
Bela Tentação
Autor
Jessica Carter
Leituras
18,1K
Capítulos
31
Capítulo 1
EVERETT
Saio do elevador no meu andar e noto que não há funcionários em suas mesas. Todos estão amontoados ao redor da mesa de outro funcionário. Eu me pergunto o que os deixou tão interessados.
“Meu marido disse que é gordura de bebê”, ouço a Amy dizendo a todos.
“Não, é só gordura, bebê.”
Olho rapidamente para a parte de trás da cabeça da Tameka. Ela é a única estagiária no meu andar. Ela só pode estar de brincadeira, porra. Faço um som de frustração e esfrego as têmporas.
Não posso deixar que ela receba mais uma reclamação. A Priscilla, do RH, já está pegando no meu pé para demiti-la.
Marcho em direção à multidão, meus sapatos estalando ameaçadoramente contra o piso liso do escritório. “Chega!” eu grito mais alto do que pretendia, mas funciona. As cabeças se viram, com os olhos arregalados, enquanto eles se espalham de volta para as suas respectivas mesas como pombos assustados, exceto Tameka, que apenas fica lá com um sorriso brincando em seus lábios.
“O que está acontecendo aqui?” eu exijo, minha voz fria como gelo, apesar do fogo queimando no meu peito.
“Apenas uma brincadeira divertida, chefe”, a Tameka diz arrastado, sua voz pingando uma falsa inocência que não engana ninguém.
Eu a encaro com uma expressão irritada. “Para a minha sala. Agora.” Isso é uma ordem.
Ela revira os olhos, mas me segue obedientemente. Assim que a porta dá um clique atrás de nós, eu me viro para ela. “O que diabos você acha que está fazendo, Tameka? Você já está pisando em ovos.”
Eu geralmente não sou uma pessoa muito séria, mas ela me faz agir assim. Ela me deixa louco.
“Foi uma piada — mais ou menos.” Ela sorri para mim, seus cachos loiros acastanhados balançando descontroladamente enquanto ela pula na mesa.
Ela se vira ligeiramente. Eu desvio o olhar; sei aonde ela está tentando chegar com isso e, em alguns dias, penso em deixá-la me levar até lá. Tameka é uma beleza, mas o inferno de salto alto.
Falando em saltos, hoje ela está usando os verde-esmeralda — uma das minhas cores favoritas nela, pois complementa sua pele marrom-dourada.
“Sente-se em uma cadeira, por favor.” Eu limpo a garganta.
“Por quê? Você está com medo de que eu caia, ou está pensando em...”, ela diz, arrastando as palavras. Minha mente já vai logo pensar besteira.
“Tudo bem”, eu retruco. “Fique aí em cima.”
Ela ri baixinho. Tenho certeza de que ela ainda vai me dar muito estresse.
“Então, o que foi?” ela pergunta inocentemente.
“O que eu te disse sobre dizer coisas ruins?”
“Eu não dou em cima de você há uma semana. Do que você está falando?”
Eu não acho que já demonstrei a percepção de que queria cruzar a linha com ela. Deixei claro que ela é a funcionária e eu sou o chefe; misturar negócios com prazer não é o ideal para mim. Como diz o ditado: você não caga onde come.
Não sei se ela está brincando, mas é uma batalha constante. Estou morrendo de vontade de ter o que quero com ela, mas não sou mais assim.
“Não estou falando de mim. O que você disse para a Amy, aquilo foi errado.”
“Ah, qual é.” Ela se apoia nos cotovelos. “Como se ela não tivesse pedido por isso.”
“Ela não pediu.” Eu balanço a cabeça. “Você tem que começar a respeitar os mais velhos e lembrar que este é um local de negócios, não um bar de esquina.”
“A Amy literalmente senta na mesa dela e come como se o mundo estivesse acabando, e depois fala merda sobre as outras pessoas também. Só na semana passada, ela gritou com a Lorraine e disse umas merdas muito racistas. A Sra. Rainey é uma senhora tão adorável. Ela não a denunciou e me implorou para também não dizer nada, o que não vou dizer, então não pergunte.
“Então, chamar a Amy de gorda foi eu sendo gentil. Eu poderia tê-la chamado de a porra de um hipopótamo gordo e faminto.” Ela revira os olhos, ficando toda alterada. “Mas eu não fiz isso porque estava sendo legal.”
“Tameka, você está aqui há apenas oito meses e já recebeu mais de uma dúzia de reclamações. A Priscilla quer chutar a sua bunda daqui e você não está ajudando, especialmente sendo uma estagiária. Não posso continuar colocando o meu pescoço em risco por você. Você deveria ter tido um pouco mais de autocontrole e não ter dito nada. E se o RH ou o CEO decidissem fazer uma visita ao meu andar? Você estaria no olho da rua.”
A coisa boa sobre a Tameka é que ela é muito boa em trabalhar com nossos produtos. Ela trabalha duro para contatar os clientes com pesquisas e ofertas especiais. Ela tenta resolver qualquer problema que possa fazer a empresa perder clientes.
De todos os trabalhadores na equipe de produtos, ela é a única disposta a ir às lojas e aos armazéns para fazer trabalho físico. Ela seria uma ótima funcionária para se manter após o fim do estágio. Mas nós temos que fazê-la parar de dizer coisas ruins.
Pulando da mesa, ela caminha até mim. Dou alguns passos para trás, batendo na parede, enquanto Tameka diminui a distância entre nós e olha para mim com um sorriso malicioso.
“Você sabe onde eu adoraria colocar a minha bunda?” ela ronrona, agarrando as lapelas do meu paletó.
Meu coração bate forte contra o peito, soando alto na tensão silenciosa que se estende entre nós. Engulo em seco, e minha voz não passa de um sussurro baixo enquanto tento manter alguma aparência de autoridade. “Tameka, este não é o lugar — nem a hora — para esse tipo de conversa.”
“Mas poderia ser”, ela rebate rapidamente, as pontas de seus dedos roçando levemente no tecido do meu paletó como se estivesse jogando um jogo de xadrez particularmente ousado. “Esqueça o RH. Esqueça a Priscilla. Somos só você e eu aqui, não?”
Pressiono minhas costas ainda mais contra a parede fria. A parte racional de mim grita para afastá-la, para redesenhar essas linhas profissionais com traços fortes e inconfundíveis; no entanto, há essa outra parte — a que está afogada no perfume dela e presa por aqueles olhos penetrantes — que quer se inclinar para mais perto.
“Tameka”, começo de novo, minha voz mais firme desta vez, tentando afastar os pensamentos imprudentes. “Você é talentosa, até brilhante. Não estrague isso com... seja lá o que for isso.”
Ela ri, um som que parece dançar zombeteiramente pela sala. “Arruinar as coisas é uma questão de perspectiva.” Ela aperta o meu paletó por um instante antes de soltar, dando um passo para trás, mas ainda mantendo meu olhar cativo. “Eu só estou dizendo o que todo mundo tem muito medo de dizer em voz alta.”
Há uma batida repentina na porta antes que ela se abra.
Meu melhor amigo Tristan espia para dentro da sala. “Ei, você tem um minuto?” O Tristan olha para nós dois e levanta a sobrancelha para fazer uma pergunta silenciosa.
“Sim, só terminando aqui”, consigo dizer, ajeitando o meu paletó e limpando a garganta. Tameka dá mais um passo para trás, seu sorriso malicioso desaparecendo em um sorriso mais profissional, como se estivéssemos discutindo relatórios trimestrais em vez de flertando com o desastre.
“Você tem razão, Sr. Sawyer. Eu nunca deveria ter dito aquilo para a Amy. Vou me desculpar com ela quando ela voltar do almoço; prometo que isso não vai acontecer de novo”, ela diz docemente antes de se virar para a porta. “Ei, Sr. Beckett, amei a gravata.” Ela sai saltitando do escritório.
Maldita mulher-diabo.
O Tristan entra e fecha a porta atrás de si. “Você tem certeza de que está tudo bem?” ele pergunta.
“Sim, só repreendendo uma funcionária”, minto. Repreender e Tameka não entram na mesma frase. O que ela precisa é de um tipo diferente de disciplina que minha mão coça para apresentá-la, mas bater em uma funcionária é malvisto.
Se a Tameka soubesse que eu a quero tanto quanto ela me quer, ela continuaria tentando até eu ceder. Ela está quase me fazendo ceder sem nem saber disso.
“Não me insulte”, ele zomba. “Você, repreendendo aquela diabinha? Nunca. Você ama esse joguinho de gato e rato com ela. Tudo bem, você não vai cruzar a linha, mas se ela forçar o suficiente... Temo, Evie, que você vá ceder. É sabido que ela já quer dormir com você.”
Certo, como pude esquecer isso? Durante a terceira semana dela aqui, eu estava saindo do trabalho, e a Tameka estava do lado de fora do prédio no telefone, falando alto sobre o quão sexy eu parecia e como ela queria que eu a fodesse até ela perder os sentidos. Daquele dia em diante, tenho tido cuidado com o que digo ou faço perto dela.
O sorriso malicioso de Tristan é tão afiado quanto o fio de uma faca, cortando a tensão. “Não finja que isso não o deixaria excitado, Evie. O perigo, o sigilo — é bem a sua cara.”
Faço uma careta, odiando como ele consegue me ler tão bem. “Não é tão simples”, digo, recostando-me na mesa de vidro fria. “Você conhece a política—”
Ele me corta com um aceno de mão indiferente. “Por favor, políticas são apenas diretrizes. Além disso, você é o chefe aqui. Quem vai desafiá-lo?”
A ideia tem um apelo perigoso, como um fruto proibido balançando bem ao meu alcance. Mas é imprudente, absurdamente arriscado. “Bem, não vai acontecer. Ela é muito nova para mim.”
Tristan ri, aquela risadinha profunda e conhecedora que me diz que ele não acredita nisso nem por um segundo. “Idade é só um número, Evie. É tudo uma questão de química, e vocês dois? Vocês têm fogos de artifício prontos para iluminar o céu.”
Balanço a cabeça, tentando dissipar as imagens vívidas que as palavras dele conjuram. O escritório, tarde da noite, mesas e sombras, sussurros em meio ao silêncio. Não, não posso me dar ao luxo de chegar a esse ponto.
Não com a Tameka. Não com ninguém.
“Mas não se trata apenas do que eu quero”, eu rebato, minha voz mais firme. “Há uma linha que não podemos cruzar. O profissionalismo tem que vir em primeiro lugar.”
“Desde quando essa é a sua regra de vida?” ele brinca.
“Ela é imprevisível e muito inapropriada.” Faço uma pausa, olhando para ele. “Duas das qualidades que menos gosto em uma mulher.”
“Se você tivesse dito isso dez anos atrás, eu o chamaria de mentiroso, mas meu querido Evie cresceu. Você sabe que a minha melhor amiga, Antonella, está solteira. Talvez você possa ligar para ela? Chame-a para sair, pague um bom jantar e um vinho, mas você não vai dormir com ela.”
“Então, qual é o motivo para levá-la para jantar?”
“Babaca. E a Hyejin, então? Ouvi dizer que ela chegou à cidade ontem, ou pode ser hoje à noite, e todos sabemos que ela o quer. É uma vitória para você. Ela não é mais a babá dos filhos da Charlotte e já tem idade suficiente para beber. Dê uma ligada para ela.”
Vejo uma sombra projetada debaixo da porta e não é preciso ser nenhum gênio para saber que Tameka está bisbilhotando.
“Você tem razão. Eu vou ligar para ela agora.” Talvez seja disso que eu precise, transar. No entanto, preciso que a Tameka entenda que eu e ela nunca vamos acontecer.
A porta do escritório recebe um chute, e a Tameka me chama de babaca. Eu prometo que vou demitir essa garota.
***
Olho para a minha mesa enquanto meu celular vibra; ele tem vibrado pelos últimos quinze minutos e, em cada uma das vezes, eu o ignorei.
Minha mãe tem pegado no meu pé para eu sossegar e, a cada vez, eu tinha uma desculpa do porquê não tinha tempo. Prometi a ela no ano passado que eu iria me casar, mas que encontraria a mulher eu mesmo. Minha mãe tem uma lista cada vez maior de mulheres — potenciais candidatas a nora.
Não sei por quanto mais tempo poderei adiar isso; se eu pudesse adiar para sempre, eu o faria. Mulheres não são confiáveis.
Elas só querem uma de duas coisas: o seu dinheiro ou sexo. Já fui traído antes e não vou permitir que isso aconteça de novo.
O meu telefone de trabalho apita, e a voz da minha assistente soa. “Chefe, a sua mãe está na linha um, e ela disse que, se você continuar a ignorá-la, ela vai voar para a Geórgia. Devo transferir a ligação?”
Abaixo a cabeça enquanto esfrego as têmporas. “Transfira a ligação.”
“Everett!”
“Olá para você também, mãe.”
“Ah, não venha com olá para mim. Por que você não está atendendo o seu telefone? Você está me ignorando?”
Sim. Sim, eu estou. “Não, mãe, eu não estou. Só andei ocupado; estamos nos preparando para os feriados. Todo ano, fico ocupado nesta época. Tenho uma reunião em cinco minutos. Como posso ajudá-la?”
“A minha amiga tem uma filha que vai visitar a Geórgia em algumas semanas. Eu disse a ela que você iria...”
Há uma batida na minha porta.
“Um minuto, mãe.” Eu coloco o telefone no mudo. “Entre.”
Tameka entra, seus lábios curvados em desgosto; ela tem pastas em um braço e sua bolsa na outra mão, e eu aceno para que ela entre. “Eu queria deixar os arquivos sobre as vendas do Perfume Clo antes de sair. Eu tenho—”
“Ele é o cara perfeito para ela. O meu filho é um dos fundadores do Opal Group”, a minha mãe diz para outra pessoa. “Ele pode não parecer, mas ele adora um romance.”
Eu pego o telefone e desligo o mudo. “Mãe, eu preciso ir. Além disso, por favor, não tente arranjar encontros às cegas para mim. Eu já estou em um relacionamento sério.”
“Quem é ela? Quantos anos ela tem? Ela trabalha com você? Ela trabalha para você?” a minha mãe pergunta muito rápido.
A Tameka anda lentamente em direção à minha mesa e coloca os arquivos lá.
“Ela trabalha para a empresa”, eu respondo sem pensar.
A Tameka para de andar de repente, e os seus olhos se arregalam.
“Eu preciso ir, mãe.” Eu encerro a ligação.
“Tenha uma boa noite.” Ela se vira, movendo-se tão rápido para fora do escritório antes que eu possa abaixar o telefone.
Essa é nova; nenhum comentário sexual, nenhuma atitude. Será que eu disse algo de errado?
Listas de leitura
Ver tudoMergulhe no romance com coleções de livros selecionadas pela nossa comunidade de leitores.











































