
Fayre
Author
Nicole Riddley
Reads
2,1M
Chapters
63
Prólogo
OITO ANOS ATRÁS
A lua está escondida atrás de uma nuvem espessa e escura. As estrelas não podem ser vistas. O vento está começando a soprar mais forte.
Um homem ajuda uma mulher e uma garotinha a saírem de um carro preto reluzente. A mulher está usando roupas elegantes. Ele as conduz em direção a um prédio escuro. Luz de velas pode ser vista através das janelas.
Um sino toca quando o homem empurra a porta para abri-la.
“Não! Não! Eu não quero essa coisa aqui dentro. Tira ela daqui! Tira ela daqui!” uma mulher dentro do prédio grita assim que as três pessoas entram na luz. Seus olhos escuros estão fixos na criança.
Ela está segurando uma faca. A ponta afiada brilha de um jeito estranho à luz das velas. Seu cabelo longo, escuro e encaracolado se move ao seu redor como cobras furiosas. Ela parece apavorada.
A mulher que acabou de entrar puxa a garotinha para perto do corpo para protegê-la. O rosto do homem fica vermelho de raiva. Ele avança para dentro da sala e agarra a mulher com a faca pelo braço.
“Nadine, se acalma. Você prometeu fazer isso!” Seus dedos grossos pressionam a pele dela.
“Mudei de ideia. Não quero ela aqui. Não quero ela perto de mim” Nadine grita.
O homem baixa a voz e fala no ouvido dela: “Ela está nos pagando muito dinheiro...”
Outra mulher o interrompe. “Isso é uma péssima ideia, Samuel. Você me disse que ela é uma bruxa, não uma louca! A mulher está claramente louca! Ela não vai chegar perto da minha filha.”
Ela está se movendo em direção à porta. Suas mãos estão segurando firme os ombros da garotinha.
“Victoria, espera! Ela consegue fazer isso. Ela pode te ajudar. Só me deixa falar com ela” Samuel implora. Sua cabeça careca está molhada de suor, e seus ombros estão tensos. Todo o seu corpo está tenso.
“Você prometeu!” ele se vira de volta para Nadine, a mulher com a faca. Sua voz soa áspera.
“Eu não consigo!” Nadine chora baixinho. “Olha para ela. Não consigo fazer isso.”
“Precisamos do dinheiro, Nadine. Você se lembra disso.”
A bruxa fecha os olhos. Seus ombros caem. “Ela não é deste mundo. Ela não pertence aqui...” ela sussurra baixinho. Seu lábio inferior treme.
“Não importa. Você prometeu fazer isso” Samuel argumenta. Sua voz fica mais suave quando ele sente que ela está começando a ceder.
A mulher respira fundo e então abre os olhos devagar. Desta vez, ela olha para Victoria.
“Você está obcecada demais por ela, não consegue ver isso? Essas coisas são perigosas. Não são nada além de maldade. São espertas de formas ruins, sorrateiras e cheias de truques. Se livra dela antes que ela te destrua.”
O rosto de Victoria fica duro. “Ela é minha bebê. Minha filha. Ela é brincalhona e difícil de controlar, mas não é má.”
“E não estou aqui para conselhos que não pedi. Estou aqui para te pagar muito dinheiro pelo seu trabalho e para manter a boca fechada.”
Os olhos da bruxa ficam frios, e uma expressão de decisão firme surge em seu rosto enquanto ela encara a criança. A garotinha é linda. Seu cabelo longo, brilhante e loiro muito claro desce pelas costas como água caindo.
Suas orelhas pequenas e levemente pontudas saindo do cabelo mostram o que ela é. Ela tem um rosto delicado demais e bonito demais, com pele branca perfeita, um nariz pequeno e reto, e lábios vermelhos e cheios.
Seus olhos grandes e brilhantes verdes, da cor de folhas de floresta e cercados por cílios grossos, longos e dourado-escuros, parecem cautelosos enquanto observam o ambiente antes de voltarem para a bruxa.
“Quantos anos ela tem?” a bruxa pergunta.
“Achamos que ela tem oito. Ela tinha uns três quando a pegamos.”
“Muito bem. Traz ela para o meio da sala e ficam para trás” a bruxa ordena. Sua mandíbula está tensa enquanto ela se move devagar pelo ambiente, mantendo a faca por perto.
Seus olhos assustados estão sempre na criança enquanto ela se move pelo pequeno espaço bagunçado cheio de livros, potes de plantas estranhas e conservas, velas de tamanhos e cores diferentes, e outros pequenos objetos.
Ela pega alguns itens dos diferentes potes nas prateleiras e os coloca em uma tigela: raiz de hélenio, alcaçuz, acônito, hissopo e alguns outros itens estranhos.
O olhar desconfiado mas curioso da criança segue cada movimento dela. Seus olhos se arregalam de medo quando a mão da mulher se fecha em torno de uma longa corrente de ferro.
“Não, não, não! Mamãe, por favor me ajuda. Por favor, mamãe, não” a menina de repente chora, balançando a cabeça.
Ela tenta correr mas a bruxa é rápida em jogar o ferro na frente dela, falando palavras estranhas: “Trin lánce hin mánge, me pçándáv tute.”
A corrente de ferro se move como uma cobra, fazendo um círculo ao redor da garotinha.
“Káthe tu besá! Káthe tu besá! Ná ává kiyá mánge!”
“Mamãe! Mamãe! Me ajuda!” Seus gritos ficam mais desesperados. “Vai doer. Vai doer muito... Mamãe, por favor!”
“Faz ela esquecer. Faz ela esquecer tudo” Victoria diz por cima das súplicas e choros da garotinha. “Faz ela ficar normal... faz ela ficar humana.”
“Ela não é humana. Não posso fazer ela humana” a bruxa diz com firmeza.
“Eu quero minha filha perfeita” Victoria diz.
O rosto da bruxa mostra que ela está irritada. “Você quer ela controlada e obediente? Você sabe que ela não é controlada e obediente por natureza.”
Sua voz fica mais baixa e soa assustadora enquanto ela continua: “E ela vai voltar para onde veio um dia. Eles estão vindo buscar ela.”
O rosto de Victoria fica branco, e lágrimas enchem seus olhos. “Então você garante que ela não vai a lugar nenhum.”
Sua voz treme, depois fica firme. “Mantém eles longe dela. Garante que eles não possam alcançar ela” ela diz com força.
A bruxa levanta uma sobrancelha. “Você entende que há um preço alto quando você muda a ordem natural das coisas, certo?”
“Não dou a mínima para o custo! Apenas faz. Vou te pagar mais, muito mais... se você conseguir fazer ela ficar, fazer ela humana. Minha garotinha perfeita.”
Elas não estão pensando a mesma coisa, mas a bruxa acena de qualquer forma.
“Mamãe! Eu prometo que vou ser boa. Mamãe! Está doendo... por favor!” a garotinha implora.
“Shh agora... Você está bem, querida. Tudo vai ficar bem. Confia na mamãe. Shh...”










































