
Eu Não Pertenço Aqui
Author
Tayla Grossberg
Reads
134K
Chapters
28
Prólogo
... Eu estava com medo. Muito medo. Apavorada.
Ser corajoso não significa que você não sente medo. Significa apenas que você tem coragem de enfrentar o que te assusta. As palavras de Dimitri ecoaram de novo na minha cabeça, e eu me agarrei a elas como um marinheiro se agarra a algo que o mantém seguro na água.
Estava tão escuro no porta-malas, e a escuridão me cobria por completo como um monstro gigante. Os únicos sons que eu ouvia eram os pneus na estrada, o motor e minha respiração ofegante.
Toquei minha cabeça de novo, onde a pessoa que me sequestrou tinha batido contra a janela do carro e me fez ver estrelas. A dor me dizia que eu estava viva, e eu queria continuar assim.
Eu não me tornaria um dos fantasmas. Só precisava pensar em um plano B. Minha bolsa não estava comigo — meu celular estava dentro dela.
Virei de lado para ficar de frente para o banco traseiro do carro. Através de uma pequena fresta entre eles, consegui ver o interior do carro, onde avistei um pedaço de tecido rosa à minha direita. Seria minha bolsa?
Enfiei meus dedos na fresta, mas não consegui passar a mão. Doía, mas não parei de forçar. Minha vida dependia do meu celular. A ponta do meu dedo tocou a lateral da minha bolsa. Quase gritei de frustração.
Empurrei os bancos do carro, mas eles não se moveram. Tentei chutar o interior do porta-malas, mas não consegui escapar. Chutei, e chutei com força, meus chutes acertando o lugar certo no começo.
Conforme meu medo crescia e minha esperança diminuía, meus chutes ficaram selvagens e sem direção. Então chutei a lanterna traseira. Ela entortou.
Lembrei de ter lido em algum lugar que as lanternas podiam ser chutadas para fora, para que pessoas sequestradas tivessem uma chance maior de serem vistas. Como eu tinha esquecido disso?
Me preparei e chutei de novo — com força e no lugar certo. A lanterna traseira do carro se soltou.
Sim!
Olhei para a estrada, mas não consegui ver casas ou carros. Estávamos em uma área rural. Haveria alguém que pudesse me salvar?
Enfiei minha mão pela abertura e a balancei. Tentei me manter positiva e me convencer de que alguém a veria.
E alguém viu.









































