
A Saga da Família Ashwood
Author
Jessica Bailey
Reads
4,1M
Chapters
91
Capítulo 1
GIDEON
“Sinto muito. Ela se foi. Não havia nada que eu pudesse fazer.” As palavras do médico me acertaram em cheio, como um soco no estômago. Seus olhos mostravam medo e tristeza.
“Nada?! Não há nada?! Traga ela de volta!” Eu estava gritando. Meu corpo inteiro estava em pânico. Eu sabia. Eu sabia antes dele dizer qualquer coisa. Senti ela no meu coração se despedir e partir.
Uma dor pior que qualquer outra queimou dentro de mim. Foi fundo na minha alma.
“Eu gostaria de poder, mas ela já se foi. Você sabe disso. Agora você não tem tempo para lamentar. Elas precisam do pai delas.”
As palavras dele me fizeram olhar para as duas recém-nascidas. Seus choros ecoavam alto no ar limpo do hospital. Como eu deveria fazer isso sozinho?
Em um instante, meu mundo tinha mudado. Mas não da forma que eu achei que mudaria. Minha companheira tinha morrido no parto. Ela teve pré-eclâmpsia e não conseguiu sobreviver após o nascimento.
Ela me deixou com duas lindas meninas, Rose e Daisy. Ela sorriu para elas, depois deixou este mundo. Ela deixou elas e eu.
Tudo que eu queria fazer era ficar com raiva e quebrar tudo ao meu redor. Eu era um guerreiro e um investigador. Tudo que eu sabia era como lutar para sair dos problemas.
Eu não conseguia entender como ela tinha ido embora e eu estava sozinho. Eu não pude lutar para salvá-la. Ela simplesmente se foi. Olhei para minhas duas filhas gritando pela mãe delas. Tudo que eu conseguia fazer era chorar.
Eu, o alfa da Guarda Druit, chorando tão forte e tão alto quanto minhas duas bebês. Duas meninas. O que eu ia fazer?
Como eu ia criar duas meninas? Eu nem sabia como trocar uma fralda ainda. A vida delas passou pela minha mente enquanto cresciam. Todas as coisas que poderiam acontecer e todas as perguntas.
Eu seria capaz de ensiná-las coisas importantes de menina? Quais eram as coisas importantes de menina?
Eu podia ensiná-las a lutar. Eu podia ensiná-las como liderar um exército de guerreiros. Mas era só isso!
Eu nunca tinha me sentido tão perdido e tão incapaz de ajudar na minha vida. Essas duas pequeninas já tinham me quebrado.
Elas eram tudo que me restava da minha companheira. Elas eram minha última conexão com meu amor. Eu não podia culpá-las pelo que aconteceu, mas eu queria.
Fui atingido novamente por uma onda de tristeza. Eu entendi que essas duas lindas bebês nunca veriam a mãe delas sorrir para elas. Elas nunca ouviriam a voz dela lendo uma história antes de dormir.
Elas nunca escutariam a risada dela com as bobagens que fizessem. Elas nunca sentiriam o abraço caloroso dela. Eu conseguiria fazer isso? Eu conseguiria ser mãe e pai?
Com a ajuda da enfermeira, peguei minhas filhas pequeninas. Dei um beijo em cada uma.
“Prometo dar a vocês tudo que eu tenho. Não posso prometer que serei perfeito ou que não vou cometer erros. Mas vou dar minha vida pela de vocês para mantê-las seguras. Somos tudo que temos agora.”
Tentei impedir minhas lágrimas de virem novamente, mas falhei. Tentei não deixar minhas lágrimas caírem nas minhas filhas. Deitei elas de volta no berço.
Elas tinham parado de chorar. Mexeram seus bracinhos uma em direção à outra até estarem de mãos dadas.
Suspirei. “Pelo menos elas sempre terão uma à outra.” Sentei em uma cadeira ao lado delas. Apenas as observei dormir. Estava um pouco preocupado que elas parassem de respirar, para ser sincero.
Enquanto estava sentado ali, sabia que precisava me ajudar a controlar minha tristeza. Eu precisava completar nosso vínculo familiar. Por mais que doesse, eu precisava viver pelas minhas filhas.
Estendi minha garra na mão esquerda. Fiz um pequeno corte na minha mão direita. Então, o mais gentilmente que pude, espetei os dedinhos grandes dos pés de ambas.
Toquei cada um dos dedinhos minúsculos delas no meu corte. Deixei a menor gota de cada uma delas entrar no meu corte. Senti elas entrarem na minha alma. O pequeno pedaço de esperança e amor começou a me curar.
Olhei para o meu peito, bem onde meu coração estava. Pude ver a marca familiar das minhas filhas se formando. Era uma rosa branca e uma margarida branca e amarela.
“Minhas florezinhas, vocês não têm ideia de quanto salvaram o papai de vocês” sussurrei.
O médico estava certo. Eu não tinha tempo para lamentar. Eu tinha que continuar vivendo não importa o quanto doesse. E doía. Minha marca de companheiro queimou no momento em que ela deixou este mundo.
Olhei para minha marca, e ela já estava desaparecendo. Eu tinha que focar nas minhas meninas agora. Eu podia me perder na dor e na tristeza que estava consumindo minha alma.
Minha companheira nunca me perdoaria se eu não continuasse e seguisse em frente pelos nossos filhos. Eu só não tinha certeza de como fazer isso. Não sabia por onde começar.
Eu sabia que estaria lutando. Só que não com meus punhos, garras ou presas. Estaria lutando contra meu coração partido para não desistir. Só não tinha certeza de como ainda. Eu só tinha minhas florezinhas para me ajudar a curar.

















































