
Barriga de Aluguel Livro 2
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Um Conto Tão Antigo Quanto o Tempo
Livro 2: Estritamente uma Confusão de Natal
“Estou aqui”, Sebastian sussurra no ouvido de Peyton, dando um beijo suave na lateral de sua cabeça. “Você pode falar comigo ou não, mas eu estou aqui.”
Eles estão deitados juntos na cama, com o olhar de Peyton fixo no jardim além das portas de vidro. Os braços de Sebastian estão em volta dela, uma presença reconfortante apesar do silêncio.
As lágrimas já secaram em seu rosto há muito tempo. Sebastian já pegou no sono duas vezes.
Ela sabe que deveria ter esquecido essa dor há muito tempo. Mas a ideia de enfrentá-la, em vez de apenas conviver com ela, parece estranha agora.
Deixar para trás esses momentos em que a dor toma conta... Para Peyton, parece que isso tornaria a perda definitiva. O bebê dela realmente teria ido embora.
Esses momentos de fraqueza fazem ela sentir que não tem problema estar destruída. Já se passaram anos? Sim. Mas não importa o quanto Sebastian a tranquilize, a mente dela sempre dá um jeito de voltar para a dor.
Hoje faz sete anos que Peyton perdeu o bebê que estava esperando. Ela também perdeu a chance de ter mais filhos. Desde então, ela e Sebastian criam Sasha como filha única.
Às vezes, uma criança solitária.
Adoção não foi uma opção. Não porque eles não quisessem, mas por causa de momentos como esses. Sebastian sempre diz que se a dor ainda não passou, Peyton deveria se concentrar em se curar antes de pensar em outro filho.
O mesmo vale para barriga de aluguel.
Peyton entende o motivo dele. Ela sabe que Sebastian tem razão. Mas ela não quer enfrentar a dor. Se ela enfrentar, não vai mais sentir isso. E isso significaria que o bebê dela realmente se foi.
“Mamãe”, a voz de Sasha interrompe seus pensamentos. A porta range ao se abrir um pouco, e Peyton se senta rapidamente. Ela não havia percebido que a babá já tinha buscado Sasha na escola.
Peyton sorri para a filha, chamando-a para perto. Sasha sobe na cama e se acomoda de frente para a mãe. Vendo a preocupação no rosto de Sasha, Peyton coloca uma mecha solta de cabelo atrás da orelha dela.
“O que foi, querida?” Peyton pergunta, com a voz suave.
“Tem alguém no telefone. Estão chorando e disseram que precisam falar com você”, Sasha responde, estendendo o telefone para Peyton.
O coração de Peyton falha uma batida quando ela vê o nome na tela. Ela pega o telefone de Sasha, com um calafrio percorrendo sua espinha. “Mikayla”, ela atende, já sabendo como essa conversa vai ser.
“Sra. Coleman”, a voz de Mikayla treme do outro lado da linha. Peyton espera ela terminar. “A senhora vai ter que vir para limpar tudo.”
Peyton solta a respiração que não sabia que estava prendendo. Ela esperou muito tempo por isso. Agora que chegou, ela mal consegue acreditar. “Irei o mais rápido que puder”, ela promete, encerrando a ligação.
“Quem era, mamãe?” Sasha pergunta.
Peyton sorri para a filha. “Não era ninguém importante.”
“Você já fez a sua lição de casa?” Peyton pergunta.
Sasha balança a cabeça negativamente, olhando para o pai adormecido com um sorriso. “A Monique ainda está preparando o nosso almoço”, explica Sasha.
Peyton faz um som de entendimento, piscando para Sasha. “Perfeito. Vá fazer o que precisa fazer. Vou acordar o papai antes de descermos.”
Sasha não questiona a mãe. Ela sai apressada do quarto, animada com a perspectiva de comer o misto-quente de Monique no almoço.
Por que a necessidade de uma babá? Desde que se casou com Sebastian, a vida de Peyton mudou drasticamente. Ela participou de inúmeras festas de gala, conheceu pessoas incríveis e até se tornou estilista de moda. Agora ela é dona do próprio estúdio e de uma loja de noivas. Mas com todos os desfiles e as exigências de administrar o próprio negócio, eles precisaram de ajuda.
Peyton volta a olhar para Sebastian, com um sorriso brincando em seus lábios. Ele parece tão em paz quando está dormindo. É uma das coisas que ela mais gosta de observar.
Ela consegue ver as marcas da idade no rosto dele. As rugas ao redor dos olhos, as linhas na testa. Mas eles ainda são jovens, e ela está animada com o que o futuro reserva.
“Querido.” Peyton balança Sebastian suavemente para acordá-lo. Demora alguns minutos, mas quando ele finalmente abre os olhos, a recebe com um sorriso e um selinho nos lábios.
“Você parece melhor”, ele diz, e ela assente em resposta.
Sebastian se senta, erguendo uma sobrancelha para Peyton. “Tudo bem?” ele pergunta.
O som evasivo de Peyton o leva a perguntar de novo. “Peyton.” Ele estica o braço, colocando a mão no ombro dela. Ela finalmente conta o que está acontecendo.
“A Mikayla ligou. Ela disse que preciso ir limpar a casa.”
Sebastian é pego de surpresa, mas não pode dizer que não esperava por isso. “Certo. Bem, então, nós vamos lá e limpamos tudo”, ele diz simplesmente.
Peyton aperta os olhos para ele. “Você entende o que isso significa? Eu tenho que voltar para aquele lugar e encarar todos que sabiam o que estava acontecendo, mas não fizeram nada a respeito por causa do dinheiro.”
Sebastian chega mais perto de Peyton, passando os braços em volta dela. Ele beija a lateral de sua cabeça. “Escute, nós podemos ir todos juntos. Ficaremos lá por alguns dias, empacotamos a casa, resolvemos as questões da herança, depois colocamos à venda e voltamos para casa. Mamão com açúcar. E todo mundo que nunca se importou vai ver o gostosão com quem você está agora.”
Peyton dá um tapa de brincadeira nele, com um sorriso no rosto. “E a Sasha?” ela pergunta.
Sebastian olha para ela como se ela estivesse louca. “Meus pais vão adorar ficar com ela por alguns dias.”
A presença dele conforta Peyton, e a capacidade dele de fazer tudo dar certo é ainda mais tranquilizadora. “Então é isso mesmo, não é?”
Sebastian a abraça com um pouco de força. “Finalmente aconteceu.”
“Nunca pensei que sentiria alguma coisa quando eles batessem as botas, mas acontece que a morte de pais péssimos pode ser um alívio.” Os pais de Peyton haviam passado seus últimos anos tentando consertar os danos que causaram ao seu jovem coração. Eles até foram ao ponto de deixar tudo para ela no testamento.
Eles achavam que isso poderia compensar seus erros do passado. Mas, nas raras vezes em que Peyton os viu, ela não conseguia se imaginar sendo filha deles. Perdoá-los foi fichinha, mas amá-los? Aí já eram outros quinhentos.
Agora, com eles a sete palmos de terra, tudo o que eles tinham é dela. Ela não se importa nem um pouco com isso. Mas ela não consegue afastar a sensação de que o mundo está um pouco melhor agora.













































