
Como (Não) Namorar o Melhor Amigo do Seu Irmão
Author
Megan Blake
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Como (Não) Dar a Partida em um Carro
SAMANTHA
Por favor, não faça isso comigo.
Samantha fez uma oração silenciosa aos deuses dos carros. Ela esperava por alguma ajuda enquanto lutava com a chave prateada travada no seu carro velho. O motor fazia um som de tique-taque, como se estivesse zombando dela.
Seus dedos apertavam o volante com força, e ela soltou um suspiro irritado. Por quê, mas por quê? Ela bateu a cabeça contra o volante algumas vezes. Seu cabelo loiro voou para todos os lados. Ela esperava que isso consertasse o carro por mágica.
Ideia inteligente, né?
Ela se sentia irritada consigo mesma por não ter trocado esse carro velho por algo melhor. É, com o quê? Dinheiro falso?
Agora, ali estava ela, presa em frente ao supermercado fechado. O último cliente tinha conversado com ela por um tempo muito longo no caixa. E ali estava ela, sozinha no estacionamento escuro, pensando em suas escolhas ruins.
Será que ela conseguia pagar um táxi? Será que ela conseguia pagar por deixar o carro ali onde ele poderia ser arrombado?
Talvez ela pudesse ligar para uma das amigas, pedir ajuda, ou uma carona...
O problema? Sua melhor amiga era Ellie. E, bem, Ellie provavelmente já tinha saído do estado.
Ellie tinha que visitar a mãe doente — e era por isso que Sam pegou as horas de trabalho dela. Ela culparia Ellie, mas... Ellie, sua heroína. A primeira pessoa a morar com ela como colega de quarto e não a expulsar.
Então isso? Não era culpa da Ellie.
Mas...
SAM
Ellie!!! Meu carro morreu.
A resposta veio imediatamente.
ELLIE
Eu não te disse pra queimar essa merda?
SAM
Eu preciso do meu carro pra ir trabalhar
ELLIE
Sam, um pedaço de metal em quatro pneus carecas não é um carro
Mudar de vida significou que ela conheceu algumas amigas novas, como Ellie. Mesmo tendo menos de um metro e meio de altura e uma franja loira inocente, ela não levava desaforo para casa.
SAM
A não ser que você planeje me comprar um novo...
ELLIE
Banca a donzela em perigo na beira da estrada?
SAM
E ser assassinada?
ELLIE
Pega um táxi, baby, ou acha um príncipe encantado
Um monte de palavras para dizer que ela estava ferrada.
Com um suspiro cansado, Sam puxou as chaves e saiu do carro. Ela fechou a porta e se encostou nela. Procurou o celular na bolsa de couro preta.
Um barulho por perto chamou sua atenção. Ela olhou para cima e viu uma placa vermelha brilhante: KB Mechanics. Será que a vida estava realmente ajudando ela pela primeira vez?
Não, provavelmente estava fechado.
Mas a placa ainda estava acesa.
Ela enfiou o celular de volta na bolsa e começou a andar pela rua.
Samantha Hastings nunca pensou que essa seria sua vida. A garota rica e mimada de antes agora se via morando numa área pobre com um carro quebrado.
Sua família? Rica. Muito rica. Babás, empregadas e tudo mais eram normais na infância dela. Até o dia em que saiu da casa da família, ela não sabia ferver água. Tudo tinha sido feito por ela.
Samantha costumava achar que era feliz com aquela vida. Se ela queria algo, conseguia. Não era como se ela desperdiçasse o dinheiro do papai em compras loucas.
Antigamente, ela se metia em encrenca direto — por brincar lá fora com roupas de menino, rolar na lama ou trazer insetos para casa. Não era o comportamento de uma dama adequada, diziam.
Mas ela fazia mesmo assim.
Talvez tenha sido aí que sua rebeldia começou — macacões, maria-chiquinhas e o gosto doce da liberdade.
Claro, eles queriam que ela terminasse a escola, mas ninguém estava pressionando ela com notas. Ser inteligente, sim. Conversar bem com os amigos ricos do pai, sim. Mas ninguém estava mandando ela virar médica ou fazer faculdade de administração.
Ela era uma mulher Hastings, destinada a ser uma esposa boazinha, tendo bebês um atrás do outro.
Samantha queria mais.
E como isso está funcionando para você, Sam?
Finalmente, ela chegou na porta da frente da oficina mecânica. Uma placa de neon azul quase a cegou com a palavra “aberto”.
Quando ela empurrou a porta, um sino tocou, avisando a todos que ela tinha entrado. Ela deu uma olhada rápida ao redor, mas o lugar estava vazio.
Pneus velhos de carro estavam empilhados no canto. O chão tinha várias manchas escuras de óleo. Pedaços de madeira apareciam através da tinta branca velha que precisava ser refeita. Ainda assim, ela seguiu em frente, tentando ver se alguém estava escondido nos fundos.
Seus olhos olharam para o balcão até encontrarem um sino de metal vermelho surrado. Um pouco velho e danificado, mas ei, era melhor do que gritar no vazio. Ela apertou, e o som quebrado ecoou pela sala silenciosa.
Por que parecia que ela estava presa no meio de um filme de terror?
Porque sua vida é assustadora, Sam. O que mais você esperava?
“Posso ajudar?”
No momento em que ela levantou a cabeça, olhou para um cara com olhos castanhos. Ela pressionou a mão no peito, sentindo as batidas do coração sob a lã do suéter vermelho que tinha colocado por cima da roupa de trabalho.
“S-sim, hum. Eu... Meu carro quebrou.”
O cara, com dedos manchados de óleo e tudo, olhou para ela. Cabelo preto curto puxado para trás, uma camisa amarela com vários rasgos.
“Onde?”
“Logo ali” — logo ali na rua. Eu estava — eu estava esperando que alguém pudesse me dizer o que há de errado com ele.” — Ela tinha dificuldade com as palavras, se sentindo nervosa.
Ela mudou o peso do corpo, uma pequena dança de esperança do pé esquerdo para o direito. “Estou torcendo para que dure mais alguns meses pelo menos.” — Quando as contas caras parassem, a vida seria fácil.
Agora, porém? O dinheiro estava muito apertado.
“Vamos ter que rebocar ele para cá.”
“Claro.”
Adeus, programas de TV chatos. Tchau, garrafas baratas de vinho.
“Beleza. Ei Brooks, a gente precisa de um reboque rápido” — ele gritou para alguém ainda trabalhando na parte escura dos fundos da garagem.
Os sons metálicos pararam. Passos se aproximaram enquanto um moicano loiro apareceu, seguido por um cara com um piercing no nariz.
Vestido no mesmo estilo manchado de óleo, ele usava jeans desbotado com manchas de cor aparecendo por baixo dos joelhos.
“Claro, onde está o carro?”
“Hum, na rua” — ela disse de novo para o novo estranho parado na frente dela. “Chevy cinza.”
“Deve levar só alguns minutos. Você pode esperar aqui dentro se quiser.”
“Ok, obrigada.”
Brooks saiu, deixando ela esperando perto do balcão. O primeiro cara ainda estava parado no balcão.
“Com sede? Quer algo para beber?”
“Não, estou bem, obrigada.”
“Você pode sentar naquela cadeira dobrável preta se quiser. É o único lugar limpo que a gente tem.”
Ela virou a cabeça e viu a cadeira solitária. Teria que servir. Ela foi até lá, sentou e jogou a cabeça para trás.
Os minutos passavam devagar, parecendo uma eternidade enquanto ela esperava. Seus pés doíam depois de horas em pé. Por favor, deixa isso acabar logo, por favor, por favor.
“Ei, James” — eu resolvo.”
“O quê?”
“Eu vou dar uma olhada no carro.”
Samantha se sentou ereta com a voz nova. Seu som profundo passou por ela, fazendo seu coração bater rápido. Por que parecia estranhamente familiar? Ela se inclinou para esquerda, tentando ver a pessoa nova, mas tudo que viu foi cabelo castanho bagunçado.
“Onde ela está?”
“Sentada na cadeira.”
O estranho entrou no campo de visão, alto como se tivesse acabado de sair de uma revista. Vestido apenas com jeans e uma camiseta preta, ambos limpos sem buracos ou manchas.
Gostoso.
Enquanto seus olhos olhavam dos pés dele até a cabeça, ela se viu presa encarando. O tecido da camisa esticava sobre um peito que parecia muito em forma. Segura a respiração, garota.
Um pouco de barba por fazer num maxilar forte, lábios que eram... bonitos.
E aqueles olhos azuis brilhantes, aquele cabelo castanho bagunçado fazendo algo com os sentidos dela. Mas o rosto...
Ai, meu Deus.
Não tinha como confundir aqueles olhos azuis oceano e o sorriso no rosto dele. Ela sabia exatamente quem ele era e por que a voz dele soava familiar.
Chase. Chase Bennett. O melhor amigo do irmão dela.
Aqueles olhos tinham estado em muitos dos sonhos sexy adolescentes dela. O calor subiu para o rosto, e ela mal conseguia olhar para ele.
Como diabos Chase tinha acabado aqui?
Não, não, não. Quando ela saiu de casa, ela não o via há alguns anos. Stephen não tinha contado nada que pudesse ter dado uma dica desse tipo de surpresa.
O cara costumava ser o melhor da turma, com diploma de administração. Seu irmão e ele eram amigos muito próximos, vivendo a vida de playboy juntos.
E agora ele era mecânico?
Algo não estava certo.
E — e ele não parecia surpreso. Ah. Ele não a reconheceu.
Não, provavelmente era melhor se ele não a reconhecesse. Assim nada disso chegaria ao irmão dela. A última coisa que ela precisava era dar a ele um motivo para zoar ela. Ou um motivo para saber exatamente onde encontrá-la.
Sam virou a cabeça para o lado, tentando enfiar o queixo no peito. Se ela não olhasse para ele, ele nunca descobriria quem ela era.
“É sobre o meu carro?” — ela disse rapidamente, quebrando o silêncio constrangedor.
Ele pigarreou. Ai, meu Deus, por que aquilo soava quase sexy?
“Hum, é. Brooks trouxe ele. Vou dar uma olhada.”
“Ah, ok, ótimo. Obrigada. E desculpa pelo aviso em cima da hora. Eu meio que realmente preciso que ele funcione de novo.” — Ela continuou olhando para baixo em vez de para cima, esperando que o ângulo ajudasse a mantê-la escondida.
Ele sorriu, e por uma fração de segundo, uma onda de conhecimento passou por ela. Parecia que ele sabia... mas ele não tinha dito nada. Com certeza teria dito, né?
“Vou ver o que posso fazer.”
Os olhos dele ficaram nela por um momento, e ela sentiu o calor do olhar antes dele se afastar dela.
“Me sinto mal que todos vocês estão trabalhando até tão tarde. Seu chefe deve ser um cara rigoroso.”
Ele lançou um olhar cúmplice para o cara nas sombras antes de mostrar um sorriso largo.
“É. Um babaca de verdade, na verdade. Um idiota, de cabo a rabo.”
Uma cor vermelha veio para o rosto dela antes de fazer uma careta. Merda.
“Você é o chefe, não é?”
Ele riu.
“Posso ser.”
Samantha bateu a mão no rosto, tentando esconder o constrangimento. Como diabos Chase acabou sendo dono de uma oficina mecânica?
“Desculpa” — ela disse timidamente, de repente muito interessada nos sapatos.
“Não se preocupa” — ele disse com uma risada enquanto continuava escrevendo num pedaço de papel.
Ela não era próxima o suficiente do irmão Stephen para saber que tipo de contato eles tinham mantido ao longo dos anos. Ela precisava que a família achasse que ela estava indo bem sozinha. Ela não podia deixar eles descobrirem que ela estava falhando nisso também.
Samantha não era a filha perfeita que o pai queria que ela fosse. Ela não queria aquela vida.
Então ela se rebelou. Ela tentou ir para faculdade, tentou encontrar uma carreira para si mesma, mas é claro — o pai disse não. Ele a chamou de louca, que ela estava fazendo birra. Só que ela não estava.
Toda a liberdade que ela achava que tinha — não era liberdade. Era uma forma diferente de controle.
Samantha queria provar que eles estavam errados.
O que seu eu bobo e ignorante achou que era uma coisa fácil de fazer. Sem pensar, e entre lágrimas, ela fez uma mala, pegou o dinheiro que tinha — não do pai, e saiu de casa.
Vinte anos, esperançosa e estúpida.
Ela encontrou uma cidade que achou que era longe o suficiente de casa para que o nome dela não a ajudasse e ela... fez papel de idiota. Metade do dinheiro tinha ido embora na primeira semana porque ela teve que achar um hotel para ficar.
Ela não conseguia pagar por um apartamento.
Ah, e ela descobriu que não tinha crédito em nome dela, nada. Agora, ali estava ela, três anos depois.
Ela teve que ir para faculdade comunitária por quase dois anos antes de alguém sequer pensar em contratá-la para qualquer coisa. Tinha tomado cada momento do tempo dela, só para ainda estar no fundo do poço.
Como Sam não sabia bem o que queria da vida, e seu histórico de trabalho e currículo eram bem vazios, ela estava indo para outra rodada de faculdade comunitária. O próximo semestre começaria em breve...
De jeito nenhum o irmão dela podia saber que ela tinha acabado assim.
Dando um passo para trás, ele virou a cabeça, finalmente desviando o olhar.
“James, quer me dar uma mão?”
Enquanto ele se afastava dela, dando alguns passos para trás, a pressão no peito dela ficou mais leve, facilitando a respiração. Parecia meio infantil não contar a ele quem ela realmente era, mas que escolha ela tinha?
Chase parou na porta, a mão segurando a borda enquanto olhava para ela. Desvia o olhar!
“Sam, eu te aviso.”
Sam.
Espera. SAM ELA?!
Os olhos dela se arregalaram enquanto ela observava a porta dos fundos atrás do balcão fechar, Chase desaparecendo.











































