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Série Criaturas da Escuridão

Capítulo 2

Ela se mexeu durante o sono. O calor da lareira aquecia sua pele. O crepitar do fogo era um som suave, mas ela também ouvia ruídos de algo sendo remexido e arrastado. Abriu os olhos e se virou, olhando em direção à porta.
A janela ao lado da porta estava completamente escura quando ela chegou. Agora, uma luz forte atravessava o vidro sujo. Em frente à janela, o homem mexia nas coisas dela.
“Ei!” chamou, sentando-se. “O que você está fazendo? Isso é meu!”
Ele virou a cabeça na direção dela. Olhou-a com uma intensidade absurda.
“Meu” disse, com uma voz grave e áspera. Soava como se não falasse há anos.
Levantou-se. Era muito alto e a fazia se sentir pequena. Ela notou, mais uma vez, que ele estava nu. Tentou não olhar para o pau enorme balançando entre as pernas dele.
A nudez dele a fez lembrar da sua própria. Baixou os olhos para o corpo e soltou um som de surpresa. Cobriu os seios depressa e apertou as coxas, tentando se esconder. Procurou pela roupa ao redor, mas então percebeu que tinha sumido.
Olhou de volta para ele. Ainda a observava do outro lado do cômodo. Seus olhos mostravam um leve divertimento.
“Onde estão minhas roupas? Estavam bem ali.” Apontou rápido para o lugar onde as deixara na noite anterior, um braço ainda envolvendo o peito.
Ele estreitou os olhos. Ficou ali, completamente nu, os lábios pressionados em uma linha firme. Claramente, não ia responder.
Ela fez uma careta, mas não insistiu. Ficou perto do fogo. Era quente e aconchegante, comparado ao resto da cabana. Tinha certeza disso.
Ele voltou a revirar as coisas dela. Examinou tudo o que ela trouxera. Sentiu como se ele estivesse invadindo sua privacidade.
Mas quando terminou e se aproximou dela, sentiu que ele estava perto demais. Parou à sua frente. O pau dele ficava na altura dos olhos dela.
O rosto dela queimou, e virou a cabeça para o lado. Tentou olhar para qualquer outra coisa. Talvez ele não entendesse inglês e houvesse algum mal-entendido.
Dedos fortes agarraram seu queixo e a fizeram encará-lo. Agora, ele estava ajoelhado ao lado dela. Seus olhos estavam no mesmo nível. Os dele, castanhos escuros, a fitavam profundamente. Eram tão escuros que não dava para distinguir a íris da pupila.
Achou que, finalmente, ele fosse falar. Abriu a boca para dizer algo, mas ele pressionou os lábios contra os dela. Seus olhos se arregalaram de surpresa e confusão. Uma onda de calor se espalhou pelo corpo enquanto a língua dele explorava a sua, invadindo sua boca.
Então entendeu — ele a estava beijando. Empurrou-o e cobriu a boca. Devia ter pensado que ela era alguma vadia nua deitada ao lado dele.
Ele era apenas o segundo homem a beijá-la. A sensação a fez se sentir suja, mas seu corpo reagiu como o de uma devassa.
Como ousa” sibilou, furiosa. Passou o dorso da mão nos lábios. Levantou-se, torcendo para que ele não visse sua nudez como um convite.
Ele não se moveu, mas continuou a observá-la. Viu o resultado daquele único beijo se erguendo entre as pernas dele. Permaneceu no chão, onde ela o empurrara. Não disse nada enquanto ela saía à procura das roupas.
Não encontrou as próprias peças. No corredor depois da cozinha, havia vários quartos. Apenas um parecia ser usado. No armário, encontrou camisas masculinas. Na cômoda, tudo era grande demais.
Quem quer que morasse ali era enorme. A camisa pendia nela como um vestido, chegando abaixo dos joelhos.
Voltou para a sala usando apenas a camisa. Ele ainda estava sentado nu perto do fogo. Olhou por cima do ombro para ela. Pareceu ainda mais excitado com aquela única peça de roupa. Seus olhos a devoravam com desejo.
“Você sabe o caminho para Devidat?” perguntou, colocando as mãos na cintura.
Ele se virou de volta para o fogo e se apoiou nos braços. A ignorou completamente. Ou talvez realmente não entendesse inglês.
“Se me disser onde estão minhas roupas, eu vou embora agora mesmo e você não precisa mais lidar comigo, senhor.”
Não podia sair só com aquela camisa enorme. Ele tinha escondido tudo: blusa, calça, casaco, calcinha, meias e até as botas.
“Não” disse ele. Sua voz era áspera, como se tivesse engolido cacos de vidro a vida inteira.
“Não?” repetiu, esperando uma explicação. Não, ele não ia dizer onde estavam? Ou não, ela não o estava incomodando?
Caminhou até ele com passos pesados. Parou à frente dele, como ele fizera com ela. Só que, no caso dela, não tinha sua intimidade na cara dele. Na altura dele, ficava na altura do estômago dela. Olhou-a com aqueles olhos escuros e tristes.
“Por que você não me devolve minhas coisas? Você as escondeu de mim” reclamou, como uma criança birrenta.
Ele não pareceu incomodado. Agarrou-a pelos quadris e pressionou o rosto contra a pele macia da barriga dela.
“Não, não, não.” Bateu nas mãos dele, tentando afastar os dedos. “Me solta, seu bruto.”
Bruto” repetiu, num tom que deixava claro que discordava. Sua voz vibrou contra a barriga dela. Num movimento rápido, ela estava deitada de costas, com ele por cima. “Se eu fosse um bruto, já teria te fodido nesse chão imundo” disse, o nariz roçando o dela, os lábios quase tocando os dela.
Ela congelou. Não sabia o que fazer.
Ele se sustentava sobre as mãos e os joelhos, um de cada lado da cabeça dela.
“Você não disse nada para mim” falou, como se ela tivesse feito algo errado.
Piscou, confusa.
“Ah, sim, eu disse. Foi você que não disse nada para mim.”
Ele inclinou a cabeça para o lado, observando-a.
“Você quer que eu fale primeiro, quando foi você que me encontrou. Você me encontrou.”
Ela assentiu devagar.
“Eu te encontrei… por acidente. Só estava procurando abrigo.”
Tentou se mexer, mas os braços dele a mantinham no lugar. Mesmo não estando duro naquele momento, sentia o peso macio da virilidade dele contra ela. Movia-se levemente enquanto ele falava.
“Então, você quer que eu diga em voz alta” disse ele. Sua voz tinha um leve sotaque que ela não conseguia identificar.
Tinha certeza de que algo se perdia na tradução. Não fazia ideia do que ele queria dizer.
“Sim, claro. Diga.”
Ele aproximou o rosto do dela. Sua voz era um sussurro quando disse:
“Você é minha.”
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