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Enterrado Vivo

Autor
Cosmic Chaos
Leituras
18.9K
Capítulos
15
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Cosmic Chaos
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15
🏡Cidades pequenas & zona rural🌼Virgem☀️Mal-humorado X radiante🏡Garota comum⚔️De inimigos a amantes🏙️Contemporâneo🏡Dia-a-dia💪🏻Protetor🧑🏽‍🦳Diferença de idade👩🏻‍🍼Mães

Nia enfrenta um futuro incerto depois que uma tragédia abalou as próprias estruturas de seu mundo. Sentindo-se perdida, ela decide se mudar para se dar a chance de um novo começo.

Lincoln é um homem rabugento e frio e, embora estivesse contente em viver sua vida sem ninguém além de sua irmã, Lynn, para cuidar dele, ele não está preparado para sua nova vizinha, Nia, uma mulher grávida que parece representar tudo o que ele não está disposto a deixar entrar em sua vida.

Será que eles conseguirão encontrar uma maneira de ajudar um ao outro a seguir em frente, ou algumas feridas são profundas demais para serem curadas?

Capítulo 1: Parabéns e Condolências

NIALLEE

QUATRO MESES ATRÁS
“Meu Deus, Nia! Essa é uma notícia fantástica! Não consigo nem dizer o quanto estamos felizes e o quanto agradecemos pelo que você está fazendo por nós.” Meu irmão, Max, fala com dificuldade em meio ao choro de alegria, e meu coração se enche de emoção na mesma hora.
“Você e a Janey serão ótimos pais, Max. Eu me sinto muito honrada de poder fazer parte disso e ajudar vocês.”
Deus, e isso é a mais pura verdade. Meu irmão é oito anos mais velho que eu, e ele e a esposa tentam engravidar desde que se casaram, logo depois de terminarem o ensino médio.
Foi só há treze meses que eles se consultaram com um especialista em fertilidade, e descobriram que a Jane não pode ter filhos. Ela foi diagnosticada oficialmente com a síndrome de Asherman, que eles acreditam ser o resultado de várias infecções que ela teve no início da adolescência e que deixaram o útero dela coberto de tecido cicatricial.
Foi um baque devastador, e de jeito nenhum eu ia ficar parada, vendo o sonho deles ir por água abaixo, quando havia algo que eu pudesse fazer para ajudar. Depois de me consultar com vários médicos, que concordaram que eu seria uma boa barriga de aluguel, comecei o processo de exames e injeções para me preparar para a fertilização in vitro.
Demorou um pouco até acharmos uma agência que fizesse isso, e tivemos que assinar uma montanha de papéis e termos de responsabilidade, mas finalmente conseguimos. Hoje foi minha primeira consulta depois do procedimento, e eu não poderia estar mais feliz ao ouvir o médico anunciar que o primeiro ciclo deu certo.
Eles puderam usar o óvulo dela e o esperma dele, então meu corpo é apenas a incubadora que vai gerar o filho deles.
“Você é a irmãzinha mais incrível do mundo, Nia. Eu te amo pra caralho!”
Ah, ótimo, agora estou chorando, e ainda é muito cedo para culpar a merda dos hormônios da gravidez! “Eu também te amo, Max. Eu vou para casa, mas aviso quando for o primeiro ultrassom para que vocês dois possam estar lá.”
Nós nos despedimos depois de mais alguns agradecimentos emocionados, e então eu finalmente dirijo para casa.
***
Hoje é o dia do meu primeiro ultrassom e também o dia que marca a minha oitava semana de gravidez. Eu queria poder dizer que tem sido tranquilo, mas essa merda de enjoo matinal não é brincadeira e, com certeza, não perdoa ninguém!
Eu não tenho enjoos “matinais” — ah não, eu tenho enjoos a porra do dia todo e na maior parte da noite. Mas uma coisa é certa: Max e Jane têm muita sorte de eu amar tanto eles.
Eu cheguei ao consultório do obstetra trinta minutos antes da minha consulta e recebi uma mensagem do Max bem na hora que estacionei, dizendo que eles estavam a caminho. Isso foi há vinte minutos, mas eles ainda não chegaram.
O trajeto da casa do Max e da Jane até a clínica leva apenas quinze minutos, então a lógica diz que eles estão presos no trânsito. A enfermeira tem sido paciente, e embora o médico já esteja pronto para me atender, ambos estão totalmente cientes da minha situação e me deixaram esperar.
Quinze minutos depois do horário da minha consulta parece ser o máximo que eles podem adiar por causa dos outros pacientes, e nem o Max nem a Jane estão atendendo as minhas ligações.
Eu finalmente deixo que me levem para dentro para começar meus exames e fazer o ultrassom. Eles me dão um DVD da gravação para que o Max e a Jane possam ver o pequeno feijãozinho e ouvir o coração batendo pela primeira vez.
Não é a mesma coisa de estar lá pessoalmente, mas vai ter que servir por enquanto. Chego ao meu carro e coloco o cinto de segurança, mas, antes de poder colocar a chave na ignição, meu celular toca com um número que eu não reconheço na tela.
“Alô?”
“Alô, é a Niallee Winters?”
“Sim, e quem está falando?”
“Eu sou o policial Brett Davis, do Departamento de Polícia do Condado de Fulkerton. A senhora está na lista de contatos de emergência do senhor Maxwell Winters.”
“Sim, ele é meu irmão. Posso saber o que está acontecendo?”
“Senhora, o seu irmão e a esposa dele se envolveram num acidente. A senhora poderia me encontrar no St. Luke’s Memorial Hospital?”
“Eles estão bem?!”
“Senhora, se vier se encontrar comigo, o médico poderá responder a todas as suas perguntas.”
“Sim, sim. Já estou indo.”
“Vou encontrá-la na área de espera do pronto-socorro.”
Eu desligo sem nem me despedir direito e corro de volta para o hospital, não parando ou desacelerando até chegar à área de espera do pronto-socorro, onde dois policiais e um homem de jaleco branco, que presumo ser o médico, estão parados perto da recepção conversando.
Você já teve um daqueles momentos em que algo acontece e você simplesmente sabe o resultado antes mesmo de alguém te contar? Esse momento é agora.
Eu vejo o olhar sombrio no rosto deles e, embora eu queira negar, eu simplesmente sei que eles se foram.
Eu não sei quanto tempo eu fico sentada naquela maldita sala de espera, com o médico e os policiais me explicando o acidente e como fizeram tudo o que podiam para salvá-los, mas no fim só uma coisa fica na minha cabeça: eles realmente se foram.
PRESENTE
Eu saio do meu SUV e respiro fundo, aproveitando o ar fresco da manhã, que não está manchado pelo mau cheiro da cidade. Eu tentei viver minha vida lá, continuar com as coisas do jeito que eram, mas essa era uma tarefa impossível.
Tudo me lembrava deles e, tendo um lembrete em constante crescimento que já pesava sobre mim todos os dias, eu simplesmente não aguentava mais. Eu me sentia constantemente como se estivesse sendo enterrada viva.
Eu cuidei dos preparativos do velório, enfrentei o enterro deles e depois fui à leitura do testamento, onde descobri, para a minha grande surpresa, que eles deixaram tudo para mim. Isso incluía a casa, o seguro de vida e a guarda do bebê que ainda nem nasceu.
Eu sei que eles estavam apenas se precavendo, mas parece até que eles sabiam que isso ia acontecer. Eu sei, eu sei, eu pareço louca. Me mudando aqui para a pequena cidade de Barington, eu espero conseguir um recomeço.
Eu vendi a casa deles nos arredores da cidade e usei parte do dinheiro que me deixaram para comprar uma casa para reformar. Ela tem três quartos e dois banheiros, e fica perto de um parquinho pitoresco. Todas as minhas coisas, exceto o necessário, foram entregues no guarda-móveis que eu aluguei.
A cidade é linda, e a área onde fica a maior parte do comércio tem um clima antigo de interior, com os prédios de tijolos vermelhos e as placas de madeira penduradas em cima das portas.
Depois de carregar para dentro as poucas malas e caixas com itens frágeis que guardei no SUV, decido ir ao mercado e comprar coisas básicas suficientes para sobreviver no resto da semana.
Com a herança do Max e da Jane, mais o dinheiro da venda da casa e dos carros deles, somado ao que eu ainda tenho guardado do meu trabalho e o dinheiro que recebi quando nossos pais faleceram há quatro anos, eu não preciso me preocupar em trabalhar.
Eu decidi passar o resto da minha gravidez reformando a casa e focando em me curar, embora essa realmente pareça ser uma tarefa gigante.
Uma hora e duzentos dólares depois, eu volto para a casa e começo imediatamente a carregar as sacolas para dentro.
Eu estou voltando para o SUV para fazer minha segunda viagem, quando ouço gritos vindo da casa ao lado, seguido pelo som da porta se abrindo com tanta força que bate contra a parede.
Eu faço o possível para ignorar a confusão, tentando desesperadamente ficar na minha, quando uma voz doce e suave me faz parar de repente. “Você deve ser a nova vizinha! Meu nome é Lynn.”
Eu coloco no chão a sacola que está na minha mão e me viro, dando de cara com uma mulher alta, magra, de cabelos escuros e olhos castanhos sorrindo para mim. “Sim, acabei de chegar hoje. Meu nome é Niallee, mas todo mundo me chama de Nia.”
Ela me oferece a mão e eu a aperto rapidamente, antes de me virar para pegar a sacola que acabei de colocar no chão.
“É um grande prazer te conhecer. Venha, deixa eu ajudar!” Antes que eu possa recusar a oferta dela, ela já está enchendo os braços com sacolas de compras para carregar para dentro.
“Ah, hum, obrigada.” Eu dou um sorriso forçado para ela, depois guio o caminho para dentro de casa, direto para a cozinha. Nós colocamos tudo no chão e, com a ajuda dela, fazemos a viagem final e trazemos as últimas sacolas.
“Eu não moro por aqui, mas visito meu irmão, aqui ao lado, vários dias por semana. Se você um dia precisar de ajuda com qualquer coisa, é só avisar um de nós. O Lincoln pode parecer um idiota às vezes, mas ele é um cara muito bom. Ele trabalha com construção, então ele talvez possa ajudar com algumas das reformas por aqui.” Lynn parece ser uma mulher muito gentil, e dói demais perceber que ela, honestamente, me lembra muito a Jane.
“Eu agradeço. Eu tenho mais ou menos cinco meses para deixar este lugar em ordem.” Eu sei que minha blusa folgada está escondendo a pequena barriguinha de grávida, mas minhas mãos, como fazem com tanta frequência, encontram o caminho até ela e repousam sobre o pequeno milagre que cresce aqui dentro.
“Ah! Meu Deus! Você está grávida! Parabéns! De quanto tempo você está?” A empolgação genuína dela ajuda a aliviar um pouco a minha dor, e eu agradeço muito por isso.
“Quase dezessete semanas.”
O sorriso ilumina o rosto dela, me fazendo dar valor, pelo menos neste pequeno momento, ao fato de que eu ainda tenho um pedaço do Max comigo.
“Isso é tão incrível! Se você um dia precisar de ajuda, ou de qualquer coisa, é só me avisar. Aqui, coloca o seu número no meu celular, e eu te mando uma mensagem pra você ter o meu. Você pode entrar em contato a qualquer momento, de dia ou de noite.”
Eu pego o celular que ela me oferece e digito meu número. Segundos após devolver o aparelho, meu celular vibra com uma nova mensagem.
“Eu agradeço muito mesmo. Vai ser bom ter alguém aqui a quem eu possa recorrer.” Eu não consigo afastar a tristeza da minha voz, mas poxa, eu raramente consigo hoje em dia.
“Então, o pai da criança não está por perto? E a sua família?”
Como diabos eu vou explicar a minha situação? “Hum, não... para os dois.”
Ela franze as sobrancelhas e acena com a cabeça em compreensão. “Eu sinto muito por ouvir isso, mas você vai se sair muito bem, e eu estarei por perto para ajudar com qualquer coisa que você precisar. Eu trabalho de casa, então posso estar aqui em qualquer momento que você precisar de mim.”
Eu me sinto muito grata por ela não insistir em pedir mais informações, embora talvez fosse mais fácil se ela soubesse da verdade. Eu tenho a sensação de que ela vai se tornar uma excelente amiga, o que definitivamente significa que eu vou ter que me abrir com ela em algum momento.
“Eu agradeço muito por isso, mais do que você imagina.”
Ela me surpreende me puxando para um abraço, um daqueles abraços que te fazem sentir segura e acolhida. Coisas que eu não sinto desde que entrei no pronto-socorro do hospital, no dia em que o Max e a Jane foram tirados de mim.

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