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Série Primeiros Socorristas

Capítulo 1

^DOIS MESES DEPOIS^
“Ora, se não é a pequena Jess Taggert!” disse o Sr. Elway todo animado quando Jess entrou na loja de ferragens da cidade.
“Você cresceu e virou uma mulher bonita. Tão linda quanto sua doce mãe, que Deus a tenha.”
Sorrindo, Jess abraçou o velho lojista.
“Oi, Sr. Elway. Vim buscar as coisas que o papai encomendou. Ele finalmente vai consertar aquele celeiro velho atrás de casa hoje. A aposentadoria não vai ser moleza pra ele quando finalmente chegar” ela riu.
O Sr. Elway riu junto.
“Você tem razão, mocinha. Seu pai nasceu inquieto. Aquele rapaz não consegue ficar parado nem que a vida dele dependesse disso.”
Ele se virou para os fundos da loja e gritou:
“Seth! Garoto, vem aqui! Preciso que você ajude a Srta. Taggert com o pedido dela!”
Um adolescente alto e magro, com cabelo loiro bagunçado, saiu correndo. Ele tinha um sorriso torto no rosto.
“Tô aqui, vovô. O pedido dela tá pronto. Vou carregar agora mesmo.”
Jess conversou com o Sr. Elway enquanto Seth carregava a picape.
O sininho acima da porta tocou e o xerife da cidade entrou. Ele parecia um pouco familiar, mas seu rosto estava meio escondido pelo chapéu. Ele o tirou e passou a mão pelo cabelo loiro e espesso.
“Bom dia, xerife” disse o Sr. Elway.
O homem alto caminhou até o balcão e finalmente ficou de frente para Jess. Os olhos dela se arregalaram de surpresa, e ela tinha certeza de que sua boca se abriu.
“Que me danem” o xerife riu. “Jess Taggert, tão certo quanto estou vivo e respirando.”
O xerife da cidade era o garoto com quem Jess tinha passado a maior parte dos anos do ensino médio sonhando.
Caide Walker. Ela não teria achado possível que o homem ficasse ainda mais bonito, mas ele tinha ficado.
Seus ombros e peito tinham ficado muito maiores, se a camisa justa do uniforme mostrava alguma coisa, e ela se esforçou para não pensar em como ele preenchia o jeans.
“Xerife Walker” ela disse. “De todas as coisas que achei que você seria quando crescesse, xerife não era uma delas.”
Caide sorriu, seus olhos castanhos brilhando de diversão.
“Pois é, sou xerife aqui há cinco anos. E você? Achei que seu pai tinha dito que você era uma bombeira importante em San Francisco. Voltou pra casa de vez?”
Jess olhou para baixo e desviou o olhar, segurando o aperto na garganta.
“É, voltei pra casa de vez. Você pode tirar a garota de Montana, mas não pode tirar Montana da garota” ela disse, sorrindo fraco.
Caide pareceu confuso, mas não fez mais perguntas. Seus instintos estavam dizendo para deixar pra lá por enquanto.
“Tenho que dizer, Jess, você não mudou nada. Ainda tão linda quanto era no ensino médio. Saio em uns vinte minutos. Que tal a gente tomar um café e colocar o papo em dia?”
Jess estava prestes a dizer não, mas sua boca disse algo diferente.
“Claro. Eu gostaria.”
Caide lhe deu aquele sorriso sexy que ela se lembrava tão bem.
“Ótimo. Vou terminar minha ronda e te encontro no Dinah's.”
Ele a puxou para um abraço.
“Que bom te ver, Jess. Fico feliz que você voltou.”
Ele a soltou e saiu pela porta.
O Sr. Elway tinha um olhar cúmplice no rosto.
“Seth vai terminar mais ou menos nessa hora, então se você quiser ir, pode ir. A picape vai estar segura aqui.”
Jess revirou os olhos e sorriu para o velho.
“Agora, Sr. Elway” ela disse. “Tire essa ideia boba da cabeça. É só um café entre velhos amigos.”
Ela não conseguiu evitar rir quando o velho mexeu as sobrancelhas para cima e para baixo.
“Ele é um homem muito bonito e muito solteiro, Jess. Você é uma mulher muito bonita e muito solteira. É só isso que estou dizendo.”
Jess sorriu, mas foi um sorriso triste.
“Eu já tive o melhor que existe, Sr. Elway” ela disse baixinho.
O homem mais velho tocou seu ombro com carinho.
Ela pagou pelo pedido e acenou adeus enquanto atravessava a rua até o Dinah's Diner. Ao entrar, ela respirou os cheiros familiares de torta de maçã quente e café forte.
“Jess? Querida, é você?”
Uma ruiva robusta com um avental listrado veio de trás do balcão.
“Meu Deus!” ela disse alto. “É você mesmo! Seu pai disse que você estava voltando pra casa.”
Dinah a puxou para um abraço e beijou sua bochecha. Um olhar de tristeza passou por seus olhos.
“Como você está, querida?”
Jess levantou os ombros.
“Estou bem, Di. O papai está me mantendo ocupada. De repente, ele resolveu consertar tudo na casa que está quebrado há anos, começando com aquele celeiro velho nos fundos.”
Dinah riu e a abraçou de novo.
“Bem, me avisa se precisar de qualquer coisa, tá bom?”
Jess assentiu e caminhou até a cabine do canto perto da janela.
Dinah trouxe uma xícara de café preto e a deixou sozinha com seus pensamentos. Ela bebeu o café escuro, deixando sua mente vagar enquanto olhava pela janela. Ela não sabia que estava sendo observada.
Caide a viu quando virou a esquina da loja ABC. O cabelo castanho dela brilhava com reflexos castanho-claros dos raios de sol que entravam pela janela do restaurante. Sua respiração falhou.
Ele tinha esquecido o quão linda ela era. Jess tinha sido muito bonita no ensino médio, mas agora ela era toda mulher. A mulher mais linda que ele já tinha visto.
Ele parou e a observou por alguns minutos. Havia um olhar de tanta tristeza em seu rosto.
“O que aconteceu com você, Jess” ele disse baixinho para si mesmo.
Finalmente, ele desceu da calçada e entrou no restaurante.
“Ela está bem ali no canto, querido!” Dinah gritou quando Caide entrou.
Ele sorriu e caminhou até a cabine. Ao se sentar, ele viu a expressão vazia deslizar pelo rosto de Jess. Ela lhe deu um sorriso que não chegou aos olhos.
Dinah colocou o café dele na frente dele, junto com creme e açúcar. Jess o observou adicionar as coisas à xícara antes de tomar um gole.
“Café preto?” ele perguntou. “Achei que você fosse do tipo creme e açúcar.”
Ela riu.
“Não tinha tempo pra isso quando estava de plantão. A gente ficava bem ocupado, e acho que me acostumei a beber preto. Não acho que conseguiria voltar pro lado claro e doce mesmo que quisesse. Seria como se estivesse virando as costas pra irmandade” ela riu.
“Então, me conta sobre combater incêndios. É um trabalho muito perigoso, mas acho que está no seu sangue.”
Caide colocou a xícara na mesa.
“Estou morrendo de fome, Jess. Você se importa se eu comer?”
Ela balançou a cabeça.
“Se tem alguém que entende a necessidade de comer depois de um turno longo, sou eu. Teve dias que a gente ficou tão ocupado no quartel que não comi durante o turno inteiro. Eu pegava uma barra de proteína e comia rápido entre chamadas, mas aquilo só durava até certo ponto” ela disse.
Caide sorriu.
“Vou te pagar uma fatia da torta de maçã da Dinah como agradecimento por deixar um homem faminto comer.”
O sorriso dele era tão sexy quanto sempre.
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