
A Série de Um Milhão de Dólares 1: A Virgem de Um Milhão de Dólares
Author
Rebekah Halt
Reads
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Chapters
35
O Mago dos Resets
Passei a maior parte da minha vida em uma caverna escura.
E eu não digo isso de um jeito simbólico.
É literal.
O porão da BD Systems não é grande nem chique. É uma lata de sardinha que acomoda três pessoas. Isso se alguém concordar em cortar um ou dois braços. Mas tem ar condicionado e é silencioso. A melhor parte?
Ninguém se dá ao trabalho de descer para conversar com os nerds que ficam aqui.
A não ser, claro, que estejam com pressa e a impressora trave. Aí você é a única pessoa que sabe como consertar. Porque é isso que eu faço o dia todo. Eu conserto coisas quebradas.
Eu sou Sloane Heathrow, arquiteta de sistemas de informação. Esse é um jeito muito chique de dizer garota da TI.
Consertadora de impressoras travadas.
Maga dos resets.
Passo meus dias bebendo café em uma caneca lascada com o rosto do Yoda na frente. Ela diz: “Consertar computadores, eles fazem. Quebrá-los, você não deve.”
A ironia? Tudo na minha vida fora desta sala está quebrado. E eu não sou capaz de consertar.
Eram 19h e eu estava presa nesta lata de atum. Enquanto isso, os executivos batiam em seus teclados no andar de cima. Mas eu não me importava. Eu recebia por hora e tinha ignorado minha conta de luz nos últimos meses. A energia seria cortada em poucos dias se eu não pagasse alguma coisa.
Três avisos de atraso estavam fechados no balcão da minha cozinha. Eu não precisava ler para saber o que diziam.
AVISO FINAL. CORTE PENDENTE.
Esta noite não era diferente de nenhuma outra noite. Até que eu vi aquilo.
O anúncio.
Enquanto eu girava sem rumo na minha cadeira, tomando café morno, eu gostava de navegar na internet. Mas não em qualquer internet.
A dark web.
Era mais pela zoeira e pelas risadas. Eu amava a emoção de saber que estava vasculhando os segredos sombrios de estranhos. Tinha drogas, animais ilegais e armas, claro. Mas eu não me dava ao trabalho de olhar isso. O que eu realmente gostava eram os dados roubados.
Era um hobby secreto meu. Dados roubados.
Controle. Era isso o que realmente significava. Em um mundo onde eu mal conseguia manter minhas luzes acesas, eu podia pelo menos invadir as dos outros.
Começou de um jeito bem inocente. Uma invasão casual no Facebook. Meu vizinho de porta. O estranho que me chamou de vadia no Starbucks quando derramei meu café nele.
Mas agora era muito mais do que isso. Eu invadia contas de banco só para ver o que tinha dentro. Eu nunca tirava nada. Eu só queria dar uma olhada.
Às vezes eu dava risada invadindo o painel de previsão do tempo. Eu mudava o clima para “Nublado com chance de rolas.”
Ou eu invadia as câmeras de segurança da cidade. Não para brincar de Batman. Era mais como Onde Está Wally, mas na vida real. Observar pessoas que não faziam ideia de que estavam sendo observadas.
Enquanto eu rolava a tela em um dos navegadores do GhostPort, o maior servidor da dark web no planeta, eu vi. Em letras maiúsculas e grandes:
UM MILHÃO DE DÓLARES. UMA VIRGEM.
Eu quase cuspi meu café. Não podia ser real. Eu cliquei no link e continuei lendo.
UM MILHÃO DE DÓLARES POR UMA VIRGEM.
AS ENTREVISTAS COMEÇAM AMANHÃ.
CONFIDENCIALIDADE É OBRIGATÓRIA.
CLIQUE NO LINK SEGURO PARA ENVIAR SUA INSCRIÇÃO.
LOCAL: LOS ANGELES, CALIFÓRNIA.
“O quê?” eu sussurrei para mim mesma, balançando a cabeça. Eu passei os olhos pelo anúncio mais algumas vezes, só para ter certeza de que era real.
Eu ri e cliquei no botão abaixo que dizia INSCREVA-SE AGORA. Um formulário vazio apareceu na minha tela. Tinha um fundo preto e letras douradas elegantes. Ele pedia meu primeiro nome e depois fazia uma pergunta simples:
VOCÊ É VIRGEM?
Eu ri de novo e marquei Sim. Não era exatamente uma grande conquista de vida. Mas, pelo visto… era uma conquista lucrativa. E era verdade…
A tela piscou, e uma nova mensagem apareceu:
INSCRIÇÃO ENVIADA. VOCÊ RECEBERÁ OS DETALHES DO LOCAL E HORÁRIO DA ENTREVISTA.
Eu congelei. Como o site podia saber o suficiente sobre mim para mandar uma confirmação? Ou era uma pegadinha ou… alguém sabia como pegar minhas informações.
E então eu entrei em pânico.
Meus dedos voaram pelo teclado. Eu digitava códigos mais rápido do que nunca. Tentei quebrar a primeira parede de segurança, desesperada para invadir o anúncio.
ACESSO RESTRITO.
A mensagem piscou na tela e eu resmunguei. Cliquei e digitei loucamente, passando por algumas portas de conexão visíveis. Fiz uma varredura, procurando por qualquer código CSS malfeito.
Nada. Era uma fortaleza de códigos.
ACESSO RESTRITO.
“Porra!” eu gritei, batendo as mãos no teclado. Quem construiu isso sabia o que estava fazendo.
Olhei para o relógio. Era hora de ir para casa. Eu suspirei. Provavelmente era só uma pegadinha, de qualquer forma. Desliguei meu notebook e o guardei na bolsa.
Desliguei as luzes e o ar condicionado e tranquei a porta atrás de mim. Depois, fui em direção à saída, dizendo a mim mesma para não pensar naquilo. Não era real mesmo.
Mas, por algum motivo, aquilo não saía da minha cabeça.
***
Quando cheguei à porta do meu apartamento, ainda conseguia ver a imagem. O fundo preto, as letras douradas.
UM MILHÃO DE DÓLARES POR UMA VIRGEM.
Eu me joguei no sofá, soltando um suspiro de alívio. Eu estava acabada. Então eu ouvi o som.
Ding.
Peguei meu celular. Uma notificação de novo e-mail na minha conta pessoal:
Assunto: Confirmação de Entrevista
“Não, não, não,” eu sussurrei. “Não era real.”
Eu abri a mensagem e lá estava. Em um formato bem misterioso, a mensagem tinha o mesmo fundo preto e as letras douradas:
Prezada Sloane,
Sua inscrição foi recebida. Por favor, chegue ao Hotel Diamond Montgomery amanhã à noite, às 20h em ponto. Atrasos não são permitidos.
Atenciosamente,
O Curador
“De jeito nenhum,” eu disse baixinho. Meus olhos passavam pelo e-mail várias e várias vezes, sem acreditar.
Eu nunca tinha passado meu endereço de e-mail para eles.
***
A manhã seguinte começou como qualquer outra. Minha caneca do Yoda estava cheia até a borda com café barato. Meu colega Steve estava xingando o monitor dele. Ele resmungava algo como: “Por que eu passo todo o meu tempo ensinando ela a reiniciar o computador?”
Ele estava do outro lado do nosso escritório de lata. Vestia uma camiseta de banda e uma calça cáqui que provavelmente tinha comprado na sétima série.
“Oi,” eu resmunguei, sentando na minha cadeira e tirando meu notebook. Meu corpo parecia lento e pesado.
Ele nem se deu ao trabalho de virar. Nerds nem sempre eram antissociais, mas nós com certeza preferíamos o silêncio.
“Você parece estar na merda,” ele disse. “Noite difícil?”
“Sim.” Eu suspirei fundo.
Ele não perguntou por quê. Ele nunca perguntava. Mas eu não tinha dormido. Claro que não. Eu estava preocupada demais pensando naquela inscrição.
Sabe como é. Aquela em que eu me inscrevi para vender minha virgindade para um estranho por um milhão de dólares.
Passei a noite inteira acordada verificando meu firewall. Procurava por armadilhas de roubo de dados, torcendo para ser apenas alguém tentando me invadir. Eu saberia lidar com isso. Um hacker. Alguém tentando dar umas risadas. Uma piada sem graça.
Isso acontecia o tempo todo quando você navegava pela dark web.
Mas quem quer que tivesse postado esse anúncio, puta merda, era um profissional. E eu estava determinada a descobrir quem era. Eu não planejava desistir.
O telefone do escritório tocou, me tirando dos meus pensamentos. Eu dei um pequeno pulo, virando para olhar o aparelho.
“Sua vez,” Steve disse de um jeito seco. Olhei de relance para a tela dele. Ele estava jogando um RPG em um monitor e escrevendo um e-mail no outro. O e-mail explicava que o anúncio de ração de cachorro pulando na tela não era um vírus.
Eu resmunguei e atendi o telefone. “Suporte técnico. Você está falando com a Sloane.”
“Minha reunião é em cinco minutos. A impressora está fodida. Preciso de você aqui,” veio uma voz desesperada do outro lado.
Virei para o Steve, que agora olhava por cima do ombro. Mexi os lábios sem som: Adivinha quem?
Ele revirou os olhos e sussurrou: “Barb?”
Eu concordei com a cabeça, apertando os dedos nas têmporas. Nós dois a odiávamos, e eu tinha quase certeza de que os colegas de trabalho dela também. Ela trabalhava no Andar 28, onde ficavam muitos dos executivos. Nós a chamávamos carinhosamente de a Vadia do Andar 28.
Deixei que ela reclamasse por alguns instantes. Depois, perguntei docemente: “Você já tentou desligar e ligar de novo?”
Steve deu uma risadinha enquanto o mago dele atirava num zumbi na tela.
“Como é que é?” Ela ofegou, como se eu tivesse sugerido que ela fizesse um milagre.
“Vou mandar alguém aí em cima agora mesmo,” eu disse, com a voz profissional e educada.
Eu sabia que ela faria isso. Ela desligaria e depois ligaria de novo. Eu não teria mais notícias dela até o próximo desastre.
Por alguns momentos, eu quase tinha esquecido do anúncio.
Ding.
Uma notificação. Uma nova mensagem de texto.
Passei o dedo na tela do meu celular e prendi a respiração. Era uma mensagem de um número desconhecido.
Desconhecido
No momento do check-in, por favor, encontre minha assistente no saguão do hotel. Ela saberá quem você é.
Como diabos isso era possível?












































