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Dark Souls MC

Autor
Emily Dash
Leituras
15.6K
Capítulos
33
Autor
Emily Dash
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Capítulos
33
🥵Literatura erótica🏍️Cafajestes💪🏻Protetor🏙️Contemporâneo🏡Dia-a-dia💪🏻Macho alfa💓Amigos que se apaixonam🏍️Motociclistas🖤Sombrio

Ellie e Colt crescem lado a lado, construindo uma família a partir de cicatrizes compartilhadas, motores barulhentos e uma lealdade feroz. Como melhores amigos dentro de um motoclube unido, eles conhecem cada olhar, cada hábito e cada risco. Uma noite imprudente muda o ritmo de tudo, transformando o conforto familiar em uma tensão elétrica. Ellie equilibra o desejo com o medo de perder o único lar em que confia, enquanto Colt luta contra a culpa, o desejo e distrações que ele nunca planejou. As regras do clube pressionam, o perigo ronda de perto e as emoções fervem mais que cromo no verão. Quando o amor muda de faixa, a amizade conseguirá sobreviver à viagem?

Capítulo 1: Tudo Fodido

ELLIE

“Dá um jeito nessa merda,” murmuro para mim mesma enquanto destranco a porta da minha quitinete. Largo minha bolsa enorme cheia de cadernos e praticamente me jogo em direção ao banheiro. A porta bate atrás de mim com um estalo oco.
Os registros do chuveiro rangem quando abro a água. Minhas botas batem na parede quando as chuto para fora enquanto tiro a roupa às pressas. Acho que ouço a porta do meu quarto abrir, mas não tenho certeza. Em vez de verificar, tiro meus anéis e meu colar antes de entrar debaixo do jato escaldante.
Assim que a água quente me atinge, meu rosto se contorce e as lágrimas jorram, se misturando com a água do chuveiro. Eu me encolho, cobrindo o rosto com as mãos, e abafando um soluço.
As palavras do David voltam com tudo, como se estivessem esperando uma brecha nas minhas defesas.
“Você é tão... sei lá, fria? Quer dizer, todas as outras garotas com quem eu já fiz isso sempre gozam.”
“Eu só queria que você tivesse mais entusiasmo quando meu pau tá na sua boca, só isso.”
“Olha, provavelmente sou eu que estou sendo esquisito, tá? Tenho certeza que você vai pegar o jeito uma hora.”
“Não tô dizendo que odeio! Só tô dizendo que você podia ser mais aberta a tentar outras coisas, só isso.”
Só isso. Ele terminava quase toda crítica com “só isso”, e eu fiquei sentada ali feito uma cachorrinha idiota levando chute, quase hiperventilando, achando que tinha estragado tudo.
A ansiedade de ser largada pelo David era um peso desconfortável no meu peito. Aparentemente, eu sou péssima em sexo ou em qualquer tipo de atividade sexual, pelo menos de acordo com o David. Então, além de me sentir inadequada emocionalmente, eu sentia a dor de saber que também era obviamente uma merda em fazer outra pessoa se sentir bem fisicamente.
Não é lógico. Nunca é, porra. Se eu estivesse sendo lógica, perceberia que o David não é esse grande prêmio que ele gosta de pensar que é. Eu não estava pensando seriamente em terminar com ele há apenas uma semana? Mas agora que a situação se inverteu, sou eu que estou em desvantagem, me perguntando qual é o meu problema, afinal.
Então, quais são os fatos que eu conheço?
David está no meu nível. Ele é bonito, mas não bonito como o Colt ou o Brick. Ele trabalha numa empresa de tecnologia, ganha um dinheiro razoável, e nos últimos meses eu achava que as coisas estavam indo muito bem entre nós.
Até hoje à noite. Até estarmos no sofá dele e eu estar tentando chupar ele quando ele me parou.
Ele me parou no meio do boquete, guardou o pau ainda duro de volta na calça, me puxou para sentar no sofá e começou a explicar por que não estava curtindo. O que ele achava que eu podia ter feito melhor. E então trouxe à tona outras coisas que tínhamos feito e como ele achava que aquelas vezes também não tinham sido tão boas assim.
Quando ele fez oral em mim, percebeu que eu estava fingindo o orgasmo. Ele não queria se gabar, mas sempre recebia ótimos elogios pela habilidade de fazer mulheres gozarem com a boca.
Tá, ele não me fez gozar sozinho. Eu geralmente tinha que dar uma ajuda, mas eu tive exatamente dois outros parceiros sexuais, e nenhum deles reclamou quando eu fazia isso. Na verdade, o Seth disse que achava excitante.
Eu me encosto na parede de azulejo, e meus joelhos ficam trêmulos, então deslizo até ficar sentada debaixo do jato d'água.
E a cereja na casquinha de merda que foi o meu dia foi quando ele trouxe de novo o assunto do anal.
Ugh. Simplesmente não.
David insistiu que eu ia gostar se eu deixasse ele “me introduzir devagar”. Ele tinha um lubrificante especial e ia me preparar “tão bem que eu ia estar implorando por aquilo” rapidinho. Naquele ponto, eu já tinha ficado completamente muda. Não conseguia lidar com aquilo. Minhas mãos estavam tremendo. Eu sabia que não tinha mais sangue no meu rosto e sentia como se fosse vomitar.
Então fiz o que faço de melhor. Fugi. Caí fora daquela porra toda.
No começo, dentro do carro, eu estava em estado de choque, que logo se transformou em raiva pura.
Como ele ousa?
Consegui me segurar nessa raiva por uns cinco minutos, depois dos quais afundei em total humilhação e insegurança.
Eu sou realmente tão ruim assim? Estou fazendo alguma coisa errada? Me masturbo demais? Quer dizer, eu moro com motoqueiros gostosos. Eu os vejo todo dia, e embora as personalidades deles deixassem muito a desejar, a beleza deles é suficiente para deixar qualquer mulher com a libido nas alturas.
É claro que eu aliviava a tensão quando ficava demais. Não é como se eu tivesse tempo para relacionamentos ou os colhões de pegar caras aleatórios e trazê-los aqui para uma noite. Sem falar que, se eu tentasse, o Colt teria um aneurisma.
E esse era o verdadeiro ponto central do meu problema.
Coltrain Shepherd. Meu rival do lar adotivo que virou meu melhor amigo.
Colt, que tinha pouco mais de um metro e oitenta e cabelos escuros, num tom de castanho-avermelhado lindo, que ele usava desgrenhados, exibindo os melhores cachos que eu mataria para ter na minha própria cabeça; cílios longos e grossos — que sinceramente também não era justo — e olhos castanhos brilhantes que te deixavam à vontade.
Nos últimos sete anos, ele entrou para o Exército, serviu cinco anos, os últimos três nas Forças Especiais. E de alguma forma o Exército tinha transformado ele de um cara magricela num bloco musculoso e gostoso.
Ele sabe todos os meus segredos. Quando você cria laços no sistema de acolhimento, isso fica com você para sempre. Quando ele saiu para o Exército, mantive contato toda semana. Escrevi para ele no treinamento básico e depois quando estava na formação especializada. Escrevi quando o mandaram para a Alemanha e depois quando foi enviado para o Afeganistão. Todas as três missões. Ele me ligava sempre que podia.
O Colt é o motivo pelo qual eu consegui pagar a faculdade. Ele me ajudou a pagar a mensalidade para eu conseguir meu diploma. Quando estava em Carson, antes de dar baixa, ele dirigiu sua enorme Ford F250 até Illinois e me ajudou a levar minhas coisas junto com ele.
Quando entrou para os Dark Souls, ele falou bem de mim pro Brick para eu ser a contadora deles, o que não foi difícil de convencer. Todos aqueles pacotes de cuidados que eu mandava com lanches e produtos de higiene tinham sido compartilhados. Brick, Colt, Nash e Rooster tinham servido juntos no Afeganistão.
Eles eram como irmãos; eu era a irmãzinha que nunca os decepcionou com um único pedido de pacote. Snickers? Pode deixar. Sacos de dois quilos de Skittles? Estão lá. Desodorante especial sem alumínio? Feito. Eu chegava a rastrear lanches difíceis de encontrar na internet para aqueles desejos específicos de “estou com tanta saudade de casa que não aguento”.
É tudo por causa do Colt que eu estou aqui, morando num apartamento incrível com vista para as montanhas, fazendo um trabalho que eu amo.
Ah, e estou apaixonada por ele desde os meus dezoito anos. Tem isso também.
Quer dizer, na maior parte do tempo, quando ele não está sendo um idiota, eu o amo. Quando ele está sendo um idiota, eu penso bem a respeito, porque ele consegue ser irritante pra caramba.
Ugh, e eu sei que ele está lá fora agora. Sei que está no meu quarto, esperando eu sair, porque foi estranho eu ter subido correndo pelas escadas sem dizer nada para ele quando cheguei.
Ele tem esse sexto sentido e simplesmente sabe quando algo está errado. Não importa se estamos no mesmo cômodo ou a um oceano de distância. Ligações internacionais para a Alemanha não eram baratas, mas ele sempre sabia quando eu estava mentindo e dizendo que estava bem. Ele sempre percebia quando eu estava deprimida ou estressada.
No fim das contas, nos últimos sete anos, éramos eu e o Colt contra o mundo. Ele era minha constante. Meu melhor amigo. E ele não tinha nenhum interesse em mim de outra forma. Eu era a irmãzinha que ele nunca teve. Eu era a família que ele “escolheu”.
Isso significava muito para mim quando ele dizia. De verdade. Mas às vezes me fazia sentir minúscula, porque tudo que eu queria era que ele olhasse para mim, realmente olhasse, e visse que eu o amava mais do que isso. Que eu era tão desejável quanto qualquer vagabunda oferecida numa festa.
Mas assim que eu tinha esses pensamentos, os empurrava bem fundo, lá no fundo mesmo, porque quão egoísta era isso? Eu amo o Colt. Aprendi cedo que ninguém na sua vida, em qualquer posição, tem a garantia de ficar ao seu lado. Ninguém. Nem mesmo família.
O Colt é minha única exceção.
Antes de piorar as coisas e ele tentar invadir o banheiro, encerro minha sessão de autocomiseração no chuveiro. Me lavo rápido e tento assoar o nariz discretamente para ele não ouvir pela porta, mas tenho quase certeza de que falhei.
Nos últimos segundos, coloco a água gelada. Fico dançando debaixo do jato frio, mas seguro meu rosto debaixo dele mesmo assim, tentando combater a vermelhidão e o inchaço que o choro causou.
Quando saio e me enrolo no roupão, percebo que na minha correria não peguei pijama nem calcinha. Então apenas balanço a cabeça, pego minha escova de cabelo e abro a porta do banheiro para ver o Colt sentado na beirada da minha cama.
E ele não parece nada feliz.

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