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Black Hollow 2: Beta Encantada

Autor
Lee Ellis
Leituras
19.8K
Capítulos
24
Autor
Lee Ellis
Leituras
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Capítulos
24
😱Suspense🐺Lobisomens & mutantes🙅Parceiro relutante👩‍❤️‍👨Alma gêmea💘Par prometido💪🏻Protetor🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪🏻Macho alfa💪Mulheres fortes⚔️Ação & aventura🧙‍♀️Magos & bruxas🐺Sobrenatural

Bem-vindos de volta a Black Hollow, onde o perigo respira em cada sombra e o amor queima mais intensamente que qualquer feitiço. O mundo de Priya vira de cabeça para baixo no momento em que o destino a une a Ted — o homem teimoso e de coração de ouro que se recusa a deixá-la enfrentar seus demônios sozinha. Ela sobreviveu a pesadelos, perdeu pedaços de si mesma e aprendeu que, às vezes, os monstros mais ferozes têm rostos familiares. Agora, com sua matilha em perigo e a escuridão se erguendo, Priya precisa decidir o que está disposta a arriscar por aqueles que ama. A magia pode ferir ou curar — mas o coração? É aí que vive o verdadeiro poder.

Capítulo 1: Um Desastre Cósmico

PRIYA

Não havia nada como ver sua nova melhor amiga em um vestido esvoaçante de deusa, banhada pelo luar e por magia, para fazer sua própria vida parecer um verdadeiro desastre.
Kat estava de tirar o fôlego. Etérea. Poderosa. Como a luna que ela sempre esteve destinada a ser. Kael, de pé ao lado dela, era pura sedução e dominância, com o toque certo de um bobo apaixonado. E todos os outros? Com os olhos marejados, aplaudindo, absorvendo o conto de fadas. Todos, menos eu.
Não me entenda mal, eu estava extremamente feliz por eles. Kat e eu podíamos ter nos conhecido há apenas algumas semanas, mas ir para a batalha ao lado de alguém une vocês de uma forma que nada mais consegue. Eu não queria nada além de felicidade para ela.
No entanto, vê-la neste momento apenas me forçou a reconhecer o que eu não tinha... o que eu não podia ter.
Eu estava parada na beira da clareira, metade nas sombras, segurando minha taça de vinho como se fosse a única coisa me mantendo presa a esta realidade. E então lá estava ele. Ted.
É claro que ele me encontrou. Saltitando como um golden retriever gigante em um smoking, cheio daquela energia selvagem e indomável e de um sorriso que poderia encantar a pessoa mais mal-humorada do mundo. O que, sejamos honestos, provavelmente era o seu verdadeiro superpoder.
“Aí está ela”, ele disse, escorregando para o meu lado com um sorriso e zero noção de espaço pessoal. “A mulher dos meus sonhos e também a mulher que no momento está tentando me dar um gelo como se eu fosse um encontro ruim do Tinder.”
Eu resmunguei. “Nós não vamos fazer isso esta noite, Ted.”
“Nós com certeza vamos fazer isso esta noite.” Ele ergueu as sobrancelhas e deu um gole dramático em seu champanhe. “Olha, se fôssemos mais predestinados, a lua teria simplesmente tatuado nossos nomes na testa um do outro. Tenho quase certeza de que os espíritos já estão apostando na nossa cerimônia de acasalamento.”
“É um desastre cósmico; eu já te disse isso”, eu murmurei.
Ted piscou. “Eu prefiro pensar nisso como uma comédia romântica cósmica. Pense bem. Você, eu, o laço de companheiros. Eu faço você rir; você revira os olhos. Nós nos apaixonamos, salvamos o mundo, provavelmente enquanto pilotamos motos combinando para a batalha.”
“Você nem tem uma moto.”
“Ainda não. Mas por você, Priya? Eu aprenderia.”
Eu me virei para ele, com os braços cruzados. “Isso não é uma piada, Ted. Um laço de companheiros é para a vida toda. É sagrado. É sério.”
“E eu não posso ser sério?” Ele fez uma pausa dramática. “Ok, mau exemplo. Mas eu posso tentar ser sério. Eu também sei fazer uma lasanha incrível e recitar a terceira temporada inteira de The Office de cor. Sabe. Caso essas sejam vantagens da nossa união.”
“Você é impossível.”
“Porém charmoso”, ele acrescentou com uma piscadela.
Eu odiei como uma parte de mim sorriu. Só um pouquinho. O menor dos movimentos nos lábios.
A verdade era que, desde que percebi que éramos companheiros — graças aos ancestrais sussurrantes de Kat e a um Ted muito animado praticamente gritando isso do telhado do The Rusty Fang —, eu estava tentando fugir do inevitável.
Eu não era como a Kat. Eu não mergulhava de cabeça em tudo o que os deuses e deusas jogavam no meu caminho. Eu era prática. Controlada. Calculista.
Laços de companheiros? Eles eram complicados. Perigosos. Um caos cósmico envolto em feromônios e destino. E eu tinha trabalhado duro demais construindo muros para deixar o universo derrubá-los por mim.
Ted esbarrou no meu ombro suavemente. “Eu sei que você está com medo. Eu também ficaria com medo se tivesse que passar a eternidade comigo mesmo.”
Eu bufei. “Você é um idiota.”
“Mas eu sou o seu idiota”, ele disse, com a voz ficando só um pouco mais suave. “Ou, pelo menos, eu poderia ser... se você deixasse.”
E lá estava. Aquela verdade aterrorizante e maravilhosa pairando entre nós. Eu poderia fugir. Eu poderia fingir que o laço não importava. Mas o jeito que ele olhava para mim? Como se eu fosse a única estrela no céu dele? Aquilo não era algo que se pudesse ignorar.
Nesse momento, a risada de Kat ecoou pelo campo, e eu olhei para cima e a vi dançando com Kael, enquanto Luna estava encolhida como uma pequena guardiã peluda da lua em uma cadeira próxima. Por um segundo, tudo pareceu... certo.
“Eu não estou prometendo nada”, eu disse finalmente.
O sorriso de Ted se alargou. “Então você está dizendo que há uma chance.”
Eu revirei os olhos, e ele estendeu a mão para entrelaçar seus dedos nos meus.
Justo quando eu estava prestes a puxar minha mão da de Ted — antes que ele começasse a planejar nossa lua de mel ou a escolher os nomes dos nossos filhos —, ouvi a voz de Kat se elevar acima das risadas e da música. “Priya! Talia! Ezra! Vocês estão a fim de se exibirem um pouquinho?”
Eu me virei e a vi parada no meio da pista de dança improvisada, descalça, radiante e sorrindo como uma mulher que tinha acabado de ganhar na loteria e derrotado um coven de bruxas das trevas.
Talia já estava ao lado dela, com as sobrancelhas erguidas. “Você quer fazer o feitiço das estrelas? Agora mesmo?”
“Por que não?” Kat deu de ombros. “É uma festa, e todo mundo precisa de um pouco de magia.”
Eu olhei para Ezra, que me deu um sorriso torto e me empurrou para frente. “Vamos lá, pequena Priya. Vamos impressionar todo mundo.”
Eu revirei os olhos e entreguei minha bebida para o Ted. “Segure isso. E não derrube.”
“Eu nunca faria isso”, ele disse com falsa ofensa, depois se inclinou e sussurrou: “Faça as estrelas dançarem, Priya.”
Ugh. Ele era tão irritante. E, infelizmente... meio adorável.
Nós quatro caminhamos para o centro da clareira, formando um círculo na pista de dança, com a lua lançando um brilho prateado sobre tudo. A multidão circulou lentamente ao nosso redor, uma mistura de bruxas e lobos curiosos para ver o que iria acontecer.
Nós não precisávamos de muito, apenas uns dos outros, e da lembrança de nossas sessões de prática na casa da matilha sob o olhar atento da Sra. Graham. Nós já tínhamos feito esse feitiço talvez uma dúzia de vezes antes. Para treinamento. Para união. Por diversão. Mas, esta noite, parecia diferente. Carregado.
Ezra assumiu o ponto norte do círculo, Kat ficou de frente para o sul, Talia para o oeste, e eu me virei para o leste. Nós fechamos nossos olhos, nos conectando. A voz de Kat foi a primeira a se elevar, suave, mas firme. Depois, a de Ezra. Depois, Talia. E, finalmente, a minha.
O cântico era no dialeto Rae, antigo e poético, como o vento passando pela superfície da água. Enquanto falávamos, o ar ficou imóvel. Os sons de risadas e de taças tilintando desapareceram. Um silêncio se espalhou pela clareira.
Acima de nós, o céu começou a brilhar. No começo, apenas um brilho fraco, como uma ondulação em um lago tranquilo.
Então... estrelas. Milhares de pequenos pontos de luz brilhantes apareceram no céu. Não, não estrelas. Não de verdade. Eram fragmentos de energia, poeira estelar tecida a partir da nossa magia e lançada ao céu como uma constelação capturada em movimento. Eles cintilavam e brilhavam, girando em espirais lentas e hipnotizantes acima da clareira.
Um suspiro coletivo se espalhou pela multidão. Até mesmo os lobos ficaram imóveis, com as orelhas em pé e as caudas congeladas no meio do balanço.
Ousei dar uma olhada do outro lado do círculo e encontrei os olhos de Ted. Ele parecia absolutamente atônito, com a boca ligeiramente aberta e o reflexo do céu brilhante reluzindo em seus olhos escuros. Mas não era apenas admiração; era orgulho. Como se ele estivesse observando alguém em quem acreditava, alguém que fazia magia, literal e metaforicamente.
E, naquele momento, algo dentro de mim se partiu, apenas a menor das rachaduras. Não o suficiente para admitir qualquer coisa. Mas o suficiente para me perguntar... e se?
Abaixamos as mãos em uníssono, nossas vozes diminuindo, e as estrelas acima de nós se apagaram lentamente, como velas sendo sopradas uma a uma, até a noite voltar ao normal.
Por um momento, ninguém se moveu. Então, os aplausos explodiram. Assobios. Vivas. Alguém gritou: “Façam de novo!”
Kat riu e fez uma pequena reverência. Ezra se curvou de forma dramática. Talia deu um giro. Eu apenas fiquei ali, com o peito subindo e descendo, o coração batendo alto demais. Olhei de volta para Ted. Ele ainda não tinha se mexido.
“Você está bem?” eu perguntei enquanto me movia para ficar ao lado dele. Ele piscou e me entregou a bebida como se eu tivesse acabado de sair do set de um filme da Marvel. “Você é... inacreditável.”
Ergui uma sobrancelha. “Você só está percebindo isso agora?”
Ele sorriu. “Ah, não. Eu sempre soube. Mas agora eu tenho uma confirmação visual.”
Depois de mais algumas palmas, muitas risadas e alguns pedidos bem entusiasmados de bis — os quais recusei educadamente fugindo na direção oposta —, finalmente consegui escapar do círculo e me misturar de volta à multidão.
A música tinha recomeçado, a matilha estava dançando de novo, e o cheiro de marshmallows assados vinha da fogueira.
Avistei a Kat perto da mesa de bebidas, com as bochechas coradas de alegria e um toque de champanhe. Ela estava radiante. Não do jeito mágico de antes, embora isso também, mas no estilo “acabei de ser iniciada como luna e finalmente não estou lutando pela minha vida”. Ela parecia... feliz. E isso combinava com ela.
Me aproximei com um sorriso torto. “Bem, Luna”, eu disse, erguendo minha taça em uma saudação, “você até que fica bem arrumada.”
Kat se virou, com o rosto se iluminando. “Priya! Aquilo foi incrível lá fora. Nós realmente arrasamos dessa vez.”
“Acho que devíamos agradecer à Sargento Instrutora Thorn”, eu disse com um leve dar de ombros. “Não podemos deixar os lobos pensarem que as bruxas são só vassouras e más vibrações, não é mesmo?”
Kat riu e me puxou para um abraço. “Obrigada. De verdade. Por tudo o que você fez. E por estar aqui esta noite.”
Retribuí o abraço e depois me afastei um pouco. “Eu devia ir embora, no entanto. Você e o Kael merecem uma noite sem distrações mágicas.”
Kat inclinou a cabeça, me observando. “Você vai estar pela casa da matilha amanhã?”
Eu hesitei. Atrás dela, do outro lado da clareira, Ted era o centro das atenções entre vários membros da matilha, com as mãos voando em gestos animados enquanto contava alguma história provavelmente exagerada.
Risadas explodiram do grupo, e ele fez uma falsa reverência como se estivesse em um palco. Eu olhei para ele por um segundo a mais do que devia. Então me voltei para a Kat.
“Não sei”, eu disse secamente. “Talvez eu precise passar o dia de amanhã procurando um esconderijo muito bom.”
Os olhos de Kat brilharam de forma travessa. “Tão ruim assim, é?”
“Tão determinado”, corrigi, suspirando de forma dramática. “O homem é como um golden retriever com tanquinho. Se ele me trouxer mais uma maldita bebida e olhar para mim como se eu tivesse inventado a gravidade, eu vou surtar.”
Kat bufou. “Você adora isso.”
“Eu não.”
“Você adora.”
“Se eu encontrar uma casa no lago em outro reino, não vou te contar onde fica.” Ela apenas sorriu com cumplicidade, como se tivesse um assento na primeira fila para o caos que minha vida estava prestes a se tornar.
“Diga parabéns ao seu vira-lata gigante de companheiro”, eu disse, dando um empurrãozinho no ombro dela. “E, falando sério, não deixe o champanhe acabar. Este lugar precisa dele.”
“Vejo você amanhã”, ela gritou enquanto eu me afastava.
Eu não respondi. Mais porque não fazia ideia se conseguiria resistir em aparecer. Mas julgando pelo jeito que os olhos do Ted encontraram os meus no segundo em que me virei, e pelo seu sorriso bobo se espalhando no rosto, sim. Eu estava definitivamente encrencada.

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