
Como (Não) Namorar Seu Vizinho
Author
Megan Blake
Reads
1,3M
Chapters
32
Ela é uma aspirante a bibliotecária desastrada e de coração partido. Ele é um detetive com medo de perder tudo outra vez. Quando Noelle se muda para o apartamento ao lado do de Jake, o destino e uma atração irresistível os jogam um na vida do outro — contra a vontade de ambos.
Ele vai sair de sua casca antes que seja tarde demais? Ela está disposta a deixar de lado as diferenças? Só o tempo dirá…
Classificação etária: 18+.
Como (Não) Stalkear
NOELLE
Noelle se apoiou na parede. O suor escorria pela lateral do pescoço. Ela se virou, dando as costas para o corredor. Olhou ao redor rapidamente e com cuidado.
Manteve a respiração calma. Os ombros retos e para trás. As mãos seguravam as chaves com força.
A qualquer momento agora.
Olhou para o relógio.
Ela tinha ouvido a porta abrir da última vez, nesse horário. Tudo estava igual.
Então por que estava sozinha no corredor?
Estava no lugar certo. A porta estava trancada, bem na sua frente.
Ela o veria. Não tinha como não vê-lo.
E talvez dessa vez eles conseguissem conversar.
Noelle não estava perseguindo ninguém.
Perseguir significaria que ela era maluca. E ela não era!
Estava apenas ficando no corredor. Talvez demorando mais um minuto para achar as chaves. E daí se era num horário bem específico que ela tinha planejado? E daí se quase machucou as costas se abaixando para olhar sempre que ouvia passos?
Isso não era perseguição — não, senhor, não! Ela era — apenas — uma vizinha amigável.
Uma pessoa atenciosa que queria ter certeza de que seu vizinho gostoso chegava em casa.
Isso era loucura?
Tá bom. Certo. Então ela estava perseguindo.
Mas não era culpa dela que o homem era extremamente sexy.
Ela tinha esbarrado nele no dia em que se mudou. Ele estava saindo do apartamento — um distintivo de polícia reluzente pendurado no cinto de couro preto — e ela tinha se sentido fraca.
Distintivo à parte, o homem era muito atraente.
Cabelo escuro bagunçado. Olhos azuis penetrantes. Uma altura de pelo menos um metro e oitenta.
Embora, para ser justa, ela mal tinha um metro e cinquenta, então qualquer um era mais alto que ela.
Então ele era policial. Isso poderia ter lhe dado sentimentos conflitantes, se eles pudessem realmente ficar juntos.
Mas na sua fantasia...
Quem se importava? Na sua fantasia, algemas eram uma coisa boa. Na vida real, isso — eles — nunca aconteceria. Então ela podia pensar o que quisesse. Não importava.
Havia uma grande diferença entre devaneios e vida real.
Na vida real, no primeiro dia, ela tinha ficado parada feito uma idiota com uma sacola gigante nas mãos enquanto ele passava por ela. Eles tinham se tocado pelos ombros, o que ele não notou. E então ele tinha ido embora.
Nem um olhar.
Desde aquele dia, ela vinha tentando fazer um encontro de verdade acontecer. Um onde ela realmente agisse como uma pessoa.
Primeiro, tentou lavar roupa em horários diferentes em dias diferentes. Poderia começar uma conversa enquanto dobrava as roupas.
Mas o vizinho parecia ter uma habilidade especial para evitar falar com as pessoas.
Isso, ou ele não lavava as roupas. Ele não cheirava como se não lavasse as roupas...
Meu Deus, ela era uma perseguidora mesmo.
Numa noite, fingiu ter perdido a chave do prédio. Ficou na entrada, esperando que ele notasse e se oferecesse para ajudar.
Mas outro vizinho passou primeiro. Deixaram ela entrar, deixando Noelle envergonhada na porta e seu plano por água abaixo.
Então tentou encontrá-lo na caixa de correio por acaso.
Perfeito, certo? Pronta com um sorriso amigável e um comentário casual sobre o tempo, o que poderia dar errado?
Exceto que não funcionou. Ela se cronometrou com o carteiro — nada. Ela se cronometrou com quando ele subia as escadas. Nada!
Ou ele não recebia correspondência, ou a caixa de correio dele estava prestes a transbordar.
Nesse ponto, ela ia ter que deixar nas mãos do destino, e, bem — o destino?
O destino a odiava.
Tudo isso a tinha transformado numa bagunça perseguidora.
Ótimo.
Talvez ela soubesse o nome dele até o fim do ano.
Ding!
Noelle olhou para o celular. Uma notificação estava ali. Um e-mail — de —
Ela ficou quente e fria ao mesmo tempo. O coração batia rápido na garganta. Estava esperando por esse e-mail. E temendo, mas principalmente — talvez dessa vez —
Por favor, por favor, me deixem conseguir esse emprego.
Ela apertou e se encolheu ao mesmo tempo.
”Prezada Senhorita Harper, obrigado pelo seu interesse na posição de bibliotecária na Universidade Rodham. Tivemos a sorte de receber muitas candidaturas fortes, e lamentamos informar que não daremos continuidade à sua...”
Noelle fechou o e-mail, tentando não chorar.
Outra rejeição.
Ela tinha seu MLIS. Ela parecia bem no papel. Trabalhar numa biblioteca universitária era tudo que ela sempre quis.
Claro que não conseguia. Nada nunca dava certo para ela.
Ding!
Droga. Agora estavam mandando rejeições duas vezes?
Ela acendeu a tela.
Mãe
Oi, querida! Como está a busca por emprego? ❤️
E era. Culpa.
Ela era uma mulher adulta. A mãe não deveria ter que se preocupar com ela.
Ela já deveria ter um emprego.
Noelle tinha chegado tão perto. Tinha chegado à entrevista final para um emprego de bibliotecária numa faculdade que amava. Tinha sido o lugar perfeito. A posição perfeita. Tudo que ela queria.
Então no dia da entrevista, tudo deu errado. O avô dela faleceu.
E ela não podia deixar a mãe lidar com aquilo sozinha. Não de novo.
De repente, aquela grande oportunidade precisou esperar.
O painel entendeu a situação dela. Infelizmente, precisavam preencher a posição imediatamente. Ela poderia reagendar dentro da semana?
E Noelle não podia.
Tinha que cuidar da mãe. A mãe, que já tinha perdido o marido quando Noelle era pequena demais para se lembrar dele. A mãe, que tinha ficado para ser mãe solteira e fez isso muito bem.
A mãe não tinha pedido apoio, como sempre. ”Vou ficar bem, querida. Foca na sua carreira.”
Mas não tinha como ela seguir esse conselho. Ela devia à mãe estar lá.
Ela se retirou do processo em Rodham. Ajudou com o funeral e começou a busca de novo.
Mas qualquer coisa especial que Rodham tinha visto nela, ninguém mais conseguia ver agora.
Seu Mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação só tinha conseguido arranjar um emprego numa livraria.
Era melhor que nada. Colocava comida na mesa, e era uma livraria de livros antigos, o que permitia usar algumas de suas habilidades.
Mas estava tão longe do objetivo original. Ela não queria ficar mantendo manuscritos antigos, provavelmente roubados, em boas condições para que pessoas ricas pudessem guardá-los.
Ela queria estar ajudando com pesquisas importantes. Queria estar adicionando obras raras a bancos de dados públicos, para que o mundo inteiro pudesse aproveitá-las.
Noelle limpou os olhos e digitou de volta.
Noelle
Não deu certo! O próximo com certeza! Não vou desistir 😊
Mãe
Lembra de não se esgotar! Se você quiser focar na busca por emprego, pode sempre voltar para casa. Você sempre tem um quarto aqui. ❤️
Noelle mandou de volta um emoji de coração e enfiou o celular no bolso. Normalmente, tentaria mandar um comentário feliz para a mãe. Agora não. Apreciava demais o gesto.
Mesmo que não pudesse aceitar.
Talvez fosse hora de desistir do sonho.
Noelle limpou os olhos de novo. Mais um dia ruim. Se o universo não a odiasse, ela encontraria cinquenta reais no chão. Ou algum deleite visual na forma de um vizinho gato apareceria no topo das escadas.
Agora... já.
Nada. Claro que não tinha funcionado.
Noelle destravou a porta. Trancada, como sempre. Ela chutou para abrir e se espremeu para dentro do apartamento.
O apartamento não era dos maiores, mas era suficiente.
E não era como se o salário dela permitisse muito mais que isso.
Um dia de cada vez.
Noelle suspirou, largando as chaves na tigela da entrada. A franja grudada no suor da testa. O rabo de cavalo tinha grudado na nuca. O dia tinha sido muito úmido, e ela tinha ficado de pé pelas últimas doze horas.
Dias como esses realmente faziam ela sentir falta de morar em casa.
Casa. Onde comida deliciosa simplesmente aparecia na mesa. Aqui, ela tinha que fazer compras e cozinhar.
E ela conseguia. Sério. Mais ou menos. Só tinha disparado o alarme de incêndio umas quatro vezes.
Cozinhar era para semana de pagamento, no entanto. E para um dia em que ela não estivesse exausta.
Ela empurrou a franja úmida para o topo da cabeça e se jogou na única cadeira que possuía.
Nada era melhor que ficar deitada depois de um longo dia.
Noelle encarou o celular sem energia. A tela estava escura, mas isso não importava. A mensagem da mãe estava tocando repetidamente na cabeça.
Talvez não pudesse desabafar com a mãe... mas podia desabafar com alguém. E ela sabia exatamente para quem mandar mensagem.
Noelle
Rejeitada de novo 😞
Sandy
Ugh! Desce pra beber comigo amanhã à noite?! Sua amiga foi promoooovida e vc podia usar uma animada??? 🍷🍷🍷
Noelle sorriu. Sandy sempre conseguia melhorar o dia dela. Elas se conheciam há tanto tempo que não havia segredos entre elas. Antes de Sandy conhecer Charles, tinham passado muitas noites planejando suas vidas futuras de velhinhas com gatos juntas.
Ela estava no meio de digitar SIM quando se lembrou. Já tinha compromisso. Ela gemeu.
Noelle
Não posso tenho que ajudar o Adam a escolher uns móveis
Sandy
MAS VC PRECISA MESMO?
Noelle se encolheu. Jogou o celular na mesinha de centro, deixando a melhor amiga no vácuo.
Adam era amigo dela. Apenas amigo. Tinha sido erro dela achar que eram mais. Eles se conheciam quase tanto quanto ela e Sandy. Às vezes ainda se perguntava como tinha interpretado mal os sinais.
Mas cada mensagem ou convite para sair depois da sua estúpida confissão significava que ele tinha perdoado a confissão. Como ela podia dizer não?
Noelle se largou.
Operação Distrair a Si Mesma tinha sido uma completa e total falha. Ótimo. Ninguém para conversar. Nada para comer. Ela podia muito bem tomar banho. Isso era autocuidado, certo?
No chuveiro, a água quente atingiu o corpo. Os músculos relaxaram. O suor que a cobria há horas escorreu.
Ela se sentiu uma mulher nova.
Desligou a água e pegou a toalha mais próxima. O cabelo longo pingava água nos azulejos enquanto enrolava o tecido ao redor do corpo. Estava alcançando uma segunda toalha para a cabeça quando de repente —
O coração parou. O sangue pareceu congelar. A boca ficou seca. Ela agarrou a cortina, segurando como se a vida dependesse disso.
Havia uma aranha na pia.
E ela estava nua, com apenas uma toalha e uma cortina para proteção.
Noelle abriu a boca e gritou. Era assim que ela morria.
A porta se escancarou. Ela se encolheu e gritou de novo.
Mas não era um assassino ou um estranho. Era...
Ah.
Era o vizinho extremamente gostoso e extremamente musculoso da porta ao lado.













































