
Companheiro de Valentine
Author
Roanna Hinks
Reads
326K
Chapters
15
Capítulo 1.
Skye
Empurrei a porta do meu pequeno apartamento, entrei e a fechei atrás de mim. Dei meia-volta e observei o espaço acanhado onde eu morava. Era para ser um lar, mas não tinha jeito de lar.
Encontrei esta cidadezinha há uns seis meses. Eu estava em busca de um lugar para chamar de meu depois da guerra que dizimou a maioria das alcateias de lobos, incluindo a minha.
A guerra foi entre três alfas sem escrúpulos. Todos queriam poder e cobiçavam o que os outros tinham. Começaram uma guerra e se deram mal. Pelo que fiquei sabendo, os três alfas acabaram se matando, mas não tenho certeza. Só sei que perdi todos que eu amava nessa briga - minha família e amigos. Só escapei porque meu pai me mandou fugir. Eu sabia lutar e estava pronta para morrer tentando, mas meu pai tinha outros planos. Meus dois irmãos mais velhos enfrentaram os lobos enquanto meu pai me levava para um lugar seguro.
Quando ele me levou até a divisa de nossas terras, parecia arrasado e apavorado. Ele nunca quis essa vida para nós. Nosso alfa era o pior de todos, tomando dos outros e pouco se importando com seu povo.
Meu pai me abraçou para se despedir e ficou me olhando por um instante. Ele me deu um colar - um medalhão. Era da minha mãe, que ele sempre carregava consigo. Antes de voltar para ajudar meus irmãos, ele me disse que o medalhão manteria minha mãe, ele e meus irmãos comigo. Deu um beijo na minha testa e voltou para a luta.
Lembro de ficar parada ali por um tempo antes de ouvir um uivo alto e sentir minha conexão com minha família se desfazer. Isso significava que toda a minha família tinha morrido.
Chorei enquanto fugia.
Por dias, corri sem rumo, mas não tinha nada - sem dinheiro, nada. O pior foi que me tornei uma loba solitária da noite para o dia. Foi difícil, principalmente porque eu sempre vivi em alcateia, mesmo que fosse um período complicado por lá.
Minha loba, Nyla, se remexeu na minha cabeça, o que significava que ela tinha acordado. Não olhei para ela já que ela estivera dormindo a maior parte da noite enquanto eu trabalhava.
Tem sido Nyla e eu desde a guerra.
Tentando afastar pensamentos tristes, fui para a cozinha preparar algo para comer. Eu estava morrendo de fome nas últimas três horas.
Trabalhar em um bar é razoável, principalmente porque é o melhor lugar para ganhar uma grana. Trabalhei em alguns bares nos últimos meses. Sempre me certifico de juntar dinheiro suficiente antes de seguir viagem.
Nyla se aproximou enquanto eu pegava uma maçã da fruteira. Eu precisava comprar comida de verdade, mas teria que esperar até amanhã.
— Temos carne? — Nyla perguntou, nada satisfeita com a escassez de comida.
— Não — respondi, olhando de volta para ela. Seus olhos amarelos me encararam, mas ela resmungou. — Eu detesto frutas.
Não disse nada e estava prestes a me afastar quando ela me deteve com suas próximas palavras.
— Podemos dar uma corrida? — ela perguntou, fazendo-me olhar de volta para ela com os olhos arregalados. Eu deixo Nyla correr quando saímos. Tenho poucas coisas, basicamente uma mochila da qual vivo e que ela carrega quando partimos para a próxima cidade.
Viver entre humanos tem sido tranquilo. Evitamos qualquer lugar onde haja outros lobos solitários, já que não conhecemos as regras quando se é um. Ficamos na nossa, sem saber se poderíamos nos aproximar de outros.
Quando eu era mais nova, meu pai me contava histórias sobre como alguns lobos solitários podem ser cruéis e que às vezes enlouquecem quando ficam muito tempo sem alcateia. Eu não queria isso para mim, mas andando por aí não havia muitas alcateias por perto, o que me faz pensar se a guerra se espalhou para outros lugares.
Balancei a cabeça e olhei para Nyla. Eu sabia que ela odiava não poder correr quando tinha vontade. Além disso, se ela fosse correr, poderia encontrar algo que pudéssemos comer e matar a fome.
— Tá bom — concordei rapidamente, o que fez Nyla ficar animada. — Só se você ficar na floresta. Não queremos que ninguém pense que estamos lá para causar problemas.
Nyla assentiu.
— Podemos dar uma olhada naquelas barracas que estavam no campo — ela sugeriu, o que me fez franzir a testa.
— Não sei se... — comecei a dizer, mas ela grunhiu, me fazendo parar de falar. Seus olhos ficaram fixos em mim antes que ela falasse novamente. — Skye — ela disse, inclinando a cabeça. — Se divirta um pouco. Estamos fugindo há meses e ninguém está nos procurando. Podemos ficar aqui por mais tempo se quiser, mas é sempre sua escolha.
Não disse nada, mas sabia que ela estava certa. Ninguém estava nos perseguindo e, para falar a verdade, não achava que alguém estaria já que todos estavam ocupados matando o alfa.
Meu coração ficou apertado só de pensar em todas aquelas pessoas que morreram. Olhei para o rosto de Nyla, que ficou mais suave quando ela percebeu no que eu estava pensando.
— Não tinha como saber — ela disse baixinho. — Foi tudo culpa daquele homem louco por querer o que não podia ter. Ele levou a alcateia com ele. Você tinha apenas dezenove anos, tem toda a vida pela frente e o papai queria que você a vivesse por eles.
Eu me senti triste, mas sabia que não podia ficar remoendo o passado. Minha mão foi até o medalhão que eu usava todos os dias desde que meu pai me deu. Minha mãe o usava quando meu pai o deu a ela. Já havia fotos dentro. De um lado, uma dos dois e do outro lado, uma dos três filhos deles - eu e meus irmãos.
— Skye — Nyla chamou baixinho, me trazendo de volta à realidade. — Uma corrida vai fazer bem para nós duas.
Eu sabia que ela estava certa.
Sem dizer nada, olhei para trás e joguei a maçã no lixo. Não fazia sentido comê-la. Tinha que admitir que estava de saco cheio de comer essas coisas.
Saindo da cozinha, fui até a mesinha que ficava perto do sofá pequeno. Tirei meu medalhão e peguei minha carteira do bolso, colocando-os na mesa em uma caixinha para mantê-los seguros. O apartamento era seguro, mas eu ainda não confiava em ninguém.
Olhando ao redor do lugar, rapidamente vesti algo mais fácil de colocar e tirar - um vestido.
No trabalho, uso jeans e uma camiseta com tênis. Acho que só tenho duas calças jeans, algumas blusas, duas leggings e um par de sapatos - meu tênis, e também um vestido. É tudo que consigo colocar em uma mochila para carregar.
Depois de trocar de roupa, voltei para a porta e saí, apenas para dar de cara com minha vizinha e senhoria - Olga. Ela me olhou e abriu um sorriso.
— Skye — ela disse, me olhando de cima a baixo. — Pensei que você tivesse acabado de voltar do seu turno. Esqueceu alguma coisa?
Como Olga era humana, Nyla recuou um pouco, certificando-se de que ela não a visse. Mantendo a calma, sorri.
— Só vou até a loja — expliquei. — Estou com fome.
Olga assentiu.
— Está com calor? — ela perguntou, olhando para meu vestido.
Minhas bochechas ficaram um pouco vermelhas, sentindo como se tivesse feito algo errado.
— Sim — respondi. — O bar estava um forno. Jed achou que manter o aquecedor ligado a noite toda era a solução, mas eu não aguentava mais.
Olga assentiu, mas não pude dizer se ela acreditou no que eu disse. Eu certamente não acreditei. Nyla riu enquanto Olga falava novamente.
— Ok — ela disse e se virou, mas parou. — Ah, esqueci de te contar. Chegou uma feirinha aqui. Será na área do campo e ficará por alguns dias.
Eu olhei para ela.
Bem, isso responde à pergunta que Nyla e eu tínhamos momentos atrás.
— Eles têm um desconto lá para amanhã à noite — ela disse, o que me fez franzir a testa.
O que era amanhã?
Nyla estava prestes a falar, mas Olga deve ter lido minha mente e disse:
— Pela sua cara, você não sabe o que é amanhã — ela disse, parecendo um pouco confusa. — É o dia que todos os jovens gostam de chamar de dia do amor.
Não disse nada, o que a fez suspirar.
— Dia dos Namorados — ela explicou, o que me fez ficar tensa.
Droga, esqueci disso. Mas para mim, não era apenas o Dia dos Namorados; era também meu aniversário, e eu não ia contar isso para Olga. Dá para imaginar o que ela faria? Essa senhora gosta de fazer um grande alvoroço e nos últimos meses desde que moro aqui, ela comemorou um grande evento com alguém que conhece e gosta de fazer muito por isso.
Limpando a garganta e sabendo o quão famintas Nyla e eu estávamos ficando, eu precisava ir embora.
— Dia dos Namorados — repeti. — Que legal.
Olga sorriu e estava prestes a falar, mas eu me adiantei.
— Olga, me desculpe — eu disse, olhando para a porta da frente e voltando a olhar para ela com um sorriso. — Preciso ir comprar comida antes que a loja feche. Estou morrendo de fome.
Olga me olhou e assentiu.
— Ah, me desculpe querida — ela disse. — Vou deixar você ir agora.
Sorri e me virei para ir até a porta que levava para fora do prédio.
Sem olhar para trás para Olga, saí e fui em direção à borda da floresta.
Nyla se aproximou e suspirou.
— Estou faminta — ela disse, enquanto eu entrava na floresta e ia até uma árvore próxima. Rapidamente tirei meu vestido e o dobrei, colocando-o em um pequeno buraco para que ninguém pudesse vê-lo. Levantei-me e deixei Nyla assumir o controle.
Assim que ela se transformou em loba e sacudiu o pelo, Nyla se afastou e foi mais fundo na floresta para caçar nossa próxima refeição.














































