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Cruzando a Linha

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🏈Disputas esportivas🏃🏿‍♂️Atletas🏙️Contemporâneo🏒Jogadores de hóquei

Harper Reid retorna à Briar University como a preparadora física da equipe — e não como a estrela do hóquei que um dia foi. Trabalhando para seu pai, o treinador Reid, ela está determinada a provar seu valor por conta própria. Mas quando é designada para tratar Wes Carter, o brilhante e imprudente atacante do time, as linhas profissionais começam a se confundir.

Enquanto Wes luta para se recuperar de uma lesão no joelho que ameaça sua carreira com o recrutamento da NHL se aproximando, Harper precisa lidar com seus sentimentos crescentes, a desaprovação de seu pai e o peso de seu próprio passado.

Algumas regras existem por bons motivos. Outras valem a pena ser quebradas.

Capítulo 1

A cicatriz no joelho esquerdo de Harper Reid formigou enquanto ela entrava na arena de hóquei da Briar University, uma lembrança fantasma da última vez que ela pisou neste gelo. Três anos, duas cirurgias e um sonho destruído atrás.
A luz do início da manhã entrava pelas janelas altas, formando sombras longas sobre as arquibancadas vazias.
Tudo parecia exatamente igual — as bandeiras do campeonato penduradas no teto, o logo da escola pintado no centro do gelo, até o cheiro fraco de café vindo do escritório do seu pai. Mas, desta vez, ela não estava aqui como jogadora.
Harper arrumou a alça da sua maleta médica, com seu novo crachá da equipe de treinamento atlético da Briar University brilhando na luz. O cordão parecia estranho no seu pescoço, muito diferente do peso de uma camisa de jogo. Seus passos ecoaram pelo corredor enquanto ela ia para a sala de treinamento — seu novo domínio.
“Olha quem finalmente chegou às grandes ligas.”
Harper sorriu, virando-se para encontrar Korra West encostada na porta da sala de treinamento ao lado. Elas tinham feito a pós-graduação juntas, mas enquanto Harper fez sua residência em um time profissional em Boston, Korra conseguiu o cargo nos esportes femininos da Briar logo de cara.
“Alguém tinha que vir salvar a sua bunda,” Harper respondeu.
Korra bufou. “Por favor. Eu não sou a pessoa que tem que lidar com vinte e cinco garotos gigantes que acham que são invencíveis.” Ela desencostou da porta, seu rabo de cavalo escuro balançando. “Falando nisso, quão estranho isso vai ser? Trabalhar para o seu pai?”
“Tão estranho quanto você imagina.” Harper começou a tirar seus materiais da bolsa, organizando-os com muita habilidade. “Mas eu conquistei essa vaga. O meu currículo...”
“O seu currículo é incrível, e você sabe disso. Não foi isso que eu quis dizer.” Korra sentou na maca, observando Harper trabalhar. “Eu quis dizer quão estranho vai ser estar de volta aqui? Depois de tudo?”
As mãos de Harper pararam no rolo de fita atlética que ela estava guardando. A cicatriz formigou de novo, uma lembrança de gelo e impacto, e de sonhos se despedaçando como vidro quebrado. “Eu estou bem.”
“Aham.”
“Eu estou. Isso foi há muito tempo.”
“Três anos não é tanto tempo assim.”
Antes que Harper pudesse responder, vozes ecoaram pelo corredor — masculinas e graves, cheias de reclamações matinais e daquela amizade fácil de colegas de time. Korra pulou da maca. “Hora do show. Tente não matar nenhum deles no seu primeiro dia.”
“Não prometo nada,” Harper murmurou, mas ela já estava endireitando os ombros, entrando no modo profissional enquanto os primeiros jogadores entravam na sala de treinamento.
Ela reconheceu alguns deles das conversas do pai sobre recrutamento durante o jantar. Mike Paige, defensor veterano. Diego West, sem parentesco com Korra, atacante central do terceiro ano. Ryan Hayes, defensor do terceiro ano com uma raiva guardada do tamanho de Boston. Eles olharam para ela com graus variados de curiosidade e desconfiança enquanto entravam para fazer os curativos e os tratamentos antes do treino.
E então ele entrou.
Harper tinha ouvido falar de Wes Carter, é claro. Todo mundo tinha. O atacante do segundo ano que quebrou recordes de pontuação no seu primeiro ano. A promessa da NHL que deixava os olheiros babando. O grande orgulho do seu pai, embora ele nunca fosse admitir isso em voz alta.
O que ela não tinha ouvido falar era de como ele se movia como se fosse o dono do gelo, mesmo no chão firme, de como seu cabelo escuro enrolava um pouco nas pontas que precisavam de um corte, ou de como seus olhos azuis podiam te paralisar com um único olhar. Ele andava com a confiança tranquila de alguém que nunca duvidou do seu lugar no mundo.
Os olhos deles se encontraram, e algo elétrico estalou no ar.
“Bom,” ele disse, seus lábios formando um sorriso de lado que provavelmente derretia metade das mulheres da Briar, “se não é a filha pródiga.”
As costas de Harper ficaram tensas. “Se não é o garoto de ouro que tem preguiça de enfaixar os próprios tornozelos direito.”
As sobrancelhas dele subiram, aquele sorriso aumentando. Alguns dos garotos riram. “Andou assistindo aos vídeos dos jogos, não é?”
“Alguém tem que assistir. A sua postura está ficando desleixada.”
A temperatura na sala pareceu cair vários graus. Os outros jogadores ficaram quietos, assistindo à conversa como se fosse uma partida de tênis. O sorriso de Wes sumiu, substituído por uma expressão mais dura.
“A minha postura,” ele disse devagar, “é perfeita.”
“A sua postura,” Harper rebateu, olhando firme para ele, “vai fazer você se machucar se não consertar isso. Mas o que eu sei? Eu sou só a pessoa responsável por montar você de novo quando você quebrar.”
Por um momento, ninguém se mexeu. Então Wes riu — um som verdadeiro que mudou todo o seu rosto. “Tudo bem, Doutora. Me mostre o que eu estou fazendo de errado.”
Harper ignorou o frio na barriga que sentiu com o sorriso dele. Ela apontou para a maca. “Senta. E é Harper, não Doutora.”
Ela sentiu o rosto ficar um pouco vermelho. Ela ainda não tinha terminado o doutorado de verdade; por enquanto, ela era apenas uma treinadora atlética formada. O Dr. Miller era o médico oficial do time.
“O que você disser, Doutora.”
Enquanto ela começava a examinar o tornozelo dele, o pai dela apareceu na porta. O Treinador Reid olhou para a cena — sua filha tratando o seu jogador estrela, o resto do time fingindo não olhar — e sua expressão assumiu um ar complexo.
“Reunião do time em cinco minutos,” ele avisou. “Harper, vá ao meu escritório depois.”
Ela balançou a cabeça, focando no seu trabalho em vez de no olhar pesado dele. Seus dedos se moveram de forma profissional sobre o tornozelo de Wes, mas ela conseguia sentir o calor dele, a força firme em suas pernas, e o jeito que ele a olhava com uma intensidade que fez a pele dela arrepiar.
“Suas mãos estão geladas,” ele murmurou, baixo o bastante para que só ela pudesse ouvir.
“É melhor se acostumar.” Ela prendeu a fita com um pouco mais de força do que o necessário. “Você está pronto.”
Ele pulou da maca com um movimento suave, testando o curativo. “Nada mau, Doutora.” Ele começou a sair, mas parou. “Ah, e a propósito? A minha postura não é o problema. Eu só gosto de jogar no limite.”
“O limite,” Harper disse, “é de onde as pessoas caem.”
Algo brilhou nos olhos dele — talvez interesse, ou um desafio. “Então eu acho bom ter alguém para me segurar.”
Ele foi embora antes que ela pudesse responder, deixando Harper se perguntando onde exatamente ela tinha se metido. A sala de treinamento esvaziou aos poucos enquanto os jogadores iam para a reunião do time, com suas vozes sumindo pelo corredor.
Korra apareceu de novo na porta. “Bom, aquilo foi interessante.”
“Não comece.”
“Eu só estou dizendo, se é assim que você lida com todos os seus pacientes, essa temporada vai ser muito divertida.”
Harper jogou um rolo de fita na cabeça da amiga. “Você não tem algumas jogadoras de futebol para torturar?”
Korra desviou da fita, rindo. “Falando sério agora, você está bem?”
Harper olhou ao redor da sala de treinamento — seu novo domínio, tão diferente do gelo que ela chamava de casa no passado. Pela janela, ela podia ver o time entrando no vestiário, a cabeça escura de Wes visível acima dos outros. O joelho dela formigou de novo, mas, desta vez, parecia menos uma lembrança e mais uma expectativa.
“Sim,” ela disse, surpresa por ver que estava falando sério. “Eu estou bem.”
Ela tinha algo a provar agora, e isso não tinha nada a ver com jogar hóquei. Ela ia ser a melhor treinadora que esse time já tinha visto. Mesmo que isso a matasse. Ou matasse a eles.

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