
Cavalgada do Desejo
Author
Sarah A. McCombs
Reads
243K
Chapters
17
Um Começo Enfumaçado
Os pés grandes dele, em coturnos cinza-escuro, invadiram seu espaço pessoal como uma pedra enorme caindo sobre ela.
Seus próprios pés eram bem menores e descalços contra o chão de madeira. Ela recuou até suas costas encostarem na parede.
Seu coração disparou. Suas mãos estavam suadas enquanto os olhos escuros dele a observavam de muito perto.
Ela não conseguia respirar. Não conseguia pensar. A mão dele subiu rápido e os dedos grandes envolveram a pele macia do seu pescoço.
“Que porra você está fazendo aqui?”
A voz dele era mais grave do que ela lembrava. Dez anos podem mudar muito um homem.
Ele era muito alto. O cabelo castanho-escuro caía sobre o rosto em mechas grossas. A pele bronzeada, que ela um dia achou tão bonita, tinha escurecido com o tempo.
O corpo magro de adolescente agora dava lugar a músculos grandes. Ela não ousou olhar mais abaixo. Tinha medo do que sua mente poderia imaginar.
Suas pernas ficaram fracas sob o olhar intenso dele. Parecia que ele conseguia enxergar através dela.
A sensação forte era familiar. Despertava um desejo tão poderoso que parecia os piores pecados. Ele tinha que sentir isso também, não tinha?
“Fala, mulher!”
A ordem a surpreendeu, mas a mão dele não apertou mais forte. Era como se ele quisesse parecer perigoso, mas não quisesse realmente machucá-la.
Ela franziu a testa. De repente notou a dor escondida nos belos olhos castanhos dele.
Os olhos dele mostravam muita mágoa que ela não conseguia entender. Talvez os dela mostrassem a mesma coisa.
Parte dela tinha medo do passado que ele poderia estar carregando. Tinha medo dos sentimentos pesados que poderiam arrastar os dois para baixo.
Seus lábios se abriram quando uma respiração trêmula escapou. Ela ficaria bem. Ele não ia machucá-la, pelo menos não ainda.
“Eu... fui convidada.”
A testa dele enrugou e os ombros ficaram tensos. Se ela foi convidada, então um dos caras que ele conhecia devia ter feito isso. Alguém próximo a ele.
Eles conheciam essa mulher? Tinham trazido ela aqui sabendo do passado deles juntos?
Uma mão pesada pousou no ombro dele. A voz áspera de um homem mais velho interrompeu seus pensamentos. Droga, era o único homem que ele não podia deixar irritado.
“Ela é a nova bartender que eu contratei. Tem algum problema com isso?”
Ele respirou fundo antes de soltar a mulher. Virou-se para encarar o velho barman.
O homem estava na casa dos cinquenta, mas isso não o fazia parecer menos durão. Era um motoqueiro, duro e pronto para uma briga.
Tinha crescido do lado errado da cidade. Tinha lutado para subir na vida e conquistado seu lugar. A cidade inteira o respeitava. Ninguém ousava deixá-lo irritado.
O bar dele era o melhor por quilômetros. Era o point número um dos motoqueiros. Ele tinha um grupo de caras prontos para ajudá-lo a qualquer momento. Tinha amigos tanto em lugares altos quanto baixos.
“Sem problema, Mack.”
O homem mais velho era alguns centímetros mais alto que Tommy. Cruzou os braços sobre o peito e acenou com a cabeça quando o mais jovem se afastou. Olhou sua nova funcionária com atenção.
Era uma coisinha fofa na casa dos vinte e poucos anos. Cachos castanhos caíam até repousar contra os seios. Os quadris curvavam para mostrar a bunda mais bonita que ele tinha visto em muito tempo.
Talvez ele tivesse corado, se fosse trinta anos mais jovem.
Ergueu uma sobrancelha quando notou os pés descalços dela.
Quando a contratou, não sabia que ela era meio estranha. Mas devia ser se achava que era boa ideia entrar num bar sem sapatos.
Até ele não faria isso.
Olhando para cima, viu os seios fartos pressionando contra uma camisa azul-clara. Estava desabotoada o suficiente para deixar um homem bem excitado.
Meu Deus, se a esposa dele ainda estivesse viva, ele estaria encrencado.
Pigarreou para chamar a atenção dela. Manteve os braços cruzados sobre o peito.
“Tem algum motivo para você ter entrado aqui descalça?”
A cor vermelha que se espalhou pelas bochechas dela fez seus olhos se arregalarem. Ele mudou o peso de um coturno para o outro.
Podia ser mais velho, mas ainda conseguia apreciar um rosto bonito. E que se dane se esse não fazia o jeans dele ficar apertado demais.
Graças a Deus por calças escuras, luzes fracas e a natureza inocente da mulher linda na sua frente.
Ela apontou para a entrada.
“Pisei na única poça de lama lá fora e achei que não seria educado trazer sujeira para dentro. Desculpa.”
Ela soava sincera e claramente envergonhada. Ele ergueu uma sobrancelha antes de se virar para o bar. Chamou o filho, que estava atrás do balcão servindo bebidas.
“Jackson, traz os chinelos da sua mãe para essa mocinha!”
O filho acenou. Foi até uma porta atrás do bar sem dizer nada.
Eles guardavam algumas coisas da falecida esposa numa caixa nos fundos. Ele simplesmente não conseguia se obrigar a mexer em tudo aquilo.
A jovem ainda estava corando enquanto observava o homem mais velho. Ele era bonito. O cabelo cinza-escuro era misturado com fios grisalhos e cortado curto.
Ela se perguntou se ele tinha sido militar ou só gostava do cabelo arrumado e fora do caminho.
Era alto, facilmente muito mais alto que ela. Os ombros largos e braços musculosos mostravam que era muito forte.
Ela tinha certeza de que ele podia vencer numa briga e fazer ainda mais.
Os coturnos pretos eram do tamanho do rosto dela. Isso fez suas mãos tremerem quando uma lembrança tomou conta dos seus pensamentos. Era melhor não pensar nesse caminho sombrio.
“A gente precisa conversar.”
Ela pulou com a voz grave no ouvido. O suspiro que escapou dos lábios dela foi bem baixinho quando o barman voltou a atenção para ela.
Ele notou como ela estava tensa. Viu o jeito que a mandíbula dela tinha enrijecido. Era fácil ver o que tinha causado a mudança repentina.
Os olhos escurecidos dele seguiram Tommy até o fim do bar. Tommy se sentou com uma expressão irritada direcionada aos homens ao redor.
O humor dele estava tão ruim quanto o da maioria dos caras nesse lugar.
O que quer que ele tivesse feito, foi rápido e ninguém pareceu notar além dela e do velho. Mack sentiu o ar ficar pesado por um momento antes de Tommy se sentar.
“Você está bem, querida?”
Ela olhou de volta para o novo chefe. Acenou com a cabeça enquanto a língua parecia grudar no céu da boca.
Ela ia ficar bem? Conseguiria passar por isso? Não estava bem, nem um pouco, mas ainda estava respirando.
Estava viva... pelo menos por enquanto.












































