
Fugindo do Bilionário Livro 2
Author
Reads
491K
Chapters
44
Capítulo 1
Livro 2: Fugindo do Bilionário
A coisa mais difícil para mim era escolher um vestido. Quero dizer, para uma aspirante a modelo, se arrumar não era fácil, pelo menos na vida normal. Mas, para mim, escolher a roupa perfeita exigia muito tempo.
“Talvez eu devesse usar o vestido verde”, murmurei para mim mesma. Assim que o tirei do armário, coloquei-o de volta.
“Não.” Passei os olhos pelos meus vestidos pendurados na arara de metal. “Talvez o azul?” Quando tirei o vestido azul, fiz um grande esforço para não gemer de frustração em voz alta. Maldição, eu precisava fazer compras. Nenhum daqueles vestidos era perfeito para hoje, nenhum.
Era em momentos como esse que eu mais sentia falta da Hailey, minha melhor amiga. Ela sempre me ajudava a escolher o vestido certo. Agora, eu não tinha ninguém para me ajudar com o meu problema de roupas. Hailey estava muito bem casada com Theodore. Mesmo estando feliz por minha melhor amiga, eu sentia falta dela e não conseguia evitar um pouquinho de ciúmes. Ela tinha o homem perfeito: louco e dominador, mas perfeito.
Suspirando, desisti de procurar o vestido perfeito. Talvez eu devesse encontrar uma nova melhor amiga, já que Hailey agora estava ocupada com o marido e os gêmeos que logo iriam nascer. Mas eu sabia que ninguém seria capaz de substituir a Hailey. Ela sempre esteve comigo, sempre me ajudou, e não havia ninguém como ela.
Antes que eu pudesse pensar mais na minha melhor amiga e em sua nova vida, meu celular tocou. Olhei o identificador de chamadas e atendi quando vi que era o José. Ele era um fotógrafo com quem eu tinha transado uma vez. Fazer sexo com o José acabou sendo uma experiência assustadora para mim, porque achei que estava grávida dele. Mas, graças a Deus, foi só um alarme falso.
“Alô, José, tudo bem?”, perguntei, me acomodando no sofá.
“Oi, Amanda, tenho boas notícias para você.” José parecia animado, o que significava que o que quer que ele quisesse me contar era realmente muito bom.
“Ah, o que é?”, perguntei.
“Bem, uma nova empresa de moda quer que você seja modelo dos vestidos deles. E deixa eu te falar, Amanda, os vestidos são incríveis”, respondeu José.
Meu coração começou a bater forte de tanta animação. Meu Deus, uma empresa queria que eu fosse modelo deles. Eu não conseguia acreditar que o meu sonho estava prestes a se tornar realidade.
“Qual é o nome da marca de roupas?”, questionei.
“Ah, é um nome francês meio estranho. Não é uma marca grande, mas os vestidos são maravilhosos. Você pode me encontrar daqui a alguns dias, e eu te levo até eles. Depois, você decide se quer ser modelo deles”, disse ele.
“Sim, claro. Com certeza. Você está livre daqui a três dias?”, perguntei.
“Sim, estou. Podemos nos encontrar em um café e ir de lá. Mas Amanda, os vestidos são realmente lindos, e olha que eu sou homem!” Eu nunca tinha ouvido o José elogiar nenhuma marca de roupas antes, e agora ele não conseguia parar de falar dessa. Agora, eu realmente queria ser modelo para essa marca, mesmo não fazendo ideia de qual era.
“Certo, tudo bem. Te vejo em três dias. Obrigada, José.” Com isso, desliguei com um sorriso no rosto. Desde o momento em que José e eu ficamos juntos, nós nos tornamos bons amigos. Nós dois só precisávamos de uma noite de sexo casual, sem compromisso, e eu estava feliz por nós sermos amigos agora.
Me sentindo mais feliz do que em todo o resto do dia, decidi ir às compras. Eu era viciada em compras. Essa era a minha fonte de conforto, não importava qual fosse a situação. Eu estava feliz por ter começado a ganhar dinheiro. Talvez um dia algum estilista famoso quisesse que eu fosse modelo dos vestidos dele.
Pegando minha bolsa no armário, verifiquei a carteira e contei meu dinheiro. Só quando me dei por satisfeita de que tinha o suficiente para comprar um ou dois vestidos é que guardei a carteira na bolsa. Peguei meu celular e estava prestes a sair do quarto quando ele começou a tocar de novo.
“Olá, chefinho”, eu disse para o Theodore com um grande sorriso no rosto. Eu não fazia ideia do motivo pelo qual o Theodore estava me ligando. Mas fosse o que fosse, eu o escutaria, por causa da Hailey.
“Olá, Amanda, como você está?”, Theodore me perguntou educadamente.
“Estou ótima, chefinho. E você?” Eu nunca tinha parado de chamar o Theodore de chefinho e nunca iria parar.
“Estou bem, obrigado. Escute, eu queria te convidar para jantar. Toda a minha família vai estar lá, e eu adoraria se você pudesse vir”, ele me disse.
Meu coração apertou quando ele mencionou que toda a família dele estaria lá. Eu nunca me saí bem perto de famílias. Por algum motivo, eu achava que as famílias me julgavam muito, e odiava isso. Se o Theodore tivesse dito que estava me convidando para jantar só com ele e com a Hailey, eu teria aceitado na hora. Mas agora, eu não estava tão animada assim.
“Ah, chefinho, eu não conheço a sua família. O que eu vou fazer lá?”, indaguei.
“Eu convidei a Ingrid e a April também, você sabe, as primas da Hailey. Assim, você vai conhecer alguém lá”, respondeu ele.
“É, mas é a sua família. Não vou estar incomodando?” Eu realmente não queria ir.
“Não, você não vai incomodar de jeito nenhum. Olha, o motivo pelo qual eu quero você lá é porque vou pedir a Hailey em casamento. Eu quero que a família dela e a minha família estejam lá, então, por favor, nem pense em recusar. A Hailey vai ficar feliz se você estiver lá.”
“Tudo bem, estarei lá. Quando vai ser?” Eu finalmente cedi, apenas porque queria estar lá pela minha melhor amiga. E eu meio que me apaixonei pelo Theodore quando ele me disse que iria pedir a Hailey em casamento. Aquele homem a amava de verdade.
“Hoje à noite.” A palavra fez meu coração parar. Olhei para o relógio e vi que já eram 17h30.
“O quê?!”, quase gritei. Merda! Eu não tinha vestido. O que diabos eu ia vestir?!
“Eu sei que foi em cima da hora, mas, por favor, Amanda, você tem que estar lá. Você é importante para a Hailey. Ela não vai ficar feliz se você não for”, implorou Theodore.
“Tá bem.” Dei um suspiro exagerado. “Onde vai ser o jantar?”, perguntei, olhando para o meu armário como se ele fosse a minha salvação.
“Vou te mandar uma mensagem com o nome e o endereço do restaurante agora mesmo.”
“Tá bem, estarei lá às 19h30”, murmurei.
“Ótimo, muito obrigado. A Hailey vai ficar feliz em te ver.” Com isso, Theodore desligou, me deixando preocupada com o vestido perfeito.
Largando o celular e a bolsa na cama, fui em direção ao armário. “Ok, agora, por favor, me dê o vestido perfeito para usar nesse jantar”, implorei para o meu guarda-roupa. Eu queria ter magia para poder fazer aparecer a roupa perfeita para essa ocasião.
Escancarando as portas do meu armário, peguei um monte de vestidos e joguei todos eles na cama. Fiz isso até que o meu armário ficasse vazio. Todas as minhas roupas estavam espalhadas pela cama. Então, comecei a inspecionar cuidadosamente cada vestido que eu tinha. As roupas que recebiam um “não” definitivo eram jogadas para o outro canto do quarto. Os vestidos que podiam ser usados em um jantar formal ficaram na cama.
No final, sobraram dez vestidos. Depois de mais uma rodada de inspeção cuidadosa, eu finalmente escolhi um vestido azul.
Era um vestido com um tom de azul que clareava até a barra, feito de um tecido fino chamado chiffon. Não tinha alças, contava com um decote em formato de coração e terminava um pouco acima dos meus joelhos. A parte de cima do vestido era de um azul-escuro lindo. A cor ia ficando mais clara conforme descia, formando um belo efeito degradê. Como eu podia usar o vestido com meus saltos enfeitados com pedras, achei que seria perfeito para o jantar. Com um “muito obrigada” silencioso para Deus lá em cima, fui me trocar rapidamente.
***
Cheguei ao restaurante às 19h15. O restaurante era lindo e parecia muito caro. Eu percebi na hora que era o lugar perfeito para um pedido de casamento. Olhei para uma mesa grande com taças e outros talheres, até que meus olhos pararam na Ingrid. Suspirando de alívio, caminhei na direção dela.
“Oi, Ingrid”, eu disse com um sorriso. Ela estava conversando com uma ruiva muito bonita.
Ingrid se virou para mim sorrindo. “Ei, Amanda, que bom que você chegou. Escute, me faça um favor e vá conversar com a April. Ela parece que está precisando ser salva.” Ingrid me empurrou devagar na direção da April. Ela estava em um canto, enquanto um cara bem parecido com o Theodore tentava conversar com ela.
“Oi, April”, eu disse, torcendo para que ela não me mandasse ir embora.
Quando os olhos da April encontraram os meus, um alívio instantâneo brilhou naqueles olhos verdes vibrantes. Ela sorriu para mim. Meu Deus, ela era adorável.
“Oi, Amanda, que bom te ver. Você está linda”, elogiou ela.
“Obrigada”, eu disse.
“Ah, este é o Harry, o irmão mais novo do Theodore.” Ela me apresentou ao homem que estava conversando com ela. Ele era igualzinho ao Theodore, só que mais magro. Ele estava maravilhoso com aquele terno.
“Oi, eu sou a Amanda, a melhor amiga da Hailey”, eu disse para o Harry, que apenas confirmou com a cabeça.
“É um prazer conhecer você”, disse Harry, mas o olhar dele continuava fixo na April, que parecia uma versão real da Branca de Neve.
“Onde estão o Theodore e a Hailey?”, perguntei, querendo puxar assunto.
“Eles ainda não chegaram. Devem chegar por volta das 20h30. Você devia se sentar e relaxar”, sugeriu Harry.
“Eu preciso de água.” Harry apontou para a mesa onde uma jarra de cristal se destacava. A água brilhava contra a luz. Pedindo licença, fui até a mesa grande, peguei a jarra e um copo e coloquei água. Colocando a jarra de volta, levei o copo aos lábios. Porém, o som de alguém limpando a garganta me fez parar.
Virei para a esquerda e vi outro homem bonito de pé, usando um terno azul-marinho. Ele tinha cabelos escuros como os do Theodore, olhos cinza-chumbo e lábios que imploravam para ser beijados. Ele não era apenas bonito, ele era completamente sexy. Ele não ficava devendo em nada para a beleza do Theodore.
“Oi, eu sou o Trent, primo do Theodore. E você é?”, perguntou ele. A voz dele fez meus joelhos tremerem.
“Eu sou a Amanda, a melhor amiga da Hailey”, me apresentei.
Trent ergueu a sobrancelha de um jeito arrogante. “Entendi. Você é a melhor amiga louca”, afirmou ele.
Minha raiva acendeu. “Como é que é?” Por que diabos ele estava me chamando de louca? Ele não sabia nada sobre mim.
“Você me ouviu”, disse ele simplesmente.
“Eu não sou louca. E já que você não me conhece, sugiro que guarde seus comentários e opiniões para você”, disparei. Eu tinha um pavio muito curto. Quando as pessoas me julgavam sem me conhecer, iam automaticamente para a minha lista de ódio.
“Viu? Como eu disse, totalmente louca.” Esse homem não tinha modos. E por que ele estava me chamando de louca se nem me conhecia? A Hailey tinha falado de mim para ele? Não, a Hailey nunca falaria mal de mim na frente de ninguém.
Bati o copo na mesa, sem fazer muito barulho para as pessoas não ouvirem. Dei um passo à frente até ficar a poucos centímetros do Trent e lancei para ele o meu olhar mais mortal. Ele não tinha ideia de com quem estava lidando.
“Escute aqui, seu porco arrogante, você não me conhece. Então, mantenha a boca fechada antes que eu grampeie os seus lábios. E, por mais que eu ame a imagem da sua boca fechada, vou ser uma pessoa compreensiva e deixar passar desta vez. Então, fique bem longe de mim”, cuspi as palavras.
Trent passou os olhos pelo meu corpo, me fazendo sentir exposta, antes de dar um passo à frente até que seu hálito de menta batesse no meu rosto. No entanto, eu não me deixei intimidar. Homens como o Trent só queriam se sentir superiores. E eu sabia muito bem como lidar com pessoas como ele.
“Eu sei o suficiente para dizer que você é louca, teimosa e um pé no saco. Sou muito bom em ler as pessoas, sombria”, ele murmurou.
“Parece que as suas habilidades de leitura precisam de uma melhorada. Porque a sua interpretação sobre mim está longe de ser exata”, sibilei.
“Como queira, sombria”, afirmou ele.
“E não me chame de sombria! O que isso quer dizer, afinal?!” Esse cara era um verdadeiro babaca.
Mais uma vez, Trent passou os olhos por mim. “Vou te chamar de sombria porque você é sombria.” Ele olhou para o meu vestido enquanto dizia isso.
Franzindo a testa, segui o olhar dele e finalmente entendi. “Você está falando sério?! Você está me chamando de sombria por causa do meu vestido?! Meu vestido tem um sombreado em vários tons de azul. Isso não significa que eu seja uma pessoa sombria”, esbravejei. Como é que esse cara podia ser parente do Theodore? Ele era um babaca!
“Não é só pelo vestido, embora eu tenha tirado o apelido de lá. É por você também, sombria”, comentou ele.
“Guarde essas suas interpretações idiotas sobre mim para você. Não estou interessada em ouvi-las”, afirmei. Eu já estava sentindo meu sangue começar a ferver.
“Olha aqui, sombria, não me importo se você está interessada ou não. Eu vou te chamar do que eu quiser.”
Eu tinha uma resposta muito boa para aquilo. Mas, antes que eu pudesse dizer uma palavra, toda a família do Theodore, junto com a April e a Ingrid, se sentaram à mesa. Apertando os olhos para o Trent, me virei e puxei uma cadeira para me sentar.
Bufei enquanto me sentava. Tentei ao máximo me acalmar, mas não estava conseguindo. Peguei o copo d'água, que eu tinha esquecido antes por causa do Trent. Bebi o líquido refrescante rapidamente. Depois de respirar fundo algumas vezes, suspirei de alívio ao ver a April sentada ao meu lado. O Harry estava sentado ao lado dela. A Ingrid estava sentada ao lado da ruiva. As duas estavam perdidas em uma conversa.
A cadeira vazia do meu outro lado foi puxada. Nela, sentou-se o homem que estava rapidamente se tornando o número um na minha lista de ódio. Trent sentou-se ao meu lado e minha raiva acendeu mais uma vez. Eu tinha a sensação de que bastava olhar para o Trent para que o meu temperamento explodisse.
“Vá se sentar em outro lugar. Eu gostaria de jantar em paz”, rosnei.
Trent deu uma risada baixa antes de fixar seu olhar escuro em mim. “Acredite em mim, sombria, eu não esperava que a minha noite fosse estragada por uma mulher louca. Mas nem sempre a gente consegue o que quer.”
De repente, me deu uma vontade enorme de dar um tapa nele. “Vá se sentar em outro lugar”, repeti.
“Não posso. Não tem mais nenhuma cadeira vazia.”
Eu até me levantaria para trocar de lugar com alguém, mas não conhecia ninguém. A Ingrid e a April estavam muito ocupadas conversando com as pessoas ao lado delas. E eu não queria ser mal-educada. Então, fiquei onde estava. Eu suportaria a presença desagradável do Trent pela Hailey.
“Então, sombria, o que você faz da vida?”, perguntou Trent, com a voz cheia de diversão.
Eu o ignorei. Pelo menos eu tentei, mas o homem era pior do que um carrapato. Quando eu não respondi, ele começou a bater o garfo no copo. Aquele barulho me cegou de tanta raiva.
“Dá para parar com isso?!”, murmurei irritada, lançando-lhe um olhar furioso. Olhei em volta para ver se mais alguém daria uma bronca no Trent por fazer tanto barulho, mas ninguém pareceu notar.
“Você deveria controlar esse seu gênio, sombria. As pessoas podem fazer coisas ruins com você.” Por que eu senti que ele estava me ameaçando?
“Por que você não cuida da sua maldita vida, só dessa vez? E para de se preocupar com o meu gênio. E pela última vez, pare de me chamar de sombria!”
“Eu deveria dar um jeito nesse seu gênio. Você não acha, sombria?”
Pronto, eu já estava farta dele. Abri a boca para dizer exatamente o que eu pensava. Mas vi a Hailey e o Theodore vindo na nossa direção. Engolindo minhas palavras venenosas de volta, me levantei e fui ao encontro da Hailey. Eu não devia gastar meu fôlego com o Trent. Eu precisava estar lá para a minha melhor amiga.
Então, com um sorriso no rosto, levantei-me e fui ao encontro da minha melhor amiga.













































