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Em Meio ao Caos

Capítulo Três

Rebecca

“Nate, eu juro que vou te matar quando você sair. Vou me atrasar no meu primeiro dia” disse baixinho, andando de um lado para o outro em frente à porta do banheiro. Nate estava demorando uma eternidade para terminar o banho.
“Calma, baby girl. Sou eu quem vai te levar” disse alto, a voz ecoando nas paredes do banheiro. Revirei os olhos com esse novo apelido.
“Se apressa, ou vou derrubar essa porta” disse, ficando irritada e impaciente.
“Você sabe que eu abro a porta se não se importar em me ver pelado” respondeu, as palavras fazendo meus olhos se arregalarem. Pelado? Balancei a cabeça, tentando parar de pensar nisso.
“Eca, só sai logo!” implorei. A porta se abriu de repente, revelando o peito e abdômen molhados de Nate. Ele estava usando apenas uma toalha, o cabelo ainda pingando do banho. Ah, me fode.
Tinha um sorriso orgulhoso no rosto enquanto caminhava na minha direção.
“Pelo jeito que você está me olhando, acho que não quis dizer “Eca”, Becca” disse, a voz baixa e rouca. Passou por mim, o ombro tocando o meu. Soltei um suspiro que não sabia estar segurando.
Isso era novo. Nate nunca agia assim comigo. Será que estava só brincando? Decidi não pensar muito nisso e corri para o banheiro. Estava atrasada.
Rapidamente vesti um vestido azul que ia até os joelhos e escovei o cabelo. Passei um pouco de maquiagem, mantendo simples, e me olhei no espelho.
Satisfeita com minha aparência, peguei minhas coisas e saí para encontrar Nate, agora completamente vestido e parecendo muito bonito e formal.
“Nem pensa” disse baixinho, comendo cereal com uma colher enquanto eu tentava não sorrir. Nunca tinha visto ele de roupa social antes.
“Você fica bem de roupa social, Wilson” disse, me servindo de cereal.
“Queria poder dizer o mesmo” respondeu, mostrando a língua de forma brincalhona. Revirei os olhos enquanto ele voltava a olhar o celular. Comemos em silêncio, nos olhando de vez em quando.
Logo, estávamos no carro.
“Boa sorte, Becca. Arrasa” disse, me puxando para um abraço. Retribuí, aproveitando a sensação calorosa dos braços dele. O abraço durou um pouco mais que o normal, e quando finalmente me soltou, me senti triste.
“Tchau, Nate” disse, dando um sorriso. Estava prestes a sair do carro quando ele segurou minha mão, me impedindo. O toque dele me deixou animada. Virei para vê-lo me olhando.
“Ahh... estava brincando antes. Você está linda” disse, dando um pequeno sorriso. Meu coração acelerou, e me esforcei para não ficar vermelha.
“Me conta uma novidade” respondi, jogando o cabelo para parecer descolada. Ele riu, bagunçando meu cabelo com a mão.
“Você sabe o quanto eu odeio quando você faz isso, Nate” disse, tentando arrumar o cabelo.
“E você sabe o quanto eu amo te irritar” disse, piscando para mim. Balancei a cabeça, sorrindo mesmo sem querer, e saí do carro.
Enquanto o via ir embora, me senti esperançosa. Talvez eu devesse dar o primeiro passo.
Sim, claro. Se ao menos eu fosse tão corajosa.
Entrei no prédio da escola, um grande sorriso no rosto. Estava animada para começar a ensinar as crianças. Depois que a diretora me explicou as regras básicas e como as coisas funcionavam, caminhei até minha sala de aula.
“Olá a todos, sou a nova professora de vocês. Podem me chamar de Srta. Thompson ou Becca” disse, dando um sorriso amigável. Eles me olharam como se eu fosse um bicho de sete cabeças.
Não foi a pior reação.
Tentei deixar minha voz mais amigável, menos assustadora. Depois de uma hora ou mais, vi alguns sorrisos.
Essas crianças eram tão fofas.
“Então nossa primeira aula hoje vai ser desenho” disse, virando para escrever no quadro. Ouvi algumas vozes baixas atrás de mim e virei para ver todos olhando para a porta. Uma garotinha estava lá, parecendo assustada.
“Olá” disse, me abaixando até a altura dela.
“Oi” disse com uma voz muito baixinha. Era adorável.
“Sinto muito por ela estar atrasada no primeiro dia. Estávamos procurando as meias favoritas dela e não tivemos tempo suficiente” disse uma voz grave acima de mim. Olhei para cima e vi um homem da minha idade com cabelo castanho bagunçado e lindos olhos azuis. Estava usando uma camiseta branca justa e calça cargo.
Percebi que estava encarando e rapidamente voltei a olhar para a garotinha.
“Tudo bem. Você é irmão dela?” perguntei, tentando manter a voz normal.
“Ah não, sou o pai dela” disse, rindo. Meus olhos se arregalaram de surpresa.
“Nossa” disse sem pensar. Ele pareceu divertido. “Ahh... quer dizer... vou cuidar dela. Ela vai ficar bem” disse, dando um sorriso constrangido.
“Muito obrigado. Ela não vai se atrasar de novo, Srta...”
“Thompson. Rebecca Thompson.”
“Xavier Philips” disse, estendendo a mão. Apertei, sentindo algo com o aperto firme dele. Rapidamente puxei minha mão de volta, o coração batendo rápido no peito.
“Prazer em conhecê-lo” disse, colocando uma mecha solta de cabelo atrás da orelha, me sentindo nervosa enquanto ele continuava me olhando. Estendi a mão para a garotinha, que olhou para o pai.
Ele se abaixou, dizendo algo para ela em voz baixa. “Seja uma boa menina, Hannah” disse, puxando-a para um abraço caloroso e beijando as bochechas roliças dela. Ver isso me deixou quentinha por dentro, e ele finalmente se levantou.
“Até mais, Srta. Thompson” disse, um sorriso atraente nos lábios antes de virar para ir embora. Soltei um suspiro, o coração batendo rápido no peito.
Bom, ele era um pai gostoso!
Droga, eu realmente precisava transar. Afastei os pensamentos errados e me abaixei para olhar os grandes e lindos olhos da garotinha.
“Então, Hannah, que nome lindo. Por que você não procura um lugar para sentar e podemos começar a desenhar?” disse, sorrindo para ela. O rosto dela se iluminou.
Ela acenou animada e saiu correndo para encontrar um lugar. Não pude deixar de sorrir com a fofura dela enquanto continuava com a aula. O resto do dia passou voando, cheio de risadas e arte.
Nada mal para um primeiro dia!
Quando as aulas terminaram, decidi chamar um táxi já que Nate só terminaria o trabalho às seis. Enquanto esperava, uma caminhonete parou e Xavier saiu.
Hannah correu na direção dele, e ele a pegou num grande abraço. Observei os dois, um sorriso nos lábios vendo como estavam felizes. Uma sensação de tristeza me atingiu. Nunca tinha conhecido o que era ter um pai.
Xavier parecia ser um pai maravilhoso, e fiquei feliz que Hannah o tivesse na vida dela. Piscando para conter as lágrimas, me virei antes que pudessem me ver. Nesse momento, um táxi parou e entrei.
No caminho para casa, me peguei pensando se algum dia teria um relacionamento com Nate, e talvez até ter filhos com ele um dia. Sabia que era um pensamento louco, mas queria essas coisas com ele.
Sei que pode parecer bobagem, mas eu queria a história de amor perfeita. Droga, eu era uma virgem de vinte e três anos que nunca tinha tido um relacionamento porque estava esperando meu melhor amigo me notar.
Percebi como soava patética e limpei com raiva as lágrimas que tinham caído pelas bochechas.
Meu Deus, quando eu teria meu “felizes para sempre”?
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