infinito que oferecia liberdade mas exigia disciplina.
Os olhos de Ava olharam brevemente para o horizonte, onde um grupo denso de nuvens pairavam como segredos esperando para serem revelados.
“Os ventos estão mudando”, ela disse baixinho, suas mãos repousando levemente no manche.
O Capitão Marcus Roberts estava sentado ao lado dela, olhos fixos nos instrumentos.
“Vamos dar conta”, ele disse. Sua voz era uniforme e curta. Ele era um homem que não desperdiçava palavras ou expressões.
Os motores ficaram mais altos, empurrando-os pela pista até que as rodas deixaram o chão. Por um instante, tudo fluiu sereno; a subida foi impecável e os instrumentos mantiveram-se firmes.
Ava entrou no ritmo, ajustando os interruptores com movimentos suaves. Aqui em cima, ela se sentia conectada a uma coisa que nunca a decepcionava: as regras do voo.
Então, a turbulência aconteceu.
A aeronave sacudiu para o lado, tremendo forte como se uma mão invisível tivesse batido em sua estrutura. Os passageiros fizeram sons de surpresa na cabine atrás deles.
Um som baixo de estresse encheu a cabine enquanto o avião inclinava novamente. O céu ficou imprevisível.
“Sinal de cinto ligado”, Ava disse rapidamente, sua voz afiada. “Tripulação de cabine, sentem-se.”
O avião caiu, depois subiu rápido demais. Ava apertou os dentes, lutando contra o impulso de corrigir demais. O manche tremia sob suas mãos e cada músculo em seu corpo ficou tenso enquanto ela ajustava o ângulo e a velocidade.
Outro impacto, mais forte desta vez, fez seu estômago cair. Suas palmas estavam úmidas, mas seu rosto permaneceu calmo.
Ela tinha treinado para isso. Ela vivia para momentos como este, para testar se conseguia manter a calma contra o caos.
A mão de Roberts se moveu perto de seus controles laterais mas não os tocou. Ele estava observando ela, sempre observando.
“Mantenha firme, Hayes”, ele disse. Calmo. Calmo demais.
“Eu tenho controle”, ela respondeu. Olhou para os medidores, a mente trabalhando rápido. Altitude mantendo. Motores estáveis. Era o ar em si que não estava estável. A tempestade acima da passagem da montanha os jogava sem piedade.
Ela suavizou a subida, virando para cortar o pior dela. Seu coração batia forte, mas suas mãos estavam firmes. O avião sacudiu forte o suficiente para chacoalhar os compartimentos superiores. Um som de alerta disparou, agudo em seus ouvidos.
Ava empurrou para baixo a onda de energia e manteve sua voz nivelada enquanto ajustava.
“O estabilizador está corrigindo.”
Por um momento, pareceu que a tempestade ia vencer — como se a aeronave fosse um brinquedo preso na mão de um gigante. Ela travou a mandíbula, recusando-se a deixar transparecer. Devagar, pouco a pouco, seus ajustes trouxeram a aeronave de volta ao equilíbrio. O tremor ficou mais suave. O nariz ficou nivelado.
O som alto do vento contra a estrutura se tornou um zumbido constante.
Ava soltou uma respiração lenta.
“Recuperado.”
Roberts deu um pequeno aceno, embora seus dedos permanecessem apertados um momento a mais no painel lateral antes de soltar.
“Nada mal”, ele disse. Seu tom mostrava aprovação, mas o pequeno curvar de seus lábios a fez se perguntar se ele tinha estado julgando seus nervos tanto quanto sua habilidade.
Ava se forçou a não reagir. Ela não precisava da aprovação dele. Ela precisava da assinatura dele.
Quando atingiram a altitude de cruzeiro, a turbulência era uma memória. Os passageiros se acomodaram, a cabine ficou quieta e o ritmo constante do voo retornou.
Mas a memória do olhar prolongado de Roberts permaneceu.
A turbulência era fácil. Você podia prever. Você treinava para ela, esperava por ela, corrigia ela.
Era tudo fora dos manuais que a deixava desconfortável — a suspeita crescente por trás dos silêncios de seu capitão, os sussurros que o seguiam pela base e o conhecimento de que todo seu futuro podia ser decidido pelo homem sentado no assento ao lado dela.
Quando tocaram o solo, o pouso foi suave — perfeitamente executado. Do tipo que não deixava espaço para críticas. O coração de Ava permaneceu uniforme, suas mãos leves nos controles. Uma vez que os motores desligaram, a tripulação saiu com sua conversa usual.
Ela ficou para trás para completar os registros, digitando com velocidade rápida. A assinatura do Capitão Roberts — ousada e angulada — estava na parte inferior do formulário de aprovação.
Mais um voo sob seu comando. Mais um acerto.
Ainda assim, a preocupação cutucava a borda de seus pensamentos. Se ele caísse, ela cairia com ele.
***
O ar estava quente com o som de conversas casuais, o tilintar de copos e uma playlist que estava quase alta demais. O lounge de recreação era parte bar, parte lanchonete, parte zona neutra.
Ava se apoiava contra uma mesa alta, bebericando uma ginger ale, enquanto Rina e Sam falavam sobre o voo com grandes gestos.
“Eu juro que metade da cabine achou que íamos cair”, Sam disse, balançando a cabeça. Seu cabelo arenoso estava espetado em tufos, como se ele tivesse passado as mãos por ele a noite toda. “Aquela turbulência bateu como um trem de carga. Você nem piscou, Hayes.”
Ava levantou uma sobrancelha.
“Você preferia que eu gritasse pelo interfone?”
Rina riu, seus cachos balançando enquanto ela se inclinava.
“Ela tem razão. Do jeito que você lidou com aquilo... calma, controlada, como se nada pudesse te tocar. Até o Roberts parecia estar agarrando o painel mais forte que o normal.”
Sam sorriu.
“Eu notei isso também. Primeira vez que eu já vi ele com os nós dos dedos brancos. Enquanto isso, a Ava aqui é gelo puro na cabine. Acho que sabemos quem eu quero voando se as coisas ficarem feias.”
Ava deu um sorriso apertado, mas não aproveitou o elogio.
“Não era gelo puro. Apenas treinamento. Você mantém a cabeça no lugar, confia nos instrumentos e faz o trabalho. Só isso.”
“Só isso”, Rina repetiu, revirando os olhos. “Escuta ela, Sam — como se ela não tivesse acabado de salvar o estômago de todo mundo e respondido provavelmente metade das orações deles.”
Sam riu.
“Não é à toa que o Roberts está te apoiando para a promoção. Se você é assim tão boa sob pressão, é só questão de tempo.”
Ava deixou as palavras passarem sem discussão, embora uma preocupação silenciosa cutucasse a parte de trás de sua mente. Elogio era bom, mas promoção não era sobre momentos. Era sobre política, assinaturas e o homem cujo silêncio durante aquela tempestade ainda permanecia em seus pensamentos.
Ela deixou a conversa passar por ela, meio ouvindo. O lounge de recreação parecia distante, como um lugar que ela só visitava com metade de sua presença. Ultimamente, tudo parecia assim — presa em um momento que ela não conseguia segurar direito. Sua promoção parecia tão perto quanto incerta, como uma porta esperando para fechar se ela cometesse um erro.
De uma mesa próxima, alguém sussurrou um pouco alto demais.
“Dizem que alguém da unidade de investigação estava perguntando sobre ele. Você acha que é verdade?”
O corpo de Ava parou antes que seu rosto pudesse reagir.
Rina olhou para lá, depois baixou a voz.
“Não liga para eles. Rumores voam mais rápido que nossos jatos. Alguém provavelmente viu um cara de terno e achou que era um agente.”
Sam se inclinou, casual mas curioso.
“Ainda assim, se alguém está investigando o Roberts, isso acaba com a carreira. Até para você.”
Os olhos de Ava caíram para seu copo. Sua voz saiu equilibrada, mas quieta.
“Eu não lido com rumores. Eu lido com desempenho. E ele é o melhor que temos.”
Houve um silêncio curto. Rina mudou de assunto — algo sobre drama de moradia na base — e o momento passou.
Mas a mente de Ava permaneceu travada naquele sussurro ouvido por acaso. Seus pensamentos voltaram para o silêncio do capitão durante o voo. O jeito que ele tinha esperado antes de assinar o relatório. Havia algo em seus olhos.
A noite se prolongou. Ava permaneceu principalmente quieta, deixando seus colegas de trabalho conversarem ao seu redor. Eles não notaram sua distração. Eles nunca notavam.
Quando ela saiu do lounge, a noite estava fresca e quieta. Os hangares ficavam à distância, suas sombras se estendendo longas pelo cascalho. O Porsche 911 preto-azulado brilhava sob as luzes amarelas do estacionamento.
Deslizando para o banco do motorista, Ava envolveu suas mãos ao redor do volante de couro e ligou o motor. O ronronar confiante encheu o ar, ancorando-a em seu som familiar. Ela saiu do estacionamento e entrou na estrada aberta, trocando as marchas suavemente, o carro respondendo ao seu toque como se conhecesse seu humor.
As luzes da cidade passavam borradas, seu reflexo piscando no vidro das vitrines e no brilho dos semáforos. Dirigir para casa assim era seu pequeno ritual — janelas abertas apenas o suficiente para deixar o ar da noite entrar.
Uma mão repousava firmemente no volante, a outra tamborilando levemente contra a alavanca de câmbio. Era a única parte do seu dia quando ninguém podia questioná-la, ninguém podia controlá-la.
Esta noite, enquanto os pneus zumbiam contra a estrada, Ava se permitiu respirar. Por alguns minutos preciosos. Apenas ela, seu carro e a liberdade da estrada se estendendo à sua frente. Depois de alguns minutos, ela chegou ao seu destino.
Ela pensou na voz de seu pai adotivo. Controle o que você pode. Deixe o resto ir.
Mas, e se o que você não podia controlar, te derrubasse?
Ela apertou o volante. Ela não tinha medo de cair.
Ela tinha medo de cair por causa do erro de outra pessoa.
***
Ela pausou do lado de fora do seu apartamento, dedos permanecendo no teclado antes de finalmente entrar. O apartamento de Ava era pequeno mas eficiente. A cama no canto estava arrumada com lençóis cinzas, uma manta dobrada aos pés.
Uma estante fina funcionava como armazenamento e exposição. Manuais de aviação alinhados ao lado de um modelo de aeronave e uma foto emoldurada dela e seu pai adotivo.
Perto da janela, sua mesa estava impecável exceto por uma pilha de registros de voo e um caderno de desenho com um lápis preso à capa. A cozinha compacta brilhava com aço inoxidável, uma máquina de café ocupando o lugar de destaque.
Era minimalista, ordenado — exatamente como ela gostava — mas suavizado pelo leve aroma de cedro e lavanda e pela luz quente derramando da cidade além de sua janela.
Ava sentou na beira de sua cama, entrelaçando e desentrelaçando os dedos. Ela queria acreditar que Roberts era intocável. Que se ela mantivesse o curso, tudo pelo que ela trabalhou se manteria.
Mas havia coisas demais que ela não podia controlar agora. Sombras demais fora de sua vista. Se algo estava vindo para o Capitão Roberts, ela não podia parar. Mas ela podia se manter limpa.
Só mais um pouco.

















































