
Era uma Vez uma Guerra de Bolas de Neve
Author
Arri Stone
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Chapters
25
Capítulo 1
CHARLOTTE
Vários anos haviam se passado desde a última vez que estive em casa. Meus pais estavam envelhecendo, e eu me sentia culpada por não visitá-los como havia prometido. Neste ano, no entanto, eu tinha uma desculpa para voltar e celebrar um Natal em “família” mais uma vez.
Dirigindo devagar pelas estradas cobertas de neve, eu me considerava uma boa motorista, mas a neve me deixava nervosa. Ao fazer uma curva, soltei a respiração.
Minha música favorita tocou no rádio, e eu cantarolei junto. Isso até o carro fazer um barulho alto e repentino debaixo do capô, o que me fez perder o controle.
Eu não estava dirigindo muito rápido, mas o carro derrapou e bateu na lateral nevada da estrada, fazendo o carro parar. Meu coração bateu forte no peito, e eu quase fiz xixi nas calças.
Olhando ao redor, fiquei aliviada por ter derrapado no banco de neve; o outro lado era uma queda íngreme. Eu me arrastei para o banco do passageiro e saí do carro, já que o lado do motorista estava preso contra a neve.
Tentando não reclamar, eu saí com dificuldade e abri o capô. Eu não tinha ideia do que estava procurando. Além do básico de checar o óleo e o nível do fluido do limpador de para-brisas, o resto era uma grande e confusa bagunça de metal.
Como o motor nem ligava, eu xinguei o carro e chutei um pneu. Lá no meio do nada, não havia sinal de nenhum outro carro na estrada. A longa estrada para casa de repente pareceu ainda mais longa.
Meus pais nem ficariam preocupados comigo, pois eu tinha dito a eles que não chegaria até amanhã. Eu tinha terminado o trabalho mais cedo e saído o mais rápido que pude. O último lugar em que eu queria estar era com o meu ex.
Verifiquei meu celular. “É claro, sem sinal,” eu murmurei.
Enquanto eu tentava calcular a que distância estava, ouvi o zumbido de um motor atrás de mim. “Estou salva.” Meu coração bateu forte de tanta alegria.
Joguei minha bolsa na parte de trás do carro e acenei com os braços, implorando para o motorista diminuir a velocidade. Quando o veículo começou a frear e parou, agradeci aos céus.
JACKSON FORBES
Eu estava dirigindo por várias horas. Estava cansado, e tudo o que eu queria era dormir.
Eu estava fora trabalhando sem parar, e minha casa de infância era o meu refúgio. Neste ano, fiz a promessa de voltar para casa no Natal.
Quando fiz a curva, vi um carro. Ao me aproximar, uma mulher estava na beira da estrada com o capô do carro aberto.
Passei a mão no rosto. “Era só o que me faltava, porra.” Passei por ela devagar, e ela olhou nos meus olhos.
Ela era deslumbrante — longos cabelos loiros e bochechas rosadas e fofas. Eu não conseguia ver o corpo dela, pois ela usava uma jaqueta grande e estofada.
Parei na frente do carro dela e desliguei o motor, amaldiçoando a minha sorte. Antes de abrir a porta, respirei fundo e vesti minha jaqueta.
Quando saí, ela já estava me agradecendo. Era óbvio que ela achou que eu ia passar direto por ela.
“Eu quase fiz isso,” murmurei.
Ela continuava falando. Foi só então que a reconheci como a garota que eu costumava provocar e com quem também era mau quando éramos crianças.
Mas aquilo era tudo fingimento. Eu não podia dizer a ela que gostava dela de verdade. A mãe dela me odiava. Ela não fazia ideia de quem eu era.
Quando eu tinha dezessete anos, saí de casa o mais rápido que pude, entrei para os Fuzileiros Navais e subi de cargo a partir dali para o trabalho que faço agora. Ela continuava falando, e eu já sentia uma dor de cabeça chegando.
“Posso dar uma olhada, se você quiser?” Suspirei, esperando que ela parasse de falar.
“Sim, por favor, obrigada, obrigada. Eu não tenho ideia do que estou olhando.” O sorriso doce dela me cativou, e tive que me lembrar de quem ela era.
Caminhei até o capô. Logo de cara, vi que a correia do motor tinha estourado, o que significava que o carro estava fodido.
Só para fingir, eu mexi mais um pouco e, quando saí debaixo do capô, ela estava parada bem ao meu lado.
“Qual é o veredito?” Ela mordeu o lábio inferior.
Seus olhos verdes e brilhantes piscaram para mim. Eu pude ver a preocupação por trás deles enquanto fiquei parado mais tempo do que devia, encarando o rosto dela.
Anos haviam se passado desde a última vez que a vi, e agora eu era um homem que não fazia sexo há algum tempo. Ela estava atiçando a fera escondida nas minhas calças.
“Hum, sim, está quebrado.”
Os olhos dela se arregalaram e sua boca se abriu. “Como assim? Está quebrado?”
Revirei os olhos. “A correia arrebentou. O seu motor está quebrado.”
“Tem conserto?” A voz doce e inocente dela me fez imaginar que outros barulhos ela faria.
Ela começou a morder os lábios de novo, algo que ela fazia muito quando estava nervosa; lembrei disso de quando ela era criança.
Passei a mão pelo cabelo, e Charlotte observou. Pelo jeito que ela me encarava, tenho certeza de que estava tentando descobrir quem eu era.
Ela corou quando percebeu o que estava fazendo.
“Olha, pegue suas malas e eu posso te dar uma carona. Você vai ter que chamar um guincho para vir buscar o carro.” Tive que me distrair dela, então enfiei as mãos nos bolsos da jaqueta.
Charlotte ficou parada olhando para o carro, xingando o pedaço de merda que ele realmente era. Bufando, ela foi até lá e tirou duas sacolas e uma mala do porta-malas.
Achei tudo muito divertido. Fiquei observando enquanto ela se curvava para checar o interior do carro de novo. Ela estava debruçada sobre o banco de trás, tentando pegar algo no chão atrás do banco do motorista.
Cheguei mais perto para ver o que ela estava fazendo. Foi quando a bunda dela se mexeu. Eu lambi os lábios, com vontade de dar uns tapas nela.
“Precisa de uma mãozinha?” eu disse, rindo das minhas próprias palavras.
Ela se arrastou para trás, ofegante. O zíper da jaqueta dela abriu, e ela a tirou, entregando para mim. “Não consigo fazer nada com essa coisa.”
Quando ela entrou de novo dessa vez, não pude evitar soltar um gemido enquanto ela exibia suas curvas. Agora eu encarava a sua bundinha fofa se mexendo na minha frente.
As pernas dela chutaram a neve enquanto ela procurava as coisas. “Achei.” A voz dela soou alta.
Ela saiu de novo, segurando o celular, que tinha caído no chão, embaixo do banco do motorista. O rosto dela estava todo vermelho pelo pequeno esforço.
Fiquei ali, me divertindo. Pelo jeito que ela agia perto de mim, ela ainda não tinha descoberto quem eu era. Fiquei imaginando quanto tempo levaria até ela perceber.
Fiquei segurando o casaco dela enquanto ela se movimentava apressada. Ela pegou duas sacolas em uma mão e a mala na outra. Com um rápido olhar por cima do ombro, os olhos dela mostraram uma expressão de orgulho.
Ela não queria que eu a visse como uma mulher fraca, incapaz de carregar as próprias coisas. Percebendo o meu olhar, ela levantou tudo mais alto para provar o que queria. Enquanto ela arrastava a mala com uma mão e carregava as sacolas com a outra, eu suspirei.
“Me dê a sua mala, e eu levo para você.”
“Não, eu consigo,” ela insistiu, continuando a puxar a mala.
“Continua teimosa,” murmurei baixinho.
O casaco dela estava nos meus braços, e o cheiro do seu doce perfume chegou às minhas narinas. Era o mesmo que ela sempre usou desde que teve idade para usar perfume. Abri a porta de trás da minha caminhonete e peguei as sacolas dela, colocando tudo no banco.
Ela insistiu em cuidar da própria mala, pelo menos. Dei um passo atrás e deixei a pequena Senhorita Independente fazer o que queria. O desastre aconteceu, e a mala se abriu.
Todas as roupas dela caíram por cima dela e no chão coberto de neve. Charlotte soltou um grito de frustração e largou a mala. O resto das coisas dela caiu aos seus pés.
A mala bateu na canela dela ao cair, e ela soltou um gemidinho de dor. As lágrimas começaram a cair, e eu senti um pouco de pena dela. Ela se abaixou para esfregar a perna.
Cheguei por trás dela e coloquei meu braço ao seu redor. Foi a única coisa que consegui pensar para oferecer algum conforto sem ser muito invasivo. “Por que você não senta na frente, e eu arrumo essa bagunça?” sugeri, mantendo a voz suave e calma.
Ela já não aguentava mais e concordou com a cabeça. Eu a ajudei a subir no banco da frente, pois o veículo tinha degraus altos. “Eu tenho um kit de primeiros socorros se quiser que eu dê uma olhada na sua perna.”
“Provavelmente é só um roxo. Vou ficar bem,” ela respondeu, mordendo o lábio de novo. Eu queria levantar a mão e passar o dedo no lábio dela para fazê-la parar. Em vez disso, subi as mãos pela perna dela, empurrando o tecido para cima e expondo a sua pele.
Com uma mão em volta da panturrilha dela para apoiar a perna, examinei a parte da frente e passei os dedos suavemente pela pele dela, admirando a sua perna. Ela estava certa; era apenas um hematoma. “E então?” A voz dela tremeu.
Suspirei e soltei a perna dela. “Está tudo bem, você estava certa.” Me abaixei para pegar a mala e comecei a enfiar as coisas dela lá dentro de novo.
Agora eu estava sorrindo por outros motivos enquanto recolhia as roupas íntimas dela. Eu tinha algumas calcinhas dela nas mãos, o que me fez imaginar o que ela estava vestindo agora. Quanto mais eu a encarava, mais eu me perguntava como uma adolescente loira e irritante tinha crescido para se tornar a mulher linda sentada na minha caminhonete.
Pensamentos safados entraram na minha mente sobre o que eu gostaria de fazer com ela. A minha paixão por ela estava voltando com força. Ela estava sentada, olhando pela janela da frente, quando de repente percebeu que eu estava juntando o conteúdo da sua mala.
Quando ela olhou, eu estava com as calcinhas dela nas mãos, e ela me flagrou olhando para ela. Ela ficou tão vermelha quanto eu. Quando percebi que estava comparando as calcinhas com ela, dei um pulo, um pouco nervoso, e pedi desculpas.
Perdi o equilíbrio e caí de bunda no chão. Ela pulou para pegar as coisas e os pés dela escorregaram, fazendo-a cair de cara na neve.
Eu caí na gargalhada. Charlotte não achou a menor graça e ficou muito puta da vida porque eu estava rindo dela. Ela rolou no chão, juntou um pouco de neve e jogou em mim.
A bola de neve acertou o meu rosto. Eu me sentei e sacudi a neve. “Você sempre teve uma boa mira,” eu ri. Foi nesse momento que ela percebeu quem eu era.
Os olhos dela se arregalaram e a boca ficou aberta enquanto ela me encarava, sem conseguir falar. Nós dois ficamos sentados na neve, olhando um para o outro. Eu ainda estava com as calcinhas dela nas mãos e dei um sorriso malicioso.
“E então, que cor você está usando agora?”











































