
Companheiro Inesperado Livro 2
Author
Lee C Conrad
Reads
128K
Chapters
32
1: O Homem Com uma Obsessão
Livro 2: Vínculo Inesperado
HARPER
Eu me vi encostado na porta de correr de vidro do meu quarto. Lá fora, a noite estava escura e a chuva batia nas janelas. Eu geralmente achava o som da chuva relaxante, como uma canção de ninar que me ajudava a dormir.
Mas, esta noite, o sono não vinha. Apesar da escuridão, minha visão era clara. Afinal, eu não era humano.
Eu era um lycan, e meus olhos conseguiam se adaptar à pouca luz. O brilho suave do meu celular iluminava a minha mão. Eu estava olhando para uma foto, uma imagem com a qual eu estava obcecado há mais noites do que eu gostaria de admitir.
O rosto dela, o cheiro dela, a voz dela — tudo isso estava gravado na minha mente. Eu nunca tinha tocado nela. Só a tinha visto algumas vezes, quando acompanhei Axel para um encontro com o Red Coven.
E esse era o problema principal. Veja bem, eu era um lycan, o que a maioria das pessoas chamaria de um lobisomem bombado. A descrição seria engraçada se eu não estivesse tão focado nos meus pensamentos.
A minha forma de lobo era do tipo que os humanos chamavam de monstros no passado. Na época em que os humanos governavam o mundo, era assim que eles me viam. Mas, agora, o mundo estava dividido em territórios, cada um governado e habitado por diferentes espécies.
Mas não era essa parte da história que ocupava a minha mente. Era a mulher com os lindos e inesquecíveis olhos verde-gelo. Meu polegar passou pela tela, como se eu pudesse tocá-la através do celular.
A mulher na foto era uma vampira. Ela estava totalmente fora do meu alcance, pois fazia parte da linhagem real deles. Vampiros da realeza eram conhecidos por suas habilidades fortes e perigosas.
Eu sabia disso porque já tinha enfrentado alguns. Ela não era apenas uma vampira qualquer. Ela era a minha verdadeira companheira. Eu podia sentir minha fera interior implorando para encontrá-la.
No momento em que a vi, eu soube. É uma coisa que acontece com lobisomens e lycans. Quando você olha nos olhos da sua verdadeira companheira, você simplesmente sabe. A descoberta foi emocionante, mas também me deixou triste.
Eu me lembro de estar lá com o Axel, meu alfa, enquanto conversávamos com o líder do clã dela pela primeira vez. Ela estava lá, servindo os homens, como era costume na maioria das sociedades dos vampiros. Ela só falava quando seu pai, o líder do clã, exigia algo dela.
Foi incrivelmente difícil focar naquela reunião. Eu parecia estar olhando para a mesa, mas eu a observava pelo canto do olho. Eu não queria que ninguém soubesse que eu estava olhando para ela.
Os vampiros não tinham essa ideia de verdadeiros companheiros, até onde eu sabia. Eles acreditavam em almas gêmeas, mas não era uma prioridade encontrar sua outra metade. Eles sabiam que outras espécies, como os lobisomens, tinham a capacidade de reconhecer seus verdadeiros companheiros.
Mas os vampiros eram uma raça narcisista e cruel, na minha opinião. Eu tinha sofrido nas mãos deles. Meus pais foram mortos por vampiros.
Durante a guerra por territórios, quando as espécies lutaram pelo poder, minha alcateia original foi destruída. Minha irmã, Grace, e eu fomos os únicos que escaparam. Eu a tirei da nossa casa a mando do meu pai e nós fugimos.
Depois disso, vivemos na natureza, fugindo não apenas da guerra, mas também de outras espécies. Para os vampiros, o sangue de lycan era uma bebida muito poderosa. Então, também tinha isso.
Quanto ao meu passado, digamos que eu não tinha muito respeito pelos vampiros. Como eu acabei sendo o subcomandante e beta do maior território de lobisomens e lycans do mundo era uma história de sobrevivência e uma série de eventos aleatórios.
Grace e eu tivemos a sorte de encontrar Axel quando ele estava apenas começando a formar seu território e alcateia. Correr naquela noite com Grace nos levou até ele. Eu suspirei, abaixando a mão e deixando a tela do celular apagar.
Meus pensamentos voltaram ao passado. Lembrei como outros lobos tentaram levar Grace para transar e procriar com ela. Eu lutei contra eles com tudo o que tinha.
Em desvantagem, quase morri, mas consegui matar a maioria deles. Deixei minha fera interior se libertar, e foi uma força incontrolável. É por isso que os lycans eram temidos.
Axel ouviu a luta enquanto passava e veio nos ajudar. Ele não hesitou. Ele atacou como o demônio que os outros diziam que ele era e matou o resto.
Eu ajudei, e Grace, mesmo machucada, também fez o que pôde. Nós vencemos, e eu aceitei na mesma hora o convite de Axel para entrar na sua alcateia que estava crescendo. Éramos jovens, e Grace, sendo uma ômega mesmo na sua forma lycan, precisava de proteção.
Foi a melhor opção para nós. Não demorou muito para minhas habilidades se destacarem com o treino certo. As da Grace também. E nada gera mais lealdade do que salvar a vida de alguém.
Ganhar a confiança do Axel não foi fácil, mas eu consegui, e ele confiava em mim. Nós éramos parceiros de batalha agora. Mas essa era outra razão pela qual eu sentia tanto conflito quando percebi quem era a minha companheira.
Estávamos tentando renegociar o acordo com os vampiros. O Red Coven estava preso aos seus velhos costumes, como a maioria dos vampiros. Eu sabia, sem sombra de dúvida, que se eu demonstrasse interesse na Sierra, os vampiros não aceitariam bem.
Eles podiam ser educados na nossa frente, especialmente agora que o território do Axel estava crescendo e ficando forte. Mas acasalar seria cruzar uma linha que o Red Coven não iria tolerar. Lobisomens — ou lycans, no meu caso — e vampiros podiam transar e se pegar? Sim, eles não pareciam se importar com isso.
Mas acasalar ou criar um vínculo? Não, isso era considerado terrível. Para eles, nós éramos animais. Bom, que se fodam. Todos nós éramos animais fingindo ser cultos e civilizados.
Eu pensava rápido enquanto ficava ali, olhando para a escuridão e ouvindo a chuva. Meu polegar ainda esfregava a tela agora apagada. Eu não via uma boa maneira de lidar com isso, e sabia que, com o passar do tempo, minha fera interior ficaria inquieta.
Ela iria querer a companheira que reconheceu. Se eu não conseguisse pensar em um plano ou controlar o meu tesão, eu ia fazer uma merda. Eu simplesmente sabia.
Normalmente, eu pensava com clareza, e era por isso que eu ajudava tão bem o Axel. Mas, agora, eu poderia não pensar bem, e isso poderia nos custar caro se eu não conseguisse guardar a minha descoberta só para mim. Amanhã era o dia em que tínhamos marcado de encontrar o Red Coven.
A tensão entre os territórios estava aumentando, e estava ficando cada vez mais difícil de ignorar. Alguns líderes estavam perdendo o controle, e a quantidade de assassinatos e sequestros estava crescendo.
Parecia que estávamos à beira de outra explosão de violência. O Red Coven era um território importante, e como o River Coven tinha problemas com o Axel, decidimos tentar a sorte negociando com os vampiros do Red Coven.
O River Coven estava trabalhando com o Nate, o antigo pretendente da Layla. Mas essa é uma história para outra hora, e, além disso, o babaca estava morto agora, então não importava muito.
Apesar do perigo da guerra, minha mente estava ocupada pensando na Sierra. Ela estaria lá? Eu teria outra chance de vê-la? Ela estaria servindo e ouvindo, como a filha do líder deles?
Apertei os dentes e briguei comigo mesmo na minha mente. “Se controla”, pensei. Mesmo que ela estivesse lá, não havia nada que eu pudesse fazer sobre isso no momento.
Essas negociações, que já duravam meses, eram a prioridade. Era muito importante saber quem eram nossos aliados, e meus desejos pessoais e o meu tesão teriam que esperar.
De repente, eu me virei e sentei na cama com força, com o olhar fixo no meu celular apagado. Soltei um rosnado de frustração e quase bati a porra do aparelho na minha mesa de cabeceira. Eu precisava dormir, não agir como um adolescente apaixonado.
Eu me deitei e coloquei um braço acima da minha cabeça, enquanto o outro descansava na minha barriga nua, logo acima do cós da minha calça. Fiquei olhando para o teto, sem realmente ver nada.
Depois de alguns minutos, ficou claro que o sono não viria facilmente. Irritado, estiquei a mão e peguei o celular que eu não conseguia largar. Alguns toques depois, a foto dela estava na tela de novo.
Talvez, se eu apenas olhasse para ela um pouco mais, eu pudesse acalmar a minha mente agitada e finalmente dormir um pouco. Mas, no fundo, eu sabia que isso era mentira.
A realidade era que eu provavelmente passaria a noite inteira olhando para a foto dela como um idiota, apenas para acordar de manhã e começar o meu dia, fingindo que não estava completamente apaixonado por uma mulher que eu mal conhecia.














































