
Encanto de Natal
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Capítulo 1
Uma história curta de Natal: Scout estava se arrumando para o trabalho. Ela era uma das secretárias na empresa de Carson, que, por acaso, era onde Andrew trabalhava como advogado.
Ela o conheceu lá há dois anos, quando foi contratada. Eles começaram a namorar e, um ano depois, ele a pediu em casamento, mas até hoje eles ainda não tinham marcado a data.
Enquanto esperava sua colega de quarto sair do banheiro, ela olhou para o diamante em seu anelar. Era um corte princesa, e ela adorava o jeito como ele brilhava.
“Nossa, você está olhando para a porra desse anel de novo?” Vicky perguntou ao sair do banheiro.
“Eu não consigo evitar. É tão lindo.”
“Então, vocês dois já marcaram uma data?”
“Não, mas a nossa viagem vai ser muito romântica — nós vamos montar uma árvore de Natal e esquiar.”
“Eu não sei por que você quer ir para tão longe da sua família e amigos com aquele homem,” ela disse com amargura.
“Eu ainda não entendo o que você tem contra ele. O que ele já fez para você não gostar tanto dele?”
“Eu odeio o jeito como ele te trata.”
“Como assim?”
“Para um homem que deveria amar você, ele com certeza não demonstra isso. Eu odeio como ele trata todas as mulheres como se fossem cidadãs de segunda classe. Ele é rude e arrogante e, ultimamente, ele tem desmarcado encontros com você no último minuto. Me desculpe, Scout, mas você merece coisa melhor — alguém que te trate com amor e respeito.”
“Eu não quero brigar com você, e eu tenho que me arrumar para o trabalho.” Ela foi para o banheiro para terminar de se arrumar.
Incomodava-a muito que sua melhor amiga não gostasse de Andrew. Vicky tinha razão em alguns aspectos; ele tinha o costume de esquecer dela quando iam a festas. Ultimamente, ele ligava no último minuto para desmarcar o encontro deles, dizendo que tinha um cliente importante para ver.
Mas havia momentos em que ele era tão fofo, mandando-lhe flores e pequenos presentes. Quando estavam sozinhos, ele era muito atencioso.
Quando ela chegou ao trabalho, Andrew não estava em lugar nenhum. Disseram-lhe que ele tinha saído e só voltaria à tarde.
A manhã toda, ela ficou cantarolando as músicas de Natal. Ela adorava essa época do ano: as árvores decoradas, as luzes brilhantes e piscantes, e os biscoitos caseiros de Natal.
Este ano seria ainda mais especial — ele ia levá-la para viajar, e seriam apenas os dois. Eles finalmente marcariam uma data para o casamento.
Era hora de ir embora, então ela foi até o escritório de Andrew para ver se ele queria sair para jantar.
Ela bateu uma vez e entrou. “Vejo que você finalmente veio trabalhar,” ela disse, fechando a porta atrás de si.
Ele olhou para ela e arrumou o cabelo. “Sim, estive ocupado com um cliente.”
Ela andou até ele, colocando os braços em volta do pescoço dele, e ficou um pouco magoada quando ele os tirou e se afastou dela.
Ela decidiu deixar para lá, não querendo brigar antes da viagem. “Eu pensei que a gente podia sair para jantar, para comemorar a nossa viagem.”
“Hoje não, estou cansado demais,” ele disse, sem olhar para ela.
“Ah, tudo bem. Bom, eu acho que devo começar a arrumar as malas para a nossa viagem. Eu estou muito animada — vai ser tão romântico.” Ela percebeu como ele estava nervoso e pensou que houvesse um problema com o cliente dele. “Não correu bem com o seu cliente?” ela perguntou.
Ele finalmente olhou para ela. “Scout, sente-se. Nós precisamos conversar.”
“Andrew, você está me assustando. O que foi?”
“Eu não vou viajar com você.”
“Por que não?” Agora ela estava preocupada.
“A Janet está grávida.”
Ela franziu as sobrancelhas, imaginando o que a piranha do escritório tinha a ver com a viagem deles. “Não me surpreende que ela tenha engravidado; ela transa com todos os homens que conhece. Mas o que isso tem a ver com a gente?”
“O bebê é meu.”
Ela sentiu a sala girar e teve que se sentar. Ela sabia que não estava ouvindo direito. “Me desculpe, eu acho que não ouvi você direito.”
Ele foi e sentou-se na beirada de sua mesa, de frente para ela. “Eu não tive a intenção de engravidá-la; simplesmente aconteceu. Então, vou passar as festas de fim de ano com ela na Flórida. Eu também disse que me casaria com ela, já que ela se recusou a tirar o bebê.”
Scout sentiu o suor se formar em sua testa, e uma dor aguda cortou o seu coração. “Há… há quanto tempo isso está acontecendo?”
Ele se levantou e andou até a janela, olhando para fora. “Eu não tenho certeza, talvez há seis meses.”
“Eu achei que você me amasse e quisesse uma vida juntos.” Ela não conseguiu conter as lágrimas que encheram seus olhos, mas se recusou a deixá-las cair.
Ele se voltou para olhar para ela. “O sexo era tão incrível, e eu fui fraco.”
“Então você está dizendo que o sexo comigo era chato?” A voz dela saiu aguda.
“Hum — não, não chato, mas com ela era diferente, mais erótico.” Ele andou até ela e se ajoelhou na sua frente. “Só porque eu vou casar com ela, não significa que precisamos parar de nos ver,” ele disse.
Ela sentiu as bochechas queimarem enquanto o encarava. Ela tentou esconder que suas mãos tinham começado a tremer. “Então agora você quer que eu seja a amante?”
“Claro,” ele respondeu, sorrindo para ela.
Ela deu um tapa tão forte nele que a sua própria mão doeu. “Seu porco de merda.” Ela tirou o anel e atirou nele, acertando o rosto dele. “Eu espero que você seja feliz com a sua vadiazinha, mas eu nunca mais quero ver ou falar com você de novo.”
Ela saiu furiosa do escritório, lutando para segurar as lágrimas. Pegando um táxi, ela foi direto para casa.
O coração dela estava partido, e sua vida inteira fora destruída.
***
Vicky estava sentada à mesa da cozinha e olhou para cima quando Scout entrou. Ela pôde ver que a amiga estava chorando.
“Scout, o que aconteceu?”
Ela não respondeu, apenas correu para o quarto, jogou-se na cama e começou a chorar desesperadamente.
Quando sentiu uma mão esfregando as suas costas de leve, ela olhou para cima. “Eu odeio tanto ele.”
“Ah, querida, eu sinto muito. Você quer falar sobre isso?” Partiu o coração dela ver a amiga sofrendo tanto.
Ela se sentou, enxugando as lágrimas. “Ele teve a cara de pau de sugerir que a gente continue se vendo.”
Vicky a abraçou, deixando-a chorar mais um pouco. “Ei, vamos abrir uma garrafa de vinho e pensar em maneiras de matar aquele escroto.”
É claro que ela não falava sério sobre matá-lo, embora ele merecesse. Elas se sentaram com o vinho e conversaram.
“Pode falar,” ela disse para Vicky.
“Falar o quê?”
“Por que eu não vi o que estava acontecendo bem debaixo do meu nariz?”
“Ele tem certeza de que o bebê é dele?” Vicky perguntou.
“Isso importa? Ele confessou que me traiu. Ele nem parecia estar arrependido.”
Terminando uma garrafa, Vicky abriu a outra. “Ele vai levar ela para os Alpes Suíços?”
“Não, eles vão para a Flórida visitar os pais dela.” Os olhos dela se iluminaram quando uma ideia lhe ocorreu. “Sabe de uma coisa?”
“O quê?”
“Eu tenho as passagens de avião, a cabana está reservada e paga, então por que eu mesma não vou?”
“Mas você vai ficar sozinha no Natal.”
“Você poderia vir comigo. Eu tenho a passagem dele aqui.”
“Ah, amiga, eu adoraria, mas os meus pais estão me esperando. Você deveria vir comigo. Os meus pais iam adorar ter você lá.”
“Ainda bem que meus pais foram para Paris no Natal. Eu odeio a ideia de dizer a eles que Andrew e eu terminamos.”
“Mas eles vão querer saber.”
“Eu conto quando eles voltarem. Eu só não quero estragar o feriado deles.”
“Mas você vai ficar toda sozinha.”
“Eu preciso pensar no que vou fazer depois das festas.”
“Como assim?”
“Se vou continuar trabalhando no mesmo lugar que Andrew ou se procuro outro emprego. Eu não tenho certeza se consigo encarar ele todos os dias — ou ela.”
Elas passaram o resto da noite se embriagando com vinho, pegando todas as fotos com Andrew e queimando-as.
Fez bem a ela ver o rosto dele desaparecer sob as chamas. Agora tudo o que ela precisava fazer era esquecê-lo e curar o seu coração partido.
















































