
Decisões do Desejo 1: Ficção ou Fantasia
Author
Reads
284K
Chapters
22
Prólogo
Livro 1: Ficção ou Fantasia
HARPER
A ficção é a literatura que mostra eventos e personagens inventados. A fantasia é o ato de imaginar, principalmente coisas que são impossíveis ou improváveis. As pessoas dizem que existe uma linha fina entre a ficção e a realidade. Então, isso significa que existe uma linha fina entre a ficção e a fantasia? Ou até mesmo entre a fantasia e a realidade?
O metal caiu com força no concreto, me arrancando dos pensamentos. Eu levantei os olhos do meu notebook e vi a equipe correndo para o set de gravação. Uma parte do equipamento de luz estava amassada no chão, bem do lado de fora da falsa sala de descanso de um bar.
Ainda era difícil acreditar que eu estava mesmo aqui.
“O que diabos aconteceu?” Kelli tirou os fones de ouvido e pulou da cadeira de diretora. Ela foi ver se os atores estavam bem. Depois, ela conversou com um dos chefes da equipe.
Eu não acreditei quando o meu agente me ligou falando sobre alguém que queria transformar o meu livro em um filme. Existia alguma chance de a minha ficção virar realidade?
Eu observei, muito impressionada, a bagunça que acontecia ao meu redor. Os maquiadores correram para retocar os atores principais. Mas não tinha muito o que retocar. Asher e Lily já eram perfeitos na vida real. Eles tinham corpos ótimos, eram bonitos e cativantes. Esse foi um dos principais motivos de eles serem perfeitos para os papéis do meu casal principal.
O que acontece quando as linhas entre as minhas histórias e a minha vida se misturam?
Escrever e ler sempre foram as coisas que me tiravam do meu dia a dia e da realidade. Isso me permitia capturar os mundos e os personagens com os quais eu só podia sonhar.
Será que os meus sonhos e os meus desejos vão se tornar realidade?
No set, a coordenadora de figurino ajudou a arrumar a roupa da Lily, ou a falta de roupa, na verdade. Eles estavam gravando uma das muitas cenas de sexo quentes do filme. Eu não fazia ideia do motivo, mas a Kelli insistiu para que eu estivesse ali para dar a minha opinião. Eu achei isso muito engraçado.
Fui eu quem escreveu a história? Claro que sim.
Eu já tive alguma experiência sexual como a que estava sendo gravada? Com certeza não.
Mas esse era o objetivo dessas histórias. Era um jeito de me colocar dentro de um mundo que eu normalmente não conheceria.
Não era?
“Certo, pessoal. Vamos tentar de novo. Asher e Lily, voltem para as suas posições, por favor,” a Kelli gritou. Ela voltou e ficou do meu lado antes de continuar a cena. Ela se inclinou na minha direção e perguntou: “Então, o que você acha?”
No meu livro, essa cena específica acontecia no banco de trás de um carro. Mas o estúdio achou que seria muito difícil gravar desse jeito. Agora, a cena acontecia na sala de descanso de um bar.
Para ser sincera, não existia uma diferença muito grande entre a minha história e essa aqui. A minha começava na sala de descanso e depois ia para a cena do carro. Além disso, o que eu poderia fazer? Brigar com as pessoas que estavam pagando para o filme acontecer?
“Eu acho que está ficando ótimo!” eu disse.
Kelli sorriu e concordou com a cabeça antes de voltar para a cadeira dela.
“Toma, Harper.” Ela me entregou um par de fones de ouvido. “Vem escutar.”
Eu agarrei os fones animada e os coloquei nas orelhas. Eu nunca tinha escutado e assistido pela tela até agora. Aquela pequena amostra do que iria para as telas de cinema era muito empolgante.
Lily, ou melhor, Tessa, estava sentada em uma bancada. Asher fazia o papel de Wyatt. Ele se inclinou na direção dela e a envolveu com os braços. Os olhos dela estavam fechados e a boca estava um pouco aberta. Wyatt roçou os lábios nos dela de forma provocante.
“Tessa,” ele sussurrou o nome dela antes de lamber de leve o lábio superior dela.
Ele passou o braço em volta da cintura dela e a puxou para mais perto. Ela escorregou para a beirada da bancada. Com o corpo dele no meio das pernas dela, ela se derreteu nele. Ele segurou o queixo dela com firmeza antes de invadir a boca dela. Ele a beijou com uma paixão e um desejo que deixaram as minhas pernas bambas.
Ele rosnou enquanto mordia o lábio inferior dela. “Eu quero você.”
Ela começou a se balançar e a se esfregar contra ele. “Wyatt, por favor. Eu preciso de você dentro de mim.”
A minha pele ficou quente.
Eu estou corada? Qual é o meu problema? Fui eu que escrevi isso, porra.
Ele puxou a blusa dela pela cabeça e gemeu com a visão. “Porra, você é tão sexy.”
Ele segurou os quadris dela com força e puxou seus corpos um contra o outro. Os dois gemeram quando ela começou a rebolar contra ele de novo. Ele levantou a mão e agarrou o pescoço dela. Com um aperto leve na garganta dela, ele a empurrou para trás para observar os movimentos dos dois.
Só de ver aquela imagem eu já fiquei excitada. Eu apertei as minhas coxas uma contra a outra com vergonha. Eu tive que resistir à vontade de olhar em volta para ver se ele estava no set de gravação hoje.
O desejo é descrito como um sentimento muito forte de querer que algo específico aconteça. Eu sempre escrevia sobre isso, mas nunca tinha sentido isso de verdade. No começo de tudo isso, eu nem acreditaria que isso fosse possível para mim.
As pessoas dizem que não existe nada igual à euforia inebriante do desejo. Dizem que, quando você prova um pouco, é impossível abrir mão disso. Eu nunca entendi isso.
Até eu conhecê-lo.












































