
Do Pecado à Pele
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Conhecendo Você
KENDRICK
“Como está o meu irmão mais velho favorito?”
Kendrick revirou os olhos enquanto seu único irmão abria um grande sorriso na tela do notebook. “O que você quer, Kyle?” ele resmungou com uma voz grave.
“Quando você fala desse jeito, até parece que eu só ligo quando quero alguma coisa.”
Os dedos de Kendrick coçavam de vontade de desligar a chamada de vídeo do Skype.
Depois de ver a expressão no rosto de Kendrick, Kyle suspirou. “Não sou eu, é a Kai. Ela quer que você a leve para a escola.”
“A Kai quer que eu a leve, ou o Kyle e a Tia querem que eu a leve?”
“A Tia não está se sentindo muito bem hoje, e eu tenho uma reunião. Você sabe que a Kai tem medo dos seguranças. E nós demitimos a babá ontem à noite porque ela estava dando um monte de porcarias para a Kai comer.”
“Porcarias? As refeições dela não estão sempre prontas e preparadas?”
“Ela trazia essas porcarias com ela quando vinha para cá. Se eu não tivesse olhado as câmeras de vídeo, eu não teria descoberto. Nós só chamamos a babá para vir porque eu precisei levar a Tia ao hospital por causa dos vômitos. Eles deram remédio de enjoo para ela e disseram que ela precisava descansar. A Kai precisa do Tio Kenny agora.”
A garotinha devia ter a audição de um morcego, porque ela entrou correndo no quarto gritando: “Tio Kenny! Tio Kenny!”
Kyle sorriu de orelha a orelha, sabendo que tinha vencido.
“Eu acho que você vai poder mostrar a Srta. Jordon para o Tio Kenny, não é?” Kyle colocou a filha no colo para que ela pudesse aparecer na visão da câmera.
Kai era uma princesa de cinco anos. Ter um tio rico e um pai bem de vida significava que a garotinha vivia cercada de luxo. Porém, o luxo não significava que ela não parecesse uma criança normal de cinco anos. Faltavam nela os dois dentes da frente, mas ela nunca tinha vergonha de dar um grande sorriso para o seu Tio Kenny. Sua sobrinha havia se tornado o seu ponto fraco desde o dia em que o irmão dele, o pai orgulhoso da menina, a colocou em seus braços.
Ele não era menos fraco por ela hoje do que era naquela época. Ele era apaixonado especialmente pelo cabelo cor de caramelo dela, que ela herdou da mãe. O cabelo dela estava preso em duas chiquinhas com pequenos laços amarelos, e os olhos verdes dela brilhavam sob os cílios longos e grossos.
Uma coisa ficou clara desde o momento em que a Kai nasceu: ela seria a cara da sua mãe latina. Tia era uma supermodelo que o seu irmão tirou das passarelas e levou para casa. Kendrick temia ver a sua princesinha se tornar uma adolescente.
“Você vai conhecer a Srta. Jordon, não vai, Tio Kenny?”
“É claro que sim, princesa.”
A animação de Kai fez ela pular do colo do pai e correr para fora do quarto para dar a boa notícia para a mãe.
Tanto ele quanto Kyle a observaram sair. Kyle se virou com um sorriso de vitória. “Você vai gostar da Srta. Jordon. Se eu não estivesse tão apaixonado pela Tia…” Kyle parou de falar, mas Kendrick entendeu o que ele queria dizer de forma muito fácil.
Ele lançou um olhar de desaprovação para o irmão. Kyle costumava ser um playboy orgulhoso, mas seus dias de solteirão playboy terminaram quase no mesmo instante em que conheceu sua esposa, Tia.
Foi amor à primeira vista… das pernas dela, ou era assim que seu irmão adorava brincar. Mas os dois sabiam que ele já estava apaixonado muito antes de olhar para as pernas dela. Isso era bem diferente do próprio Kendrick, que fugia das mulheres como se estivesse jogando uma partida sem fim de queimada.
Como o irmão mais velho, mais rico e solteiro, não passava um dia sem que Kendrick se pegasse fugindo de uma possível esposa.
Kendrick era considerado o Rei dos Solteiros. Como o homem inalcançável, ele não podia ser pego e se recusava a ser amarrado. Ele não assumia ninguém, e ninguém podia assumi-lo, porque ele não tinha o menor interesse em se contentar com qualquer jovem que o visse como o grande prêmio.
“Tenho certeza de que ela vai ser igualzinha ao resto delas.” Kendrick revirou os olhos. “Isso não importa de qualquer forma. Eu chego aí para pegar ela em dez minutos,” Kendrick falou para ele.
“Claro, o que você disser. A Kai vai estar pronta.”
***
Ela não estava pronta.
A princesa Kai conseguiu colocar todo o seu café da manhã para fora.
“Kai, você pode ficar em casa hoje se não estiver se sentindo bem.”
“Não, Papai. Eu quero ir para a escola.”
Kendrick e Kyle pararam na porta do banheiro, com as testas franzidas de preocupação. “Princesa, você pode descansar hoje,” Kyle insistiu. Ele disse isso mesmo sabendo que nem ele nem a Tia estavam disponíveis para ficar com ela. Kyle sabia que a Kai também tinha consciência disso. Ainda assim, ele estava livre para dizer uma coisa dessas.
Kyle olhou para trás, para o irmão mais velho, com a certeza de que ele largaria qualquer reunião, qualquer plano ou compromisso sem hesitar para cuidar da sobrinha. Foi por isso que Kyle soube que devia ligar para ele esta manhã, mesmo sabendo que Kendrick planejava visitar o local do novo restaurante que estava trabalhando para abrir.
Kendrick apoiou a mão no ombro do irmão enquanto a garotinha insistia: “Eu quero ir para a escola.” O cheiro do vômito ainda pairava no ar. As bochechas dela incharam e a boca fez um bico, como se estivesse lutando contra as lágrimas. Seus punhos pequenos se fecharam nas laterais do corpo enquanto ela mantinha a sua decisão.
Suspirando, Kyle desistiu. “Então vamos vestir você.”
“O vestido rosa dessa vez!” A garotinha comemorou, mas o seu tom alegre de sempre perdeu muito do entusiasmo.
Depois de uma hora, ela finalmente saiu saltitando do quarto vestida com uma roupa toda rosa. O cabelo agora estava preso em um rabo de cavalo balançante com um enorme laço rosa.
“Pronta para ir agora?” Kendrick perguntou a ela, abaixando-se para dar uma olhada nela.
Ela deu a ele um sorriso largo e se virou para que ele visse a sua roupa enquanto balançava a cabeça afirmando. “Já sarei,” ela disse, mas Kendrick ainda desconfiava da afirmação da criança.
Ela pegou a mão dele, e eles subiram no banco de trás do carro Rover dele. Enquanto saíam da garagem, Kai abaixou a janela para acenar para o pai. Kyle ficou parado em um silêncio preocupado enquanto a filha ia para a escola.
JEMMA
“Kai!”
Jemma ouviu vários alunos gritarem atrás dela. As crianças tinham saído das suas cadeiras para correr até a porta da sala para receber a muito atrasada Kai Brooks. Jemma olhou ao redor, esperando ver Tia ou Kyle Brooks. Em vez disso, ela deu de cara com o Sr. Alto, Moreno e Puta Merda!
O homem na porta tinha uma barba muito bem feita, lábios carnudos e um nariz levemente torto. Será que ele quebrou isso? ela se perguntou rapidamente. Ele tinha olhos castanhos sérios e penetrantes, sobrancelhas grossas e um cabelo escuro arrumado com perfeição.
Jemma deixou o giz cair, pegou o queixo do chão e passou depressa pelo grupo de crianças para finalmente parar diante do desconhecido que segurava a mão da garotinha sorridente.
“Srta. Jordon!” Kai a cumprimentou. Kai soltou a mão do homem para abraçar as pernas da professora com seus bracinhos. Kai se afastou, com o sorriso sem dentes a todo vapor.
“Peço desculpas pelo atraso dela. Ela não estava se sentindo bem esta manhã.”
Abaixando a cabeça, Kai resmungou: “Eu vomitei.”
“Ah não, docinho,” Jemma começou a falar, mas Kai balançou a cabeça de um lado para o outro.
“Eu já estou bem melhor agora, eu prometo.”
“Está mesmo?” Jemma perguntou, e Kai concordou rapidamente com a cabeça. “Então você pode entrar, querida.”
A garotinha correu para dentro para cumprimentar os amigos. Atrás dela, as crianças estavam distraídas, felizes por ver a colega. Mas, na frente dela, o Sr. Alto, Moreno e Bonitão estava esperando por atenção. Assim que ele capturou a atenção, ele a manteve presa.
Ele se inclinou para perto, o perfil do rosto dele bloqueando a visão dos alunos na visão periférica dela. Ela não se importou. Na verdade, ela estava muito ocupada admirando o quão bonito e marcado era o contorno do maxilar dele. O perfume dele fez cócegas no nariz dela, com um cheiro que era na medida certa. Não a sufocou, mas tomou conta dela. Jemma sentiu o coração disparar.
“Você poderia ficar de olho nela por nós hoje? Ela fez questão de vir para a escola, mas nós não temos certeza de que ela está realmente bem.” Ele estava sussurrando, mas a voz dele era grave e autoritária. A que tipo de homem pertence uma voz dessas?
Jemma se pegou apenas concordando com a cabeça. Como estava com muito medo de que a sua voz falhasse, ela não disse nada. Por dentro, ela lutava contra a vontade de se encostar no calor que irradiava do corpo dele. O desconhecido também se demorou ali.
Ele continuou perto, e ela teve certeza de que o ouviu respirar fundo. Ela apertou as próprias coxas uma contra a outra. Ela precisava de um nome. Quem exatamente era aquele cara? Um dos seguranças da Kai? Ela nunca o tinha visto antes.
“Posso perguntar quem é você?” Jemma agradeceu a Deus por ter conseguido falar a frase sem gaguejar.
Afastando-se um pouco, o homem deu a ela um meio sorriso atrevido. “Eu sou o tio da Kai.” Ele estendeu uma mão grande. O relógio dele, um dourado simples e brilhante, chamou a atenção de Jemma. Ela sabia que era caro. Ela conseguia perceber pelo modelo e pelo jeito convencido com que ele disse o próprio nome: “Kendrick Brooks.”
De alguma forma, Jemma teve a certeza de que já tinha ouvido aquele nome em outro lugar. De onde—De onde ela conhecia aquele nome? Ela apertou a mão dele, sentindo o calor ardente da pele dele, e pensou: Bom, merda!
Jemma olhou para baixo, para onde as mãos deles estavam unidas. Ela sentiu o coração batendo forte no peito, mas o fez mesmo assim.
Ela bateu os cílios para ele e umedeceu os lábios enquanto se apresentava: “Jemma Jordon.”
KENDRICK
Kendrick sentiu o ar sumir dos seus pulmões quando ela bateu os cílios. Ela declarou o próprio nome para ele como se estivesse lhe entregando as únicas palavras do Pai Nosso.
Porra! Ele nunca tinha visto uma mulher como essa antes. Os olhos dela tinham um fogo que fez o seu pau se mexer dentro da calça social. Ken já tinha visto muitas mulheres lindas no seu tempo.
Beirando os quarenta anos, ele não era nenhum estranho para mulheres maravilhosas. Afinal, ele não apenas era bonito, como também por acaso era estupidamente rico. Sim, isso era verdade.
Ele tinha encontrado todos os tipos de mulheres na vida, mas nunca… Nenhuma delas jamais tinha jogado a atenção para ele como se estivessem jogando um osso para um cachorro babando. E ele era... um cachorro babando.
Ele segurou a vontade de soltar um: “Jesus!” Será que ela se vestia daquele jeito o tempo todo?
A blusa de seda azul-royal dela provocava a visão do seu decote. A camisa de mangas compridas e botões estava colocada por dentro de uma saia preta muito justa. E ela usava meias-calças que grudavam nas pernas e sumiam debaixo da saia.
Kendrick escaneou o corpo dela sem a menor vergonha. A saia dela, a porra da saia dela abraçava coxas grossas e uma bunda redonda, perfeita e em formato de coração. Uma bunda que ele tinha visto desde o momento em que caminhou até a porta da sala de aula.
Ele daria até o último centavo que tinha para ver aquela bunda debruçada sobre uma mesa. Cristo! A mulher ainda tinha a audácia de ter uma fenda na parte de trás da saia, como se a roupa já não estivesse causando estrago suficiente ao seu coração e ao seu pau.
Kyle não tinha feito justiça a ela. Palavras simples como “bonita” e “gostosa” não podiam ser usadas para descrever Jemma Jordon. Essas palavras não eram o bastante.
Ela era nada menos que deslumbrante com o cabelo cor de cacau, os olhos castanhos grandes e enlouquecedores, e os lábios tentadores em formato de arco. Isso sem falar na voz sedutora e no jeito como as palavras pareciam rolar na ponta da língua dela. Um homem poderia vender o coração, não, a própria alma, só para ouvir aquela voz chamando o nome dele.
Se ele pudesse ter ficado parado ali por mais tempo, ele teria ficado. Só que a Kai decidiu que o tio estava roubando muito do tempo da aula dela. A garotinha chamou a professora: “Srta. Jordon, nós fizemos um arco-íris com giz de cera!”
Sim, era hora de as crianças voltarem para o seu dia, mas ele teria que descobrir mais sobre essa Srta. Jordon antes que muito tempo se passasse.













































